Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MP cobra reestruturação do controle interno e aponta falhas graves em município de MS

Recomendação aponta falta de autonomia, ausência de carreira específica e ineficiência em fiscalização

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a reestruturação completa do sistema de controle interno da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti após identificar uma série de falhas consideradas graves no funcionamento do órgão responsável pela fiscalização da gestão municipal.

A medida foi formalizada por meio da Recomendação nº 0001/2026, assinada pelo promotor de Justiça Marcos Martins de Britto, no âmbito de um procedimento administrativo que acompanha a regularidade da Controladoria do município.

De acordo com o documento, embora a unidade de controle interno exista formalmente, ela apresenta problemas estruturais que comprometem sua autonomia, independência e eficácia.

Entre os principais pontos levantados pelo MP estão a estrutura reduzida, composta por apenas um controlador e um assessor, com ausência de uma carreira específica para a área. O órgão também destacou que o responsável pela controladoria pode ser nomeado e exonerado pelo prefeito, o que fere o princípio da independência funcional.

Outro dado que chamou atenção foi a baixa efetividade das ações. Segundo o levantamento, a unidade não produziu relatórios de auditoria nem apurou denúncias ao longo de 2025, o que, para o Ministério Público, evidencia uma atuação apenas formal, sem resultados práticos.

Diante do cenário, o MP recomendou que o prefeito promova mudanças estruturais no sistema de controle interno, com a criação de uma carreira específica por meio de concurso público, incluindo cargos como auditor e analista de controle interno.

A recomendação também orienta que a controladoria tenha autonomia administrativa, orçamentária e técnica, além de não ser subordinada a outras secretarias, garantindo independência na fiscalização dos atos da própria gestão.

Outro ponto destacado é a necessidade de implantação de mecanismos modernos de controle, como sistemas digitais integrados e painéis de monitoramento, para acompanhar em tempo real gastos públicos, contratos e execução orçamentária.

O Ministério Público fundamenta a recomendação em dispositivos da Constituição Federal, que exigem a existência e o funcionamento efetivo de sistemas de controle interno nos municípios, além de leis como a de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Acesso à Informação.

O documento também reforça que cargos de natureza técnica, como o de controlador interno, devem ser ocupados por servidores concursados, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

O MP alerta que o não cumprimento das medidas pode resultar na adoção de ações judiciais contra os responsáveis. Além disso, a recomendação pode servir como prova de que o gestor tinha conhecimento das irregularidades, caracterizando dolo em eventual processo por improbidade administrativa.

A prefeitura deverá divulgar adequadamente e imediatamente esta Recomendação no Diário Oficial do órgão ao documento e informar as providências adotadas.

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EM PAUTA

Audiência gera 'cabo de guerra' sobre privatização da saúde em Campo Grande

Ideia do Executivo, através da Secretaria Municipal de Saúde, é entregar inicialmente a parte administrativa de dois Centros Regionais de Saúde (CRS) da Capital e servidores protestam

10/04/2026 09h49

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Adiada em função do velório da primeira prefeita de Campo Grande, a audiência pública sobre a privatização da Saúde da Capital acontece nesta sexta-feira (10) na Câmara Municipal, evidenciando o "cabo de guerra" entre representantes do Poder Público e servidores. 

Nas palavras da Presidente do Sindicato dos Assistentes Sociais (Sasems), Monica Ilis, a categoria é "totalmente" contra a criação da chamada Organização Social de Saúde (OSS), ponto esse que está na mira da Prefeitura de Campo Grande. 

Em resumo, o plano do Executivo Municipal é migrar o modelo de gestão dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) para essas OSSs, privatizando assim duas unidades de atendimento 24 horas da Capital do Mato Grosso do Sul. 

"A privatização é muito ruim para os servidores, para todos. Você vai privatizar para a empresa privada e eles vão massacrar, essa é a palavra, os funcionários, porque eles vão pedir produtividade e essa não é a função do assistente social", explica Monica Ilis. 

Por outro lado, o atual chefe da Pasta de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, espera que o debate ajude a explicar o projeto que, segundo o secretário, tem o intuito de "inovar e melhorar" para o usuário. 

Entretanto, de acordo com Marcelo Vilela, o termo "privatização" não é correto, uma vez que o que estaria ocorrendo por trás da proposta seria uma "terceirização". 

"Quando fala em privatizar, você vende! Aquela área a gente está terceirizando. São duas unidades de pronto atendimento, mas a intenção é trazer eficiência, economicidade e melhora para o usuário", disse o secretário municipal de saúde pública. 

Opiniões contrárias

Para Vilela, os serviços prestados na saúde e assistência estão "mal avaliados", sendo necessário o emprego de ferramentas que, segundo ele, já estão instaladas em todas as 20 maiores cidades mais populosas do País. 

"Nós vamos mostrar a realidade que acontece hoje no Brasil. É uma inovação aqui, no País não! Já há mais de 15 anos que é feito isso aí com bons resultados. Todos terceirizaram serviço de urgência principalmente", complementa o secretário de Saúde.

Do outro lado da corda, a servidora da saúde, Sara Cristina Prates, espera que a audiência sirva para conscientizar a população da importância do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Lamentando que a Saúde da Cidade Morena tenha chegado em um "patamar catastrófico", segundo ela, graças à gestão do Executivo, ela afirma que essa "terceirização" não será a "luz no fim do túnel" que parece aos olhos da população em um primeiro momento. 

"Que a gente não pode deixar a terceirização, apesar de vir esse modelo inicial, uma proposta de precarização do Sistema Único de Saúde. A gente que já acompanhou esse processo em outros Estados, outros locais, sabe que não é a tábua da salvação", diz. 

Para a servidora, o processo trará uma precarização do atendimento que, segundo Sara, também traz margem para desvios de verbas e maiores formas de afetar a população em geral no final das contas. 

Presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, o vereador Dr. Victor Rocha também se diz particularmente contrário à terceirização, sendo que os parlamentares se reuniram com a prefeita para conhecer a proposta para implantação do novo modelo de gestão. 

"Eu, particularmente, sou contrário à terceirização, onde você tem servidor público prestando um atendimento de qualidade à população. O que a gente precisa é capacitar a gestão, melhorar as condições de trabalho para que a gente consiga atender de maneira com melhor qualidade a nossa comunidade", diz.

Para Victor Rocha os problemas da Saúde de Campo Grande são "estruturais" e "antigos", pontos esses que, para o vereador, a iniciativa privada não ajudaria muito. 

"Então a gente precisa discutir a ampliação de leitos, os mutirões de consultas, exames e cirurgias. E também estruturar melhor, no sentido de não deixar faltar material médico hospitalar, medicamentos e dando condições para que o servidor público consiga fazer um atendimento de qualidade à nossa população.

Trocar o modelo de gestão da noite para o dia Se não tiver o aval do Conselho Municipal de Saúde, dos servidores, uma construção a muitas mãos, o meu posicionamento é contrário e lógico, mas aqui nós estamos na casa do debate.", completa. 

Entenda

Esse plano foi apresentado para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal pela Prefeitura da Capital, para terceirizar: 

  • Centros Regionais de Saúde (CRS) do Aero Rancho e 
  • Centros Regionais de Saúde (CRS) do Tiradentes

Para a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada daria celeridade aos processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

 

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TRAGÉDIA

Ambulante morre após mal súbito durante show internacional em Campo Grande

Homem passou mal enquanto trabalhava nas imediações do Autódromo

10/04/2026 09h15

 Apesar dos esforços, o ambulante não resistiu e teve o óbito constatado ainda na área externa do Autódromo.

Apesar dos esforços, o ambulante não resistiu e teve o óbito constatado ainda na área externa do Autódromo. Divulgação

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Um ambulante identificado como Leandro Pereira Alfonso morreu na noite desta quinta-feira (9), após sofrer um mal súbito nas proximidades do Autódromo Internacional de Campo Grande, onde ocorria o show da banda Guns N’ Roses.

De acordo com informações do portal Dourados Agora, Leandro comercializava água no entorno do local quando passou mal. Policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar foram acionados e prestaram os primeiros atendimentos, com apoio de equipes do Corpo de Bombeiros que já estavam de prontidão para o evento.

Os socorristas iniciaram manobras de reanimação ainda no local, utilizando uma unidade de resgate avançado. Apesar dos esforços, o ambulante não resistiu e teve o óbito constatado ainda na área externa do Autódromo.

A perícia chegou a ser acionada, mas foi dispensada após a confirmação da morte pelas equipes de socorro.

A noite também foi marcada por dificuldades de acesso ao evento. Um congestionamento que se estendeu por mais de 10 quilômetros foi registrado nas vias que dão acesso ao Autódromo, causando atraso para parte do público que tentava chegar ao show, previsto para começar às 20h30.

Caos no trânsito gera atrasos de até cinco horas

O show do Guns N’ Roses provocou um verdadeiro caos no trânsito desde o fim da tarde desta quinta-feira (9) na BR-262, em Campo Grande. Principal, e praticamente único acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura, a rodovia concentrou o fluxo de cerca de 35 mil pessoas que se dirigiam ao evento.

A movimentação já era intensa ao longo do dia, mas se agravou no início da noite, quando trechos chegaram a ficar completamente parados. Em alguns momentos, os veículos avançavam a menos de 5 km/h, formando um congestionamento que ultrapassou 10 quilômetros.

Além do público do show, o fluxo também foi impactado por moradores da região do bairro Maria Aparecida Pedrossian e adjacências, que utilizam a BR-262 no retorno para casa após o trabalho, ampliando ainda mais o volume de veículos.

Registros compartilhados nas redes sociais mostram longas filas e motoristas revoltados com a lentidão, mesmo com a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na tentativa de organizar o tráfego.

Em condições normais, o trajeto entre o centro da cidade e o autódromo leva cerca de 30 minutos. No entanto, durante o evento, o deslocamento chegou a ultrapassar cinco horas. A fila começou a se formar por volta das 15h e persistiu até aproximadamente 22h, fazendo com que parte do público chegasse atrasada, ou sequer conseguisse assistir à apresentação.

Diante do congestionamento, alguns motoristas optaram por estacionar os veículos às margens da rodovia e seguir a pé até o local do show.

Após o encerramento, por volta de 0h30, os problemas continuaram. O escoamento do público foi dificultado pela existência de apenas uma saída no estacionamento, o que gerou filas de até três horas para deixar o local, seguidas por mais congestionamento na BR-262. Muitos fãs só conseguiram chegar em casa já ao amanhecer.

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