Cidades

SUCCESSIONE

Organização do jogo do bicho tinha matador e lista de alvos

Investigação do Gaeco apontou que grupo da família Razuk tinha um homem apontado como "sicário" a seu serviço e que buscava eliminar "X9", além de rivais

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A investigação feita pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), e que mirou suposta organização criminosa volta ao jogo do bicho, que seria comandada pela família Razuk, descobriu que o grupo mantinha um matador de aluguel, que vinha da fronteira com o Paraguai e estaria pronto para eliminar rivais e supostos “X9” da quadrilha.

De acordo com o Gaeco, as investigações apuraram que a organização criminosa alvo da Operação Successione mantinha armamentos de grosso calibre, vindos por intermédio “de um integrante com perfil de executor profissional”.

Este seria Taygor Ivan Moretto Pelissari, que conforme o MPMS seria um matador de aluguel, que foi preso em Ponta Porã dois dias após a operação portando uma pistola Glock G17.

“Nas mensagens interceptadas, ele discute o uso de fuzis (“fura”) e a execução de desafetos. Taygor afirma que eles deveriam “pegar” o rival (em referência a matar), ou que iriam “fritar ele na bala” (p.2088-2089).

Taygor ainda concordou com a necessidade de “saber quem era o x9 para matar já”, referindo-se ao delator da organização (p.2046)”, diz trecho da investigação que resultou na prisão de vários membros do grupo.

Em trocas de mensagens de Taygor com membros do grupo, ele encaminha imagens de armas. Segundo o Gaeco, “há registros visuais com a legenda “valor do armamento” seguidos pela especificação “calibre. 380”. 

Essas armas seriam usadas também contra inimigos do grupo, inclusive, a investigação também afirma ter encontrado uma lista de alvos do grupo.

“Para além dos crimes de roubo, que serão analisados oportunamente, a organização praticou ou praticaria diversos outros delitos. Há fortes indícios de que o grupo planejava assassinatos para eliminar rivais e traidores. A lista de execução que já referi no parágrafo 100 desta sentença, apreendida na residência de Gilberto Luis dos Santos, aponta as pessoas que iriam “pular” (termo utilizado no meio criminoso para “morrer” ou ser executado)”, mostra trecho da investigação.

“O grupo colocou a cabeça do líder da facção rival (MTS), identificado como ‘Rico’ ou ‘Macaule’, a prêmio. O valor oferecido pela execução variava entre 50 e 100 mil reais, conforme apontei nos parágrafos 98 e 99. Rico seria atraído a uma reunião para que fosse pego”, completa o Ministério Público em outro trecho.

“Rico” seria Henrique Abraão Gonçalves da Silva, líder do grupo chamado de MTS – uma abreviação diferente para Mato Grosso do Sul –, organização criminosa que seria ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e que teria comprado o domínio do jogo do bicho em Campo Grande da família Name, após a Operação Omertà, realizada em 2019.

Os representantes paulistas seriam o principal problema para que a organização que seria liderada pelo deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk, tomar o comando do jogo do bicho.

A guerra entre as duas organizações criminosas teve seu ponto alto no dia 16 de outubro de 2023, quando conflitos armados entre os dois grupos aconteceram, e, mesmo sem mortes, chamaram a atenção das autoridades por ter ocorrido à luz do dia e de maneira organizada, por meio da utilização de pistolas e veículos.

“X9”

A necessidade de matar o “X9”, que seria o suposto delator do grupo, surgiu após a primeira fase da Operação Successione, que foi deflagrada em dezembro de 2023 pelo Gaeco.

“Após a operação policial, um colaborador do grupo, especificamente Taygor Ivan Moretto Pelissari e um interlocutor identificado como ‘Alias El Topo’, discutiram a necessidade de descobrir quem havia delatado a organização (“X9”) para matá-lo”, conta a investigação.

Desde que foi desencadeada, em 5 de dezembro de 2023, a Operação Sucessione já teve quatro fases, e a última foi realizada em novembro do ano passado, quando 20 pessoas foram presas, incluindo o pai e os irmãos do deputado estadual Neno Razuk (Roberto Razuk, Rafael Razuk e Jorge Razuk).

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão contra a família Razuk, foram apreendidos mais de R$ 300 mil, além de armas, munições e máquinas supostamente usadas para registrar apostas do jogo do bicho.

*Saiba

O nome da Operação Successione faz referência à disputa pelo controle do jogo do bicho em Campo Grande, que se intensificou após a Operação Omertà, a partir de setembro de 2019, e que levou à guerra entre organizações criminosas.

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ULTIMA RATIO

Advogado dispensado por Vorcaro defende ex-desembargador de MS

O criminalista Pierpaolo Bottini, considerado um dos mais caros do país, defende Sideni Soncine Pimentel, que é investigado pela PF por suposta venda de sentenças judiciais

18/03/2026 11h30

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

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Apontado como um dos mais caros do país e dispensado na última sexta-feira da equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado Pierpaolo Bottini é um dos defensores do desembargador aposentado Sideni Soncine Pimentel. Em outubro de 2024, quando ainda estava na ativa, o magistrado foi alvo da operação Ultima Ratio e para se defender contratou o renomado criminalista. 

Ele foi desligado da equipe de defesa do ex-dono do Banco Master porque Vorcaro estaria disposto a fazer delação premiada. E, caso realmente faça esta delação, o advogado enfrentaria atrito com outros clientes, já que seu escritório defende pessoas cujos interesses poderiam ser afetados (delatados) por Vorcaro, gerando uma incompatibilidade ética para a continuidade da defesa.

Pierpaolo Bottini foi contratado pela família de Sideni Soncini logo depois que o desembargador foi afastado do cargo, em 24 de outubro de 2024. Dois filhos de Pimentel também foram alvos da Polícia Federal, que aponstou a existência de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é especializado em ações judiciais que apontam lavagem de dinheiro.

Em abril do ano passado, depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve o afastamento do Sideni Pimentel, o advogado Pierpaolo chegou a divulgar uma nota dizendo que "a defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento", afirmou à época.

Pelo fato de não conseguir voltar ao cargo, Sideni Pimentel acabou pedindo aposentadoria em outubro do ano passado. Ele estava com 73 anos e poderia permanecer durante mais dois anos na magistratura, já que a aposentadoria compulsória por idade ocorre somente aos 75 anos. 

Mas, apesar da aposentadoria, no mês seguinte o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-magistrado. E, caso seja condenado, sua aposentadoria deixa de ter o status de voluntária e pass a ser compulsória. 

A operação Ultima Ratio também teve como alvo outros quatro desembargadores da ativa, dois aposentados, um conselheiro do Tribunal de Contas e um juiz de primeira instância. Um dos desembargadores voltou ao cargo e outros três seguem afastados. Contra estes três também foi instaurado Processo Administrativo no CNJ. 

Embora não exista um preço fixo para contratação de um escritório renomado semelhante ao do criminalista Pierpaolo Bottini, um jurista com experiência na atuação em tribunais superiores consultado pelo Correio do Estado acredita que uma contratação deste porte não tenha custado menos de R$ 1 milhão à família Pimentel. "Mas, possívelmente o valor final será bem superior a isso", opinou o advogado que preferiu manter o anonimato. 

 

 

DIÁRIO OFICIAL

Barradas, emendas de vereadores somam mais de R$ 200 milhões em Campo Grande

Parte vetada da LOA 2026 revela corte de propostas que incluem hospital de R$ 100 milhões, obras de infraestrutura e projetos sociais

18/03/2026 11h00

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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As emendas apresentadas por vereadores à Lei Orçamentária de 2026 e barradas pela Prefeitura de Campo Grande somam aproximadamente R$ 216 milhões, conforme levantamento com base na parte vetada da Lei nº 7.565/2025 - Lei Orçamentária Anual (LOA), publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial do Município.

Entre as propostas rejeitadas está a de maior valor individual: uma emenda de R$ 100 milhões da vereadora Luiza Ribeiro, que previa a implantação de um complexo hospitalar na Capital.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

Na área de infraestrutura, que concentra a maior parte dos recursos barrados, aparecem propostas como a destinação de R$ 10 milhões, também de Luiza Ribeiro, para obras de pavimentação e drenagem no Bairro Parque do Lageado. Já o vereador Maicon Nogueira teve vetadas emendas de R$ 3 milhões para pavimentação no Bairro Nossa Senhora Aparecida e outros R$ 3 milhões para intervenções no Bairro Bom Retiro.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto (Papy), também teve barradas propostas relevantes, como R$ 5 milhões para pavimentação no Residencial Oliveira I e II e R$ 3 milhões para obras em vias do transporte coletivo no Bairro Riviera Park.

Na mesma linha, o vereador Ronilço Guerreiro teve rejeitada emenda de R$ 5 milhões para pavimentação e drenagem no Bairro Bosque da Saúde, enquanto o vereador Landmark propôs R$ 4,5 milhões para implantação asfáltica no Residencial Betaville, igualmente vetados.

Na saúde, os cortes também atingem projetos expressivos. O vereador Jean Ferreira teve barradas duas emendas de R$ 6 milhões cada para implantação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos bairros Parque do Lageado e Vila Nasser. Já o vereador Junior Coringa propôs R$ 2 milhões para criação de um centro especializado no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, que também não foi incluído no orçamento.

Ainda na área, Luiza Ribeiro teve vetada uma emenda de R$ 7,6 milhões voltada à ampliação de castrações de cães e gatos, enquanto Ronilço Guerreiro propôs R$ 200 mil para equipar unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

As emendas barradas também atingem ações sociais e culturais. Jean Ferreira, por exemplo, teve rejeitada proposta de R$ 600 mil para manutenção de uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+ e outra de R$ 700 mil para implantação de restaurantes populares. Na cultura, o mesmo vereador sugeriu R$ 1,4 milhão para repasses a escolas de samba.

Mesmo propostas de menor valor, mas com impacto direto nos bairros, ficaram de fora. É o caso de emendas do vereador Beto Avelar, como R$ 4 milhões para recapeamento da Avenida Madri e R$ 700 mil para asfalto na Rua Aquidaban, além de iniciativas de requalificação de praças apresentadas pelo vereador Carlão, na faixa de R$ 150 mil cada.

Embora aprovadas pela Câmara, as propostas podem ser vetadas quando consideradas incompatíveis com o planejamento financeiro ou com as diretrizes da administração municipal. Na prática, isso significa que os recursos previstos nessas ações não serão executados em 2026, após a manutenção dos vetos.

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