Cidades

Entrevista da Semana

Para engenheiro é preciso levar a segurança contra incêndio a sério para preservar vidas

Para engenheiro é preciso levar a segurança contra incêndio a sério para preservar vidas

cristina medeiros

23/02/2014 - 18h30
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O combate e a prevenção de incêndios é um tema que vem à tona com proporções muito maiores, infelizmente, somente após uma tragédia, como a que ocorreu há um ano na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), por exemplo. A legislação deficiente nessa área, lacunas na fiscalização, entre outros fatores, geram debates, mas quase nada de concreto, até agora, foi aprovado nacionalmente. Nessa entrevista, o engenheiro civil Mário César Borges, especializado em segurança contra incêndio, traça um panorama do setor e explica o que é prioritário para que se torne eficiente, para proteger pessoas e patrimônios.

CORREIO PERGUNTA
Após o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013, a pauta da segurança contra o fogo nas edificações brasileiras veio à tona com força. A magnitude da tragédia revelou um cenário de muitas falhas nesse setor, lacunas em projetos e processos, e chega a um item central: a ausência de uma norma nacional que estabeleça critérios para todas as construções brasileiras no que diz respeito à segurança contra incêndios.

Mário César Borges - Realmente a análise do cenário posterior à tragédia de Santa Maria expôs as deficiências da legislação, as lacunas na fiscalização pelos órgãos oficiais, a atuação irregular de empresários, deficiências nas edificações e falta de treinamento dos funcionários do estabelecimento para atuarem em casos de emergência. Certamente, a implantação de uma norma nacional teria o benefício de uniformizar procedimentos e condutas, que atualmente variam de Estado para Estado. É preciso levar a segurança contra incêndio muito a sério, para preservar vidas , primeiramente, e patrimônio.

Em sua opinião, quais as principais lacunas, hoje, na legislação e o que falta para que algo abrangente seja aprovado?
A ocorrência da tragédia acelerou o processo de modernização da nossa legislação estadual de segurança contra incêndio e pânico e houve a substituição da antiga legislação, que vigorou por 23 anos e já estava completamente defasada. Hoje, podemos afirmar que a Lei 4335/13 e as 43 Normas Técnicas vigentes estão alinhadas com as melhores do mundo. Mas como em todo o novo processo há a necessidade de aperfeiçoamentos pontuais, tais como ampliar a abrangência de processo simplificado para pequenas edificações, permanecendo este benefício mesmo se houver central de gás ou compressor, ampliar o conceito de uso ou não de hidrantes e outras melhorias que já estão em processo de revisão.

O Brasil tem normas atualíssimas sobre situações de incêndio em edificações. No entanto, nem sempre elas são cumpridas. Por qual motivo?
Há a lacuna da falta de contingente dos órgãos de fiscalização, que é uma situação nacional. Mas também passa pela falta de visão de empresários que enxergam a instalação de equipamentos preventivos de incêndio como gasto e não como um investimento que poderá fazer a diferença entre perder seu patrimônio ou preservá-lo. Mas, felizmente, a maior consciência dos usuários que estão avaliando as condições de segurança dos ambientes para frequentá-los e também das seguradoras, que estão se recusando a emitir apólices de seguros para edificações inseguras, estão forçando esta mudança de conceito.

Como engenheiro especializado nesta área de segurança contra incêndios, quais os setores em MS que mais negligenciam esta área de segurança e por quê?
De forma geral, a maioria dos empreendimentos estão passando por modernizações em seus sistemas preventivos. E na Cosenge notamos um aumento significativo na contratação de projetos de segurança contra incêndio e no intuito de regularização por parte das empresas. Mas podemos citar como setor mais crítico em termos de resistência ou demora em regularização o de casas noturnas, salões de festas, bares e restaurantes, principalmente porque em alguns casos a legislação exige a instalação de saídas de emergências adicionais, inversão no sentido de abertura e instalação de barras antipânico nas portas, o que gera em alguns casos a perda da porta, causando este retardamento.

O senhor acha correta a afirmação de que não há no País nenhum órgão federal com metas específicas para promover a educação, pesquisa e divulgação do tema segurança contra incêndios?
Acredito que a implantação de uma legislação nacional de segurança contra incêndio e a criação de um comitê nacional, que avalie permanentemente os avanços tecnológicos dos equipamentos preventivos e realize a proposição de planos de educação e divulgação abrangentes, minimizem as ocorrências de tragédias e danos futuros.

O fato de cada Estado, e às vezes cada município, ter uma legislação – ou não ter legislação nenhuma – sobre vistoria técnica de edificações, dificulta o cumprimento das normas sobre incêndio?
Certamente a falta de universalização pode propiciar conflitos e dificultar o seu cumprimento. Mas, felizmente, em Mato Grosso do Sul a legislação tem caráter de lei e abrangência em todo o Estado.

Quais os itens básicos de segurança contra incêndio que deve haver em locais de grande circulação, como boates, hospitais, casas de cultura e igrejas, por exemplo?
Inicialmente deve-se fazer um cálculo populacional que defina a quantidade de público máxima permitida para aquele ambiente. Depois, devemos calcular as larguras das escadas e portas de saída de emergência proporcionais a este público. Outro aspecto fundamental é que a legislação define um percurso máximo que as pessoas devem percorrer para sair da edificação, que pode variar de 40 a 90 metros, dependendo da ocupação e do tipo de equipamento preventivo instalado no ambiente. Por exemplo, se você instala detecção de fumaça, o percurso aumenta em 10 metros, se você instala chuveiros automáticos este aumenta em mais 30 metros.

O senhor acredita que uma significativa parcela de pessoas opta pelo que é mais barato e não pelo que funciona melhor e tem maior confiabilidade de funcionamento quando o assunto é incêndio?
Certamente isto ocorre, mas aos poucos está havendo uma mudança nesta cultura, pois o empresário entende que uma edificação de elevado valor pode ser totalmente destruída em função da inexistência de um equipamento preventivo, que significa de 3 a 5% do valor total do imóvel. Deve-se ter em mente também que a aprovação de um projeto de segurança contra incêndio, a instalação de equipamentos preventivos e a obtenção do Certificado de Vistoria do Corpo de Bombeiros, além de garantir a segurança, acarreta a redução do valor do seguro.

Poderíamos dizer que a população não sabe a diferença entre a aprovação de um projeto junto ao Corpo de Bombeiros e a realização de um projeto de segurança contra incêndio?
Há uma grande confusão neste caso. Não é difícil verificar empresas que requerem a vistoria dos Bombeiros sem que tenham antecipadamente elaborado e protocolado um projeto e instalado os equipamentos mínimos de segurança contra incêndio, o que pode levar a uma notificação, multa ou até àinterdição pelos Bombeiros.

O senhor avalia que é preciso rever leis e normatizações sobre incêndio em edificações?
Há uma constante evolução na tecnologia dos equipamentos preventivos contra incêndio e podemos exemplificar os sistemas automatizados de detecção de fumaça e variação de temperatura com uso de tecnologia sem fio, concepção de novos materiais construtivos, uso de sais de potássio em forma de aerosol e outras inovações que devem ser avaliadas pela sua inserção na legislação.

Comparando a outros países, o Brasil tem normas competentes sobre estruturas anti-incêndio e resistência ao fogo?
A legislação que vigorou por 23 anos em nosso Estado até o ano passado era uma compilação da legislação de São Paulo de 1987 – que foi sendo aperfeiçoada desde então e a nossa ficou estanque, o que a levou a ficar defasada. A nova Lei 4335, que está vigente desde abril de 2013, está alinhada com a atual de São Paulo e abrange Normas Brasileiras, relatórios do IPT e partes da NFPA americana.

Qual recomendação o senhor daria aos arquitetos e às pessoas que estão querendo construir ou reformar para que não tenham problemas em uma vistoria dos Bombeiros?
É importante salientar que sem o Certificado de Vistoria do Corpo de Bombeiros não é possível obter o habite-se e o alvará de funcionamento municipal. É comum analisarmos o projeto de uma construção em andamento e infelizmente precisamos recomendar que sejam aumentadas a largura de saídas de emergência e, em alguns casos, suprimir pavimentos de um edifício em função de uma escada com largura insuficiente.
Também por falta de planejamento, acontece de não haver alimentação elétrica para pontos de iluminação de emergência ou o reservatório de água não possui o volume necessário para a reserva de incêndio, situações estas que causam prejuízos e transtornos em uma obra pronta. Por isso, recomendamos que os projetos de segurança contra incêndio sejam realizados junto com o desenvolvimento da arquitetura e antes dos projetos elétricos e hidráulicos da edificação. 

FIM DO ISOLAMENTO

Sinal de celular deve cobrir toda BR-163 antes do previsto em MS

Política nacional de conectividade anunciada nesta quinta-feira (15) prevê que a rodovia tenha o sinal em toda extensão até o fim do próximo ano

15/10/2026 12h20

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (15) a política nacional de conectividade para rodovias. O plano consiste em um conjunto de iniciativas para levar a cobertura de telefonia e internet móveis para uma extensão total de 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030. 

Nas estradas federais, a meta é levar o sinal para mais 29,9 mil quilômetros, ampliando a cobertura dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros - o correspondente a cerca de 77% de toda a malha federal no País. O cronograma prevê que já em 2027 sejam conectados 16 mil quilômetros de vias.

No final desse processo, haverá cobertura integral de seis rodovias federais consideradas prioritárias: BRs 101, 16, 135, 163, 242 e 364. A BR 101, por exemplo, é uma das rodovias mais importantes do País, ligando o Nordeste ao Sul, com 4,8 mil quilômetros de extensão.

No contrato de repactuação do Governo Federal com a Motiva, assinado em agosto do ano passado, está previsto que até o final do terceiro ano de concessão (agosto 2028) os usuários dos 845 quilômetros da rodovia em Mato Grosso do Sul tenha acesso ao serviço. 

Agora, se o programa do Governo Federal sair do papel, a disponibilização do serviço ficará disponível com pelo menos oito meses de antecdência. 

RODOVIAS ESTADUAIS

Já nas rodovias estaduais, o plano prevê a cobertura em mais 42,4 mil quilômetros.

Para atingir essas metas, a política nacional considera uma série de medidas, sendo que a principal delas é a obrigação imposta para as operadoras abrirem o sinal de internet entre si, via compartilhamento das redes. Dessa forma, o usuário de uma operadora poderá se conectar ao sinal de outra empresa.

Essa obrigação definida para as empresas será o grande motor da política nacional de conectividade, sendo responsável por levar internet para 13 mil quilômetros de rodovias federais e 42,4 mil quilômetros (100%) das estaduais.

Apesar da obrigação imposta, as operadoras não serão compensadas, pois a expectativa do governo é que os custos de cada uma com a cessão da rede sejam compensados pelo ganho com o uso da infraestrutura das demais.

Além disso, a política se apoia em outras medidas que já haviam sido pactuadas e estavam em andamento. Entre elas está o leilão da faixa de 700 Mhz realizado no primeiro semestre, que determinou às operadoras a contrapartida de levar o sinal para 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

Outra parte da cobertura, de 4,3 mil quilômetros, será providenciada pela Claro. Essa cobertura foi colocada como contrapartida pelo contrato assinado com a União, meses atrás, para adaptar os contratos de concessão de telefonia da companhia

A política nacional prevê ainda que 1,3 mil quilômetros virão das próximas concessões de rodovias, que já terão a conectividade como obrigação.

"Estamos reorganizando todos os instrumentos disponíveis, regulatórios, tecnológicos e financeiros, para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha nacional", afirmou o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filha, durante entrevista em São Paulo, para lançamento da nova política pública.

Ele destacou que a telefonia e a internet nas rodovias vão facilitar medidas diversas, como chamadas de emergência e uso de aplicativos, com benefícios para motoristas, passageiros e comunidades ao redor das estradas. São esperados também ganhos de produtividade para o agronegócio, a logística e os transportes, apontou.

A conectividade também deve apoiar serviços de cobrança automática de pedágios (o chamado free flow) e outros serviços, como pesagem de veículo de carga sem paradas.

 

MEIO AMBIENTE

MPMS abre investigação sobre infestação de moscas em usina

Produtores rurais relatam prejuízos à criação de gado e problemas de saúde

15/10/2026 12h00

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar a proliferação da mosca-dos-estábulos e sua possível relação com as atividades da usina Adecoagro Vale do Ivinhema, localizada no município de Angélica, cerca de 260 quilômetros de Campo Grande. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (15), no Diário Oficial da instituição, após denúncias de produtores rurais sobre prejuízos à pecuária e impactos na saúde de moradores da regiao. 

A investigação foi determinada pelo promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki, que busca esclarecer possíveis irregularidades ambientais e riscos à saúde pública relacionados à infestação dos insetos nas proximidades da unidade industrial.

O caso teve início após proprietários rurais procurarem a Promotoria de Justiça de Angélica para denunciar o aumento da quantidade de moscas em suas propriedades.

Durante audiência realizada em 17 de junho, os produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite.

Segundo os relatos apresentados ao Ministério Público, a situação também estaria afetando a saúde dos moradores, que convivem com a presença constante dos insetos nas propriedades.

Diante das reclamações,  o MPMS solicitou fiscalizações da Vigilância Sanitária e da Polícia Militar Ambiental (PMA) para verificar as condições da usina e identificar possíveis focos de reprodução das moscas.

Fiscalização

Uma vistoria realizada pela Polícia Militar Ambiental em 21 de junho identificou grande quantidade de moscas no pátio de compostagem da Adecoagro, área utilizada para armazenar resíduos orgânicos provenientes da produção de açúcar e álcool. 

Entretanto, conforme o relatório encaminhado ao Ministério Público, os insetos encontrados apresentavam características de moscas domésticas, e não da chamada mosca-dos-estábulos, espécie conhecida por atacar animais e causar prejuízos à pecuária. 

Os proliciais também inspecionaram os reservatórios de vinhaça, resíduo líquido da produção sucroalcooleira utilizado na fertilização das lavouras de cana-de-açúcar. No local foi identificada uma quantidade menor de moscas.

Apesar da presença dos insetos, a equipe não encontrou focos de reprodução durante a fiscalização. 

O relatório também apontou que a usina mantém armadilhas para captura de moscas e desenvolve ações de monitoramento e controle. Ainda assim, os policiais recomendaram ampliar a quantidade e a área de distribuição das armadilhas para melhorar a eficiência do combate. 

A empresa, segundo o documento, demonstro disposição para realizar as adequações sugeridas.

A PMA informou que não identificou descumprimento das condições da licença ambiental da usina, nem indícios suficientes de crime ambiental que justificassem aplicação de multa ou outra medida administrativa.

A unidade apresentou licença de operação válida até outubro de 2031, além de documentos referentes ao monitoramento dos insetos e às medidas de prevenção adotadas.

Com base nos resultados das fiscalizações, a denúncia chegou a ser arquivada em julho, após o Ministério Público considerar que não havia elementos suficientes para relacionar a infestação às atividades da empresa.

Entretanto, o caso voltou a ser analisado depois que a Promotoria identificou registros de uma investigação anterior, iniciada em 2009, sobe a proliferação de moscas na região. 

O procedimento antigo incluía documentos técnicos e um acordo relacionado ao controle dos insetos. Além disso, informações encaminhadas pelo Ministério Público Federal reforçaram a necessidade de aprofundar a apuração.

Diante dos novos elementos, o promotor determinou, em 5 de outubro, a abertura de um inquérito civil para investigar a possível relação entre as atividades da Adecoagro e o aumento da população de moscas.

A empresa também foi notificada para apresentar informações, documentos e eventuais questionamentos à perícia no prazo de dez dias.

 

 

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