Cidades

LEI DO PANTANAL

ONGs comemoram proibição do plantio de soja, mas lamentam percentual de supressão

Por outro lado, produtores rurais comemoram a manutenção do percentual de supressão e Pagamento de Serviços Ambientais (PSA), mas lamentam a proibição do cultivo da soja e restrição da EIA/RIMA

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O texto do projeto de Lei do Pantanal, que dispõe sobre a conservação, proteção, restauração e exploração ecologicamente sustentável do Pantanal sul-mato-grossense, foi entregue à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), na manhã desta terça-feira (28).

Para elaboração da proposta de lei, foram utilizados estudos, como ‘Notas Técnicas e Adendos afetos ao Pantanal’ da Embrapa Pantanal; base cartográfica, estabelecida no Mapa Bioma Pantanal e definições de Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira (AUR-Pantanal), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Governo de Mato Grosso do Sul e Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas debateram amplamente o assunto e ouviram diversos setores da sociedade, como ambientalistas, produtores rurais, sindicatos rurais, ONGs de proteção ambiental, instituições de pesquisa e entidades de classe.

Produtores rurais e ONGs de proteção ambiental, antagonistas no assunto, apresentaram seus anseios e reivindicações, sendo que alguns foram atendidos e outros negados.

Os anseios das ONGs ambientais são preservação do Pantanal, fim do plantio de monoculturas e redução do percentual de desmatamento. Já as reivindicações dos produtores rurais são exatamente os contrários: incentivo ao plantio de monoculturas e manutenção do percentual de desmatamento. 
 

Para isso, a Lei do Pantanal foi redigida para atender os anseios de ambos os lados, tanto do econômico, quanto do ambiental. 

De acordo com o presidente do Instituto SOS Pantanal, Alexandre Bossi, o Pantanal perde com a manutenção do índice de supressão de até 60% da vegetação nativa (não arbórea) e de até 50% das árvores das áreas de fazendas, mas que ganha com a proibição da plantação de soja/milho e o novo Fundo Estadual de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Pantanal (Fundo Clima Pantanal), cujo objetivo é o de possibilitar a gestão das operações financeiras destinadas ao financiamento de Programas de Pagamentos por Serviços Ambientais na AUR Pantanal.

“Pagamento do serviço ambiental é inovador. O pantaneiro, que está lá preservando o Pantanal, nunca recebeu nada por isso. Então a gente traz um mecanismo de um fundo de orçamento do governo estadual [para remunerar o produtor pantaneiro]. A lei traz, ao mesmo tempo, incentivo para o produtor não desmatar e o incentivo não é só fiscal, deixar de pagar, mas ele vai receber alguma remuneração se ele não fizer o desmatamento. Isso é super positivo, inovador e de vanguarda”, pontuou.

“Não mudou o percentual de supressão vegetal que existiam no decreto 2015, isso continua igual e nós abrimos mão disso. Mas, por outro lado, a gente ganhou porque não é mais permitido plantação de soja e milho no Pantanal. Então você vê que foi uma construção de a gente cede aqui, vocês entregam aqui”, finalizou.

Por fim, Bossi afirmou que está contente com o projeto de Lei que foi elaborado.

“Eu saio satisfeito. Eu acho que se a lei sair do jeito que o projeto de lei está entrando na Assembleia será um golaço. [Assim] o Mato Grosso do Sul ganha um protagonismo no Brasil. Eu desconheço leis tão modernas ambientalmente como essa”.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), Marcelo Bertoni, as maiores perdas para produtores rurais, durante a elaboração da lei, foram restrição do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) e a restrição da plantação de soja no Pantanal, o que inviabiliza e dificulta o cultivo.

“A FAMASUL cedeu a parte da soja no Pantanal. Nós não gostávamos de restrição nenhuma. Talvez esse [novo] regulamento até inviabilize [a plantação]. A soja que lá está, ela permanece, e para novas, tem regramentos e esses regramentos praticamente inviabilizam a plantação, porque são muitos regramentos, muitas normativas, muitos estudos técnicos que inviabilizam”, explicou.

Para ele, é positivo manter o índice de supressão vegetal de até 60% da vegetação nativa (não arbórea) e de até 50% das árvores das áreas de fazendas e efetuar o Pagamento de Serviços Ambientais (PSA) para o produtor que preserva e não desmata o Pantanal.

Bertoni ressaltou que a lei foi construída de uma maneira que atendesse anseios e reivindicações dos dois lados, beneficiando o meio ambiente, social e econômico.

“A gente teve que sentar e ver e ver o que não traria tanto problema para o produtor rural. A gente nunca sai muito satisfeito, mas a gente sabe que foi feito da melhor forma possível”, disse.

Estiveram presentes na entrega do texto da Lei do Pantanal, nesta terça-feira (28), no Plenarinho Nelito Câmara, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB); deputado estadual, Gerson Claro (PP); presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), Marcelo Bertoni; presidente do Instituto SOS Pantanal, Alexandre Bossi; presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), coronel Ângelo Rabelo; deputado estadual, Renato Câmara (MDB); entre outras autoridades.

Justiça

Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro

Procurador-geral da República se manifestou em sessão do STF

15/09/2026 21h00

Rosinei Coutinho/STF

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.  

"Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu, com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal", disse Gonet.

Ele se manifestou durante o julgamento sobre uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, também por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece em mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Vorcaro, principal investigado na Operação Compliance Zero, que está preso desde o ano passado por fraudes financeiras e corrupção. O material foi divulgado pelo ministro André Mendonça, então relator do caso Master.

Segundo o relatório da PF, Gonet é citado em conversas de Vorcaro com terceiros, e não em mensagens identificadas como trocadas diretamente entre o ex-banqueiro e o procurador-geral. Em uma conversa de 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares afirma a Vorcaro que "Gonet é firme".

Há ainda uma mensagem de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro, na qual o ex-banqueiro demonstra preocupação com o avanço das investigações e pergunta se seria possível "reverter isso com Paulo ou Andrei". De acordo com os investigadores, as referências seriam ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A mensagem, entretanto, não demonstra que Gonet tenha sido procurado ou que tenha efetivamente atuado para interferir na investigação.

"Eu fico feliz que o ministro André Mendonça afirmou que não tenha nada que foi colhido que pudesse induzir a algum ilícito por parte do procurador-geral da República", comentou Gonet em seguida.

A manifestação ocorreu no contexto de uma questão de ordem levantada no início do julgamento, ainda durante a manhã, pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu para incluir a análise pelo plenário das supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Mendonça na condução das investigações. 

Durante a sessão, o ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento. A análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3.

Os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter defendido o julgamento conjunto, Dino pediu para não computar sua posição no placar provisório por ter pedido vista. 

O presidente do STF, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram pelo julgamento separado.

Saúde

Cirurgias eletivas pelo SUS passam de 7,5 milhões no primeiro semestre

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados

15/09/2026 19h00

Tomaz Silva/Agência Brasil

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O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 7,5 milhões de cirurgias eletivas realizadas no primeiro semestre deste ano. O número representa um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram, segundo o governo federal, 608 mil procedimentos a mais.

“O resultado mantém a trajetória de crescimento registrada nos últimos anos e ocorre após o país alcançar, em 2025, 14,9 milhões de cirurgias eletivas”, afirmou o governo federal, em nota.

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados. Os maiores crescimentos foram vistos no Distrito Federal (31%), Sergipe (25%), Paraíba (23%), Bahia (20%) e Ceará (20%). Também apresentaram altas relevantes Amapá (18%), Alagoas (15%), Piauí (15%), Roraima (14%), Minas Gerais (13%), Goiás (12%), Rio de Janeiro (11%) e Rio Grande do Sul (11%).

Parte dos procedimentos foram realizados no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, representando 2,92 milhões de cirurgias entre janeiro e junho de 2026. O programa tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos de média e alta complexidade no SUS, por meio de ampliação de mutirões assistenciais, utilização de unidades móveis de saúde (carretas), aquisição de transporte sanitário e fortalecimento da Telessaúde.

A projeção do Ministério da Saúde é de que o SUS ultrapasse o número de 15 milhões de cirurgias eletivas em 2026, acima dos 14,9 milhões registrados em 2025.

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