Cidades

Versões Conflitantes

Namorada diz que policiais admitiram ter matado jovem errado em ação do Choque

Alexandra Raquele afirma que namorado estava desarmado e que policial teria reconhecido erro após comparar fotografias; Choque sustenta que jovem apontou revólver durante abordagem em Campo Grande.

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Uma declaração atribuída a policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar levanta questionamentos sobre as circunstâncias da morte de Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, baleado durante uma operação realizada na madrugada de segunda-feira (19), no bairro Portal Caiobá, em Campo Grande.

Em entrevista ao Correio do Estado, Alexandra Raquele, de 18 anos, namorada de Bruno e mãe de um bebê de quatro meses, afirmou que um dos militares teria reconhecido um possível erro na identificação do suspeito após comparar fotografias de Bruno e de seu irmão, Miguel Sousa da Silva, conhecido como "Neguinho".

"A gente matou a pessoa errada", teria dito o policial, segundo o relato de Alexandra.

A denúncia feita por Alexandra apresenta uma versão diferente da relatada pela Polícia Militar.

Segundo o Batalhão de Choque, Bruno era suspeito de envolvimento no latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, ocorrido na sexta-feira (16), e teria apontado um revólver contra os policiais durante a abordagem, circunstância que, conforme a corporação, motivou os disparos.

As divergências envolvem não apenas a identificação do suspeito, mas também as circunstâncias do disparo e o estado de saúde em que Bruno foi retirado da residência.

Alexandra relata momentos antes do disparo

Alexandra contou que estava no quarto com Bruno e o filho do casal, um bebê de quatro meses, quando percebeu a chegada dos policiais, por volta das 4h da madrugada.

Segundo ela, o companheiro estava deitado e não apresentou qualquer reação de ameaça quando foi avisado sobre a presença dos militares.

A testemunha afirma que, pouco depois, vários agentes entraram na residência e determinaram que ela deixasse o quarto com a criança.

Ao tentar se levantar, um dos policiais teria pisado no colchão e prendido seu vestido, dificultando momentaneamente sua saída.

"Já entrou gritando: 'Vai, vai, vai, vai para fora, vai para fora!'", relatou.

Conforme o depoimento, Alexandra conseguiu sair do quarto e, momentos depois, ouviu os policiais questionarem Bruno sobre a existência de uma arma.

“Quando saí do quarto, ouvi um policial perguntar: ‘Cadê a arma, seu filho da puta?’. Bruno respondeu: ‘Não, senhor, não sei de arma, não estou com arma’. Logo depois, escutei o barulho do tiro”, relatou Alexandra.

Ela afirma ter ouvido apenas um disparo, que teria atingido o peito do companheiro.

A namorada também contesta a informação de que Bruno teria se levantado espontaneamente, se deslocado até a porta do quarto e retornado para buscar uma arma.

Segundo Alexandra, o jovem acordou ao ser alertado sobre a presença dos policiais e só tentou se levantar após receber uma ordem dos agentes.

O relato contraria a dinâmica apresentada pelo Batalhão de Choque, mas a testemunha já havia deixado o quarto quando o disparo ocorreu, não tendo presenciado diretamente o momento em que Bruno foi baleado.

"A gente matou a pessoa errada", relata testemunha

Um dos pontos mais contundentes da entrevista envolve o que teria acontecido após a abordagem.

Alexandra afirmou que um policial perguntou sobre os apelidos utilizados por Bruno e pelo irmão, Miguel. Durante a conversa, ela teria explicado que o companheiro era conhecido como "Taxa", enquanto "Neguinho" seria o apelido de Miguel.

Segundo a testemunha, o militar pediu uma fotografia de Miguel, e ela apresentou uma imagem que estava armazenada no celular.

O policial teria fotografado a imagem com seu próprio aparelho e, em seguida, solicitado uma fotografia de Bruno.

A jovem afirma ter mostrado um registro em que aparecia ao lado do namorado. Nesse momento, o militar teria comparado as imagens, olhado para outro integrante da equipe e feito a declaração que passou a alimentar as suspeitas da família.

"A gente matou a pessoa errada", teria afirmado, conforme Alexandra.

Questionada se os próprios policiais teriam percebido naquele momento um possível equívoco na identificação, ela respondeu: "Na hora. Na hora".

A testemunha acrescentou que, depois da suposta declaração, vários militares se reuniram em um canto da residência.

Família contesta versão sobre arma e socorro

Outro ponto de divergência está relacionado à existência de uma arma de fogo no quarto.

Alexandra afirma que Bruno não estava armado e sustenta que os policiais não encontraram qualquer resistência por parte do companheiro.

Segundo ela, aproximadamente dez minutos após o disparo, um militar teria informado ao pai de Bruno que o jovem apontara uma arma para a equipe.

A testemunha afirma ter contestado imediatamente essa explicação.

"Mentira, não tinha arma lá dentro", declarou.

Ela também questiona as circunstâncias em que o corpo do namorado foi retirado da residência.

Conforme seu relato, quatro policiais carregaram Bruno, que estava apenas de cueca, até uma viatura. Alexandra afirma que as pernas dele ficaram penduradas durante o transporte.

A família acredita que ele já estivesse morto naquele momento, embora a Polícia Militar sustente que houve socorro.

A namorada relatou que, ao chegar ao Centro Regional de Saúde do Coophavila, recebeu informações de que Bruno teria dado entrada sem vida.

"A gente já sabia que ele estava morto desde o tiro", afirmou.

Essa informação, atribuída por ela a um profissional da unidade, contraria o registro divulgado pelo Choque, segundo o qual o jovem chegou ao estabelecimento de saúde apresentando sinais vitais e morreu posteriormente.

Marcas de sangue permanecem na residência

Durante a entrevista, familiares mostraram objetos que, segundo eles, estavam no quarto no momento da abordagem e ficaram manchados de sangue.

Entre os materiais apresentados estão um sofá, cobertores e uma manta utilizada pelo bebê de quatro meses.

Alexandra afirmou que o colchão onde o casal dormia ficou com grande quantidade de sangue após o disparo.

"Com muito sangue, que você erguia o colchão assim, ó, ficava aquele monte de sangue debaixo do colchão", relatou.

A família também apontou marcas na parede e na região da janela do quarto, associando-as ao disparo.

Os vestígios, segundo os familiares, reforçam os questionamentos sobre a dinâmica da ação. Entretanto, a interpretação técnica dessas marcas depende de exames periciais.

Choque afirma que jovem apontou revólver contra policiais

Em sua versão oficial, divulgada na segunda-feira (19), o Batalhão de Choque informou que os militares realizavam diligências relacionadas ao latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, ocorrido três dias antes no Parque do Lageado.

Bruno Rafael foi identificado inicialmente pelos policiais como suspeito de ter efetuado o disparo que matou Gian durante o assalto.

Conforme o relato da corporação, as equipes chegaram ao imóvel no Caiobá para realizar a abordagem, mas o jovem teria sacado um revólver e apontado a arma contra os militares.

Ainda segundo o Choque, Bruno desobedeceu às ordens para abandonar a arma, provocando uma situação considerada de ameaça iminente à integridade dos policiais.

Diante disso, os agentes efetuaram disparos contra o suspeito.

A corporação informou que Bruno foi desarmado, socorrido e encaminhado ao Centro Regional de Saúde do Coophavila, onde teria dado entrada com sinais vitais, mas não resistiu.

A Polícia Militar também comunicou que a perícia técnica compareceu ao local e que armas e materiais relacionados à ocorrência foram apreendidos para os procedimentos legais.

Essa é a versão apresentada pelos militares, que contrasta com o relato de Alexandra sobre a ausência de arma, o comportamento de Bruno e as condições em que ele deixou a residência.

Namorada afirma que Bruno não participou de latrocínio

A namorada de Bruno Rafael, Alexandra, afirmou ao Correio do Estado que o jovem não teve qualquer participação no latrocínio que terminou com a morte de Gian Marcelo Samaniego Ramão, no Parque do Lageado.

Segundo ela, no período em que o crime aconteceu, Bruno estava acompanhado de outro irmão, Cauã, em um estabelecimento conhecido na região, nas proximidades da residência da família.

A jovem relatou que os dois chegaram a se envolver em uma discussão no local, ocasião em que uma cadeira teria sido danificada.

Para Alexandra, a presença de Bruno no estabelecimento reforça a versão de que ele não estava envolvido no assalto investigado pela polícia.

O relato apresentado pela namorada poderá ser verificado por meio de testemunhas e eventuais imagens de câmeras de segurança do estabelecimento.

Apesar da negativa de Alexandra, a participação ou não de Bruno no latrocínio ainda depende da análise das provas reunidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Crime no Lageado terminou com morte de homem de 27 anos

O episódio que deu origem às diligências policiais aconteceu na noite de sexta-feira (16), no Parque do Lageado, em Campo Grande.

Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, havia retornado de uma viagem a Ponta Porã com a esposa quando foi surpreendido por criminosos armados e encapuzados.

Durante a ação, o homem tentou fugir, mas foi atingido por disparos nas costas. Ele chegou a receber atendimento médico e foi encaminhado à Santa Casa de Campo Grande, onde morreu horas depois.

Os criminosos levaram um Volkswagen Gol, posteriormente localizado incendiado.

No decorrer das investigações, Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, também foi preso. Segundo informações policiais, ele admitiu participação no crime e forneceu detalhes que contribuíram para o avanço das diligências.

A investigação levou ainda à localização de um imóvel no bairro Tijuca, onde foram apreendidas armas de fogo, acessórios para armamentos, pneus e mercadorias de origem paraguaia.

As prisões e apreensões fazem parte da investigação do latrocínio, enquanto as circunstâncias da morte de Bruno durante a operação policial constituem uma questão distinta que também precisa ser esclarecida.

A identificação dos envolvidos no assassinato de Gian e a verificação da legalidade do uso da força policial são pontos fundamentais para o esclarecimento completo do caso.

Até o momento, as informações oficiais divulgadas pelo Choque não esclarecem especificamente a suposta declaração sobre ter atingido a pessoa errada, atribuída a um dos militares por Alexandra Raquele.

O que dizem as autoridades

O Correio do Estado procurou o Batalhão de Choque e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para obter esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas por Alexandra e as circunstâncias da morte de Bruno.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

Campo Grande

Justiça nega liminar e mantém lei que proíbe atletas transexuais na categoria feminina

Associação das Travestis e Transexuais apresentou Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de concessão de medida cautelar de suspensão de eficácia da lei em Campo Grande

20/10/2026 17h30

Desembagadores do Órgão Especial do TJMS negaram liminar para derrubar lei que impede trans em competições femininas

Desembagadores do Órgão Especial do TJMS negaram liminar para derrubar lei que impede trans em competições femininas Foto: Arquivo / TJMS

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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou liminar a manteve a validade da lei municipal que proíbe a participação de atletas transexuais nas categorias femininas de competições esportivas em Campo Grande. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Justiça desta terça-feira (20).

A Lei nº 7.508/2025, que determina o sexo biológico como único critério para definição de gênero em competições esportivas oficiais realizadas no Município, foi aprovada na Câmara Municipal e promulgada no dia 27 de outubro de 2025.

A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS) apresentou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com requerimento de concessão de medida cautelar de suspensão da eficácia, em face da Câmara Municipal, com o objetivo de obter a declaração de inconstitucionalidade da lei.

A ATTMS alegou invasão de competência, citando que já existe a Lei Geral do Esporte (Lei n. 14.597/2023), que  unifica e moderniza a legislação esportiva no Brasil

A associação argumentou que ao estabelecer restrição genérica à participação de pessoas transexuais em competições esportivas com base exclusivamente no sexo biológico, a lei "mostra-se potencialmente incompatível com os princípios, objetivos e fundamentos consagrados na Constituição Estadual e Federal".

Dentre os princípios, é destacada a ofensa à dignidade da pessoa, à construção de uma sociedade livre, justa e
solidária, à promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, à inviolabilidade dos direitos e garantias fundamentais. 

Além disso, a associação sustentou que a a lei seria incompatível não apenas com a Constituição Estadual e Federal, mas também com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no campo da proteção dos direitos humanos, configurando não vícios de inconstitucionalidade material e formal.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestou pela concessão da medida cautelar pleiteada, para suspensão da eficácia da Lei Municipal.

Em resposta, a Câmara Municipal afirmou a inexistência de vício formal, por se tratar de fixação de critério para participação em competições esportivas municipais, sem qualquer interferência na atuação da Administração.

A Câmara salientou ainda que não se configura “norma geral” de desporto, mas sim regulamentação local que se enquadra na hipótese de competência suplementar prevista no artigo 30, II, da Constituição Federal e, por fim, argumentou que não há configuração de fumus boni iuris e de periculum in mora, motivo pelo qual postulou pelo indeferimento da medida cautelar.

Decisão

Ao analisar o caso, o relator, desembargador Vilson Bertelli afirmou que a lei não revelou, ao menos neste momento processual, "a presença de elementos suficientes para o reconhecimento de inconstitucionalidade formal manifesta apta a justificar a suspensão imediata da eficácia da lei impugnada."

Segundo ele, não há hipótese evidente de invasão de competência privativa da União. O desembargador cita que o artigo 241 da CF estabelece regime de competência concorrente entre União, Estados e Distrito Federal, incumbindo à União a edição de normas gerais e aos Estados a suplementação legislativa nos limites constitucionalmente previstos, enquanto os Municípios tem competência para legislar de modo suplementar a legislação federal e estadual no que couber.

"A lei impugnada não promove alteração da estrutura do Sistema Nacional do Esporte, não modifica as diretrizes gerais estabelecidas pela Lei Geral do Esporte, nem pretende substituir a competência normativa da União para regulamentação nacional da matéria", diz o relator.

"Cuida-se, em princípio, de disciplina incidente sobre competições esportivas realizadas ou fomentadas no âmbito municipal, matéria que guarda relação com a organização das políticas esportivas locais e com a gestão das atividades desenvolvidas sob a esfera de atuação do ente municipal", acrescenta.

Bertelli também ressalta que a lei entrou em vigor em outubro de 2026 e a ADI foi apresentada em abril de 2026, sem que se tenha notícias de algum atleta prejudicado no período.

Desta forma, o desembargador entendeu que não há demonstração de risco concreto e atual que imponha a suspensão imediata da norma e indeferiu o pedido de liminar.

"Ante o exposto, contra o parecer, indefiro a medida cautelar, mantendo a eficácia da lei impugnada até o julgamento definitivo desta ação direta de inconstitucionalidade", diz a decisão.

A lei é de autoria dos vereadores André Salineiro e Rafael Tavares, ambos do PL. Após o indeferimento da liminar, Salineiro comentou que a lei é essencial para proteger as mulheres e garantir competições esportivas justas.

“Há evidências científicas que mostram a desigualdade em competições entre mulheres biológicas e transexuais. Por isso, precisamos de critérios claros para proteger as mulheres e garantir competições justas no esporte feminino”, afirmou.

 

Recuperação Asfáltica

Em meio a pedido de CPI do tapa-buraco, Prefeitura começa a recapear 20 km

Parceria com a Águas Guariroba prevê obras em seis vias de Campo Grande, enquanto Câmara Municipal articula CPI para investigar serviços de tapa-buraco.

20/10/2026 16h59

Equipes trabalham no recapeamento de vias de Campo Grande, que receberá 20 quilômetros de asfalto renovado em parceria entre a Prefeitura e a Águas Guariroba.

Equipes trabalham no recapeamento de vias de Campo Grande, que receberá 20 quilômetros de asfalto renovado em parceria entre a Prefeitura e a Águas Guariroba. Elias Campos/Prefeitura de Campo Grande.

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Em meio à mobilização da Câmara Municipal para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar os serviços de tapa-buracos, a Prefeitura de Campo Grande iniciou um pacote de obras que prevê 20 quilômetros de recapeamento asfáltico em importantes vias da Capital.

A iniciativa, realizada em parceria com a concessionária Águas Guariroba, contempla ruas e avenidas que apresentam desgaste acentuado do pavimento e já não comportam apenas reparos pontuais.

O anúncio ocorre em um momento de crescente cobrança pela recuperação das ruas de Campo Grande, marcado por reclamações de moradores, questionamentos de vereadores sobre os gastos com manutenção viária e investigações relacionadas à execução de contratos públicos.

A primeira etapa dos trabalhos começou nesta semana e inclui a Avenida Primeiro de Maio, cuja entrega está prevista até sexta-feira (23). O pacote completo será executado em duas fases e também contempla a Rua Pedro Celestino, a Avenida Madri e as ruas Alagoas, Goiás e Paraíba.

Segundo a administração municipal, a intervenção pretende substituir pavimentos antigos por uma nova camada asfáltica, aproveitando a necessidade de modernização das redes de abastecimento de água instaladas sob as vias.

A diferença em relação à operação tapa-buraco está justamente na abrangência dos serviços. Enquanto a manutenção convencional consiste na recuperação de pontos específicos do pavimento, o recapeamento permite renovar a superfície de trechos mais extensos, alternativa indicada para locais em que o asfalto apresenta desgaste avançado.

Prefeitura reconhece desgaste do asfalto

A prefeita Adriane Lopes afirmou que o estado de conservação das vias contempladas exige intervenções mais amplas do que os serviços de manutenção realizados habitualmente pela administração municipal.

Segundo ela, o envelhecimento do asfalto compromete a eficácia dos reparos pontuais e torna necessária uma recuperação mais abrangente, especialmente em ruas e avenidas utilizadas diariamente por grande quantidade de veículos.

A avaliação da Prefeitura é que os trechos selecionados exercem papel importante na circulação urbana, tanto pelo fluxo de veículos quanto pelas conexões entre diferentes regiões de Campo Grande.

A recuperação dessas vias também busca reduzir a necessidade de intervenções frequentes em locais onde sucessivos remendos já não representam uma solução duradoura.

A administração municipal ainda não apresentou um cronograma individualizado para a conclusão de cada uma das seis vias, mas estabeleceu a execução em duas etapas, começando pelos serviços já iniciados na Avenida Primeiro de Maio.

Troca de tubulações permitirá renovar pavimento

A participação da Águas Guariroba está relacionada à necessidade de substituição e modernização de tubulações de abastecimento de água em trechos contemplados pelo projeto.

O diretor-executivo da concessionária, Clayton Bezerra, explicou que estudos técnicos identificaram a necessidade de intervenções na infraestrutura subterrânea e apontaram a recuperação integral do pavimento como a alternativa mais adequada.

A proposta permite que a substituição das tubulações seja acompanhada de melhorias na superfície das vias, reunindo duas intervenções de infraestrutura no mesmo conjunto de obras.

De acordo com o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Paulo Silva, a parceria está vinculada às obrigações de recomposição do pavimento pela concessionária após intervenções realizadas na rede de abastecimento.

Conforme a explicação apresentada pela agência, quando os serviços exigem cortes que atingem até metade da via, a concessionária assume a responsabilidade pela recomposição do pavimento nas condições previstas para a intervenção.

Nos trechos contemplados pelo pacote, a necessidade de substituição das tubulações levou à escolha pelo recapeamento.

A parceria permite que a execução das melhorias no sistema de abastecimento seja acompanhada pela recuperação da malha viária, evitando que a intervenção se limite ao fechamento das valas abertas durante os serviços.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, destacou que as obras integram o planejamento de recuperação do asfalto da Capital.

Segundo o titular da pasta, a Prefeitura também prevê novas frentes de recapeamento ainda neste semestre, com o objetivo de ampliar os serviços para outras regiões da cidade.

CPI coloca manutenção das ruas sob investigação

O início do pacote de recapeamento ocorre poucos dias depois de vereadores de Campo Grande reunirem as assinaturas necessárias para solicitar a instalação da CPI do Tapa-Buraco, que pretende investigar possíveis irregularidades em contratos, gastos públicos e a qualidade dos serviços de manutenção das ruas e avenidas da Capital.

A iniciativa ganhou força na sexta-feira (16), após uma reunião entre parlamentares. O requerimento, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), prevê inicialmente 120 dias de investigação e ainda depende dos procedimentos regimentais para a formalização da comissão.

Entre os pontos que motivaram o pedido estão a quantidade de reclamações sobre buracos, a redução de recursos previstos para recuperação das vias e os questionamentos sobre a execução de serviços contratados pela administração municipal.

Conforme dados apresentados no requerimento, quase 9 mil das 24,6 mil indicações encaminhadas pelos vereadores à Prefeitura no primeiro semestre deste ano estavam relacionadas à necessidade de reparos no asfalto.

O documento também aponta que a previsão orçamentária para modernização e requalificação das vias urbanas caiu de mais de R$ 132 milhões, em 2025, para aproximadamente R$ 40 milhões neste ano, redução próxima de 70%.

O início das obras ocorre em meio à movimentação da Câmara Municipal para instalar a CPI do Tapa-Buraco, que pretende investigar possíveis irregularidades nos contratos e serviços de manutenção das ruas de Campo Grande.

O assunto voltou ao centro das discussões nesta terça-feira (20), quando um tumulto interrompeu a sessão em que o secretário municipal de Infraestrutura, André Moura Brandão, prestaria esclarecimentos aos vereadores.

A confusão começou após um servidor municipal quebrar uma maquete que representava um buraco no asfalto.

A proposta de CPI, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), já reúne as assinaturas necessárias e aguarda parecer jurídico para sua instalação, com prazo inicial de 120 dias de investigação.

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