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Morto há 80 anos, Lampião deixa legado controverso no Nordeste

Morto há 80 anos, Lampião deixa legado controverso no Nordeste

FOLHAPRESS

05/08/2018 - 12h01
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 "O homem chegou". Não precisava nem falar nem o nome para que moças desfalecessem, cabras-macho saíssem em disparada e a correria tomasse conta das pequenas cidades do Nordeste nos anos 1920 e 1930.

O homem era o mata-sete, o facínora, o Robin Hood sertanejo, amigo do dos coronéis, bandido dos bandidos, governador do sertão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Morto numa emboscada na gruta de Angicos em Poço Redondo (SE) em julho de 1938, Lampião deixa um legado controverso no Nordeste brasileiro 80 após sua morte.

De um lado, há quem defenda o cangaceiro como uma resposta violenta à própria violência do Estado. De outro, há quem o veja apenas como um homem cruel e sanguinário. Como a Folha de S.Paulo publicou nesta semana, oito décadas após sua morte, em 28 de julho de 1938, o fantasma de Lampião continua a assombrar Cansanção, Queimadas e outras cidades do Nordeste. Desta vez, por meio de bandos armados que invadem cidades e assaltam bancos, numa modalidade de crime que ficou conhecida como "novo Cangaço".

Lampião não foi o primeiro dos cangaceiros do Nordeste. Antes dele, foras da lei como José Gomes, o Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Lucas da Feira, Antônio Silvino e Sinhô Pereira marcaram história e banharam de sangue cidades do sertão.

Mas foi Virgulino quem inaugura um novo ciclo do cangaço no período em que o banditismo atingiu o seu auge nas pequenas cidades e vilas nordestinas.

"Costumo dizer que Lampião inaugurou o Cangaço S/A. Ele criou uma rede de apoio político e logístico que lhe produzia lucros e garantia a sobrevivência", conta o historiador Manoel Neto, coordenador do Centro de Estudos Euclides da Cunha da da Uneb (Universidade do Estado da Bahia).

O apoio dos coronéis, afirma, foi fundamental para que Lampião conseguisse sobreviver por quase 17 anos no Cangaço, passando por quase todos os estados nordestinos, quase sempre com tropas da polícia em seu encalço. "Ele servia e se servia dos grupos hegemônicos", diz.

Manoel Neto considera o Cangaço como a "gênese de um processo civilizatório que se implantou por meio da violência" para fazer frente a violência histórica dos coronéis do sertão. E o equipara a movimentos messiânicos como Canudos e Pau de Colher, na Bahia, e Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Ceará.
"São manifestações dos subalternos por meio da violência contra o status quo. Se a linguagem do Cangaço é a violência, é uma violência combate a do estado", diz.

Autor do livro "Lampião na Bahia", o historiador Oleone Coelho Fontes tem uma visão menos lisonjeira do cangaceiro: "Não se pode esquecer por um minuto sequer que ele foi um bandido, um facínora um sanguinário. Não fez outra coisa da vida a não ser matar ou destruir", afirma.

Ele ainda desdenha da versão dada por Lampião do porquê ele entrou na Cangaço vingança pela morte do pai por forças policiais de Pernambuco em 1921. "Desde antes da morte do pai ele já era criador de caso, semeador de crueldade. Era uma delinquente".

Esta visão é a mais recorrente entre os moradores de Queimadas, cidade de 26 mil do nordeste da Bahia, que ainda hoje respira a história da passagem de Lampião por aquelas bandas. Foi lá que cangaceiro, friamente, matou sete policiais da guarda local nas vésperas do Natal de 1927 massacre lendário que lhe rendeu a alcunha de "o mata sete".

"Muita gente menciona o lado positivo dele, mas o lado negativo supera milhares de vezes. Ele foi terrível para os sertanejos", afirma o aposentado Elias Marques, 67, morador de Queimadas cujo avô presenciou a chegada do cangaceiro na cidade.

Elias Marques, funcionário público aposentado e morador de Queimadas, na antiga estação de trem da cidade.

Por décadas, as marcas de sangue ainda podiam ser vistas na calçada acinzentada em frente ao antigo quartel, hoje sede da prefeitura e guarda municipal.

A ação durou pouco mais de um dia: depois de atravessar o rio Itapicuru, ele entrou na cidade com outros 15 homens. Raptou o juiz, prendeu os policiais, soltou os presos e ordenou que fizessem uma festa em sua homenagem.

No dia seguinte, matou os sete soldados e poupou o comandante da tropa, atendendo ao pedido de uma senhora religiosa que pediu pela vida do sargento, que também era da igreja. Lampião foi embora com 22 contos de réis e ficou na história não só de Queimadas, mas no imaginário do Nordeste.

Oito décadas após sua morte, sua história segue sendo contada e recontada nos livros, nos cordéis, no artesanato, nos filmes e nas cantigas dos violeiros. Está presente em símbolos que vão chapéu de cangaceiro a danças como o xaxado.

Diz Manoel Neto: "Esse é o legado que ninguém questiona. Lampião e o Cangaço seguem forte no imaginário popular do sertão. É parte da nossa história".

nova frequência

Campo Grande passa a ter voo direto para Belo Horizonte

Voos são operados diariamente pela Azul desde o dia 1º de abril, em aeronaves com capacidade para até 136 e 174 passageiros

03/04/2026 15h34

Voo é operacionalizado pela companhia aerea Azul

Voo é operacionalizado pela companhia aerea Azul Divulgação/ Azul Linhas Aéras

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Desde a última quarta-feira, dia 1° de abril, Campo Grande passou a ter voos diretos para Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, pela companhia aerea Azul.

Conforme reportagem do Correio do Estado, o anúncio já havia sido feito pela companhia aerea no fim de janeiro e os voos passaram a ser operacionalizados no início deste mês.

A nova frequência amplia, via Aeroporto de Confins, a malha aérea sul-mato-grossense, que já possui voos diretos para São Paulo (Capital, Guarulhos e Campinas) e Brasília, no Distrito Federal. 

Segundo a Azul, os voos serão operados diariamente, em ambos os sentidos, com aeronaves Embraer 195-E2, com capacidade para até 136 passageiros, e Airbus A320, que comportam até 174 passageiros.

O horário previsto de partida do voo em Confins será 8h15, com chegada à capital sul-mato-grossense às 9h25, horário local, diatiamente.

No sentido inverso, o voo parte de Campo Grande às 10h05, com pouso em solo mineiro previsto para 13h15, horário de Brasília. Em média, cada voo terá duração de 2h10.  

"Estamos muito felizes com esse voo conectando a capital mineira ao nosso Estado. Foi um trabalho de anos da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, por meio do Programa Decola MS, em parceria com a Azul, para recuperar essa operação que existia durante a pandemia e havia sido suspensa", destacou o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling, na ocasião do anúncio.

Conforme o Governo do Estado, a criação da rota é parte da expansão do Aeroporto Internacional de Campo Grande, que opera sob concessão para a empresa Aena. 

"A nova operação facilita o acesso de Mato Grosso do Sul a um de nossos principais hubs, o aeroporto de Confins, ampliando as possibilidades de conexão para diversos destinos no Brasil e no exterior", afirma a gerente sênior de Planejamento de Malha da Azul, Beatriz Barbi.

Crescimento

Desde 2023, o Plano Aeroviário Estadual orienta as ações do Governo do Estado, com investimento estimado de R$ 250 milhões até 2026 em obras de construção, restauração e ampliação de aeroportos e aeródromos estratégicos.

Mais de R$ 100 milhões já foram aplicados em obras concluídas, fortalecendo a conectividade entre municípios e ampliando o acesso aos mercados nacionais e internacionais.

Entre os principais projetos em execução está a ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Campo Grande, com acréscimo de 500 metros, além da implantação de novos sistemas de segurança e navegação aérea, como PAPI (sistema de luzes que orientam o pouso dos aviões), além de estação meteorológica. 

Já no Pantanal, será implantada uma pista no Porto São Pedro, inicialmente voltada ao combate a incêndios florestais, com potencial de uso futuro para turismo e logística regional. No interior, o plano contempla a construção de nova pista asfaltada em Nova Alvorada do Sul, a pavimentação de uma pista de 1,5mil metros em Aquidauana, a implantação do Aeroporto de Inocência, a restauração de aeródromos em Paranaíba, Camapuã e Cassilândia, além da ampliação do aeródromo de Naviraí.

Outro investimento estratégico é o Aeroporto Regional de Dourados – Francisco de Matos Pereira, que receberá um novo terminal de passageiros e cargas, com investimento estimado em R$ 39 milhões, já aprovado pela Secretaria de Aviação Civil e com licitação prevista para o primeiro semestre de 2025.

O planejamento prevê ainda novas licitações para os aeródromos de Água Clara e Maracaju, estudos para implantação em Mundo Novo e Amambai, além da ampliação do aeródromo de Nova Andradina e do aeroporto de Três Lagoas.

obrigatório

Pagamento do licenciamento de veículos começa neste mês em MS

Proprietários de veículos com placas final 1 e 2 devem pagar o licenciamento até o fim de abril; circular sem o licenciamento em dia é infração gravíssima e pode gerar multa de R$ 293,47

03/04/2026 15h01

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril Divulgação

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O pagamento do licenciamento de veículos começou neste mês em Mato Grosso do Sul. O calendário para o ano de 2026 foi divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) no início do ano.

De acordo com o Detran, em abril deve ser pago o licenciamento de veículo placas final 1 e 2. O calendário termina em outubro, para placas de final 0.

O licenciamento é um procedimento anual e obrigatório que autoriza o veículo a circular pelas vias, atestando que o automóvel encontra-se em conformidade com as normas de segurança e ambiental para o setor automotivo.

O Detran alerta para que cada proprietário se atente ao prazo de pagamento para sua placa, pois trafegar com o veículo não licenciado é uma infração gravíssima, com aplicação de multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira nacional de habilitação (CNH) e possibilidade de remoção do veículo em caso de fiscalização.

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Como pagar

O proprietário do veículo, no mês correspondente a sua placa, pode pagar a taxa em um dos canais de autoatendimento do Detran, no portal de serviços “Meu Detran” ou em uma das agências do Detran-MS do Estado.

A taxa de licenciamento pode ser paga pelo autoatendimento, no portal de serviços Meu Detran ou pelo aplicativo Detran MS. Ou o cidadão pode buscar atendimento presencial em uma agência do Detran-MS.

O valor é de 4,53 Unidades Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul (Uferms), para todos os tipos de veículos. A Uferms é definida mensalmente e, para abril, o valor é de R$ 53,09.

Desta forma, para pagamentos dentro do prazo de vigência o valor do licenciamento é de R$ 240,50. Caso o pagamento seja feito após, o valor sobe para 5,88 Uferms, o que equivale a R$ 312,17, na cotação de maio.

Quem realiza o pagamento em dia pode parcelar no cartão de crédito em até 12 vezes, com a regularização imediata da situação do veículo.

Com a quitação do licenciamento, proprietário pode emitir o Certificado de Registro Veicular (CRV) e o Certificado de Registro de Licenciamento de Veículos (CRLV), que desde 2021 foi unificado e passou a ser digital: o CRLV-e, ou CRVL Digital.

O documento é de porte obrigatório e deve ser apresentado à autoridade de trânsito quando solicitado, seja por documento físico ou digital pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

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