Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MPF investiga Coca-Cola por uso indevido de imagem de indígenas

Indígenas da etnia terena e kinikinau de Mato Grosso do Sul aparecem, segundo o MPF, em processo de certificação internacional da Coca-Cola de Campo Grande

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A fábrica da Coca-Cola em Campo Grande, de propriedade da multinacional mexicana Femsa, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por se apropriar indevidamente de imagens e da identidade cultural das etnias indígenas kinikinau e terena, que teriam sido usadas com o objetivo de obter uma certificação internacional sobre uso sustentável da água.

Nesta segunda-feira, a Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul publicou a portaria que instaura procedimento administrativo para acompanhar o processo de certificação internacional Alliance for Water Stewardship (AWS) da planta de Campo Grande da empresa Coca-Cola Femsa Brasil, que está em andamento.

De acordo com a publicação assinada pelo procurador Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes, a ofensiva do órgão ocorre “em razão da notícia de suposta apropriação indevida da imagem e da identidade cultural de povos indígenas das etnias kinikinau e terena”.

Na argumentação, o procurador cita que foram encaminhados ofícios à Coca-Cola e à Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Campo Grande, para que fossem repassadas mais informações sobre o caso.

Em resposta, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A., a razão social da Coca-Cola Femsa, afirmou que segue um padrão de certificação da AWS e que “o engajamento e o diálogo contínuo com diversas partes interessadas” fazem parte das ações para conquistar a aliança.

“Foram também convidados a participar de uma dessas reuniões dois líderes das comunidades indígenas kinikinau e terena, a fim de que fossem informados a respeito das atividades da empresa, seus impactos, seu plano de uso sustentável da água e os critérios de certificação AWS”, afirmou a empresa ao MPF.

Ainda, foi determinado que seja encaminhado um novo ofício à empresa para que, dentro de 10 dias, manifeste-se sobre a atual situação da certificação e confirme se houve um novo encontro com os líderes e membros das comunidades indígenas citadas, além da reunião em agosto do ano passado.

Por fim, o procurador determina que a tramitação do instrumento deve durar por um ano. 

O Correio do Estado entrou em contato com a Coca-Cola Femsa Brasil para obter mais informações acerca do andamento do processo de certificação internacional e se há posicionamento da empresa diante da instauração do procedimento administrativo e da acusação de apropriação cultural, porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Vale destacar que a Constituição e o Código Penal Brasileiro afirmam que a apropriação indevida de imagem pode ser caracterizada como crime em casos mais graves. Contudo, a apropriação cultural não é tipificada como crime em nenhum dos dois instrumentos que regem as leis e normas do País.

AWS

Conforme consta no portal oficial da certificação, a AWS é uma aliança global com múltiplos membros e um padrão internacional para o uso responsável da água, com o objetivo de promover e estimular ações em prol da gestão responsável da água. Hoje, fazem parte da AWS mais de 200 membros dos setores empresarial e público e da sociedade civil.

Nos últimos dois anos, nove unidades da Coca-Cola Femsa na América Latina receberam a certificação: Apizaco, Morelia, San Cristóbal de las Casas, Ojuelos, Pacífico e Toluca, no México; Tocancipá, na Colômbia; Manágua, na Nicarágua; e Mogi das Cruzes, no Brasil.

Segundo dados disponibilizados pela empresa, em 2024, a franquia atingiu a meta intermediária de 1,36 litro de água por litro de bebida produzida e tem o objetivo de baixar esse número para 1,26 litro por litro de bebida neste ano.

Inclusive, a Coca-Cola Femsa diz que o objetivo das ações de reabastecimento de água é “desenvolver soluções inovadoras e estabelecer parcerias para melhorar o acesso à água a longo prazo nas comunidades onde atua”, justamente o que teria causado esse imbróglio entre os povos indígenas e a empresa.

No site da AWS, é possível verificar que o processo de certificação da fábrica em Campo Grande está em andamento, mas, até o momento, não há mais informações disponíveis.

Kinikinau e Terena

Os indígenas kinikinau, que também são chamados de kinikinawa, vivem atualmente em diversas cidades do Estado, como Aquidauana (Bananal e Limão Verde), Miranda (Cachoeirinha e Lalima) e Nioaque (Água Branca e Brejão). Porém, é na aldeia São João, ao sudeste da Reserva Indígena Kadiwéu, no município de Porto Murtinho, onde está concentrada a maior parte do povo.

Já os terena são a segunda maior etnia indígena de Mato Grosso do Sul, com 42.492 pessoas que se declararam parte do povo, segundo o último Censo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, vivem nas cidades de Miranda, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia, Nioaque, Rochedo, Dourados e Porto Murtinho.

Saiba

Unidade produz e distribui várias marcas:

Além das de produzir bebidas das marcas Coca-Cola, como o refrigerante de mesmo nome e Crystal, Fanta, Sprite, Kuat, Schweppes, Del Valle, Kapo, Matte Leão, Ades, Powerade e Monster Energy Drink, a Coca-Cola Femsa Brasil também distribui bebidas alcoólicas, como Johnnie Walker, Tanqueray, Campari, Smirnoff, Sagatiba e Vodka Sky. Doces e guloseimas também são distribuídos pela empresa.

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POLÍCIA

Preso por deixar homem cego se envolve em briga dentro de cela em Campo Grande

Homem já possui ao menos sete registros anteriores por crimes semelhantes, todos marcados por agressões repentinas

28/01/2026 10h30

Suspeito, já conhecido por agressões, foi preso horas depois

Suspeito, já conhecido por agressões, foi preso horas depois Reprodução

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Um homem de 26 anos, identificado como Leandro Viana da Silva, preso por uma série de agressões violentas, incluindo um ataque que resultou na perda de visão de um homem, voltou a se envolver em confusão na tarde desta terça-feira (27), desta vez dentro da carceragem da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol), em Campo Grande.

De acordo com boletim de ocorrência, por volta das 17h, agentes que estavam de plantão ouviram gritos vindos da carceragem e, ao verificarem a situação, encontraram dois custodiados em luta corporal dentro da cela. Os envolvidos trocavam socos e chutes, enquanto outros três presos que dividiam o espaço não participaram da briga.

Com apoio de outros investigadores, a situação foi contida e os dois detentos foram separados. Um deles foi transferido para outra unidade policial, enquanto o outro foi realocado para uma cela diferente. Ambos apresentavam lesões leves e relataram dores, acusando um ao outro pelo início da agressão. Os outros presos informaram que estavam dormindo e acordaram apenas com a confusão já em andamento.

Um dos envolvidos na briga é o mesmo homem preso em flagrante após ataques registrados no início da semana, na região do bairro Chácara Cachoeira. Na manhã de segunda-feira (26), ele agrediu de forma repentina um paciente que aguardava atendimento em frente ao Instituto da Visão de Mato Grosso do Sul. A vítima estava no local para acompanhamento de um transplante de córnea, procedimento pelo qual esperou cerca de dois anos e que havia devolvido sua visão.

O golpe atingiu diretamente o olho operado, provocando uma lesão grave. O paciente precisou passar por cirurgia de urgência e permanece internado. Laudo médico aponta dano permanente, com alta probabilidade de perda total da visão do olho atingido.

Horas depois, o mesmo suspeito voltou a atacar, desta vez uma mulher, também sem qualquer motivação aparente, na mesma região. Ele foi localizado e detido com apoio da Guarda Civil Metropolitana.

Levantamentos da Polícia Civil indicam que o homem já possui ao menos sete registros anteriores por crimes semelhantes, todos marcados por agressões repentinas. Ele segue preso e à disposição da Justiça.

 

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POLÍCIA

PF quebra quadrilha que contrabandeava eletrônicos em 'mocó' de carne

Além de mandados no interior do Mato Grosso do Sul, Operação Spectrum cumpriu buscas e apreensões em dois outros Estados

28/01/2026 10h05

Imagens dos cumprimentos de mandados por parte das forças de segurança, divulgadas pela PF, mostram uma série de armas armas apreendidas, dos mais diversos calibres,

Imagens dos cumprimentos de mandados por parte das forças de segurança, divulgadas pela PF, mostram uma série de armas armas apreendidas, dos mais diversos calibres, Reprodução/PF

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Durante a manhã desta quarta-feira (28) o interior do Mato Grosso do Sul, mais especificamente Dourados, amanheceu debaixo da mira da Receita e da Polícia Federal, que juntas buscam desarticular uma organização criminosa especializada em contrabando, flagrada transportando eletrônicos até em "mocós" de caminhão frigorífico. 

Batizada de Operação Spectrum, que segundo a Receita Federal em nota faz menção ao codinome utilizado por um dos líderes do grupo, a ação em si é mais uma no escopo dos trabalhos de enfrentamento aos chamados "crimes contra a ordem tributária", sonegação fiscal, à concorrência desleal, etc. 

Conforme a PF em nota, ao todo foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, mirando as cidades de Foz do Iguaçu/PR e Trindade/GO, além de Dourados, que fica distante aproximadamente 231 quilômetros de Campo Grande. 

Imagens dos cumprimentos de mandados por parte das forças de segurança, divulgadas pela PF, mostram uma série de armas armas apreendidas, dos mais diversos calibres, nas dependências dos indivíduos ligados ao esquema.

Contrabando em mocó

Para finalmente desarticular essa organização criminosa foi necessário um extenso trabalho investigativo, que teve como "estopim" uma das maiores apreensões de aparelhos que entraram de forma ilegal em território nacional. 

À época, conforme narrado pela Receita Federal, foram apreendidos aproximadamente sete mil eletrônicos que, por se tratarem de aparelhos de alto valor agregado, somaram mais de sete milhões de reais. 

O que chama atenção é justamente a forma como o contrabando era mascarado, uma vez que essa mercadorias foram encontradas em um compartimento oculto, o popular "mocó", dentro de um caminhão frigorífico carregado de carne que teriam como destino final a mesa da população em geral. 

A partir dessa apreensão, a PF identificou a atuação de um grupo especializado na importação fraudulenta de mercadorias estrangeiras sem documentação fiscal. Os produtos eram dissimulados em cargas lícitas para dificultar a fiscalização e distribuídos para grandes centros do país. 

Depois disso houveram uma série de novas diligências, pela própria Polícia Federal, a partir das quais foi possível identificar a atuação estruturada de um grupo criminoso que, segundo a PF, seria: "especializado na importação fraudulenta de expressivo volume de mercadorias de origem estrangeira, desacompanhadas de documentação fiscal e sem a devida regularização junto aos órgãos de controle aduaneiro".

Como modus operandi do grupo, seria comum esse armazenamento dos produtos em compartimentos ocultos "mascarados" entre cargas lícitas, tudo para dificultar a fiscalização e distribuídos para grandes centros do território nacional. 

Importante destacar que as investigações seguem em curso, para traçar a totalidade do esquema, identificar novos envolvidos e demais infrações penais que possam estar ligadas às práticas do grupo. 

 

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