Cidades

Entrevista

'O potencial de Ponta Porã é muito maior que o turismo de compras', diz prefeito

'O potencial de Ponta Porã é muito maior que o turismo de compras', diz prefeito

Milena Crestani

19/01/2014 - 18h00
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Mesmo com pouca experiência na área política, o prefeito de Ponta Porã, Ludimar Godoy Novais, conseguiu alcançar resultados positivos no seu primeiro ano de administração. Praticamente atingiu a meta estabelecida na campanha de construir duas mil casas e agora a expectativa é conseguir zerar o déficit habitacional até o final de seu mandato. A cidade também se destacou na quantidade de recursos de emendas parlamentares, sendo a segunda com maior volume. As verbas serão destinadas, principalmente, para saúde e infraestrutura. Nesta entrevista, ele destaca ainda a relação com as cidades fronteiriças em relação à segurança e à área social. Fala ainda do aspecto econômico, com a intenção de montar um centro de distribuição em Ponta Porã dos produtos industrializados do Paraguai, além de enaltecer o potencial turístico da região, que vai além das compras.

O que destaca do seu primeiro ano como prefeito de Ponta Porã?
O primeiro ano de qualquer nova empreitada é difícil. 2013 foi um ano para nos adaptarmos, conhecermos a realidade da nova situação, pois a prefeitura tem muitas questões específicas. Foi um ano de bastante conhecimento e muito trabalho das nossas equipes, principalmente daqueles que ainda não atuavam no setor público. As equipes estão trabalhando de forma mais eficiente e já conseguimos superar essas primeiras dificuldades. Temos hoje desafios inerentes a qualquer município que enfrenta situação bastante difícil, pois as responsabilidades aumentam a cada dia e a arrecadação não acompanha esse mesmo ritmo. Muitas destas responsabilidades foram criadas pelos governos federal e estadual, mas não vêm acompanhadas do devido custeio para que possam ser desempenhadas. Essas despesas acabam caindo no colo dos municípios. Hoje a maior dificuldade de 99% dos municípios é financeira, pois a arrecadação própria, somada ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ao FPM (Fundo de Participação dos Municípios) permite apenas o custeio da máquina, sem que haja sobra de investimentos que não dependam de emenda de parlamentares ou recurso a fundo perdido.

No fim do ano passado, Ponta Porã foi beneficiada com boa quantidade de recursos de emendas parlamentares. Quais obras serão executadas?
A gente teve a satisfação de saber que Ponta Porã ficou em segundo lugar, atrás apenas de Campo Grande, no valor de emendas empenhadas. Foram mais de R$ 10 milhões para Ponta Porã, em recursos para infraestrutura urbana. Além disso, tivemos 14 pedidos ao Ministério da Saúde, para ampliação, reforma e construção de novas unidades básicas de saúde. Os 14 foram aprovados. Temos ainda o Hospital Regional que está sendo reformado e ampliado com instalação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Então, uma parte (dos recursos) será destinada a equipamentos. O restante é para infraestrutura.

Hoje, assim como outras cidades do interior, Ponta Porá depende muito de Campo Grande para atendimentos na área da saúde. Com esses recursos, como pretende diminuir essa dependência?
Nosso foco é a atenção básica, pois é o que não funciona no Brasil. Precisamos desenvolver melhor o trabalho nos postos de saúde, que hoje em dia é praticamente impossível em função da dificuldade em manter os médicos neste local de trabalho para que ele possa desenvolver a função de médico da família. Conseguimos quatro médicos do Programa Mais Médicos. Temos um total de 16 postos de saúde em Ponta Porã e o nosso foco é tentar colocar médicos em horário integral nos postos de saúde, para dar foco na atenção básica e diminuir a sobrecarga do Hospital Regional. Hoje nosso hospital é um grande posto de saúde. Temos dificuldade na contratação de médicos, o mesmo que ocorre em muitas cidades do interior. Hoje o cidadão que está com a unha encravada ou com problema mais grave acaba caindo no mesmo hospital.

Por ser uma cidade fronteiriça, a demanda de estrangeiros para atendimento de saúde também atrapalha?
Com certeza. Temos demanda de brasileiros que moram no Paraguai e não temos como recusar o atendimento, mas eles não estão na conta do que recebemos do financiamento da saúde. Quando se faz o Censo e outros levantamentos esses brasileiros não aparecem. Esse atendimento ao paraguaio acaba ainda acontecendo. Se o estrangeiro sofre acidente no Brasil, não temos como recusar este atendimento a um paciente em estado grave. Estes casos diminuíram bastante em relação à demanda direta quando passou a ser exigido Cartão do SUS. Barrou um pouco, mas a dificuldade continua.

Mesmo não sendo da esfera municipal, não há como não se envolver nas questões de segurança. Qual é a participação da prefeitura neste aspecto e qual o peso do fato de estar na fronteira?
Existe essa peculiaridade e precisamos trabalhá-la. Temos contato e amizade com o prefeito de Pedro Juan Caballero, José Carlos Azevedo, e um bom contato com o governador do Departamento de Amambay, Pedro Gonzalez Ramirez. Eles estão num processo de tentar industrializar Pedro Juan e estamos trabalhando com a Fiems e apoio do deputado Paulo Corrêa para trazer um centro de distribuição. Não temos como competir em termos de vantagem com as indústrias, mas com o centro de distribuição podemos garantir que essa movimentação econômica fique na região de fronteira.

Mas e esse relacionamento com as cidades vizinhas?
Temos vários problemas com a municipalidade, desde saúde, segurança pública e os estrangeiros circulam de forma bastante livre na região. O Brasil, por exemplo, determina em lei que neste ano as cidades têm de acabar com todos os lixões, elaborando planos de saneamento básico e destinação de resíduos sólidos. Estamos fazendo em função da lei e tentamos executá-los em conjunto com Pedro Juan, mas não conseguimos. É difícil convencer o gestor a investir e fazer essa despesa, se ele não tem essa exigibilidade. Nós temos o prazo para cumprir. Vamos cumprir a lei no Brasil, mas nada será feito no Paraguai, o que é meio paradoxal. A questão fica resolvida pela metade, em termos de meio ambiente.

Muitas pessoas quando falam em Ponta Porã destacam somente o turismo de compras. Quais as outras potencialidades a cidade?
O pontencial turístico de Ponta Porã é muito maior que somente o turismo de compras, que até agora ficou conhecido. É uma região muito bonita e pouco explorada, com riqueza de sítios históricos. A menos de 30 quilômetros de Pedro Juan, chega-se a Cerro Corá, onde aconteceu o final da Guerra do Paraguai. Poucas pessoas conhecem esse lugar que é histórico para o Brasil e para o Paraguai. Temos a Reserva Militar de Dourados, perto de Antonio João, grutas com inscrições rupestres. Recentemente, um historiador de Pedro Juan descobriu uma cidade histórica bem próxima da região. Quem nunca entrou no Paraguai, se espantaria de entrar 20 ou 30 km e chegar até Cerro Corá, local muito parecido com a Chapada dos Guimarães ou Chapada dos Veadeiros, que são destinos turísticos muito visitados. É um lugar pouco explorado. O governador quis hoje abrir essa região para que turista não fique apenas focado na compra.

Considera que muitas pessoas ainda têm receio de fazer turismo no Paraguai?
Ainda há um estigma com o Paraguai. Pessoas têm muito medo de entrar porque durante muitos anos quem passava para a rodovia do Paraguai era achacado por policiais e tinha que acabar pagando propina para andar. Isso mudou muito. O país evoluiu bastante e hoje tem condições de receber melhor o turista brasileiro, com mais respeito e tranquilidade.

Quais são suas metas para este ano à frente da prefeitura?
Tivemos meta estabelecida na campanha de construir duas mil casas. Neste ano, tivemos a satisfação de contratar 1.515 unidades. Então quase cumprimos nossa meta que parecia ser quase impossível em quatro anos. Vamos continuar focando na parte habitacional para se possível zerarmos o déficit, que hoje está em aproximadamente 4 mil unidades. Vamos trabalhar forte com relação a isso, aproveitando que o governo federal está focado no Programa Minha Casa, Minha Vida. Registramos vários projetos no PAC 2, maioria para garantir investimentos em infraestrutura urbana. Precisamos atender demandas que a cidade tem de bairros muito antigos, onde moradores cobram, com razão, o asfalto. Quem não tem asfalto convive com lama na chuva e poeira na seca. Temos um projeto de revitalização do centro, no sentido de tentar fazer da fronteira um destino turístico mais agradável. Vamos reformular todo centro de Ponta Porã, com acessibilidade, canteiros com flores para ser um local mais bonito e agradável. Teremos uma intervenção completa na área central, executada com recursos de emenda do deputado federal Vander Loubet. Já começamos a primeira fase para dar ‘cara nova’ ao centro da cidade.   

Investigação

Procon confirma 17 denúncias relacionadas ao show do Guns N' Roses em Campo Grande

Principal reclamação foi de não conseguir chegar ao show mesmo com ingresso válido, devido à falta de logística

14/04/2026 18h00

Fãs procuraram o Procon para registrar denúncia por não conseguirem acessar o show

Fãs procuraram o Procon para registrar denúncia por não conseguirem acessar o show FOTO: Divulgação

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O Procon/MS confirmou que, até agora, foram registradas 17 queixas junto ao órgão com relação ao show da banda internacional Guns N' Roses na última quinta-feira (9) em Campo Grande. 

Ao Correio do Estado, o órgão afirmou que os principais problemas relatados foram falhas na entrega do produto e questionamentos sobre o contrato e a oferta do evento. 

Dos consumidores, 76,5% informaram ter buscado contato prévio com o fornecedor antes de formalizar a reclamação junto à entidade, não tendo a indignação atendida.

A reclamação central entre os que adquiriram os ingressos para o show foi a impossibilidade de chegar ao evento, já que a falta de logística com relação ao acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura causou um congestionamento de 13 quilômetros na BR-262 e deixou milhares de fãs presos no trânsito. 

O único jeito de chegar até o Autódromo é através da rodovia, que não é duplicada. Mesmo com ações da Polícia Rodoviária Federal e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o grande fluxo de veículos sobrecarregou a estrutura preparada para receber as 40 mil pessoas esperadas. 

Assim, mesmo com o show começando 1h30 atrasado para esperar o máximo de pessoas chegarem ao local, muita gente ficou de fora e não conseguiu chegar a tempo, nem mesmo no final do concerto. 

Diante dos fatos, o Procon-MS afirmou em nota que vai investigar a responsabilidade da empresa promotora do evento, já que um grande número de pessoas procurou o órgão para abrir reclamação por não ter conseguido assistir ao evento, mesmo com ingressos válidos. 

"Em conformidade com suas competências legais e com o compromisso de proteger os direitos dos cidadãos, o Procon instaurou um procedimento de investigação preliminar para apurar a responsabilidade da empresa promotora quanto à impossibilidade de acesso de consumidores que adquiriram ingressos. Após ser notificada, a empresa terá o prazo de 20 dias para apresentar seu posicionamento", afirmou em nota à reportagem. 

De quem foi a culpa?

Como já noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, a responsabilidade pela bagunça no trânsito antes e depois do show virou um verdadeiro “empurra-empurra”. 

Para a PRF, a responsabilidade deveria recair sobre a organização do show, já que muitos “combinados” não foram cumpridos, como a abertura dos portões em atraso, falta de planejamento nos pontos de retenção, falta de sinalização da via e a implementação de controle de acesso por QR Code, o que gerou demora e maior volume de fila. 

Por outro lado, a assessoria de imprensa da organização afirmou que a responsabilidade pelo controle e organização do tráfego recai sobre os órgãos públicos, já que "a organização privada não possui competência legal para intervenção em rodovias federais ou no sistema viário urbano". 

"A gestão, o ordenamento e a operação do trânsito são atribuições dos órgãos públicos, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro. A realização do evento ocorreu com autorização formal e com pleno conhecimento das condições de acesso por parte das autoridades responsáveis", escreveu a nota. 

O documento ainda ressaltou que todas as etapas que estavam sob responsabilidade da organização do show foram realizadas seguindo o planejamento aprovado.

O Procon-MS não informou à reportagem o número exato de reclamações abertas pela situação, mas afirmou que o balanço completo será feito a partir da próxima segunda-feira. 

Congestionamento

Com aproximadamente 13 quilômetros de congestionamento na Avenida João Arinos, única via de acesso ao Autódromo Internacional, cerca de 30% do público não conseguiu chegar ao show inédito nesta quinta-feira (9). 

Vários relatos nas redes sociais mostraram fãs presos no trânsito por até seis horas, tentando chegar no evento. Muitos deixaram os carros no meio do caminho e seguiram a pé, outros pegaram carona de motociclistas que tentavam furar a fila, e ainda houveram relatos de motoristas que conseguiram vias alternativas. 

O grande número de veículos na rodovia fez com que muitos fãs não conseguissem assistir ao show, gerando revolta e decepção. 

A reportagem tentou contato direto com a Santo Show, responsável pelo evento, para entender qual será o posicionamento adotado, inclusive se o dinheiro das pessoas que compraram ingressos e não conseguiram chegar no evento será ressarcido. 

A empresa não respondeu aos questionamentos. Na rede social oficial, nenhuma postura ou pronunciamento foi dado e os comentários nas postagens recentes do perfil oficial sobre o show em Campo Grande foram desativados. 

Na sua página pessoal, o dono da Santo Show, Valter Júnior, disse que as dificuldades foram causados por "fatores externos".

Epidemia

Dourados confirma 7ª morte por chikungunya

A vítima era um homem indígena de 77 anos, que faleceu no mês de março

14/04/2026 17h45

A prefeitura do município está realizando mutirões para erradicar focos do mosquito causador da coença

A prefeitura do município está realizando mutirões para erradicar focos do mosquito causador da coença Divulgação/Prefeitura de Dourados

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A Prefeitura de Dourados confirmou, nesta terça-feira (14) o 7º óbito no município causado por complicações da chikungunya. A cidade se tornou o epicentro da doença no Estado, responsável por aproximadamente 64% das mortes em MS. 

A confirmação foi dada através do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e o avanço da doença no perímetro urbano do município. 

A vítima era um indígena do sexo masculino de 77 anos, com comorbidade e que estava internado no Hospital Porta da Esperança, da Missão Caiuá. Ele apresentou sintomas da doença no dia 10 de fevereiro e veio a óbito no dia 14 de março e a morte estava em investigação.

Ele residia na Reserva Indígena de Dourados, onde estão concentrados o maior número de diagnósticos da doença, com 2.012 casos prováveis, 1.461 casos confirmados, 479 casos descartados, 545 casos em investigação, num total de 2.485 notificações e 399 atendimentos hospitalares. 

Outras três mortes estão em investigação, sendo uma menina de 10 anos, que estava internada no Hospital Regional de Dourados e não morava na Reserva Indígena; e um homem de 63 anos, que estava internado no Hospital Unimed, morador do bairro Parque das Nações II, considerado local com avanço mais forte da doença no município. 

De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado nesta terça-feira, Dourados tem, hoje, 40 pacientes internados com chikungunya, sendo 2 no Hospital Porta da Esperança (Missão Caiuá), 21 no Hospital Universitário HU-UFGD, 5 no Hospital Cassems, 8 no Hospital Regional, 1 no Hospital Unimed, 1 no Hospital da Vida e 2 no Hospital Evangélico Mackenzie. 

Em números gerais, o município tem 3.681 casos prováveis de Chikungunya, com 1.701 casos confirmados, 780 casos descartados e 2.760 casos em investigação, com uma taxa de positividade de 68,6%. 

Em quase todo o Estado

Mato Grosso do Sul continua com índice médio de incidência de casos de Chikungunya. Dos 49 municípios, apenas 5 não registraram casos prováveis até o dia 10 de abril, de acordo com o último Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). 

Alcinópolis, Aparecida do Taboado, Aral Moreira, Japorã e Tacuru não apresentaram casos da doença até o momento e mais dez municípios não tiveram casos confirmados. 

Das demais cidades, 16 municípios têm alta incidência de casos prováveis, quando são registrados mais de 300 casos por 100 mil habitantes. Outras 23, estão classificadas com incidência média, quando há, em média, 200 casos por 100 mil habitantes. 

Com a confirmação desta terça-feira, já são 11 óbitos pela doença no Estado, sendo 7 somente em Dourados, 1 em Bonito, 2 em Jardim e 1 em Fátima do Sul. Apenas 6 vítimas apresentavam comorbidades. Outros 3 óbitos estão em investigação. 

Se manter a constância de casos e óbitos, a tendência é que este seja o ano com maior número de mortes pela arbovirose na série histórica (2015 - 2026). Os 11 registros ficam atrás apenas dos 17 de 2025. 

No total, são 4.281 casos prováveis de Chikungunya em todo o Estado. O número já é o 2º maior registrado na série histórica, ficando atrás apenas do registrado em 2025, quando foram 14.148 durante todo o ano. 

Os casos prováveis no Estado representam aproximadamente 17% do total de casos em todo o Brasil, que somam, até agora, pelo menos 24 mil. 

No Estado,  já foram confirmados 2.102 casos. Destes, 43 casos são em gestantes. Os municípios com mais casos confirmados de chikungunya são:

  • Dourados - 766
  • Fátima do Sul - 509
  • Jardim - 251
  • Sete Quedas - 101
  • Bonito - 69
  • Aquidauana - 48
  • Amambai - 37
  • Corumbá e Guia Lopes da Laguna- 31 
  • Paraíso das Águas - 30 
  • Vicentina - 29

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