Cidades

PROMOTORIA DO PATRIMÔNIO

Ministério Público investiga contratos milionários da Fiems com empresas

Inquérito vai apurar supostas irregularidades em acordos com a Inovaseg e a Souza Alves & Cia, que têm os mesmos donos

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, instaurou inquérito civil para investigar possíveis irregularidades em contratos firmados entre duas empresas campo-grandenses e a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).

No Diário Oficial desta sexta-feira, o MPMS tornou pública a instauração de inquérito civil para “apurar eventuais irregularidades envolvendo as empresas I. C. de E. S. L e S. A. & C. L., em contratos celebrados com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul – Fiems”.

O Correio do Estado apurou que as empresas que foram alvo da ação são a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. e a Souza Alves & Cia Ltda., ambas com os sócios Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa no comando, ou seja, são do mesmo grupo econômico, o que aumentou as suspeitas do órgão.

“Ainda é início da investigação, e a denúncia inicial envolve possível participação de duas empresas do mesmo grupo econômico em licitações da Fiems”, disse uma fonte à reportagem.

A mesma fonte disse que, por enquanto, a Fiems não é alvo da investigação, apenas os contratos com essas empresas.

Contudo, reforça que a investigação também vai apurar se houve algum direcionamento no momento da licitação ou até a participação de algum dos membros ou diretores da federação com o objetivo de facilitar a concorrência.

No levantamento feito pela reportagem, foi encontrado um contrato firmado entre a Fiems e a empresa Souza Alves & Cia com início em dezembro de 2022 e término em dezembro de 2023, sob valor de R$ 405.736,30.

O contrato tinha como objetivo “compra de materiais de expediente” e teve como contratante o Serviço Social da Indústria de Mato Grosso do Sul (Sesi-MS), que faz parte do sistema Fiems.

Foi identificado mais um contrato com a empresa, desta vez no valor de R$ 514.799,95, com objeto “registro de preços para fornecimento futuro e eventual de materiais elétricos, para atender às necessidades das Unidades Operacionais do Senai-MS”.

Curiosamente, a Souza Alves & Cia tem mais dois contratos com o mesmo objeto, sob preço de R$ 352.999,98.

Já com a Inovaseg a reportagem encontrou três contratos, que, somados, ultrapassam a casa dos R$ 500 mil. O maior deles é avaliado em R$ 405 mil e o segundo é de aproximadamente R$ 98 mil, ambos com o mesmo objeto dos contratos firmados com a Souza Alves & Cia.

Também foram identificados contratos menores envolvendo as duas empresas, avaliados entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Somados, os contratos entre o sistema Fiems e as empresas de Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa alcançaram o montante de R$ 1,8 milhão.

O Correio do Estado entrou em contato com a Fiems para saber o posicionamento da federação diante da ofensiva do MPMS, porém, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

Contratos firmados desde 2022 entre a Fiems e as duas empresas, que têm os mesmos proprietários, são alvo do MPMSContratos firmados desde 2022 entre a Fiems e as duas empresas, que têm os mesmos proprietários, são alvo do MPMS - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

POLÊMICA RECENTE

Em setembro do ano passado, o MPMS instaurou inquérito civil envolvendo o diretor de Relações Internacionais da Fiems e presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide MS), Aurélio Rolim Rocha, por desmatamento sem autorização ambiental em uma fazenda de sua propriedade, em Nioaque.

De acordo com o MPMS, o inquérito civil é para apurar a regularidade jurídico-ambiental da supressão vegetal a corte raso em área total de 6,503 hectares.

A investigação foi aberta após o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) constatar e multar o empresário em R$ 7 mil pelo desmatamento.

Em sua defesa, protocolada nos autos, o diretor de Relações Institucionais da Fiems afirmou, por meio de seus advogados, que pediu que o auto de infração e o laudo de constatação emitidos pelo Imasul fossem declarados nulos de pleno direito e, por consequência, extintas as obrigações e implicações neles contidas.

A alegação é de que os fiscais que lavraram o auto de infração exerceram ilegalmente a profissão e “não detêm as qualificações necessárias para que pudessem elaborar ou mesmo proferir qualquer laudo de constatação” nem têm competência para aplicar multa, entre outros pontos.

No entanto, o MPMS instaurou o inquérito civil público, pois, segundo o órgão, além das infrações cíveis e administrativas, a conduta de Rocha pode configurar, em tese, crime de “destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção”, para casos de Área de Proteção Permanente (APP).

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Desenrola Fies

Mais de 22 mil estudantes de MS podem renegociar dívida do FIES

Em todo o Estado, as dívidas com possibilidade de negociação chegam a R$ 1,6 bilhão

13/05/2026 17h00

O Fies é um programa do governo federal para financiamento de graduação de estudantes em cursos superiores

O Fies é um programa do governo federal para financiamento de graduação de estudantes em cursos superiores FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em Mato Grosso do Sul, mais de 22,4 mil estudantes com contratos em atraso podem negociar suas dívidas por meio do Desenrola Fies a partir de hoje (13). Ao todo, são 22.421 contratos passíveis de negociação.

O programa desenvolvido pelo Governo Federal oferece condições para a quitação de dívidas vinculadas a instituições de ensino, com descontos que podem chegar a até 99% do valor total. Em todo o Estado, as dívidas com possibilidade de renegociação chegam a R$ 1,6 bilhão.

A expectativa do programa é que mais de 1 milhão de estudantes sejam beneficiados com o refinanciamento de dívidas estudantis em todo o Brasil, com saldo devedor que ultrapassa R$ 83,14 bilhões.

Podem participar quem teve contrato firmado até 2017 e que estava em fase de pagamento até o dia 4 de maio de 2026. O prazo para as negociações se encerram no dia 31 de dezembro deste ano. 

Condições

Para os débitos vencidos há mais de 90 dias, o estudante pode optar pelo pagamento à vista com desconto nas multas e redução de até 12% do valor principal. Se preferir, pode escolher o parcelamento da dívida em até 150 parcelas mensais, com redução de 100% dos juros e multas. 

No caso de estudantes inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) em situação de vulnerabilidade social, débitos vencidos há mais de 360 dias podem ser quitados de forma integral com desconto de até 99% do valor. 

Para os débitos vencidos acima deste prazo podem ser liquidados com desconto de até 77% do valor. 

Já para os estudantes em dia com os pagamentos ou com atrasos de até 360 dias, o programa oferece a opção de pagamento integral, com 12% de desconto sobre o saldo devedor. Segundo o Governo, essa medida "visa facilitar o encerramento antecipado do contrato, garatindo uma redução direta no montante devedor". 

Como renegociar

Para renegociar as dívidas, é preciso seguir o seguinte passo a passo:

  1. Acessar o canal digital pelo aplicativo ou portal - entre os dias 13 de maio e 31 de dezembro de 2026, acesse o aplicativo do banco onde o contrato foi firmado (Caixa ou Banco do Brasil). 
  2. Solicitar a adesão - no aplicativo ou portal, selecione a opção de renegociação do Fies e veja qual modalidade está disponível para o seu perfil de dívida.
  3. Validação dos termos - leia e aceite o termo aditivo de forma eletrônica. Se for necessário a assinatura de fiadores, o sistema irá mostrar como proceder.
  4. Efetuar o pagamento - com as etapas finalizadas, gere o boleto para pagamento ou autorize o débito da parcela de entrada diretamente pelo aplicativo ou portal. 
  5. Acompanhar a regularização - após a confirmação do pagamento, é feita a retirada do nome do estudante e dos fiadores dos cadastros de inadimplência de forma automática de acordo com o cronograma de pagamento. 

Escândalo Pré-Eleitoral

"Dark Horse" domina buscas no Brasil na tarde desta quarta-feira

Interesse pelo filme sobre Bolsonaro disparou de zero a 100 em menos de três horas após revelação do Intercept sobre negociação milionária entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro

13/05/2026 16h38

Gerado com IA por Correio do Estado

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O termo "dark horse" saiu do absoluto silêncio digital para ocupar o topo das buscas no Brasil na tarde desta quarta-feira, 13 de maio. Os dados de volume de buscas mostram que o interesse era nulo até as 14h (horário de Brasília) e atingiu o pico máximo por volta das 16h24, num crescimento que levou menos de três horas para ir de zero a cem.

Fonte: Google Trends

O pico coincide com a proximidade do lançamento do longa-metragem americano de mesmo nome. Dark Horse é um filme biográfico norte-americano dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito por Mário Frias, com previsão de estreia para 11 de setembro de 2026. O longa retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, com foco no atentado a faca sofrido pelo então candidato. 

Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, estrela o filme no papel de Bolsonaro. A escalação do ator americano foi um dos elementos que mais alimentaram a repercussão do projeto nas redes sociais e na imprensa desde o fim de 2025.

A produção não é isenta de polêmicas. Segundo o Intercept Brasil, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações financeiras ligadas ao projeto, com recursos que teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As investigações sobre a origem do financiamento seguem em aberto.

As controvérsias também se estenderam às condições de trabalho no set. Pelo menos 14 figurantes recorreram à Justiça alegando condições "humilhantes", incluindo denúncias de agressões, atrasos em pagamentos, fornecimento de alimentos estragados e restrições abusivas ao uso de banheiros.

Mesmo antes do lançamento, a produção já acumulou um embate jurídico inusitado. Após a divulgação do teaser, a equipe da cantora Beyoncé entrou com ação judicial pedindo a retirada da música "Survivor", do Destiny's Child, utilizada sem autorização. 

O diretor Nowrasteh descreveu o projeto como "um thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque", com ambições que vão além do mercado brasileiro.

Os produtores esperam repetir o desempenho de Som da Liberdade (2023), também estrelado por Caviezel, que arrecadou US$ 184 milhões nos Estados Unidos  com o Brasil figurando entre seus maiores mercados internacionais. Deadline

Com estreia marcada para setembro, o filme promete manter o debate aquecido nos próximos meses dentro e fora das telas.

O escândalo

O que transformou o filme numa bomba política foi a reportagem publicada pelo Intercept Brasil na tarde desta quarta-feira. Mensagens obtidas pelo veículo indicam conexão direta entre o senador Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro que está preso. Documentos indicam que R$ 61 milhões teriam sido enviados aos Estados Unidos por meio de um fundo ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. 

O valor total negociado é ainda maior. Segundo a investigação, Vorcaro teria prometido repassar US$ 24 milhões  cerca de R$ 134 milhões na cotação da época  para viabilizar o longa. Documentos, mensagens e comprovantes analisados pelo Intercept indicam que ao menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações ligadas ao projeto. 

As mensagens reveladas são diretas e comprometedoras. Em 16 de novembro de 2025, Flávio escreveu a Vorcaro pelo WhatsApp: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!" mensagem enviada apenas um dia antes da prisão do banqueiro, que tentava deixar o país acusado de operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. 

A intimidade entre os dois ia além da formalidade financeira. Em 7 de novembro, após Flávio enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, o senador escreveu: "Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc". Vorcaro respondeu: "Que demais. Ficou perfeito." 

Há também registros de Flávio cobrando diretamente os repasses atrasados. Em áudio de setembro de 2025, o senador demonstra desconforto: "Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme." 

Em outra gravação, a preocupação era com a reputação internacional do projeto. Flávio alerta Vorcaro: "Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim." 

A teia financeira

O esquema de repasse envolve intermediários com histórico investigativo. Os empresários Thiago Miranda e Fabiano Zettel este último identificado pela Polícia Federal como principal operador de Vorcaro participaram como intermediários nas negociações. 

A produtora do filme no Brasil também está no centro das investigações. Em dezembro de 2025, o Intercept revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora executiva do filme no Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. 

As consequências políticas

A repercussão foi imediata em Brasília. Órgãos públicos já iniciaram procedimentos para apurar se o financiamento do longa-metragem configurou crime de lavagem de dinheiro ou caixa dois, dada a origem dos recursos provenientes de um banqueiro sob investigação e o trâmite internacional das verbas. Revista Fórum

O impacto sobre a candidatura de Flávio à Presidência é considerado devastador por articuladores políticos. O consenso entre eles é que a proximidade afetuosa com Vorcaro cria uma "mancha inapagável" na imagem de "renovação" e "honestidade" que a extrema direita insistia em projetar para 2026. Revista Fórum

Questionado pela imprensa, o senador recuou e negou tudo. Ao ser abordado por jornalistas do Intercept nas proximidades do Supremo Tribunal Federal, Flávio reagiu em tom de deboche: "É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado", afirmou antes de deixar o local. 

Às 16h24 desta quarta-feira, enquanto a curva de buscas por "dark horse" atingia seu pico no Brasil, o que estava em jogo não era mais um filme era uma candidatura presidencial, uma investigação criminal e a pergunta que o país tentava responder em tempo real: quem, afinal, financia o azarão?

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