Cidades

POLIOMIELITE

Novo método diminui para uma semana a detecção do vírus

Novo método diminui para uma semana a detecção do vírus

AGÊNCIA FIOCRUZ DE NOTÍCIAS

01/03/2011 - 00h00
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Foco de grandes campanhas anuais de vacinação, a poliomielite foi erradicada do país há 16 anos. O esforço de monitoramento sobre a possível reintrodução do vírus, no entanto, permanece como uma preocupação constante. Referência nacional e internacional para o tema e responsável pela vigilância epidemiológica da doença no Brasil e no Peru, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) acaba de aperfeiçoar o método de detecção do vírus. Mesclando a técnica indicada como padrão pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com técnicas moleculares, o procedimento desenvolvido pelo IOC reduz de três para uma semana o tempo para o resultado final, além de identificar o sorotipo de poliovírus ou de outro enterovírus (gênero ao qual os poliovírus pertencem) presente na amostra.

“Os poliovírus, conhecidos por causar a poliomielite, são os mais graves dentre os enterovírus. Porém, a doença é um evento muito raro. De mil pessoas infectadas com o vírus selvagem, somente uma ou duas irão desenvolver a doença paralítica. As outras terão sintomas como os de um resfriado comum e também podem acontecer casos de meningite”, explica o pesquisador Edson Elias, chefe do Laboratório de Enterovírus do IOC. Um dos desafios para a vigilância da doença é justamente a rara manifestação de sintomas mais graves, abrindo espaço para que possa ocorrer a circulação silenciosa do vírus. Situações em que a cobertura vacinal não é adequada causam ainda mais preocupação. “Eventualmente, foi observado a partir do ano 2000 que, em ambientes com baixa cobertura vacinal, os vírus atenuados utilizados na composição da vacina podem sofrer mutações e readquirir o fenótipo neurovirulento, com potencial para causar doença como se fosse um vírus selvagem. No Brasil não há registro de casos deste tipo, já que a cobertura vacinal é adequada”, esclarece.

Segundo Edson Elias, o uso da técnica molecular PCR (sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase) para realização de diagnóstico não é novidade, mas sua aplicação na detecção direta de vírus é inovadora. “A técnica que desenvolvemos é combinada, utilizando uma etapa inicial de propagação viral em cultivos celulares seguida de PCR e análise do material genético viral, por meio do sequenciamento nucleotídico”, descreve. Outras propostas de diagnóstico rápido baseiam-se apenas no uso de PCR em tempo real, mas, apesar de muito sensível, a técnica é mais cara e restringe-se a identificar a presença do poliovírus. Já na metodologia desenvolvida no IOC, é possível não só detectar a presença do poliovírus, mas também identificar seu sorotipo. E mais: o método identifica, ainda, se na amostra está presente outro tipo de enterovírus.

A técnica pode ser aplicada em amostras de fezes ou líquido cefalorraquidiano. Ela já está sendo utilizada de forma experimental no laboratório do IOC. “O vírus causador da poliomielite tem um grande poder de disseminação. Por isso, quanto mais rapidamente for detectado, mais eficientes serão as medidas tomadas para controle”, conclui o pesquisador. O novo método de diagnóstico, publicado na revista Journal of Clinical Virology, constitui-se numa alternativa a ser adotada na vigilância laboratorial da poliomielite.

Referência em controle e vigilância

Referência nacional e internacional para o tema, o Laboratório de Enterovírus do IOC teve participação decisiva no processo de erradicação da poliomielite: detectou, em 1986, que um surto de poliomielite no Nordeste era causado pelo sorotipo 3 do vírus, auxiliando no desenvolvimento de uma nova formulação para a vacina, que foi adotada pela OMS.

No Brasil, o último caso de poliomielite causado por vírus selvagem ocorreu em 1989. O país recebeu o Certificado de Eliminação da Poliomielite em dezembro de 1994. No continente americano, o último caso de poliomielite foi registrado no Peru, em 1991. O diagnóstico foi feito pelo Laboratório de Enterovírus do IOC, onde a amostra está armazenada. Três anos depois, o continente foi o primeiro a receber a certificação de erradicação da doença.

O processo de erradicação global da poliomielite está adiantado, porém a doença ainda é registrada na Índia, na Nigéria, no Afeganistão e no Paquistão. Além disso, mesmo nos países onde a poliomielite já foi eliminada, por deficiências na cobertura vacinal, pode haver, eventualmente, a reintrodução de vírus oriundos de regiões em que a circulação ainda ocorre. Daí a importância da continuidade das campanhas de vacinação. Campanhas nacionais de imunização são realizadas anualmente no Brasil. Em 2009, de acordo com o balanço do Ministério da Saúde, foi obtida uma cobertura vacinal de cerca de 97%, com mais de 30 milhões de doses aplicadas em crianças brasileiras menores de 5 anos.

em todo o país

Trabalhadores dos Correios estão em greve por tempo indeterminado

Paralisação teve início às 22h de quinta-feira (10)

11/09/2026 21h00

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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Os trabalhadores dos Correios paralisaram as atividades por tempo indeterminado em todo o país. A greve teve início às 22h dessa quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), o movimento paredista foi deflagrado após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.

A decisão das assembleias dos trabalhadores ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). No Acre, a categoria deve decidir hoje sobre a greve.

Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.

“A direção dos Correios insiste em alterar sua condição de mantenedora do plano, proposta que preocupa a categoria pelos riscos que pode trazer ao custeio e à garantia da assistência médica”, disse.

A Findect informou ainda que segue acompanhando o movimento e que aguarda uma resposta da direção dos Correios e do governo federal que atenda às reivindicações dos trabalhadores.

“A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil”.

A reportagem da Agência Brasil pediu um posicionamento da direção dos Correios sobre a greve, mas ainda não teve resposta.

Justiça

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master

Ele atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República

11/09/2026 19h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. 

Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. 

A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9) por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. 

Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. 

Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. 

A ordem de Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. 

Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. 

Neste relatório, cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra ter relação de proximidade com o ministro. 

Mendonça pediu ao plenário que decida sobre investigar ou não Moraes. A PGR, contudo, alega que o ministro já avançou irregularmente nas investigações, sem a autorização do plenário, o que tornaria nulo o material. 

Sigilo

Entre as apurações mantidas sob sigilo por Mendonça está a que diz respeito ao suposto repasse de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PF, há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Outra investigação mantida sob segredo de Justiça envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. 

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