Cidades

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Peraí, alto lá

Peraí, alto lá

Redação

01/06/2010 - 06h33
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Não misturemos alhos com bugalhos como dizia minha avó. Pode até ter passado despercebido, mas, a mensagem publicitária de uma marca mundial de jeans foi retirada dos outdoors de nossa cidade. Veiculada no mundo inteiro, aqui - sob o amparo da pudica lei municipal 154/10 (antipornografia, cujo teor ninguém conhece) -, a campanha foi censurada pelo promotor da infância e juventude do Ministério Público Estadual. A mensagem censurada e veiculada trazia a imagem de um casal besuntado de óleo, vestidos com roupas íntimas e que, abraçados, estaria insinuando algo a mais do que um simples momento de intimidade.

 Peraí, alto lá, quem é que instituiu; onde é que já se viu, ou está escrito, ou legislado e sacramentada a competência da função de censor para o MPE? Em que lugar, em que província brasileira foi instituída a delegação do que se pode ou não ver, sob a suposição da inferência subjetiva de uma mensagem? E a democracia ficou onde? Estamos na Venezuela? Será que essa decisão não fere a Constituição Federal? Será que essa instituição, que tem como função a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais (art. 177,CF), não tem mais o que fazer?! E quanto aos pornográficos outdoors políticos expondo bisonhos e ortodônticos sorrisos, a todo o momento, durante todo o ano e por qualquer motivo, invadindo assim, nosso cotidiano, sentenciando toda uma população, incauta, inculta e, às vezes até, indolente? Qual veiculação seria mais pornográfica e prejudicial à democracia e aos bons costumes?

Com o intuito de aplicarem uma leizinha municipal endógena, concebida e parida sem qualquer discussão externa, o MPE tirou o sofá da sala. Será que nós, os contribuintes, os provincianos-cidadãos desse arremedo de metrópole temos mesmo que aceitar o insurgimento de decisões tomadas sem uma reflexão, uma discussão mais madura, mais série e mais ética, submetidos aos puritanos, anacrônicos e parcimoniosos princípios subjetivos de censura de uns poucos?

Qual o sentido semântico do vocábulo pornografia? Dinâmicos que são, costumeiramente, os significados costumam ganhar vida muito além dos seus significantes. A grosso modo, o significante pornografia extrapola sua gênese grega que diz se tratar de tudo aquilo que exprima algo que motive ou explore o sexo. Na minha concepção, por exemplo, pornografia abarca o jeitinho (indecente) de legislar e governar com frouxidão, quando a sociedade espera, rigor, decência e ordem. Por que então os promotores do MPE não direcionam seus acurados olhares para os malfeitos do Executivo (ah! e também do Legislativo). Por que não enxergar o desmantelamento da rede de proteção à criança - promovendo e insulando o abandono de nossa infância a sua própria (má) sorte? E quanto ao atendimento pornográfico, insidiosos e acintosos nos postos de saúde de nossa Capital? E a má versação dos nossos recursos mal-administrados em confronto com o enriquecimento ilícito de certos e meros funcionários púbicos e seus superfaturamentos, etc, etc, etc?  Fiscalizar a moralidade dos serviços públicos, não se descuidar das contas públicas e da verificação da correta aplicação do dinheiro do contribuinte não são justamente atribuições de suas competências?

Tenho me manifestado pública e veementemente contra a abusiva exploração que os outdoors infligem em nossa pobre, e, por eles, enfeada cidade. Tenho enfatizado o uso indiscriminado e discrepante desse espaço por políticos. Volta e meia indigno-me com as veiculações de mensagens dúbias e verdadeiramente imorais e antiéticas, mas jamais cometeria o desatino de imaginar, do alto da minha ignorância, ou sabedência, que alguém tenha o direito de decidir o que pode ser exposto ali, ou não. Isso é a volta da famigerada censura. A censura é indefensável, mesmo se seu veto se dirigisse à mensagem publicitária do bolicho da esquina da minha rua. Isso é abusivo e absurdo. Sob meu ponto de vista semântico e sob a dinâmica do significado, isso é imoralidade; autêntica pornografia.

O problema dos outdoors está além do que expõe, está na permissividade de sua existência desordenada e escandalosamente abusiva em nossa cidade. Do que precisam é de regulamentação e normatização do seu uso, já que é inegável trazerem consigo implícito também o benefício da informação pública – muito do que anunciam tem valor informacional de divulgação. Não advogo sua extinção, mas a sua ordenação em harmonia com o ambiente ecológico que deve ser preservado. Sou apenas contra o paredão ($) que obstrui nossa visão e, muitas vezes, a falta de decoro e ética em algumas de suas mensagens. Quanto a estas que se cobre dos órgãos fiscalizadores à submissão dos códigos de ética criados justamente para tal fim. Talvez corpos seminus, calcinhas, cuecas e sutiãs besuntados de óleo extrapolem a licença publicitária e incitem a imaginação e carência de alguns, mas, por si sós, não alteram os bons costumes; a não ser dos absolutamente castos, talvez, dos  enrustidos, ou dos que têm, mas não sabem o que fazer, como se colocar em meio a limítrofe fronteira do que convém ou não convém, do que pode e do que não pode ser arbitrado.

Que o MPE cumpra o seu papel e dirija o seu olhar mais acurado ao descumprimento constitucional com relação ao número insuficiente de instituições educacionais que abriguem nossas crianças e aos péssimos programas estadual e municipais de saúde, e, aí, sim, proponha Termos de Ajustamento ao governador e aos prefeitos e todas as suas cortes -  tal como o fez com o empresário proprietário da licença de veiculação dos outdoors, punido com tal ajustamento- e faça valer a ordem constitucional. Que o MPE dirija o seu plácido olhar e suas intempestivas ações às crianças e adolescente nos semáforos de nossas ruas; que dirija sua atenção à falta de abrigos e proteção à infância e à adolescência abandonada de nossas cidades; que atue rigorosamente diante da farra dos adolescentes e dos não tão adolescentes – muitos dos quais, consumindo álcool e droga, matam-se nas ruas de Campo Grande -  aos domingos, no final da Afonso Pena; que diligencie com relação às gangues dos nossos bairros e sejam severos frente às agressões aos professores e à violência nas escolas. Precisamos e confiamos na ação do Ministério Público, mas, nem tanto na subjetividade de seus integrantes, Por isso, por favor, senhores promotores, não misturem alhos com bugalhos, porque, senão, ai de nós, recorrermos a quem?

Maria Ângela Coelho Mirault, Doutora e mestre em Comunicação e Semiótica (mariaangela. [email protected])

Ajuda

Força Nacional reforça monitoramento para frear epidemia de chikungunya em Dourados

Governo federal enviou 20 profissionais para auxiliar no combate aos casos de arboviroses

19/03/2026 14h00

Foto: A.Frota / Prefeitura de Dourados

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A Força Nacional do Sistema Único de Saúde desembarcou nesta quarta-feira (18) em Dourados  para reforçar o enfrentamento à epidemia de chikungunya, que já provocou quatro mortes e centenas de casos, principalmente nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó. A ação é parte de uma mobilização emergencial do Ministério da Saúde em meio ao avanço acelerado de arboviroses na região.

A operação reúne equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), com foco no controle do mosquito transmissor, ampliação do atendimento e reorganização da assistência, especialmente nos territórios indígenas. A base da Força Nacional do SUS, criada em 2011 após o desastre na Região Serrana do Rio de Janeiro, é acionada quando estados e municípios atingem o limite de resposta local.

Entre as medidas adotadas, o Ministério enviou 20 profissionais de saúde, reforço logístico com viaturas para acesso às comunidades, busca ativa de casos, ampliação do atendimento por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e intensificação do combate ao mosquito com visitas domiciliares, eliminação de criadouros e aplicação de inseticidas.

Segundo o diretor da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, a população segue assistida. “Estamos somando esforços com agentes locais, realizando ações de limpeza, busca ativa e cuidado aos doentes. Também há contratação de novos agentes de endemias e melhorias nas condições sanitárias”, afirmou.

Em nota, a prefeitura destacou que desde o início de março, aproximadamente 100 agentes de saúde e de endemias já vistoriaram mais de 2,2 mil residências em aldeias da região. As ações incluem mutirões de limpeza, coleta de resíduos e instalação de uma unidade móvel de atendimento para assistência imediata.

Como resposta ao aumento de casos, a Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na aldeia Jaguapiru, foi transformada em hospital de campanha. A estrutura começou a atender nesta terça-feira (17) e recebeu cerca de 80 pacientes no primeiro dia.

Apesar da redução na procura nesta quarta-feira por conta da chuva, equipes intensificaram a busca ativa nas casas, onde há relatos de famílias inteiras com sintomas como dores no corpo, nas articulações e náuseas.

A unidade foi implantada em parceria entre a Sesai e o Hospital Universitário da UFGD, com reforço de profissionais de Campo Grande e Caarapó.

Números

De acordo com o boletim epidemiológico mais recente, a Reserva Indígena de Dourados registra 407 casos notificados, 202 confirmados, 181 em investigação, 24 descartados e 4 mortes. As vítimas são todas da aldeia Jaguapiru, incluindo idosos e um bebê de 3 meses.

Na área urbana de Dourados, há 912 notificações, com 379 casos confirmados, mas sem mortes.

As ações de combate já incluem 4.319 imóveis vistoriados, 2.173 locais tratados, 1.004 focos do mosquito identificados, sendo 90% em caixas d’água, lixo e pneus, além de borrifação em 43 imóveis e mobilização de 86 agentes de endemias e 29 agentes indígenas de saúde.

A situação também afeta a rotina nas aldeias. Na escola Tengatui, cerca de 30 servidores apresentam sintomas, além de alta ausência de alunos. Nesta quarta-feira, escolas da Jaguapiru suspenderam as aulas por decisão das lideranças locais.

O secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva. informou que a paralisação não teve aval oficial e que o calendário segue mantido.

Já o secretário de Saúde, Márcio Figueiredo, destacou que, apesar do esforço do poder público, a colaboração da população é essencial. Ele reforçou que eliminar água parada é fundamental para reduzir os focos do mosquito.

A operação conta com atuação conjunta do Governo Federal, Estado e Município, além de órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Serviços Urbanos. O município também já atingiu 100% de oferta da vacina contra a dengue, enquanto as equipes reforçam a conscientização sobre prevenção.

O Ministério da Saúde segue monitorando o cenário e não descarta novas medidas para conter o avanço da chikungunya na região.

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INTERIOR

MS firma acordo para levar energia trifásica para todos assentamentos até 2028

Programa tem investimento de R$178 milhões e terá extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos

19/03/2026 13h13

"Nós vamos transformar toda essa rede monofásica em trifásico. Significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos", disse Riedel Marcelo Victor/Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (19) o Governo do Estado realizou a assinatura do programa batizado de "MS Trifásico", uma política pública em iniciativa conjunto entre o Executivo Estadual e a Energisa Mato Grosso do Sul, levando energia trifásica para todos os assentamentos locais até 2028. 

Após o diagnóstico de que a rede monofásica é predominante em boa parte do Estado, que ainda encontra lugares com infraestrutura elétrica insuficiente, o Governo de Mato Grosso do Sul mira agora uma expansão aliada à inovação produtiva. 

Conforme exposto em agenda realizada na manhã de hoje (19), no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, o programa propõe ampliação da infraestrutura elétrica, já que as limitações restringem a capacidade produtivo instalada; inviabiliza novos empreendimentos rurais; reduz a atratividade para investimentos e gera localmente uma estagnação econômica.

Esse documento foi assinado por: 

  • Eduardo Riedel, governador de Mato Grosso do Sul; 
  • Jaime Verruck, secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc);
  • Paulo Roberto dos Santos, diretor-presidente da Energisa MS
  • Antônio Matos, diretor técnico comercial da Energisa MS

 

Dados repassados pelo titular da Semadesc - em balanço levantado pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) - apontam que Mato Grosso do Sul conta atualmente com 71.232 agricultores familiares em território sul-mato-grossense.

"Estamos falando de uma população significativa e de uma atividade econômica extremamente relevante no Estado", disse Verruck, esclarecendo que o eixo sul concentra a maior densidade da produção familiar. 

Em números, quase metade desses 71,2 mil agricultores familiares (49%) são representados pela população assentada, com a agricultura tradicional respondendo por 28%, com cerca de 20 mil famílias, seguido de mais 13 mil famílias de povos indígenas. 

"Isso aqui é uma demanda da agricultura de familiar sul-mato-grossense, mais de 71 mil famílias que precisam de energia de qualidade, permanente, para que possam efetivamente olhar para a sua atividade econômica, sua produção, e ter capacidade de encontrar um futuro de em até dois anos aumentar a produção, qualidade e, fundamentalmente, melhorar, obviamente, a renda, que acho que é o objetivo de todos", complementou o chefe da Semadesc. 

MS Trifásico

Ao todo, o investimento beira a casa de R$178 milhões, que será compartilhado entre as partes, com o Governo do Estado e Energisa dando 50% cada. 

Conforme o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos, a abrangência do projeto consiste na extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos. 

Ou seja, o intuito é transformar desde a subestação até o medidor de uma rede de fase e, em tempo, Paulo Roberto dos Santos lembra que o agricultor e produtores rurais não terão custo em cima desse projeto. 

"Diferentemente de outros projetos, onde só houve um refazimento e não a instalação do composto de transformação. É um projeto completo. Originalmente a gente sabe que esses assentamentos e essas famílias foram atendidas por um projeto de universalização, sabidamente o 'Luz Para Todos'", diz. 

Diante disso, o diretor-presidente da Energisa explica que o "Luz para Todos" ofereceu uma universalização em MS, porém em um projeto monofásico, o que Paulo Roberto dos Santos considerou importante para a época. 

"Porque atendia as necessidades básicas dos indivíduos, como a capacidade para alimentar uma geladeira, às vezes um freezer, lâmpadas. E o projeto trifásico permite que a gente incorpore novos processos, adquira novos motores, novos dispositivos para melhorar a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento socioeconômico de todas as famílias ", diz.  

A ideia é que todos os assentamentos sejam atendidos até 2028, contemplando 15 cidades, com a primeira fase a ser executada já neste ano de 2026 levando inicialmente uma cobertura trifásica para as localidades que ficam nos seguintes municípios: 

  1. Bonito, 
  2. Dois Irmãos do Buriti, 
  3. Dourados, 
  4. Maracaju, 
  5. Nioaque, 
  6. Nova Alvorada do Sul e 
  7. Rio brilhante)

"Nós vamos transformar toda essa rede monofásica em trifásico. Significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos, utilizar de transformação dessa produção na indústria, na sua propriedade, na indústria familiar", comenta Riedel. 

Segundo o Governador, Mato Grosso do Sul viu um aumento de 30% de sua demanda de energia elétrica nos últimos três anos, enquanto que no consumo a procura é ainda maior, fruto de crescimento que precisa ser acompanhado também pela agricultura familiar. 

"... que está produzindo alimentos, tem vontade também de crescer, avançar, e estava limitado por uma rede monofásica para a sua energia", conclui. 

Vale explicar a diferença da mono para a rede trifásica está tanto na quantidade de fases (por onde a energia corre) e também na capacidade de carga. 

Em outras palavras, enquanto o monofásico é composto por uma fase mais um neutro, sendo 1 disjuntor principal com 2 fios é indicado especialmente para residências comuns, o trifásico (com 3 fases + um neutro) tem 3 disjuntores principais e 4 fios, suportando assim as potências exigidas, por exemplo, por indústrias e comércios. 
 

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