Cidades

REVIRAVOLTA

Mulher arma assalto para vingar suposta traição

Mulher arma assalto para vingar suposta traição

VÂNYA SANTOS

30/05/2014 - 12h15
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Thamires de Azevedo Silva, 24 anos, confessou para o delegado Fábio Peró, da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (Derf) que encomendou o assalto ao marido Lúcio Mendieta Lopes, de 44 anos, por suspeitar que ele estivesse envolvido num relacionamento extraconjugal. O roubo ocorreu no último dia 20, ocasião em que toda a família foi feita refém numa residência na Rua Luís Roncolato, Jardim Presidente, em Campo Grande (MS).

Após o crime, o casal prestou esclarecimentos na Derf, no entanto, o delegado desconfiou da frieza de Thamires, que durante nova entrevista confessou seu envolvimento no crime. Na ocasião, ela revelou que uma adolescente de 16 anos foi quem apresentou Leandro Silva Andrade, de 20 anos, responsável em contratar outros dois comparsas para “dar um susto” em Lúcio.

Thamires negou que tenha prometido qualquer valor em troca do “serviço”, mas admitiu ter revelado a Leandro que seu convivente sempre retornava das vagens com dinheiro da empresa e que poderiam roubar os valores encontrados.

Crime
O fato aconteceu por volta das 20h30min do dia 20, quando dois bandidos encapuzados e armados abordaram Lúcio, no momento em que ele chegava de viagem. Os acusados empurraram o motorista para dentro da casa e o agrediram com chutes, socos e coronhadas, exigindo o malote de dinheiro. Thamires e os dois filhos do casal, de 4 e 8 anos, estavam no imóvel.

Um dos marginais foi até o caminhão, enquanto seu comparsa vigiava. Eles roubaram aproximadamente R$ 4mil e porque não conseguiram encontrar o restante do dinheiro e não quiseram levar cheques, que estavam cruzados.

Antes de fugir, os bandidos subtraíram os aparelhos celulares das vítimas e trancaram a família no quarto do casal.

Lúcio estava com dinheiro porque trabalhava num empresa de vidros e havia recebido dinheiro referente entrega de uma carga.

Em razão das agressões, o motorista fraturou o nariz e foi submetido a cirurgia na Santa Casa.

Prisões
No dia 23 de maio, a adolescente foi localizada e levada até a Derf, onde confessou seu envolvimento e, na presença de sua mãe, revelou que um dos comparsas contratados por Leandro se chama Jheferson Luiz Nogueira da Paixão, 23 anos.

Já na quarta-feira (28), investigadores prenderam Leandro por força de um cumprimento de mandado de prisão. Ele também foi encaminhado à Derf e confessou seu envolvimento, confirmando que indicou Jheferson para cometer o crime junto com Paulo Roberto Rocha Arguelho, de 20 anos.

Leandro contou ainda que no dia do crime, ele e a adolescente levaram Jheferson e Paulo até a casa da vítima e depois deram apoio à fuga, deixando ambos na residência de Jheferson, que foi preso no começo da tarde de quarta-feira na Rua Prudêncio Tomaz, Bairro Zé Pereira.

O acusado tentou fugir, mas foi alcançado e preso. Com ele os investigadores apreenderam um revólver calibre.38, utilizada por ele no roubo. Jheferson foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Já Paulo foi preso minutos depois, uma vez também mora do Zé Pereira.

“Jheferson e Paulo alegaram que somente foram levados a quantia de aproximadamente R$ 500 em dinheiro, pois o restante eram cheques, sendo esse valor dividido somente entre ambos”, contou o delegado Fábio Peró, que indiciou os suspeitos pelo crime de roubo majorado pelo emprego de arma e concurso de pessoas. 

Segurança

Trânsito de MS é um dos que mais lotam hospitais no Brasil

Pesquisa mostra que Mato Grosso do Sul ficou atrás apenas do Espírito Santo quando o assunto foram internações causadas por conta de acidentes

24/03/2026 07h31

A pesquisa mostra que, em Mato Grosso do Sul, a cada 10 mil habitantes, 22,9 acabam internados vítimas de acidentes de trânsito

A pesquisa mostra que, em Mato Grosso do Sul, a cada 10 mil habitantes, 22,9 acabam internados vítimas de acidentes de trânsito Gerson Oliveira

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Mato Grosso do Sul é o segundo estado com mais pessoas internadas em razão de acidentes de trânsito no Brasil. Segundo levantamento feito pelo Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, MS só fica atrás do Espírito Santo quando o assunto é lotar leitos por traumas.

Conforme a pesquisa, em Mato Grosso do Sul, a cada 10 mil habitantes, 22,9 foram internados por envolvimento em acidentes de trânsito. O Estado ficou atrás apenas do Espírito Santo, onde a taxa por 10 mil habitantes é de 30,5 internações.

Os dados de Mato Grosso do Sul pioraram em relação à pesquisa anterior, de 2024, quando ficou em quarto lugar. A diferença é que, naquela época, o levantamento levava em conta o índice de internações por 100 mil habitantes, com isso, a taxa de MS era de 180,7, atrás apenas de Goiás, Piauí e Rondônia.

O aumento de acidentes de trânsito e, consequentemente, de vítimas gera reflexo rápido nas internações de modo geral. No ano passado, não foram poucas as reportagens sobre falta de leitos e superlotação dos hospitais públicos de Campo Grande.

Por causa disso, inclusive, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com ação civil pública para garantir o aumento de leitos, tanto pediátricos como adultos, em Campo Grande.

MORTES

No mês passado, o Correio do Estado mostrou que a “epidemia” de acidentes de trânsito fez de 2025 o ano mais letal. Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), no ano passado, ocorreram 394 mortes no trânsito de Mato Grosso do Sul, 13 a mais que o número registrado em 2024.

Esse é o maior número de mortes no trânsito desde 2017, considerando acidentes fatais em vias urbanas e rodovias estaduais.
O mesmo aumento foi registrado em Campo Grande, onde ocorreram 87 mortes no trânsito em 2025, um aumento de 26,09% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 69 óbitos. 

A pesquisa mostra que, em Mato Grosso do Sul, a cada 10 mil habitantes, 22,9 acabam internados vítimas de acidentes de trânsito

VELOCIDADE

Especialista em Trânsito, Ivanise Rotta afirma que um dos principais motivos para a situação apontada pela pesquisa é o desrespeito ao limite de velocidade estabelecido nas vias.

“O ser humano da atualidade está inserido em vários contextos de violência, e a gente vê todo dia isso no jornal. Dentro dessa história que estamos vivendo está a violência no trânsito. Hoje nós podemos afirmar que a violência no trânsito no Brasil, no nosso estado e na nossa capital é protagonizada principalmente pelo fator de risco chamado velocidade. A velocidade nas áreas urbanas e nas estradas não é compatível com o que o carro vai desenvolver para evitar esse sinistro”, afirma a especialista.

Além da velocidade, Ivanise também ressalta que estimativa feita pelas autoridades de trânsito da Capital avaliam que 40% dos motociclistas circulam sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“É uma cadeia de situações que nos leva [a este cenário]: alta velocidade, [motoristas] sem CNH, então, não tem trabalho ético de pensar no outro, de prevenção, de direção defensiva. E temos ainda a questão da bebida alcoólica. Ela ainda é aceita no meio social e a gente ainda não consegue fazer com que as pessoas compreendam o risco em que elas estão colocando não somente elas e a família delas, mas todas as pessoas”, completa a especialista.

RELIGIÃO

Funlec recolhe livro sobre mitologia africana um dia após distribuição a alunos

Pais foram pegos de surpresa e questionaram a retirada rápida após entrega na escola de Campo Grande

23/03/2026 19h15

Orum Ayê conta sobre a criação do mundo segundo a mitologia iorubá

Orum Ayê conta sobre a criação do mundo segundo a mitologia iorubá

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Pais de alunos do 5º ano do Colégio Lourival Martins Fagundes, mais conhecido como Funlec (Fundação Lowtons de Educação e Cultura), de Campo Grande, foram surpreendidos pela retirada do livro que traz uma narrativa africana, chamado "Orum Ayê: Um mito africano da criação", escrita por Raimundo Matos de Leão e com ilustração de Andrés Sandoval. A obra trata a criação do mundo segundo a mitologia iorubá, abordando a origem da Terra (Ayê) e do Céu (Orum) por Olorum.

Segundo relatos, no início do ano letivo as crianças receberam as apostilas e, na última quinta-feira (19), os livros foram entregues. No dia seguinte (20), por volta das 18h, a coordenação enviou mensagem no grupo de pais solicitando que os alunos devolvessem o exemplar nesta segunda-feira (23), para que pudessem realizar a substituição.

De acordo com o comunicado da Funlec aos pais, o livro “não está de acordo com a coleção previamente solicitada à editora” e que seria feita a troca pelo exemplar correto.

A mensagem também pedia compreensão das famílias: “Pedimos desculpas por qualquer desconforto que essa situação possa ter ocasionado às famílias e contamos com a compreensão e colaboração de todos para que esse procedimento seja realizado com a maior brevidade possível”.

O pedido gerou estranhamento. Alguns responsáveis acreditam que  possa ter havido reclamações de outros pais em razão da temática da obra. Um deles relatou que, no momento da separação e entrega do material, a professora teria percebido que o título não era o escolhido, mas ainda assim foi entregue às crianças.

“Certeza de que isso foram pais conservadores reclamarem da temática do livro”, afirmou um responsável. Outro disse que a situação foi frustrante. “A gente faz esforço para educar os filhos para que não discriminem ninguém, pois todos merecem as mesmas oportunidades e respeito. As pessoas negras passam por isso o tempo todo, querem apagar a história deles e fingem que não são nada.”

De acordo com a apuração do Correio do Estado, um grupo de pais foi à escola dizer que não queria que os filhos lêssem aquele livro. Mais de 300 volumes foram recolhidos tanto na Capital quanto em Bonito, onde também há unidade da instituição.

O colégio utiliza o sistema de ensino do Anglo, que oferece os pacotes de conteúdos de acordo legislação nacional. Obedece à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e  a lei 10.639, a qual diz que "nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira".

O livro está no catálogo do sistema  Anglo e tem referência importante do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Isso mostra que a obra literária passou por uma série de critérios  e análises feitas em nível federal.

A reportagem tentou contato, através de e-mail, com a Funlec, mas até o momento da publicação desta matéria não houve retorno. 

O livro

A obra "Orum Ayê - um mito africano da criação", de  Raimundo Matos de Leão, é um livro escolhido pelo sistema Anglo de Ensino no programa Coletivo Leitor e indicado para seus alunos do 5º ano. Trata-se de um reconto de mitos africanos, narrados e ritualizados pelos seguidores do candomblé até hoje.

No principio de tudo, Olorum, o senhor da vida, decide criar um lugar para contemplar e orixás para ajudar a governar esse lugar. Cabe a Oxalá, filho de Olorum, a tarefa da criação. Porém, ele falha em sua missão, que acaba sendo cumprida por seu irmão Odudua. Depois de ser perdoado pelo pai, Oxalá cria o ser humano usando barro. Deuses e homens convivem bem até que a desobediência de um menino provoca a separação entre o Orum (Céu) e o Ayê (Terra), e o mundo se torna o que é hoje.

Coletivo Leitor

O Coletivo Leitor é uma plataforma desenvolvida para conectar crianças e jovens ao universo literário. Ele oferece um pacote promocional de livros às escolas com a sugestão do sistema de ensino. Então, o próprio Anglo recomendou as obras para os alunos da faixa etária.

O catálogo oferece opções de leitura para todos os anos escolares, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. 

Para os alunos do 5° ano do Ensino Fundamental, o sistema Anglo de Ensino colocou em seu catálogo as obras: "A história da pedra grande", de Carlos Queiroz Telles; "Orum Ayê - um mito africano da criação", de Raimundo Matos de Leão; "Se eu fosse aquilo", de Ricardo Azevedo; e  "Uma menina, um menino - papel de carta, papel de embrulho", de Flavio de Souza.

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