Cidades

ao lado do damha

ONG acusada de dar calote vai construir habitação social em área nobre da Capital

A Conssol frequentemente disputa o chamamento público de diversos programas habitacionais em todo o Estado

Continue lendo...

Com acusações de não pagar R$ 1 milhão por serviços executados por empreiteira terceirizada no interior de Mato Grosso do Sul, a ONG Sistema Integrado de Economia Solidária, a Conssol, vai operar novo programa de habitação de interesse social em área nobre de Campo Grande.

A organização, que consta com frequência em chamamentos públicos da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf) e da Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul (Agehab), recebeu da Prefeitura de Campo Grande, neste mês de julho, a doação de dois terrenos para construção de empreendimentos habitacionais.

Conforme informado pela Amhasf, os conjuntos habitacionais que estão a cargo da Conssol neste momento são o Residencial Ipê, localizado no Jardim Nashiville, que terá 288 apartamentos, e o Residencial Brasil, de 200 unidades, situado no Bairro Tiradentes.

Segundo o chamamento público feito pela Prefeitura de Campo Grande no ano de 2021, ainda na gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD), a gerência municipal de Fiscalização, Avaliação Imobiliária e Geoprocessamento avaliou o terreno localizado no Tiradentes e doado para a Conssol, onde será construído o Residencial Brasil, em R$ 7.643.464,75.

Porém, de acordo com corretor de imóveis ouvido pela reportagem, o valor de mercado apenas do terreno seria de cerca R$ 11 milhões. Isso porque a área de 11.170,41m² é localizada na Av. Marquês de Pombal, próxima ao anel viário, que se situa em uma região com diversos condomínios de alto valor imobiliário, como o residencial Villas Damha, o Grand Village Residencial e o Condomínio Meridian. 

Ou seja, é uma das áreas nobres da cidade. Nesses empreendimentos de luxo, uma casa não custa menos de R$ 1 milhão. Levando em consideração essas duas avaliações, cada unidade, sem que qualquer obra tenha sido feita, começa custando de R$ 38 mil a R$ 55 mil, conforme a avaliação da prefeitura, ou o valor de mercado, respectivamente.

No entanto, destoando do que é praticado na região, e de acordo com o projeto de lei encaminhado pelo Executivo municipal e aprovado ontem pela Câmara Municipal de Campo Grande, as casas fariam parte do Programa Minha Casa, Minha Vida e seriam financiadas pelo programa Carta de Crédito Associativo – FGTS, da Caixa Econômica Federal.

Importante ressaltar que, segundo o texto do projeto de doação da área, feito pela prefeitura, será a Conssol a responsável por “escolher” os moradores do empreendimento que ela vai edificar.
“A referida área será doada às famílias beneficiárias que foram indicadas pela entidade Conssol”, diz trecho do artigo 2º do projeto de lei nº 25. 

PREFEITURA

Questionados pela reportagem sobre a atuação da ONG Conssol em empreendimentos habitacionais da prefeitura, a Amhasf informou que a entidade já entregou dois residenciais em Campo Grande.

“A Conssol foi a entidade responsável pela construção do Residencial Jardim Mato Grosso, de 160 unidades, e do residencial Jornalista Armando Tibana, com 192 unidades, ambos entregues em Campo Grande”, detalhou a Amhasf.

Apesar de a Conssol ser a empresa responsável em contrato, conforme apuração do Correio do Estado, a ONG usa outras construtoras para levantar os empreendimentos.

No caso do Residencial Jardim Mato Grosso, a empresa construtora das habitações foi a V.B.C Engenharia Ltda., assim como, em Rio Brilhante, a Canazilles e Canazilles Ltda. construiu 20 moradias no município.
O dono da Conssol, Auro da Silva, tem em seu nome a sua própria construtora, a Sol Engenharia Ltda., que tem entre três a nove colaboradores estimados. 

DÍVIDA

Conforme noticiado pelo Correio do Estado no mês de abril, a ONG Conssol já foi alvo de processo no qual uma empreiteira pediu o pagamento de quase R$ 1 milhão por serviços executados por ela no interior de Mato Grosso do Sul e que não foram pagos.

De acordo com os autos do processo, ingressado pela Canazilles e Canazilles Ltda. em 2014, a empresa atuou na construção de 20 casas populares em Rio Brilhante, no interior do Estado.

O contrato foi feito com a Conssol, que havia sido escolhida pela Agehab para tocar o empreendimento. A ONG, segundo a empreiteira, deveria ter feito o repasse de 
R$ 326.400, valor que não foi depositado.

No decorrer do processo, a Canazilles e Canazilles Ltda. ainda acrescentou outras obras que, segundo ela, foram feitas pela empreiteira de forma terceirizada para a ONG.

Ela cobrou o pagamento de R$ 183.088,12 por 30 casas construídas em Santa Rita do Pardo, de R$ 403.617,95 por 50 habitações populares em Dourados e de mais R$ 40.548,00 também pela construção de 50 imóveis, desta vez em Mundo Novo.

A sentença foi confirmada pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em análise de agravo de instrumento ingressado pela Canazilles e Canazilles. 

A ONG ainda tentou reverter a decisão judicial, alegando, primeiro, que não tinha débitos com a denunciante e, posteriormente, tentando embargar a decisão do Judiciário, o que foi negado pelos desembargadores do TJMS.

CONTRATO ENCERRADO

Anunciada pela Amhasf em janeiro deste ano, a construção de 220 novas unidades habitacionais para os Residenciais Mandela I, II e III teve entrave de contrato com a ONG Conssol, que era responsável pelas obras, resultando em cancelamento do acordo por falta de licença ambiental.

A obra, que custará R$ 17 milhões, será destinada exclusivamente para as famílias que moram na Favela do Mandela, em situação de vulnerabilidade social.

Em entrevista para o Correio do Estado em abril deste ano, o diretor-adjunto da Amhasf, Cláudio Marques, informou que a prefeitura cancelou o contrato por recomendação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

De acordo com o diretor-adjunto, dentro do contrato, assinado em janeiro, as documentações dispensavam a licença ambiental por conta da área ser de regularização fundiária, porém, a prefeitura cancelou o contrato para não correr o risco de a obra ser embargada pela Justiça posteriormente. 
Passados três meses, a Amhasf ainda não abriu um novo chamamento para a construção do residencial.

SAIBA

A Prefeitura de Campo Grande chegou a publicar, no mês de junho deste ano, a suspensão da vigência do plano de trabalho feito no acordo de cooperação entre Conssol e Amhasf. Ou seja, as prestações de serviço entre a ONG e a prefeitura foram temporariamente paralisadas na época.

Relatório

Inspeção aponta revista com nudez e 13 horas sem comida em presídio de MS

Procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais

23/02/2026 17h45

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Mulheres presas no Estabelecimento Penal Feminino de Ponta Porã relataram à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul que são submetidas a revistas com exigência de nudez e agachamentos, inclusive durante o período menstrual, além de passarem 13 horas sem comida. A prática foi identificada durante inspeção ordinária realizada sem aviso prévio pela instituição, que apontou uma série de violações de direitos dentro da unidade.

O procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais, além de vistoria em todos os espaços do presídio.

Segundo o coordenador do Núcleo Institucional do Sistema Penitenciário, defensor público Maurício Augusto Barbosa, o relatório foi concluído no ano passado, mas, até o momento, poucas medidas efetivas teriam sido adotadas para corrigir os problemas apontados.

Além das revistas consideradas vexatórias, o documento registra relatos de agressões físicas com uso de spray de pimenta, punições coletivas, retenção de correspondências e denúncias de racismo, LGBTfobia e xenofobia.

O relatório descreve que a unidade funciona em um prédio adaptado de uma antiga escola, sem arquitetura adequada para presídio e sem laudos atualizados da Vigilância Sanitária ou do Corpo de Bombeiros.

Durante a vistoria, foram identificadas infiltrações, goteiras, rachaduras nas celas e deterioração em áreas de higiene.

As internas também relataram restrição no fornecimento de água, disponível apenas em horários específicos. Em alguns casos, segundo os depoimentos, o corte no abastecimento seria utilizado como forma de punição coletiva. Há registros de uso de baldes para banho devido à falta de funcionamento de chuveiros.

A alimentação também foi apontada como problema. São servidas três refeições por dia, às 6h30, 11h30 e 16h30, o que impõe um intervalo de cerca de 13h sem comida até o café da manhã seguinte. A Defensoria também apontou que a produção da horta mantida na unidade seria destinada exclusivamente aos agentes penais.

O relatório indica ainda ausência de estrutura interna para atendimento psicológico regular, limitação da assistência odontológica a procedimentos básicos e inexistência de exames preventivos, como mamografia.

Entre as recomendações encaminhadas estão a realização de vistorias técnicas, garantia de fornecimento contínuo de água potável, ampliação da assistência médica, odontológica e psicológica, eliminação de revistas com nudez e respeito aos direitos da população LGBTQIA+.

O documento pede investigação de denúncias de violência física e psicológica, maus-tratos, assédio sexual, racismo, LGBTfobia e xenofobia atribuídas a agentes penais e à direção da unidade.

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao Governo de Mato Grosso do Sul e a outros órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema prisional.

O documento é assinado pelos defensores públicos Maurício Augusto Barbosa, Andréa Pereira Nardon e Diogo Alexandre de Freitas.

Assine o Correio do Estado

CORREÇÃO DOS VENCIMENTOS

Inquérito investiga prefeitura de MS por pagar salário-base abaixo do mínimo aos servidores

Promotora aponta inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí

23/02/2026 17h10

Centro da cidade de Naviraí

Centro da cidade de Naviraí Divulgação

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito civil contra a Prefeitura de Naviraí para apurar e corrigir uma suposta violação do Poder Executivo em relação aos pagamentos dos salários-base dos servidores públicos, que estão recebendo abaixo do vencimento mínimo nacional.

De acordo com a Promotora de Justiça, Fernanda Proença de Azambuja Barbosa, a medida adotada pela Prefeitura viola o artigo 7º, inciso VII, da Constituição Federal, o qual trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais e da garantia de salário, que não deve ser nunca inferior ao mínimo.

Ainda segundo os fundamentos da promotora Fernanda Proença, o inquérito foi aberto devido ao flagrante de uma "evidenciada situação" de inconstitucionalidade e também porque o prazo do procedimento (notícia de fato) expirou, sem que a Prefeitura resolvesse o problema de forma voluntária. 

Por fim, Fernanda aponta que, segundo o artigo 169 da Constituição Federal, que trata dos limites de despesas com pessoal, embora existam limites de gastos, a administração do município deve primeiro reduzir despesas com cargos em comissão e funções de confiança (pelo menos 20%) ou exonerar servidores não estáveis antes de sacrificar o direito ao salário mínimo dos servidores. Com a evolução para esta fase, o objetivo do MPMS agora é "apurar e corrigir suposta violação".

Origem do processo

A investigação começou a partir de uma manifestação do gabinete da vereadora Giovana Silvério (PSD), que denunciava uma possível inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí, pelo fato destes profissionais estarem recebendo um vencimento-base inferior ao salário mínimo nacional, atualizado para R$ 1.621 este ano.

De acordo com o documento, as categorias que estão sendo prejudicadas são: 

  • operador de serviços públicos
  • auxiliar de serviços diversos
  • vigia
  • lavador e lubrificador de veículos e máquinas
  • auxiliar de oficina, 
  • técnico de manutenção de parques e jardins
  • zelador
  • auxiliar de laboratório
  • Operador de Serviços Públicos III.

O processo diz que estes profissionais recebiam o montante de R$1.482,68, e para compensar os valores havia o pagamento de R$ 35,32, como "complemento para atendimento ao salário mínimo", amparado, segundo a Prefeitura, na Lei Complementar n° 287, de 9 de junho de 2025.

Ocorre que, durante o procedimento, a prefeitura de Naviraí publicou a Lei Complementar n. 296, de 19 de dezembro de 2025, a qual estabelece que os servidores públicos do poder executivo municipal que recebiam abaixo do salário mínimo passariam a receber vencimento básico de R$1.621,00.

Além disso, a legislação previa ainda que a aplicação dos valores seria condicionada à observância dos limites de despesa com pessoal fixadas na lei de responsabilidade fiscal, além da disponibilidade orçamentária e financeira.

Diante disso, a vereadora Giovana Silvério informou que teria apresentado uma emenda modificativa, a fim de que os efeitos financeiros da lei se aplicassem imediatamente a partir da data de sua publicação. Todavia, a emenda foi rejeitada pelo plenário da Câmara de Vereadores.

Posição do Executivo

A Câmara Municipal de Naviraí alega, através da estrutura da sua política remuneratória e leis complementares, que é possível pagar um vencimento-base inferior ao salário mínimo, desde que a remuneração total, somada a gratificações e outras verbas, atinja o valor do piso nacional.

A administração pública também argumenta que ultrapassou os limites de despesas com pessoal em 2025, os quais ficaram acima do teto estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece o limite de 54% do total das receitas e não pode conceder reajuste de pessoal.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).