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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Maio: Mês das Mães e de falar dos direitos delas

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Maio é um convite à reflexão. Mais do que homenagear, é um momento de reconhecer que a maternidade, embora profundamente ligada ao afeto — também é uma realidade social que impacta diretamente a vida econômica, profissional e previdenciária das mulheres.

Ser mãe, hoje, no Brasil, acontece em um cenário em transformação. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as mulheres estão tendo filhos mais tarde: a idade média da maternidade passou de 26,3 anos em 2000 para 28,1 anos em 2022. Além disso, a taxa de fecundidade caiu para cerca de 1,55 filho por mulher, um dos menores níveis da história.

Esses números revelam mudanças importantes: mais inserção feminina no mercado de trabalho, maior acesso à educação e também novos desafios. A maternidade deixou de ser precoce e numerosa, mas continua sendo um fator determinante na trajetória profissional e previdenciária das mulheres.

juliane penteado

Aposentadoria rural: quem tem direito, como obter e o que impede de receber?

19/06/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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A aposentadoria rural é um importante benefício previdenciário destinado aos trabalhadores do campo que dedicaram anos de sua vida às atividades rurais. 

Apesar de ser um direito garantido por lei, muitas pessoas enfrentam dificuldades no momento de solicitar o benefício, principalmente por falta de documentação adequada ou desconhecimento das regras.

Neste artigo, você vai entender quem pode solicitar a aposentadoria rural, como funciona o processo e quais são os principais obstáculos enfrentados pelos segurados.

O que é a aposentadoria rural?

A aposentadoria rural é um benefício concedido pelo INSS aos trabalhadores que exercem atividades no meio rural, seja individualmente, em regime de economia familiar ou como empregados rurais.

Ela foi criada para reconhecer a realidade de quem trabalha no campo, muitas vezes em condições mais difíceis e sem vínculos formais de emprego durante toda a vida.

Quem tem direito?

Podem ter direito à aposentadoria rural:

  • Trabalhadores rurais;
  • Agricultores familiares;
  • Pescadores artesanais;
  • Indígenas;
  • Boias-frias;
  • Extrativistas vegetais;
  • Empregados rurais com registro;
  • Segurados especiais.

Qual a idade mínima?

Atualmente, a regra mais comum exige:

  • 55 anos para mulheres;
  • 60 anos para homens.

Além da idade, é necessário comprovar pelo menos 15 anos de atividade rural.

Como obter a aposentadoria rural?

O primeiro passo é reunir documentos que comprovem o exercício da atividade rural ao longo dos anos.

Entre os documentos mais utilizados estão:

  • Certidão de casamento com profissão como lavrador(a);
  • Contratos de arrendamento rural;
  • Notas fiscais de produtor;
  • Declarações de sindicato rural;
  • Cadastro no Incra;
  • Bloco de produtor rural;
  • Histórico escolar dos filhos indicando profissão dos pais;
  • Comprovantes de residência em área rural.

Após reunir a documentação, o pedido pode ser feito diretamente pelo aplicativo ou site “Meu INSS”, ou com auxílio de um advogado previdenciarista.

A prova documental é indispensável

Um dos pontos mais importantes na aposentadoria rural é a comprovação da atividade exercida no campo.

Muitas pessoas acreditam que apenas testemunhas são suficientes, mas a Justiça e o INSS exigem início de prova material, ou seja, documentos que demonstrem o vínculo rural.

As testemunhas ajudam a complementar as informações, mas raramente substituem totalmente os documentos.

Quais são os maiores impedimentos?

Entre os principais motivos de negativa do benefício estão:

Falta de documentos
Esse é o problema mais comum. Muitos trabalhadores rurais passaram décadas trabalhando informalmente e não guardaram registros da atividade.

Documentos em nome de terceiros
É comum que os documentos estejam em nome do pai, marido ou outro membro da família. Em alguns casos isso é aceito, mas o INSS pode exigir provas complementares.

Períodos urbanos
Quando o segurado possui vínculos urbanos longos ou recentes, o INSS pode entender que houve descaracterização da atividade rural.

Inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS)
Dados divergentes no sistema do INSS também geram dificuldades e atrasos na análise.

Falta de orientação adequada
Muitos pedidos são feitos sem estratégia documental, o que aumenta as chances de indeferimento.

O que fazer em caso de negativa?

Caso o INSS negue o benefício, ainda é possível:

  • Apresentar recurso administrativo;
  • Complementar a documentação;
  • Buscar o reconhecimento do direito pela Justiça.

Em muitos casos, a via judicial consegue reconhecer períodos rurais que o INSS havia desconsiderado.

A importância do planejamento previdenciário rural

O trabalhador rural deve buscar orientação antes mesmo de completar a idade mínima. O planejamento previdenciário ajuda a identificar documentos faltantes, corrigir inconsistências e aumentar as chances de aprovação do benefício.

Além disso, evita prejuízos financeiros e atrasos desnecessários.

Leandro Provenzano

Golpe do falso advogado: como funciona e como não cair

18/06/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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O golpe do falso advogado é uma das fraudes que mais cresce no Brasil. Criminosos se passam por advogados – usando o nome e até número da OAB de um profissional real - para convencer a vítima a transferir dinheiro às pressas. Quem está no meio de um processo, esperando um acordo, uma indenização ou um levantamento de valores, é o alvo preferido. Neste artigo você vai entender exatamente como o golpe acontece e, principalmente, como não cair.

O que é o golpe do falso advogado

É uma fraude na qual o criminoso finge ser o advogado responsável pelo seu caso (ou alguém do escritório dele) e inventa uma "novidade urgente" no processo. Em geral, a história envolve um valor a ser pago de imediato: custas, uma taxa, um depósito judicial ou a liberação de um suposto crédito. No fim, o pedido é sempre o mesmo - um Pix ou transferência rápida, normalmente para a conta de um terceiro não vinculado ao advogado, ao seu escritório, muito menos ao judiciário.

O golpista costuma ter informações reais sobre você: seu nome, o número do processo, o nome do verdadeiro advogado. Esses dados muitas vezes vêm de consulta pública a processos, vazamentos ou redes sociais, e servem justamente para dar credibilidade à conversa. Eles também falsificam documentos com brasões, nomes de juízes e diversas informações inverídicas.

Como o golpe acontece (passo a passo)

A abordagem geralmente segue um roteiro parecido:

  1. Contato inesperado, quase sempre por WhatsApp, com foto e nome do "seu advogado", ou do escritório de advocacia que lhe atende.
  2. Notícia boa ou problema urgente: "saiu seu dinheiro" ou "precisamos resolver algo hoje, senão você perde o prazo".
  3.  Criação de urgência: o criminoso pressiona para que tudo seja feito agora, rápido, sem você pensar direito. Essa pressa é proposital - vítima apressada não desconfia.
  4. Desculpa para não falar ao telefone: é muito comum dizerem que o advogado não pode ligar nem receber ligação porque está no Tribunal, em audiência ou em sustentação oral. Isso impede que você confirme a identidade pela voz.
  5. Pedido de transferência: vem o número da conta - quase sempre de um terceiro - e a insistência para que você envie o comprovante.

Atenção: a combinação "urgência + advogado indisponível para ligar + Pix para outra pessoa" é a assinatura clássica do golpe.

Os diferentes tipos de golpe do falso advogado

A fraude evolui rápido. Hoje já existem versões muito mais sofisticadas:

1. Pedido direto de dinheiro (conta de terceiros)
A versão mais comum e mais simples. O golpista apenas manda mensagens de texto e o número de uma conta. O grande sinal de alerta é que o titular da conta nunca é o advogado nem o escritório - é o "primo", a "esposa", um "preposto".

2. Áudios com a voz do advogado clonada por IA
Aqui o golpe fica perigoso. Com inteligência artificial, criminosos clonam a voz do advogado a partir de poucos segundos de áudio (de um story, um vídeo, uma mensagem). A vítima recebe um áudio que parece ser do próprio advogado pedindo a transferência. Isso já acontece na prática - não é cenário futuro.

3. Vídeos falsos (deepfake) - a próxima onda
A tendência natural é o surgimento de vídeos falsos do próprio advogado, gerados por IA, em que ele aparentemente fala com você confirmando o pagamento. Por isso, daqui para frente, nem áudio nem vídeo serão prova suficiente de identidade. A regra de ouro abaixo continua valendo independentemente da tecnologia.

Como não cair no golpe do falso advogado

Guarde estas regras - elas resolvem praticamente todos os casos:

  1. Sempre desconfie de números não salvos no seu celular. Salve no seu aparelho de celular o número do seu advogado e o número do escritório de advocacia que te atende. Quando a ligação for de qualquer número não cadastrado, desconfie e ligue imediatamente para os números oficiais do escritório, que pode ser obtido facilmente pelo Google, caso o advogado ou escritório tenha uma presença digital.
  2. Desconfie de pressa. Nenhum prazo verdadeiro se resolve com um Pix em cinco minutos. Urgência é a principal arma do golpista. Pare e respire.
  3. Confirme pelo canal oficial. Ligue para o número do escritório que você já conhecia antes (não o número que mandou a mensagem). Se a pessoa disser que o advogado "está no Tribunal e não pode atender", isso é motivo para desconfiar mais, não menos.
  4. Nunca pague em conta de terceiros. Honorários e valores legítimos não caem na conta do "primo do advogado". Estranhe qualquer conta que não seja do profissional ou do escritório. Há um ditado no direito que diz que “quem paga mal paga duas vezes”.
  5. Não confie em áudio nem em vídeo. Com IA, voz e imagem podem ser falsificadas. Confirmação só por canal oficial.
  6. Cheque o número e o registro. Verifique se o telefone é o mesmo de sempre e confirme a inscrição na OAB pelo site oficial do Conselho.

O que fazer se você desconfiar ou já caiu

  • Pare imediatamente qualquer transferência e não envie mais comprovantes.
  • Entre em contato com o advogado pelo canal verdadeiro para confirmar o que está acontecendo.
  • Se já pagou, acione o banco na hora - pode haver bloqueio ou mecanismo de devolução do Pix.
  • Registre boletim de ocorrência (inclusive em delegacia eletrônica) e guarde prints, números e comprovantes.
  • Avise o escritório: o advogado pode alertar outros clientes e tomar providências.

Conclusão

O golpe do falso advogado se apoia em dois pilares: pressa e dificuldade de confirmar quem está do outro lado. Tire esses dois pilares - desacelere e confirme pelo canal oficial - e a fraude desmorona. Com o avanço da IA clonando voz e, em breve, imagem, a única defesa realmente segura é simples e antiga: nunca pague no susto e sempre confirme diretamente com quem você confia.

Leandro Amaral Provenzano OAB/MS 13.035 – sócio do escritório Provenzano Advogados

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