Em seu depoimento para tentar se livrar da condenação pela morte de Matheus Xavier, executado aos 20 anos em 19 de abril de 2019, o mandante do crime já começou a se defender de outro júri que deve enfrentar, pelo assassinato de Marcel Colombo, morto em uma cachaçaria no centro de Campo Grande.
Um dia antes de ser condenado a 23 anos e 6 meses de prisão por ser mandante da morte do estudante, Jamil Name afirmou que entre os dias 12 e 18 de outubro de 2018 ficou internado no Proncor por causa de síndrome do pânico que teria enfrentado àquela época.
Marcel Colombro, conhecido como Playboy da Mansão, foi morto justamente naquele período, na madrugada de 18 de outubro de 2018. Ou seja, ao afirmar que estava internado nos dias anteriores e até algumas horas depois do crime, Jamilzinho deixa claro que já tem uma espécie de hálibi para tentar se livrar de uma possível segunda condenação por assassinato.
A declaração, feita em meio à explicação sobre a polêmica declaração de que mataria “de picolezeiro a governador”, também evidencia que esta e outras respostas do réu foram meticulosamente preparadas pela defesa, já que ninguém havia indagado nada a respeito daquele tema. E, como estava internado e doente, não poderia ter participado do plano para matar Marcel Colombo, entende a defesa.
Conforme a investigação, Marcel Colombo teria sido executado a mando de Jamil Name Filho porque cerca de dois anos antes ele teria desferido um soco e provocado sangramento no nariz de Jamilzinho em uma casa noturna.
Paulo Xavier, pai de Matheus, inclusive acompanhava Jamilzinho naquela noite e confirmou aos investigadores que a briga ocorreu. A investigação apurou, também, que Playboy teria pegado um pedaço de gelo da mesa onde estava Jamilzinho e este não teria gostado, dando início à discussão.
E, depois de levar o soco, Jamilzinho já teria afirmado, na presença de outras testemunhas, que aquela agressão não ficaria sem troco. Conforme a denúncia, depois desse desentendimento na boate, a ex-mulher de Jamilzinho teria entrado em contato com a namorada de Playboy aconselhando-o a deixar a cidade, pois conhecia a índole do agredido e que o pior aconteceria.
Playboy levou o conselho a sério e ficou longe durante cerca de três meses e depois retornou a Campo Grande. Mas, a vingança não aconteceu naquele período porque, segundo a denúncia, o patriarca da família, Jamil Name, não permitia.
CHACOTA FATAL
E com o passar do tempo, o Playboy da Mansão recuperou sua "velha coragem" e voltou a fazer bravatas semelhantes às que fazia diante de repórteres e cinegrafistas quando era preso por causa da pertubação do sossego nas festas que promovia na casa que lhe deu o apelido.
Ele resolveu fazer uma espécie de chacota com a família Name. “Não tenho medo de filho de papaizinho, muito menos do pai dele”, teria dito em um áudio de wattsapp que chegou ao conhecimento de Jamil Name e do filho, conforme a investigação.
Jamil Name, sentindo-se afrontado, teria finalmente autorizado o fillho a levar adiante seu plano de vingança. E, ainda de acordo com a investigação, o autor dos disparos teria sido Juanil Miranda, o mesmo pistoleiro que participou da execução de Matheus Xavier. Ele está desaparecido.
Até o fim de julho o Tribunal de Justiça deve julgar um último recurso e definir se Jamilzinho e outros acusados serão ou não levados a júri pela morte do Playboy.
Até lá, em vez de ficar internado no Proncor, como alegou ter ficado entre 12 e 18 de outubro de 2018, ele vai aguardar no Presídio Federal de Mossoró, para onde vai voltar para cumprir parte dos 46 anos a que já foi condenado.
Neste possível segundo júri, porém, ainda será definido se o homem acusado de mantar matar um desafeto por causa de um pedaço de gelo vai participar por vídeo o se voltará a ser trazido a Campo Grande, o que demandaria outra grande mobilização do policiamento para garantir a segurança dos envolvidos no júri.



