Região vive guerra após os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, o que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei; Líbano também teve bombardeios
Sem saber o que as espera, famílias com conexões campo-grandenses e libanesas relatam o medo e a preocupação em meio à guerra no Oriente Médio, que já soma centenas de mortos e feridos após ataques e contra-ataques de Estados Unidos, Israel e Irã, com diversos outros países afetados.
No sábado, os Estados Unidos e Israel armaram uma ofensiva aérea contra o Irã, sob a justificativa de que o país estaria se aproximando da produção de uma arma nuclear, após constatarem enriquecimento de urânio, utilizado como combustível para energia nuclear e na indústria bélica.
Como resultado, a ação matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei, o que intensificou o conflito entre as nações.
Secretário da Junta Militar, Márcio Jamil nasceu em Campo Grande, mas tem raízes libanesas, e sua mãe e sua irmã moram no país asiático, na cidade de Zahlé – que fica a 30 quilômetros dos bombardeios –, desde 1994.

Márcio Jamil com as irmãs e a mãe, que desde 1994 moram na cidade de Zahlé, no Líbano - Foto: Arquivo pessoal
Ele explica que os pais e as irmãs se mudaram para o Líbano para que a criação das duas fosse feita no país de origem da família. Nesses 32 anos, Márcio conta que outros conflitos já ocorreram na região, mas o atual preocupa mais, pela intensidade e a frequência dos bombardeios, além de não ter previsão de cessar-fogo.
“A tensão é muito grande agora, maior que nos outros momentos, porque está envolvendo todos os países árabes e afeta muito o Líbano. Os espaços aéreo, terrestre e marítimo estão todos fechados. Estão bombardeando perto da área de residência da minha família, mais para o sul do Líbano. Mas, por enquanto, eles estão salvos”, conta à reportagem.
Por causa da instabilidade da internet na região, o secretário diz que a comunicação com a mãe e a irmã é difícil de acontecer com frequência, o que já resulta em quase uma semana sem contato. Contudo, ele diz que sua outra irmã, que atualmente reside na Suécia, conseguiu contato com elas e confirmou que estão bem.
Como é impossível sair ou entrar no Líbano neste momento, a família pensa em vir para o Brasil, mas somente depois da guerra acabar.
“A gente está torcendo para que encerre os ataques para ver se consegue trazer elas para cá agora ou em algum momento. Nesse ponto da guerra, elas ainda não querem vir, mas a gente está tentando convencê-las para vir agora”, reforça.
Intérprete das Nações Unidas no sul do Líbano e orientador da religião muçulmana, Abdala Dakour nasceu e mora no Líbano, mas mantém conexões em Campo Grande por já ter morado na capital sul-mato-grossense e ainda ter uma propriedade na Rua 14 de Julho, além de um sobrinho residir no Município.

De preto, Abdala Dakour, ao lado de membros do exército e pessoas da comunidade onde mora - Foto: Arquivo pessoal
Atualmente, Abdala mora com seus filhos e sua esposa em Rafid, uma vila no distrito de Rashaya com habitantes predominantemente muçulmanos sunitas. Mesmo sem pisar em Campo Grande desde 2001, o líder religioso pensa em voltar à cidade ainda este ano ou em 2027, mas depende dos imbróglios políticos libaneses.
“Por enquanto, vou ficar no Líbano, mas devemos, se Deus quiser, este ano ou no ano que vem, ir para Campo Grande, até porque temos propriedade ainda em Campo Grande. Vai depender da situação do Oriente Médio em geral. Se agora não melhorar e for para o pior e não tiver mais condição de melhorar, devemos retornar [para o Brasil]”, destaca.
Até o fechamento desta edição, já eram 74 mortos e mais de 360 feridos no Líbano em decorrência do conflito na região, segundo informações do líder religioso.
Cônsul honorário do Líbano em Mato Grosso do Sul, Eid Toufic Anbar também conversou com a reportagem sobre o momento de tensão que vive o país. O cônsul se limitou a dizer que “o Líbano sempre foi o campo de batalha dos outros” e, “infelizmente, temos que aguardar a situação melhorar”.
SECRETÁRIO
Campo Grande tem outro representante presente na guerra do Oriente Médio. Trata-se do ex-vereador Sandro Benites, que está em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos , há mais de uma semana.
Em conversa com o Correio do Estado, o ex-vereador, que atualmente atua como secretário municipal de Esportes de Campo Grande, contou que está “exercendo a paciência”.
Por enquanto, Sandro relatou que não ouviu mais bombardeios e que não ocorreram novas situações em que tenham sido chamados para adentrar o bunker do hotel onde está hospedado.
O secretário saiu de férias no dia 19 de fevereiro e viajou para Dubai no dia 25 com amigos, para participar de um encontro. Desde domingo, tenta retornar, mas o aeroporto está fechado.
A próxima tentativa de retorno será hoje. Enquanto isso, ele segue acompanhando os informes da empresa aérea, que atualiza o site com possíveis mudanças.
CONFLITO
Não é segredo para ninguém que o Oriente Médio vive em guerra há centenas de anos, seja por motivos religiosos, seja por conflitos armamentistas com outros países. No sábado, a situação piorou, após o líder iraniano, sua filha e sua esposa morrerem depois de ataques coordenados pelas forças militares americanas e israelenses.
Desde então, a guerra já envolveu pelo menos mais sete países, incluindo o Líbano. Especificamente na região libanesa, Israel abriu uma nova frente da guerra no início da semana, contra o grupo extremista Hezbollah, na fronteira, que fica ao sul do Líbano, onde ocorreram bombardeios na manhã de ontem.
No mesmo dia, o exército israelense enviou um alerta pedindo que os moradores de toda a região sul do Líbano deixem suas casas e sigam em direção ao norte do Rio Litani, espécie de fronteira militar em conflitos entre Israel e o Hezbollah e um importante curso de água daquela região do país.
Somente no Irã, mais de mil pessoas já morreram, segundo a organização humanitária iraniana Crescente Vermelho, além do conflito já ter causado mortes em Israel, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos.
Países europeus como França, Grécia e Reino Unido estão reforçando a presença militar na região, especialmente no Chipre, que fica próximo da costa litorânea do Líbano.
A guerra só deve acabar após negociação pela paz ser selada entre Irã e Estados Unidos, mas isso é algo que está fora de cogitação pelas autoridades iranianas, que pretendem continuar o conflito e estão mais “enfurecidas” e determinadas após a morte de Ali Khamenei.
Colaborou Laura Brasil
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