Cidades

VÍRUS SINCICIAL

Números indicam ligeira melhora no surto de doenças respiratórias de crianças

No dia 28 de março foram 1.756 atendimentos e ontem, 1.300. Porém, isso ainda é quase o dobro de um período de procura normal na rede básica

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Números divulgados nesta manhã pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) revelam que o surto de infecções respiratórias entre crianças de Campo Grande apresentou uma ligeira queda nos últimos dias, mas a situação está longe voltar à normalidade. 

No pico do surto, no dia 28 de março, foram 1.756 atendimentos de crianças. Nesta segunda-feira, a quantidade caiu para 1.300. Além disso, na semana passada, uma média de 40 crianças estavam diariamente na fila de espera por internação. Hoje, às 8 da manhã, a fila estava com 26 crianças, conforme o médico Leonardo Monteiro, Coordenador de Urgências da Sesau. 

Ele alerta, porém, que é cedo para dizer que a situação melhorou em definitivo. “Tivemos quedas no atendimento em semanas anteriores e depois a situação piorou novamente”, lembra. Além disso, a situação está longe da normalidade. Fora deste período de surto, “o máximo que a gente atende é cerca de 800 crianças e ontem ainda tivemos quase o dobro disso”. 

Mas o mais preocupante é que neste ano a gravidade dos casos está incomparavelmente maior, de acordo com o médico. Uma das suspeitas é que por causa do isolamento durante a pandemia muitas crianças não tiveram contado com o vírus sincicial e outros vírus e agora estão sendo acometidas ao mesmo tempo e estão com a imunidade mais baixa que em outras épocas. 

A outra suspeita é de que o vírus sincicial tenha sofrido alguma mutação e por isso o estado de saúde das crianças esteja mais grave que em outros anos. Mas a confirmação ou não desta suspeita vai demorar meses, de acordo como Leonardo Monteiro. Amostras foram coletadas e enviadas a laboratórios e universidades, mas os resultados demoram, segundo ele. 

Conforme a Ana Paula Resende, superintendente da Rede de Atenção à Saúde da Sesau, em anos anteriores, 9% dos casos atendidos na rede básica precisavam de internação. Neste ano, segundo ela, este índice dobrou e 18% das crianças precisam de leito hospitalar.

E é exatamente por conta disso que o poder público está tentando contratar pelo menos 30 leitos clínicos e mais cinco de UTI na rede privada, já que os hospitais que atendem pelo SUS em Campo Grande estão superlotados. A previsão é de que esta ampliação de vagas comece ainda nesta semana. 

Conforme a Sesau, nesta época, logo após o início do ano letivo, é normal o aumento de casos de problemas respiratórios entre crianças. E, se o surto se comportar como em anos anteriores, a tendência é de que os leitos extras sejam necessários por pelo menos dois meses, já que a partir de agora chegam as primeiras frentes frias e elas também provocam aumento nos casos de síndromes respiratórias. 
 

descoberta inédita

ONG registra primeiros casos de melanismo em cervos-do-pantanal

O melanismo é uma mutação genética que gera excesso de melanina e confere pelagem escura ao animal

24/08/2026 15h33

Cervo-do-pantanal com melanismo foi avistado no Pantanal de MS e no Cerrado em Minas

Cervo-do-pantanal com melanismo foi avistado no Pantanal de MS e no Cerrado em Minas Foto: Divulgação / Onçafari

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Pesquisadores da Organização Não-Governamental (ONG) Onçafari, em parceria com um pesquisador da Embrapa Pantanal, registrou os primeiros casos de melanismo em cervo-do-pantanal. A descoberta inédita para a espécie foi detalhada em uma nota científica publicada na revista Notas sobre Mamíferos Sudamericanos, ampliando o conhecimento sobre anomalias de pigmentação em cervídeos sul-americanos.

O melanismo, mutação genética que gera excesso de melanina e confere pelagem escura ao animal, foi identificado em dois biomas, sendo no Pantanal sul-mato-grossense, na base de operações do Onçafari, no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, e outro no Cerrado, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais.

Até então, apenas casos de albinismo e leucismo haviam sido documentados em cervos-do-pantanal.

O Pantanal é o bioma que abriga 88% da população brasileira da espécie, com cerca de 40 mil animais.

Segundo a ONG, em mais de 40 anos de pesquisas e levantamentos aéreos da espécie no bioma, nunca havia sido identificado nenhum indivíduo com melanismo, sendo uma fêmea adulta avistada pela equipe do Onçafari o primeiro registro publicado até o momento.

Já no Cerrado, onde o cervo-do-pantanal é ameaçado de extinção, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, 66,7% das observações diretas envolveram indivíduos melânicos, somando ao menos dois machos distintos.

Depois da aceitação da nota científica pela revista, a equipe segue registrando estes indivíduos, inclusive com um registro recente de um macho juvenil com a mesma mutação genética.

"Estes registros no Cerrado servem de alerta para a conservação da espécie no bioma, pois essa mutação pode indicar que a saúde genética da população está em risco. Acreditamos que esses animais estejam bem confinados nos limites do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, já que as áreas externas já estão bem degradadas e têm uma pressão de caça ainda maior. Isto resulta em isolamento populacional e, muito possivelmente, uma maior frequência de indivíduos com melanismo", afirma Edu Fragoso, Coordenador da base do Onçafari no Parque Nacional Grande Sertão Veredas e coautor do estudo.

A alta proporção de indivíduos melânicos em populações reduzidas e fragmentadas do Cerrado pode ser reflexo de deriva genética, isolamento e endogamia, segundo o especialista, que reforça a necessidade de novos estudos para entender padrões e impactos para direcionar as estratégias de conservação da espécie.

Outros estudos recentes, ainda iniciais, apontam alguns efeitos negativos da alta pigmentação das espécies, como menores taxas de sobrevivência e reprodução, maiores chances de predação por grandes carnívoros, como as onças-pintadas, maior vulnerabilidade a doenças e dificuldades de termorregulação.

O achado reforça a relevância do monitoramento contínuo em longo prazo para identificar transformações ecológicas e genéticas nas populações animais ameaçadas.

 

Execução

Polícia divulga imagens de dois foragidos por morte de filho de garagista em Dourados

Com quatro investigados já presos, Polícia Civil procura outros dois suspeitos apontados como envolvidos no assassinato de Vitor Orsini

24/08/2026 14h45

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul divulgou, nesta segunda-feitra (24), as imagens de dois investigados que permanecem foragidos no caso do assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, filho de um garagista morto a tiros no dia 7 de agosto, em Dourados.

Segundo o Setor de Investigações Gerais (SIG), ambos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça por homicídio qualificado. A divulgação das imagens ocorre após a prisão de outros quatro envolvidos desde o início das investigações.

Informações sobre o paradeiro dos suspeitos podem ser repassadas de forma anônima ao SIG de Dourados, pelo telefone (67) 99987-9826. A Polícia Civil orienta que a população não tente abordá-los e acione as autoridades caso tenha informações sobre a localização.

Presos

As primeiras prisões ocorreram no dia 11 de agosto, quando Denis Barbosa de Mello, de 25 anos, foi localizado em um hotel no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã. Ele é apontado pelas investigações como autor dos disparos contra Vitor. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido por suspeita de participação no crime.

No dia 17 de agosto, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, foi preso em Ponta Porã. Conforme a apuração, ele teria pilotado a motocicleta utilizada para levar o suspeito dos disparos até a garagem e auxiliado na fuga após o crime.

Já no dia 21, a Polícia Civil prendeu preventivamente Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã. Ele foi o quarto investigado detido no caso, durante operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A participação dele no homicídio ainda é investigada.

O crime

Vitor Orsini foi assassinado na tarde de 7 de agosto, em uma garagem de veículos pertencente ao pai, localizada na Avenida Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa.

De acordo com a investigação, um homem entrou no estabelecimento sob o pretexto de usar o banheiro. Pouco depois, aproximou-se do jovem e efetuou disparos. Vitor chegou a ser socorrido pelo Samu, mas não resistiu.

As investigações continuam para esclarecer a motivação do homicídio, a participação de cada envolvido e a possível atuação de outras pessoas no crime.

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