Cidades

CASO ADRIANO

Peritos e policiais realizam simulação da morte de empresário em Campo Grande

Ele foi morto com cinco tiros pelo agente da PRF Ricardo Moon

THIAGO GOMES, LAURA HOLSBACK E GILDO TAVARES

11/01/2017 - 05h30
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Peritos criminais e policiais civis realizam a partir das 5h30min de hoje reprodução simulada do assassinato do empresário Adriano Correia do Nascimento, ocorrido no dia 31 de dezembro último, na Avenida Ernesto Geisel, próximo à Rua 26 de Agosto, centro de Campo Grande. O procedimento servirá para confrontar o depoimento do acusado do crime, o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, com a dinâmica da ocorrência,  o que permitirá a identificação de pontos contraditórios.

A realização da simulação, antes negada pela delegada encarregada do caso, Daniela Kades, da 1ª DP, que considerava o procedimento desnecessário, foi confirmada ontem pela manhã, pela governadora em exercício Rose Modesto (PSDB). Ela assegurou que as investigações serão conduzidas com transparência e a população será informada do que realmente aconteceu entre o empresário e o policial. 

Rua 26 de Agosto no trecho entre as ruas dos Barbosas e a Anhandui, e a Avenida Ernesto Geisel no trecho compreendido entre as ruas João Rosa Pires e a Fernando Corrêa da Costa estão interditadas para que o trânsito não atrapalhe o trabalho da polícia.

O local está fechado desde às 5h.  O fim da madrugada foi escolhido porque foi quando o crime aconteceu. Nenhuma autoridade policial havia se manifestado até o início da reprodução e a imprensa foi colocada cerca de 200 metros distante de onde o desentendimento entre o policial e o empresário começou. 

O policial que está preso na Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros (Garras) desde quinta-feira (5) deve participar da simulação, assim como amigo que acompanha a vítima no dia do assassinato.

SEGREDO DE JUSTIÇA

O inquérito foi colocado sob segredo de Justiça na segunda-feira, após a delegada e as polícias Civil e Militar terem sido deixadas sob suspeita, nas redes sociais e também pela Promotoria de Justiça, por favorecimento a Ricardo Moon. 

Sobre a delegada, criticada por declarações precipitadas  considerando a ação do policial rodoviário como legítima defesa, a governadora assegurou que haverá isenção. Segundo ela, apesar de Daniela Kades ser a encarregada do caso,  uma comissão de delegados também está acompanhando o andamento das investigações.

Reunião realizada ontem, na Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), definiu detalhes da  reprodução simulada de hoje. 

PRF repete ações do dia  (Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado)

CASO

O crime aconteceu no dia 31 de dezembro, no início da manhã. O agente estava a caminho do trabalho e iria pegar ônibus para Corumbá. No caminho, foi fechado por caminhonete que era conduzida por Adriano.

O PRF perseguiu o empresário e o fechou. Com a arma na mão, disparou nove vezes contra o veículo da vítima. Cinco tiros atingiram Nascimento, enquanto outros disparos feriram mais duas pessoas que estavam no utilitário.

Moon alegou legítima defesa para justificar o crime. Os passageiros do outro veículo não estavam armados. À Polícia Civil, o PRF afirmou que Nascimento tentou atropelá-lo, por isso fez os disparos.

Ele chegou a ser preso no dia do assassinato, mas não foi conduzido diretamente à delegacia. Acabou solto um dia depois, sem sequer ser submetido à audiência de custódia. O Ministério Público Estadual protocolou pedido de prisão posteriormente e houve deferimento por parte da Justiça Estadual.

O procedimento deve auxiliar a delegada da 1ª Delegacia de Polícia, Daniela Kades, que preside o inquérito, na dinâmica do que aconteceu naquele dia. A alegação de legítima defesa também pode ser questionada nessa parte da investigação.

 

Região Norte

Suposto líder regional do Comando Vermelho morre em confronto com o Bope

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

14/05/2026 17h27

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica Foto: Polícia Militar

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Um dos apontados como líderes regionais do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso do Sul, Lucas Adriano Caniza Santos, conhecido como “Lucão” ou “Zoião”, morreu na madrugada desta quinta-feira (14) após confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Sonora, região norte do Estado.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito, de 32 anos, era considerado de alta periculosidade e vinha sendo monitorado pelas forças de segurança por suposta atuação na logística do Comando Vermelho na região.

Conforme informações apresentadas pela corporação, a abordagem ocorreu durante a madrugada. Lucas estava acompanhado de outro homem, que conseguiu fugir ao perceber a aproximação policial e ainda não foi localizado.

Durante a ação, segundo a PM, Lucão teria sacado um revólver calibre 38 e apontado a arma em direção aos policiais, que reagiram.

Após ser baleado, o suspeito foi socorrido pelas equipes de segurança e encaminhado ao hospital do município, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 38 com quatro munições intactas.

Em coletiva de imprensa, o tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva, comandante do Bope, afirmou que Lucas Adriano já era conhecido pelas forças de segurança estaduais e possuía ligação direta com atividades criminosas relacionadas ao tráfico de drogas.

“É um elemento perigoso, ele foge do que é rotineiro para Mato Grosso do Sul”, declarou o comandante.

Ainda segundo Rigoberto Rocha, o suspeito vinha sendo acompanhado por equipes de inteligência e policiamento ostensivo há algum tempo.

“Esse indivíduo já estava sendo monitorado, não só ele como outras figuras daquela região. O Bope trabalha em todo o Estado identificando, monitorando e acompanhando esse tipo de alvo”, afirmou.

A Polícia Militar informou que Lucas possuía passagens por tráfico de drogas, associação criminosa, ameaça, violência doméstica e tentativa de homicídio.

Facções ampliam atuação na região norte

Durante a coletiva, o comandante do Bope também destacou a preocupação das forças de segurança com o avanço das facções criminosas na região norte do Estado. Segundo ele, municípios como Sonora, Coxim e Pedro Gomes têm sido monitorados devido à presença crescente de organizações criminosas.

De acordo com Rigoberto Rocha, as facções costumam utilizar lideranças locais para fortalecer a atuação regional.

“Existe uma cooptação do criminoso local para esse tipo de organização. As ordens podem vir de fora, mas existem subdivisões regionais”, afirmou.

O comandante ainda ressaltou que o tráfico de drogas segue como principal atividade ligada às facções monitoradas pelas forças de segurança, frequentemente associado a crimes como homicídios e furtos.

Guerra de facções já provocou atentado na cidade

A atuação de facções criminosas em Sonora já havia chamado atenção das autoridades em fevereiro deste ano, quando uma disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) terminou em um atentado no município.

Na ocasião, criminosos saíram de Coxim para executar um rival. O crime, no entanto, não foi consumado porque a arma utilizada falhou durante a ação. Mesmo assim, um jovem de 20 anos acabou baleado em uma empresa de calhas onde trabalhava.

Segundo a Polícia Militar, as operações de monitoramento e combate às organizações criminosas continuam em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

CLÍNICA CANELA

Em nova lista, medicamentos vencidos em clínica de emagrecimento chegam a quase 1,3 mil

Validade dos medicamentos variava de fevereiro a abril de 2026, envolvendo vitaminas, inibidores de apetite, ansiolíticos e soros fisiológicos

14/05/2026 17h15

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo Grande

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo Grande Divulgação/Procon MS

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A vigilância sanitária de Campo Grande apreendeu um montante de 1.294 frascos de medicamentos vencidos em um armazém nos fundos da Clínica Canela, na Rua Joaquim Murtinho em Campo Grande. 

Em primeira lista, a quantidade divulgada era de 484, mas foi atualizada para quase 1,3 mil frascos. 

Entre os medicamentos apreendidos, estão vitaminas e ansiolíticos, além de soro fisiológicos. Entre eles, frascos de:

  • inositol 10% - pseudovitamina B8, utilizado para melhorar o metabolismo de gorduras e glicose;
  • piridoxal-5-fosfato - forma ativa da vitamina B6, auxiliando na produção de serotonina e dopamina, ajudando a melhorar o humor, a qualidade do sono e a disposição.
  • taurina - utilizado para melhorar o desempenho muscular do corpo e ajuda a controlar a pressão arterial;
  • picolinato de cromo - utilizado como suplemento alimentar, ajudando no metabolismo de carboidratos, no controle da glicemia e na diminuição na compulsão por doces;
  • hidroxitriptofano - medicamento que auxilia no alívio de sintomas depressivos, controla a insônia, auxilia na redução de compulsão alimentar e reduz o apetite.

De acordo com o Procon, a data de vencimento dos medicamentos variava de fevereiro a abril de 2026.

A clínica possui agora prazos para apresentar sua defesa junto aos órgãos participantes da fiscalização. O Procon concedeu 20 dias para que o estabelecimento encaminhe seu posicionamento oficial sobre as irregularidades constatadas no local. 

Além dos medicamentos antiarrítmicos vencidos, os representantes do CRM que estiveram no local identificaram irregularidades como falta de insumos nos carrinhos de emergência, prescrição de terapia hormonal de maneira inadequada e publicidade forçada, além de denúncias de venda casada, quando o estabelecimento "força" o cliente a comprar medicamentos oferecidos pela próprio local. 

Ainda, o local também foi alvo do Procon, presentes para a apuração sobre a questão da venda casada, onde o consumidor acabava com um medicamento manipulado pela própria clínica, bem como sobre casos de publicidade enganosa e dos alvarás de localização e funcionamento que estariam vencidos sem apresentação, até o momento, de um protocolo de entrada para renovação.

A vigilância foi acionada pois foram encontrados medicamentos vencidos juntamente com os medicamentos regulares, causando mistura entre as medicações. 

Uma funcionária da clínica foi levada para a delegacia para prestar depoimentos e, em seguida, foi detida.

Mesmo com as irregularidades, a Clínica segue aberta e funcionando normalmente.

O CRM afirmou que aguarda o recebimento dos relatórios oficiais de todos os órgãos envolvidos na investigação do caso para uma análise técnica e administrativa. Os procedimentos éticos e as investigações internas estão em sigilo e, caso sejam comprovadas a existência de irregularidades éticas e profissionais, serão aplicadas as medidas previstas em lei. 

O que diz a Clínica Canela

Em nota, a Clínica Canela afirmou que segue colaborando com as investigações e que as fiscalizações ainda estão em andamento. 

Segundo a clínica, o local não realiza a fabricação, manipulação e rotulamento de medicamentos de forma irregular, bem como a comercialização dos fármacos de forma proibida. De forma pontual, afirmou ainda que "não há venda casada", e os pacientes são livres para escolher onde adquirir os medicamentos prescritos. 

Leia a nota completa na íntegra: 

A Clínica Canela informa que está colaborando integralmente com os órgãos competentes em procedimento de fiscalização ainda em andamento.

A instituição reforça que não fabrica, não manipula, não rotula e não comercializa medicamentos de forma irregular. Sua atuação é exclusivamente médica, com avaliação, acompanhamento e prescrição individualizada, quando indicada.

Não há venda casada. O paciente tem total liberdade para adquirir qualquer tratamento prescrito onde desejar, em estabelecimento regular de sua confiança.

Eventuais apontamentos administrativos ou operacionais estão sendo apurados internamente, com adoção imediata das medidas cabíveis e revisão dos protocolos internos.

A Clínica respeita o trabalho das autoridades, confia na apuração técnica dos fatos e reafirma seu compromisso com a ética, a segurança dos pacientes, a transparência e o cumprimento da legislação.

Polêmicas

Jonathas Canela faz parte do corpo médico da Clínica Canela, e já viralizou nas redes sociais entre passeios em helicópteros, viagens e pela vida luxuosa alcançada através dos tratamentos e atendimentos a personagens influentes e rendem uma relação próxima com famosos nacionais, como Neymar Pai e Rafaela Santos, que também teria sido paciente do médico.

Dono de uma Porsche, já foi responsável por promover passeios com donos de super máquinas em Campo Grande, uma vez que Jhonatas é tido como referência em tratamentos para emagrecimento saudável, saúde da mulher, hormonal e, principalmente, a terapia de injetáveis, conhecida como soroterapia, bem como as famosas canetas emagrecedoras. 

Porém, o outro lado da balança dos quase duzentos mil seguidores traz uma coleção de reclamações de pacientes, sendo que muitos já recorreram à Justiça e ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS). 

Há cerca de um ano, porém, como bem acompanha o Correio do Estado, o Dr. Canela foi alvo de pacientes por suposto superfaturamento nos tratamentos emagrecedores, com queixas dos altos valores cobrados.

A Tirzepatida, por exemplo, medicamento usado para tratamento de diabetes, mas que começou a ser injetada para tratamento de obesidade, chegou a ser vendida à clínica pelo valor de R$2.300 o frasco, porém, uma ex-paciente contou que, quando queria fazer o tratamento com o médico na Clínica foi informada que "por dose seria mais caro". 

"Chegaram a me cobrar R$11.800 somente a dose, sem contar o restante dos procedimentos no tratamento", disse ela, expondo uma margem de lucro de 413% somente com a venda do medicamento.

Com casos de soros injetáveis que variavam entre "R$13 a R$18", vendidos no tratamento por R$800 até R$1.300, um lucro de mais de 6.000%, através de vídeos na própria rede social Jonathas já chegou a publicar alertas sobre medicamentos emagrecedores afirmando que "se não for essa caneta, é falsa!" e fazendo menção ao produto que é vendido exclusivamente em seu consultório. 

Inclusive, em sua própria receita o médico deixa claro que as medicações deveriam ser compradas exclusivamente na clínica, já que "esses produtos manipulados não se encontram no mercado na forma de especialidades farmacêuticas e os que são vendidos como especialidades farmacêuticas se encontram em dificuldade de compra", conforme a imagem abaixo. 

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo GrandeReceituário médico apresentado por ex-paciente. 

Entre pacientes que afirmam que deixaram os tratamentos por causa dos valores abusivos, uma das atendidas chegou a processar a clínica, alegando que Jhonatas não teria levado em conta os problemas psiquiátricos dela e seus agravantes no procedimento.

Jhonatas Canela está inscrito no Conselho Nacional de Medicina, onde consta que não possui nenhuma especialidade médica registrada. Formado pela Universidade do Oeste Paulista, se formou em 2018 e, atualmente, é pós-graduando nas áreas que atua. 

No entanto, foi esclarecido ao Correio do Estado que o recomendado é que o médico seja especialista na área para prescrever e realizar tratamentos. A especialidade recomendada na aplicação de substâncias e tratamentos corporais é a endocrinologia, que atua diretamente nas condições de diabetes, obesidade e desequilíbrios hormonais. 

Jhonatas também se envolveu em polêmicas quando, em 2024, o Conselho Federal de Medicina se manifestou, em nota, sobre a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a comercialização e uso de implantes de terapia hormonal manipulados em farmácias magistrais, conhecidos como "chip da beleza". 

 

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