No segundo dia do julgamento de Jamil Name Filho, o Jamilzinho, 46, pela morte do então estudante de Direito, Matheus Xavier, 20, ocorrido em abril de 2019, em Campo Grande, passou por uma reviravolta acerca do depoimento de Eliane Benitez Batalha dos Santos que, à época do crime, era casada com Marcelo Rios, 46, ex-guarda civil e que seria comparsa de Jamilzinho.
Em 2019, depois da prisão do marido, Eliane procurou o Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), e lá, em depoimento, por temer a morte dela e de dois filhos pequenos, disse que o marido, Rios, integrava uma milícia de matadores que seria chefiada por Jamilzinho e o pai Jamil Name.
Nesta terça-feira (18), contudo, em depoimento iniciado no início da tarde, ela desmitiu tudo. Inclusive afirmou ter denunciado o suposto esquema de matança "sob tortura" e por pressão dos policiais do Garras que o apontaram uma arma em "sua cara". Ela testemunhou em defesa do marido, também julgado ao lado de Jamilzinho e Vladenilson Daniel Olmedom pela morte do rapaz.
Quanto a este assassinato, conforme o processo do caso, Jamilzinho teria mandado matar Paulo Xavier, o PX, policial militar, pai de Matheus, o estudante que foi morto. Ao invés de matar PX, dois pistoleiros teriam, por enganho, matado o filho.
Eliane disse que assim que o marido foi preso por suposta participação na milícia chefiada por Jamilzinho, recebeu ameaças de morte e, com medo, foi a delegacia do Garras e lá ficou por uima semana por "acreditar" que estaria protegida. O marido dela estava preso numa das celas da delegacia.
Daí, por "pressão", como disse, resolveu denunciar a milícia. Eliane e um casal de filhos, de cinco e sete anos de idade, passaram a "morar" na delegacia.
A depoente disse que um dia depois de ter ido pela primeira vez à delegacia, atrás de proteção, foi buscar roupas em casa numa viatura com cinco policiais. As crianças ficaram - no dia anterior as crianças foram juntas.
Eliane disse ter ido em casa porque havia caído a temperatura e precisava de agasalhos.
Ela, então mulher de Marcelo Rios, que estava preso, disse que tentou levar as crianças consigo até sua casa, mas teria sido impedida.
"Ele [policial] falou, não, você vai sozinha. Falei, mas o meu filhos vão ficar sozinhos? Ele falou, não vai vi uma policial aqui na porta com eles. Entrei dentro da viatura com cinco policiais apontando um fuzil pra minha cara. Falando que se eu quisesse ainda ver meus filhos... [teria que prestar depoimento contra a milícia de Jamilzinho].
Ainda no depoimento, Eliane disse: "o delegado [Fábio Peró, que investigou a família Name], a única coisa que ele me falava é que meus filhos iam morrer, a cabeça dos meus filhos iam ser arrancadas. Eu falei tudo que o delegado Peró e os policiais naquele momento falaram eu pra falar, pra quê? Pra defender meus filhos".
Além dizer que o marido trabalhava como segurança da suposta milícia chefiada por Jamilzinho, Eliane, em depoimento, disse que os investigadores da morte escreveram em peças investigatórias "coisas que ela nunca disse".
O QUE ELIANE HAVIA DITO
Marcelo Rios foi preso em maio de 2019 no bairro Monte Líbano, em Campo Grande, numa casa que seria uma espécie de depósito de armas da organização criminosa supostamente chefiada por Jamil Name pai e filho.
Eliane narrou, em detalhes aos policiais, o comportamento do marido Marcelo Rios quando ele cometia um assassinato supostasmente a mando dos Name.
No caso de Marcel Colombo, o "Playboy da Mansão - neste crime, Jamilzinho é um dos réus ainda a ser julgado -, morto a tiros enquanto conversava com um casal amigo, num bar situado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Campo Grande, por exemplo, ela contou que uma semana antes o marido já mostrava comportamento agitado.
E que no dia da morte, demonstrou preocupação em mostrar aos chefes o que tinha acontecido, inclusive ligando para Jamil Name Filho para falar que já tinha saído na imprensa sobre a morte do “Playboy da Mansão”, desafeto morto a mando de Jamilzinho, com quem tinha rixa após um desentendimento em uma boate da capital, acontecido anos antes.
O comportamento piorou com a morte do estudante Matheus Xavier, momento em que Rios contou a mulher que acreditava ter “acabado com a própria vida”, já que o alvo seria o ex-policial Paulo Xavier, também desafeto da família Name e que viu o filho morrer em seus braços. Matheus morreu quando manobrava o carro em frente à sua casa. PX, o pai estava lá dentro do imóvel.
Depois de ouvir os tiros, saiu e viu o filho baleado. Ele assumiu a direção e foi para o hospital e viu o filho morrer antes de atendido.
O assassinato do estudante ocorreu no dia 9 de abril e, depois disso, conforme depoimento de antes de Eliane, Marcelo Rios “não comia e nem dormia” e que sua “cabeça ia rolar”, já que a contratação era para que Xavier fosse morto e não o filho.
Nesta terça-feira, em que o marido, Jamilzinho e Vladenilson Daniel Olmedo, o Vlade enfrentam julgamento pelo assassinato do rapaz, Eliane mudou a versão, disse ter sido pressionada a "inventar" situações que comprometiam a suposta organização criminosa.



