Cidades

MEMÓRIA

'Noiva do Banheiro' assustava alunos de Campo Grande

Em 1981, aparição trouxe famosa lenda das escolas brasileiras ao MS

RAFAEL RIBEIRO

01/11/2018 - 17h00
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ACONTECEU EM 1981...

O Dia das Bruxas, importado dos EUA nos últimos anos, oficializou  a comemoração do terror em nosso calendário. 

Já é oficial: dia 31 de outubro é dia de alunos irem às escolas fantasiados. 

Mas há quatro décadas, quando ver crianças vestidas de monstro comemorando algo que fosse era coisa apenas de filme ou desenho animado para brasileiro, assombração em locais de ensino era tido como assunto relevante. E realmente causava pavor.

Foi assim que em 30 de outubro de 1981 o Correio do Estado levou em sua capa uma chamada enigmática: 'Aparição deixou escola em pânico'. 

Na apresentação da reportagem que viria na página 5 é explicado que a menina Diana Batista Ramos, 11 anos, entrou em choque durante um dia normal de aula na escola municipal onde estudava, na Vila Universitária, região sul de Campo Grande. O nome foi mantido em sigilo. E o motivo descobriremos a seguir.

Eram 9h30. Diana pediu para ir ao banheiro. Ao chegar no local, deu de frente com a aparição de uma mulher loira, vestida de noiva, com os cabelos salpicados de cola e o rosto coberto de algodão. Apenas um de seus olhos azul estava visível.

"Com voz doce, a moça teria pedido à Diana que tirasse o algodão do rosto para ela poder ganhar a salvação. A menina ficou com medo e não fez o que ela pediu", completa o texto.

Diana ficou apavorada e saiu aos gritos do local, chorando muito. Foi levada para casa por funcionários e professores do local trararam de tentar tranquilizar os outros alunos alegando ser uma brincadeira. 

Mas o Correio, durante a entrevista com a menina, cuja foto estampa a capa da edição, esclarece que "reafirmaria sua história quantas vezes fossem necessárias."

LOIRA DO BANHEIRO

Pois é queridos leitores, após semanas de buscas, conseguimos trazer para vocês uma das muitas lendas que rondam o imaginário campo-grandense (sim, sabemos que vocês aguardam ansiosos por uma tal bruxa... e iremos cumprir, prometo).

É a primeira 'aparição' documentada de um fenômeno que assola a fantasia de estudante brasileiros até od ia de hoje: a loira do banheiro.

Sim, esse escriba que vos digita essas linhas, apesar de uma infância distante da Capital, na periferia de São Paulo (SP), também passou tardes atordoado por supostas aparições de uma dos maiores mitos de nossa infância. Isso ou a ida à diretoria por estar chutando portas e gritando palavrões para chamar a dita cuja.

E a história de 1981 está longe de ser a primeira aparição da loira que habitava aquele fétido espaço onde fazemos nossas necessidades entre as aulas de matemática e geografia. A própria reportagem do Correio esclarece que a noiva de olhos azuis já apareceria constantemente aos estudantes há pelo menos três anos. 

Pior, a 'noiva' do banheiro já assustara estudantes campo-grandenses com frequência em três das escolas públicas mais tradicionais da cidade e que existem ainda hoje: Bernardo Franco Baís, vizinho aqui da redação, Joaquim Murtinho, hoje estadual, na Avenida Afonso Pena, e Raul Sans de Matos, hoje particular, na Vila Santa Dorotheia.

Na versão de Campo Grande, a loira do banheiro afirmou aos estudantes que tiveram a 'honra' de sua aparição que tinha 14 anos e há algum tempo fora "violentada e esfaqueada" por um professor que desejava casar com ela. O fato ocorreu em uma escola, motivo pelo qual sempre fazia suas visitas nesses locais.

UMA HISTÓRIA DE LUTA E RESISTÊNCIA

Pesquisadores da USP foram atrás: e garantem terem descoberto a identidade da loira do banheiro em Guaratinguetá (SP)

A idade, o vestido de noiva, a cor do cabelo e dos olhos não são simples coincindências. 

É o que aponta pesquisa do professor Adone Agnolin, titular da cadeira de história brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Há oito anos ele desenvolveu projeto de pesquisar lendas urbanas. E chegou a uma conclusão plausível do que pode ser a origem da história que assusta estudantes por todo Brasil. "Sim, a loira do banheiro existou", brincou Agnolin, em entrevista a esse escriba.

A versão mais aceita da lenda é de que ela teria se inspirado na história da jovem Maria Augusta de Oliveira, nascida no final do século 19, em Guaratinguetá (SP). Dizem que ela seria filha do Visconde de Guaratinguetá, que teria obrigado a menina a se casar aos 14 anos com um homem influente. Na época, isso ainda era considerado um hábito normal e aceitável.

Nada feliz com o casório arranjado, Maria Augusta vendeu suas joias, mostrou que tinha muita atitude e fugiu para Paris aos 18 anos. Na cidade, a jovem viveu até 1891, quando teria falecido com apenas 26 anos – o motivo ainda é um mistério, graças ao sumiço do atestado de óbito da garota.

Com a notícia da morte, sua família pediu que o corpo retornasse ao Brasil e fosse colocado em uma urna de vidro na casa da família até que o túmulo ficasse pronto. Mas, mesmo após a sepultura estar pronta para receber o corpo, a mãe de Maria Augusta não quis enterrá-la. Foi só após ser acometida por diversos pesadelos enquanto o corpo estava na casa que ela consentiu em enterrar os restos mortais da jovem.

Algum tempo depois, em 1902, o casarão em que viviam deu lugar à Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, que ainda existe no Centro de Guaratinguetá, onde dizem que seu espírito vaga até hoje, aparecendo com frequência nos banheiros femininos. A história ganhou força após um incêndio misterioso acometer a escola, em 1916, fazendo com que o prédio tivesse que ser reconstruído.

Mesmo assim, é difícil entender o porquê de sua história ter se transformado tanto a ponto de pouca gente conhecer sua figura forte de uma mulher que lutou pelo seu direito de ser feliz em uma época em que isso ainda era um privilégio masculino.

"Dizem que um dos motivos para isso é o fato de sua história ter sido usada nas escolas para evitar que alunos matassem aula no banheiro. Uma das versões chega a sugerir que a loira do banheiro era uma menina que estava matando aula quando bateu a cabeça e morreu, mas a história de rebeldia da Maria Augusta é bem mais interessante", completou o docente da USP.

Vale lembrar que Guaratinguetá tinha e tem uma posição geográfica privilegiada, no eixo entre São Paulo e Rio de Janeiro, nas cercanias de Aparecida do Norte, próximo de Minas Gerais, com trânsito intenso, seja de viajantes em vias terrestres ou trem, visto que a estrada de ferro que corta a cidade é uma das principais na construção da civilização brasileira. Ou seja, a lenda pode ter sido espalhada por quem passou pela cidade.

Lenda vai, história vem, o fato é que a origem do mito da loira do banheiro permanece um grande mistério. Prato cheio para os amantes de histórias de terror, as dúvidas permanecem no ar. Se a história foi criada para assustar os alunos que matam aula, durante um bom tempo o plano foi bem sucedido. Se o fantasma da determinada Maria Augusta permanece de fato assustando jovens por banheiros do Brasil afora, fica no ar a pergunta: porquê ela não consegue ir embora de vez? 

Mas fique tranquilo caro e curioso leitor, em breve o mistério da loira do banheiro será esquecido definitivamente por gerações cada vez menos impactatas com lendas e mitos diante do uso cada vez mais constante da tecnologia em suas criações. O misticismo perde o espaço. Vira 'coisa de velho'. Ao ponto do humorista Danilo Gentili estar preparando um novo filme com a loira como protagonista e eixo central da história, em sua segunda ida às telas grandes tendo a escola como tema.  

Até lá, todo cuidado é pouco, e vale lembrar da boa e velha máxima adaptada: “eu não creio na loira do banheiro, mas que ela existe existe.”

*Rotineiramente nossa equipe convida você, leitor, a embarcar com a gente na máquina do tempo dos 64 anos de história do jornal mais tradicional e querido de Mato Grosso do Sul para reviver reportagens, causos e histórias que marcaram nossa trajetória ao longo desse rico período. Você encontrará aqui desde fatos relevantes à história do nosso Estado até acontecimentos curiosos,que deixaram nossas linhas para fomentar, até hoje, o imaginário da população sul-mato-grossense. Embarque com a gente e reviva junto conosco o que de melhor nosso arquivo tem a oferecer.

E você leitor, gostaria de relembrar um fato, uma reportagem, uma história de nossa história. Nos envie sua sugestão pelo nosso whatsapp: (67) 99971-4437.

Leia edições anteriores da seção Memória do Correio e viaje com a gente pelo tempo.

TRAMA OCULTA

Gaeco investiga fraude em 15 licitações e cumpre mandados em 7 municípios

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, em Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia

28/10/2026 09h35

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos foram localizados nos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

Um grupo de empresários do ramo de confeccções atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. Em alguns casos, valiam-se também da cooptação de servidores públicos para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento.

Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas pela organização criminosa em contratos que alcançam cerca de R$ 3 milhões.

Em Sidrolândia, de acordo com o Região News, uma das equipes do Gaeco esteve na Priscila Malhas, que pertence à empresária Priscilla Depiné, esposa do ex-secretário municipal de administração e atual secretário especial, Welbet José Biaggi de Amorim. Outros agentes estiveram na residência do casal, localizada no Eco Parque Fratelli, na manhã desta quarta-feira.

As investigações tiveram início a partir de provas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Malebolge. O material revelou indícios de um esquema criminoso paralelo envolvendo empresários do ramo de confecções.

“Trama Oculta”, termo que dá nome à operação, remete tanto ao produto negociado pelos empresários (ramo de confecções) quantos às articulações entre efetivadas entre eles, que ajustavam previamente as propostas para simular a competição nos pregões e viabilizar o superfaturamento das contratações públicas. 

Operação Malebolge

A Malebolge cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão e apurava fraudes em licitações que somam mais de R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários. Os mandados foram cumpridos em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. 

O esquema envolvia licitações fraudulentas para compra de uniformes e outros materiais, com um empresário no centro, cooptando servidores e contando com outros empresários. Uma das buscas foi em uma empresa de vestuário em Campo Grande. Um celular apreendido na Malebolge levou o Gaeco a um grupo do ramo de confecções. 

O Gaeco chegou aos suspeitos da Malebolge por provas extraídas de celulares apreendidos na Operação Turn Off. A Trama Oculta seria, portanto, mais um desdobramento dessa cadeia de apreensões de celulares. 

Dez pessoas foram denunciadas por organização criminosa e pediu indenização de, no mínimo, R$ 22 milhões. Além disso, a denúncia do MPMS aponta crimes de fraude em licitação, peculato e corrupção entre os anos de 2022 e 2025. 

Os alvos chegaram a ganhar liberdade com tornozeleira eletrônica. Depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), contra o voto do relator, os manteve presos após recurso do MPMS. Mais tarde, o tribunal revogou a liberdade provisória e determinou a prisão dos réus. 

A 2ª fase foi deflagrada em 24 de julho de 2025. Já em 2026, o Gaeco prendeu quatro pessoas em Água Clara, entre elas a ex-secretária de Educação e um empresário. Segundo as investigações, ele pagava propina para aumentar as ordens de compra, e só parte dos produtos era entregue.

CRISE NO ASFALTO

Rua de Campo Grande tem mais de 100 buracos em uma quadra

Placas foram colocadas sobre os buracos e moradores estenderam faixas para cobrar medidas da Prefeitura

28/10/2026 09h15

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública

Placa alerta motoristas sobre buraco na via pública Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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A Rua São Félix, entre a Avenida Bom Pastor e a Rua Santana, sofre com o problema crônico de Campo Grande: os buracos. A reportagem do Correio do Estado esteve no local e constatou que em um trecho de 120 metros, há 107 buracos no asfalto. 

Os moradores do bairro Jardim Mansur colocaram placas sobre estas 'crateras' para avisar os motoristas que por ali passam. Além disso, a população também expôs faixas, as quais cobram a gestão da Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), sobre a situação e exigem que os impostos pagos tenham retorno.

Na região, a Rua Santana é uma das poucas onde é possível encontrar asfalto com boas condições. Ela, inclusive, foi recapeada em 2021, na gestão de Marquinhos Trad. Na parte final da avenida gastronômica Bom Pastor, também há buracos. 

Na região do Vilas Boas, próxima a avenida Bom Pastor, a situação segue crítica em frente ao condomínio de alto padrão Amantini Residence, onde casas e sobrados costumam ser comercializados entre R$ 2,6 milhões e R$ 3,9 milhões. Nas proximidades do residencial, há uma placa indicando a presença de buracos, esta em cima de uma calçada.

Marisa, moradora da rua do Sucre, relatou à reportagem que, para entrar na sua garagem, precisa desviar o carro de um buraco, mas cai em outro. Além disso, um segundo problema relatado foi a alta velocidade que os ônibus passam, levantando poeira e jogando barro nos veículos e residências. Para minimizar isso, os populares colocaram placa e pedaços de madeira para o transporte diminuir a velocidade.

Ela também conta que a Prefeitura fez reparos em outras ruas na proximidade, porém a de sua casa continua com a buraqueira. Só em meia quadra da Sucre, foram contabilizados cerca de 40 buracos, segundo a moradora.

"Aqui não tem como só tampar os buracos, teria que arrancar este asfalto e refazer inteiro. Onde está afundado, está cheio de pedrinhas com areia e eles [Prefeitura] não fazem [os reparos necessários]. E fica muito fundo quando chove, vira uma verdadeira lagoa, é como se tivesse uma lagoa na frente da minha casa", conta Marisa. 

Plano Emergencial de Recuperação Viária

a Câmara Municipal entregou, nesta terça-feira (27), um Plano Emergencial de Recuperação Viária à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O documento cobra a apresentação de um planejamento em até 72 horas e estabelece medidas para enfrentar a deterioração do asfalto, incluindo cronogramas de atendimento, fiscalização da qualidade dos reparos e prestação de contas à população.

A entrega ocorreu durante a sabatina do secretário municipal de Infraestrutura, André de Moura Brandão, convocado a prestar esclarecimentos sobre as condições das ruas e avenidas da Capital.

Questionado pelos vereadores sobre quando os buracos seriam eliminados, o titular da pasta reconheceu a dificuldade de estabelecer uma previsão para solucionar o problema.

"É difícil estimar uma data: o quando é o mais breve possível", afirmou o secretário, ao justificar que a Prefeitura trabalha para ampliar as frentes de serviço e acelerar os reparos.

O documento foi entregue pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, em um momento de crescente pressão sobre a administração municipal.

Paralelamente, os 29 vereadores já assinaram o requerimento de abertura da CPI do Tapa-Buracos, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro.

O pedido está sob análise da Procuradoria Jurídica da Casa e ainda depende dos procedimentos necessários à instalação da comissão, mas deve ser oficializado até sexta-feira (30), de acordo com Papy.

(Colaboração de Welyson Lucas)

 

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