O Projeto Navegação Ampliada para a Vigilância Intensiva e Otimizada (Navio), que visa melhorar a qualidade de vida da população ribeirinha, inicia hoje (12), uma nova fase com os navios de Assistência Hospitalar 'Tenente Maximiano', de Apoio Logístico Fluvial 'Potengi' e de Transporte Fluvial 'Paraguassu'. Partindo de Ladário, eles se dirigem ao tramo norte do Rio Paraguai, abrangendo o percurso de Ladário até Cáceres, no Mato Grosso.
Nesta etapa, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES/MS) conta com a colaboração da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT). O atendimento se destina exclusivamente à população do Mato Grosso do Sul, com previsão de 1.000 atendimentos médicos e odontológicos, distribuição de medicamentos, vacinação e ações de educação em saúde.
ALém disso, 200 filtros de barro serão distribuídos para melhorar a qualidade da água, em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul.
Para o Secretário de Estado de Saúde, Dr. Maurício Simões, o projeto vai além do diagnóstico, oferecendo tratamento e prevenção de doenças, especialmente as infectocontagiosas. A distribuição de filtros de barro visa garantir água potável adequada, contribuindo para evitar doenças parasitárias.
"Em parceria com a Organização das Cooperativas do Brasil, em uma ação de ESG, estamos distribuindo 200 filtros de barro, pois já na primeira viagem do navio identificamos que ao oferecer uma simples solução como um filtro de barro poderemos cercear a evolução de doenças parasitárias por falta de água potável adequada. Desta forma, vimos com muita satisfação os primeiros resultados e continuaremos investindo para aperfeiçoar este projeto, trazendo soluções em saúde para nossas populações ribeirinhas", explica Simões.
A Coordenadora de Saúde Única da SES, Danila Frias, destaca a inclusão da coleta de material de animais nesta fase, ampliando a busca por patógenos em aves domésticas e equídeos. O Comandante do 6º Distrito Naval, Vice-Almirante Iunis Távora Said, reforça o compromisso da Marinha do Brasil em melhorar serviços públicos para a população ribeirinha.
"A vigilância não pode ocorrer apenas na população humana, mas também no ambiente e nos animais. Durante a primeira fase do projeto, realizada no tramo sul, foram prestados cerca de 500 atendimentos médicos e odontológicos, incluindo exames, vacinação e a distribuição de medicamentos.", finaliza Danila.
Já o retorno das embarcações a Ladário está previsto para 14 de março. A próxima viagem abrangerá o tramo sul do Rio Paraguai, com a inclusão de coleta de amostras em animais de produção e domésticos. A fase inicial do projeto no tramo sul proporcionou cerca de 500 atendimentos médicos e odontológicos, incluindo exames, vacinação e distribuição de medicamentos.
Projeto Navio
O Projeto NAVIO é uma parceria firmada entre a SES/MS, Marinha do Brasil e a Fiocruz Minas (Fundação Oswaldo Cruz de Minas Gerais) para a instituição de uma vigilância genômica para a população ribeirinha.
O objetivo é o estudo e monitoramento da saúde de populações ribeirinhas do Pantanal e das mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública, visa atender a população, fazer a busca e a vigilância de patógenos no cunho de Saúde Única, analisando patógenos com impacto na saúde humana, animal e ambiental.
Para o pesquisador da Fiocruz Minas, idealizador e coordenador do Projeto NAVIO, Dr. Luiz Alcântara, o projeto tem o objetivo de atender as populações ribeirinhas da região, investigando em escala de Saúde Única e, dessa maneira, dando suporte às doenças causadas por patógenos nessas populações.
"Esse é um projeto One Health - Saúde Única - que visa não somente investigar os patógenos emergentes e reemergentes nessas populações, mas também os patógenos que estão nos animais, no meio ambiente - água e esgoto - e bem como nos vetores e carrapatos no ambiente em que essas populações convivem".
Possui duração de 5 anos e teve início no dia 25 de novembro de 2023 na rota entre Ladário e Porto Murtinho. Para o projeto, a Marinha do Brasil disponibilizou três navegações: o Navio de Assistência Hospitalar 'Tenente Maximiano', o Navio de Apoio Logístico Fluvial 'Potengi' (possui laboratório montado, inclusive de biologia molecular) e o Navio de Transporte Fluvial 'Paraguassu' (acomoda a tripulação; será montado um novo laboratório para a realização de análise de amostras de água, de fezes e outros tipos de testes).
Parcerias
O projeto conta com o apoio da SES/MT, LACENs (Laboratório Central de Saúde Pública) de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná, alunos e professores do Programa de Pós-Graduação de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), pesquisadores da Fiocruz Mato Grosso do Sul, universidades federais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ouro Preto, Universidades Estaduais de Mato Grosso do Sul e de Feira de Santana da Bahia, Embrapa, OPAS/OMS (Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde), Ministério da Saúde, Loccus, Biomanguinhos, IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná), prefeituras de Ladário, Corumbá e Porto Murtinho, Instituto Erasmus de Roterdan da Holanda, Universidade de Stellenbosch da África do Sul, Universidade de Sidney da Austrália e Sistema OCB/MS.



