Cidades

Conflito interno

MPF investiga tensão na Terra Indígena Kadiwéu após assassinato de vice-cacique

Elísio Rosa foi morto a tiros, ao lado da mulher; outro indígena, de 24 anos de idade foi preso como autor

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O Ministério Público Federal investiga o assassinato do vice-cacique Elísio Rosa Veiga, 34, da aldeia São João, onde vivem indígenas kadiwéus, em Porto Murtinho, região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

Outro kadiwéu, Erlei Matchua Mendes, 24, foi preso como autor dos tiros que mataram o vice-cacique.

Há a suspeita de o crime ter conexão com rixa política antiga travada pelo comando da aldeia.
A investigação acerca dos conflitos internos na São João, determinada pelo procurador da República, Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes, foi noticiada por meio do Diário Oficial do MPF (Ministério Público Federal), em MS.

O crime em questão ocorreu na noite do dia 7 passado, 17 dias atrás, à noite, dentro de uma merceria, cujo dono era a vítima. Erlei Matchua, segundo depoimento da mulher do vice-cacique Elísio Rosa, entrou no estabelecimento, e logo pegou alguns mantimentos.

Elísio, posicionado atrás do balcão, teria dito que a conta tinha custado R$ 50,00 e, logo depois, Matchua sacou uma arma e disparou o primeiro tiro no peito do vice-cacique, que caiu no chão.

Elísio estava ao lado da mulher e um filho de quatro anos de idade, que escondeu-se ao ouvir os disparos.
Depois do primeiro estampido, Matchua aproximou-se do corpo do vice-cacique, empurrou a testemunha e disparou mais tiros. "Isso é pelo meu pai e pela minha mãe", teria afirmado o atirador a cada disparo, disse a mulher da vítima.

À polícia, em depoimento, a mulher de Elísio disse que "nem ela nem o marido tinham desavenças na aldeia", contudo, afirmou que "imagina que isso [assassinato] possa ter alguma relação", talvez, "com alguma briga pela liderança da aldeia".

A mulher disse ainda que o marido, o vice-cacique, pelo que sabe, nunca teria discutido o matador. Ainda no depoimento na delegacia da cidade de Bonito, que fica na região próxima à aldeia, a mulher afirmou que Erlei Matchua é sobrinho do cacique da aldeia São João, Ivanildo Mendes.

Antes de o MPF manifestar-se favorável a uma investigação acerca dos conflitos internos na aldeia, líderes dos kadiwéu pediram ajuda para que o acusado e sua família fossem tirados dali por temerem um ataque contra eles por vingança. Erlei Matchua foi capturado e cumpre prisão preventiva, sem data para acabar.


HISTÓRICO DE CRIMES

Em janeiro de 2015, oito anos atrás, num período de 30 dias, três índios morreram assassinados supostamente  por disputa de comando na aldeia Alves de Barros, situada na mesma região que a aldeia São João.

Em dezembro de 2014, o então cacique da aldeia Ademir Matchua, à época com 42 anos de idade, foi morto a tiros e os acusados pelo crime seriam seus rivais políticos pelo comando da comunidade kadiweu.

A Polícia Civil, que já investiga a morte do do vice-cacique Elísio, ainda não informou se os crimes dos anos de 2014 e 2015 têm relação com o assassinato ocorrido na aldeia São João. Nem o de grau de parentesco entre o assassinado em 2014, Ademir Matchua e Erlei Matchua.

OS KADIWÉU

Os kadiwéu vivem em aldeias situadas aos arredores das cidades de Porto Murtinho, Miranda e Bonito. Somam hoje em torno de 1,5 mil habitantes. Ao contrário das outros etnias que vivem em MS, como guarani e terena, que habitam aldeias na região de Dourados, terra não é um problema para o povo kadiwéu.

Os kadiweu agiram como guerreiros no confronto do Brasil contra o Paraguai (1864-1870), daí, no fim do duelo vencido pelos brasileiros, eles tiveram as terras demarcadas e lá vivem até hoje.
Mato Grosso do Sul abriga aldeias onde vivem em torno de 80 mil indígenas.

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Amanhã

IFMS: inscrições para mestrado com 16 vagas na Capital encerram nesta quinta

Podem participar candidatos com diploma de graduação em qualquer área reconhecida pelo Ministério da Educação

19/08/2026 14h45

Divulgação/IFMS

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As inscrições para o Exame Nacional de Acesso (ENA27) do Mestrado Profissional em Rede Nacional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação (Profnit) seguem até esta quinta-feira (20).

O curso é oferecido gratuitamente pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), no Campus Campo Grande, com 16 vagas disponíveis para ingresso em 2027, com reservas para ações afirmativas, servidores da instituição e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

Podem participar candidatos com diploma de graduação em qualquer área reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

Também são aceitas inscrições de estudantes que estejam concluindo o último semestre ou ano da graduação, desde que apresentem o comprovante de colação de grau no momento da matrícula.

Das 16 vagas ofertadas pelo IFMS, 14 são regulares e duas extranumerárias. A distribuição prevê quatro vagas para ampla concorrência, seis destinadas às ações afirmativas - sendo três para candidatos negros (pretos e pardos), uma para indígenas, uma para quilombolas e uma para pessoas com deficiência (PcD) —, quatro para servidores efetivos do IFMS e duas vagas adicionais exclusivas para servidores da Fundect.

Inscrições

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, por meio da página nacional do Profnit, até as 23h59 (horário de Brasília). 

A taxa de participação é de R$ 350, e o candidato deverá anexar o comprovante de pagamento, em formato PDF ou JPG, dentro do prazo estabelecido.

O processo seletivo será realizado em duas etapas obrigatórias. A primeira consiste em uma prova nacional virtual, marcada para 12 de setembro, às 14h (horário de Brasília), com duração de uma hora e 30 minutos.

O exame será aplicado pela plataforma Fábrica de Provas e terá 20 questões de múltipla escolha baseadas na bibliografia oficial sobre propriedade intelectual e inovação.

Os candidatos devem observar o fuso horário local e utilizar computador ou notebook para realizar a prova, já que tablets e smartphones não serão aceitos. Além disso, o sistema apresentará as questões de forma sequencial, sem permitir o retorno às perguntas anteriores.

A segunda etapa será a análise curricular. Os aprovados na prova objetiva deverão encaminhar, entre 1º e 11 de outubro, um único arquivo em PDF contendo documentos pessoais, diploma, histórico escolar da graduação, currículo emitido pela Plataforma Lattes e o formulário de Barema preenchido. A ausência de qualquer documento exigido resultará na desclassificação do candidato.

Matrículas

As matrículas e o início das aulas estão previstos para 2027, conforme calendário acadêmico que será divulgado pelo IFMS. As atividades presenciais ocorrerão no Campus Campo Grande, às sextas-feiras e aos sábados, nos períodos da manhã e da tarde.

O Profnit é um mestrado profissional em rede nacional cuja instituição sede é a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O programa tem como foco a formação de profissionais qualificados para atuar em Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), no empreendedorismo de base tecnológica e na gestão de ecossistemas de inovação em instituições de ensino, empresas, órgãos públicos e organizações sociais.

Serviço 

Mais informações, incluindo a bibliografia recomendada e o edital de retificação, estão disponíveis na página oficial do Profnit. Dúvidas sobre a oferta em Mato Grosso do Sul podem ser encaminhadas para o e-mail [[email protected]](mailto:[email protected]).

Ação da PF

Carga com 652 celulares é apreendida e PM acaba preso em Ponta Porã

Região acumula apreensões de cargas milionárias e centenas de aparelhos

19/08/2026 14h16

Reprodução/PF-MS

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Uma carga com 652 celulares de origem estrangeira, sem documentação fiscal, foi apreendida pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19), em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Dois homens foram presos em flagrante, entre eles um policial militar.

Durante a ação também foram apreendidos  R$ 6.850 em espécie, dois veículos e uma arma de fogo com identificação da PM de Mato Grosso do Sul.

Os aparelhos estavam sendo transportados sem documentação fiscal que comprovasse a regularidade da entrada no país. Os suspeitos, os veículos e os materiais foram levados para a Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã.

Rota conhecida 

Levantamento de registros divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que a BR-463, principal ligação de Ponta Porã com o restante de Mato Grosso do Sul, é palco de sucessivas apreensões de celulares e outras mercadorias estrangeiras sem documentação.

Em março deste ano, a PRF apreendeu 191 celulares durante fiscalização na rodovia. Os aparelhos estavam em uma Fiat Fiorino que, segundo o motorista, transportava mercadorias de Ponta Porã para Dourados. O condutor admitiu que havia pegado os produtos no Paraguai.

Poucos dias depois, em abril, outra abordagem na mesma BR-463 resultou na apreensão de 141 celulares escondidos em compartimentos ocultos de um veículo. Na carga também havia 36 garrafas de bebidas alcoólicas, eletrônicos e 25 pacotes de cigarros, todos sem documentação fiscal. Dois homens foram encaminhados à Polícia Federal.

 

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