Cidades

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Mortadela e duplex

Mortadela e duplex

Redação

05/04/2010 - 22h07
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Mesmo com o mundo se transformando em uma imensa “aldeia global”, nas cidades os espaços para se viver estão se tornando redutos isolados e se diferenciando entre si pelos aspectos econômicos. Moradia, escola, lazer, cuidados com a saúde, meios de transporte e até no trabalho, ou profissão, estamos “separados” pelas diferenças ou, em outras palavras, “juntados” pelas semelhanças em nossa renda.  A questão financeira nos identifica e por isso o olhar identificado pelo consumo nos “torna” iguais ou diferentes uns dos outros. Há uma regra invisível, que delimita nossas vidas, tendendo a juntar portadores de rendas semelhantes no mesmo local, nos mais variados setores de nossas vidas. Tentarei aqui, neste artigo, diferenciá-los.

O que nos aproxima são as moradias estabelecidas por padrões pre-definidos, construídas em bairros, condomínios e apartamentos de acordo com uma regra velada, mas muito perceptível, de que os territórios urbanos estão definidos e loteados  pelo poder de compra de cada um. Surgem assim, em nome da segurança, os condomínios horizontais, cercados e vigiados garantindo o bem-estar de seus moradores, conforme já disse o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Alguns desses empreendimentos, distantes dos centros das cidades, estão localizados nas fronteiras daquilo que eles pretendem ser o oposto: as favelas ou vilas de “baixa renda”.

Outro lugar que serve de parâmetro para mensurar uma condição econômica se trata das escolas. Instituições de ensino da rede pública, com exceção de algumas que são referências elitistas, recebem sempre o público menos favorecido economicamente ao contrário das escolas particulares que se mantêm com as mensalidades dos que podem pagar pela educação formal. No ensino superior no Brasil, há uma situação contrária de toda a educação básica, em que as universidades públicas são o desejo da maioria dos que querem se formar. Para se chegar ao ensino superior público, há um grande investimento de estudos por parte dos alunos, e financeiro dos pais, que “bancam” a educação/preparação em escolas privadas.

Na área da saúde, a diferenciação pelo poder aquisitivo é denotada nos locais que atendem seus doentes. Clínicas e hospitais particulares para uns. Postos de saúde, ambulatórios e hospitais públicos para a maioria. Convênios médicos através de planos de saúde também se diferenciam pelos valores das mensalidades. Lá dentro, na internação, enfermaria, quarto ou apartamento vão “selecionando” seus pacientes de acordo com seus “planos”. A sensibilidade dos médicos e enfermeiros é que acaba reduzindo o sofrimento.

No trabalho, também há uma hierarquia que notabiliza os melhores remunerados. Para os trabalhadores da mesma empresa (agora denominados colaboradores), sempre há serviços diferentes para cada um. Quanto mais alto o cargo, menos serviço braçal. Possivelmente no exercício do labor, estarão separados por salas, desempenhando suas funções entre divisórias e corredores. A função de cada um serve como parâmetro de remuneração, e a convivência e afinidade, provavelmente, se darão pelo mesmo piso salarial, com exceção da “amizade forçada” dos puxa-sacos. Lembrou de alguém?
O lazer pode ser um dos mais democráticos meios de convivência, em que pobres e ricos se misturam. Mas, também nesses momentos, há os “detalhes” que separam (ou segregam?). São os territórios demarcados nas praias, nas ruas e calçadas para as caminhadas e inclusive nos estádios de futebol, onde há os lugares que delimitam espaços. São os camarotes, cadeiras cativas, arquibancada coberta e arquibancada descoberta. Há outros lugares e produtos que podem exemplificar as diferenças que definem locais e sujeitos pelo fator econômico, tais como aeroporto/rodoviária, shopping center/comércio popular, TV por assinatura/TV aberta, eleitores/eleitos, presunto/mortadela, ar-condicionado/ventilador, laje/cobertura, puxadinho/duplex, táxi/mototáxi e tantas outras comparações.

Acredito que nesses novos tempos não estamos mais separados por classes (a luta coletiva acabou), mas entre outras, pelas condições econômicas. Acredito também que essa “separação” diminuirá com a disseminação do uso da internet, no qual todos nós seremos anônimos viajantes na grande rede, visitando territórios sem a necessidade de expormos nosso poder de compra, ou de escondermos a nossa falta de dinheiro. Para que cada um se conecte é só uma questão de tempo, mas como isso também depende de dinheiro, continuaremos separados, sendo tratados de formas exclusivas ou excludentes.

Altemir Luiz Dalpiaz – Professor, mestre em educação, palestrante – [email protected]

mpms

Homem que postava vídeos de pesca no TikTok vira alvo de inquérito

Vídeos mostram captura de peixes acima da cota permitida e durante a piracema, quando a pesca é proibida

15/03/2026 17h00

Homem capturou espécies nativas durante o período de defeso

Homem capturou espécies nativas durante o período de defeso Foto: Reprodução

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), através da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Lagoas, instaurou inquérito civil para apurar possível dano ambiental decorrente da prática de pesca irregular sem autorização do órgão ambiental competente. Um eletricista, alvo da ação, foi descoberto após postar vídeos nas redes sociais com a captura irregular dos peixes.

O edital da abertura do inquérito será publicado no Diário Oficial do MPMS desta segunda-feira (16), mas já está disponível para consulta.

Conforme os autos, a Polícia Militar Ambiental (PMA) foi até a residência do eletricista, que também tem carteirinha de pescador amador, após receber denúncias de que o homem havia publicado vídeos no TikTok e no Facebook onde praticava a pesca irregular.

Em um dos vídeos, ele aparece praticando pesca amadora em uma ponte conhecida como 'ponte velha do trem', sobre o Rio Paraná, no dia 28 de dezembro de 2025, promovendo a captura de diversas espécies de peixes nativos, mesmo durante o período de defeso, quando a pesca é proibida devido à piracema.

Anualmente, conforme previsto em decreto estadual, a proibição de pesca ocorre de 5 de novembro e 28 de fevereiro do ano seguinte.

Em outro vídeo, ele colabora para a captura de um peixe da espécie Jaú, auxiliando e orientando outros pescadores. A pesca do Jaú é proibida pela legislação ambiental.

Na residência do eletricista, os policiais ambientais encontraram diversos exemplares de pescado armazenados em um freezer, totalizando dez quilos.

Dentre os peixes armazenados estavam espécies nativas sem comprovação de origem legal, como um exemplar de pacus, seis piauçu e dois piapara, todos correspondentes aos exibidos no vídeo publicado.

Segundo relatório da PMA juntado ao inquérito, em ambas as situações postadas, o eletricista tinha "pleno conhecimento da ilicitude e da reprovabilidade de sua conduta, restando caracterizada sua autoria nos fatos narrados, os quais se encontravam em desacordo com a legislação ambiental".

O homem foi autuado por pescar em período ou local no qual a pesca é proibida e foi multado em R$ 1,8 mil pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e os pescados encontrados no freezer foram apreendidos.

Os relatórios e demais documentos foram encaminhados ao MPMS como notícia de fato.

Versão do pescador

O eletricista apresentou defesa ao Ministério Público, sustentando que, com relação aos peixes encontrados no freezer, ele teria pescado no período em que a pesca ainda estava liberada, em 2025, não sabendo informar a data exata, enquanto o piauçu ele teria comprado por R$ 200 de pescadores às margens do Rio Paraná.

Já sobre os vídeos, o relacionado a captura do Jaú ele alegou que ouviu boatos da presença de um peixe grande no local e começou a filmar por curiosidade, mas que não teria participado da captura e nem ajudado os demais pescadores.

O outro vídeo, com captura de espécies nativas, afirmou que se tratam de pescas passadas.

A notícia de fato foi transformada em inquérito civil e conforme a última movimentação, de 13 de março, o eletricista concordou em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que será elaborado com a obrigação de doação de sacos de rações a instituições que serão indicadas pelo MPMS.

 

PROCON

Bancos e operadoras lideram ranking de reclamações em MS

Bradesco, Vivo, Claro, Energisa e Banco BMG estão entre as empresas mais acionadas pelos consumidores em 2025

15/03/2026 16h00

Ao todo, o Procon realizou 22.980 atendimentos entre janeiro e dezembro do ano passado

Ao todo, o Procon realizou 22.980 atendimentos entre janeiro e dezembro do ano passado Divulgação

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Serviços bancários, de telefonia e de energia elétrica concentraram a maior parte das reclamações registradas por consumidores em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. Dados divulgados pelo Procon estadual mostram que instituições financeiras e operadoras de telecomunicações lideram o ranking de empresas mais demandadas do Estado. 

Ao todo, o Procon realizou 22.980 atendimentos entre janeiro e dezembro do ano passado. Desse total, 12.811 foram queixas relacionadas a produtos ou serviços, que passaram por análise técnica para comprovação da relação de consumo. Após essa etapa, 6.445 reclamações foram classificadas como fundamentadas, ou seja, quando há indícios de descumprimento das normas previstas no Código de Defesa do Consumidor.

De acordo com o levantamento, apenas 41% dessas reclamações foram atendidas pelas empresas, enquanto a maior parte terminou sem solução direta apresentada ao consumidor. 

Entre as companhias com maior número de reclamações estão dois bancos, duas operadoras de telefonia e uma concessionária de energia elétrica: 

  • Banco Bradesco
  • Telefônica Brasil (Vivo)
  • Claro S.A.
  • Energisa Mato Grosso do Sul
  • Banco BMG

Entre essas empresas, o banco Bradesco aparece com 197 reclamações fundamentadas, sendo a companhia mais acionada pelos consumidores sul-mato-grossenses no período analisado.

Principais motivos das reclamações

Os registros do Procon apontam que os problemas mais frequentes variam conforme o setor, mas seguem alguns padrões.

No caso dos bancos, as principais queixas envolvem cobrança de serviços não contratados, problemas com cartão de crédito e crédito consignado, além de dificuldade para cancelamento de contratos.

Já nas operadoras de telefonia, consumidores relataram cobranças indevidas, oferta não cumprida, instabilidade ou má qualidade de internet e telefonia, além de dificuldades para cancelar planos.

No setor de energia elétrica, as reclamações mais comuns dizem respeito a cobranças consideradas abusivas, informações insuficientes sobre o serviço e problemas no faturamento da conta de luz.

Base de dados pública

O cadastro de reclamações fundamentadas é publicado anualmente pelos órgãos de defesa do consumidor e reúne casos em que houve análise técnica da relação de consumo.

Além do relatório estadual, o site do Procon também disponibiliza dados produzidos por 20 dos 45 Procons municipais de Mato Grosso do Sul, ampliando o monitoramento sobre a relação entre empresas e consumidores no Estado.

O levantamento completo pode ser consultado na página oficial do Procon-MS.

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