Cidades

ESTUDO

Pesquisa indica que beijo romântico não é um comportamento universal

A pesquisa indica que o beijo romântico ou sexual só existe em 46% das 168 culturas analisadas

g1

16/07/2015 - 11h15
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Quem não gosta de dar ou receber um beijo? Surpreendentemente, a resposta são os integrantes de mais da metade das culturas do mundo, pelo menos de acordo com um novo estudo feito por cientistas de universidades americanas.

A pesquisa, publicada no periódico científico American Anthropologist, indica que o beijo romântico ou sexual só existe em 46% das 168 culturas analisadas. Em algumas que não apresentam este comportamento, ele é considerado até mesmo repulsivo.

Na América do Sul, por exemplo, a taxa foi ainda maior: 81% das 21 culturas analisadas não praticam este beijo. Um exemplo pode ser encontrado no Brasil, no Alto Xingu, onde os índios da tribo Menihaku, uma das mais isoladas da região amazônica, veem este tipo de beijo como algo "nojento", segundo relatos etnográficos.

A América do Sul só é superada pela América Central, onde 100% de 31 culturas regionais analisadas no estudo não apresentam este hábito, e pela África, com 87% de 31 culturas. Os pesquisadores não especificam no artigo quais foram todas as culturas analisadas, embora beijos sejam comuns em contextos urbanos em várias dessas regiões.

No outro extremo, está o Oriente Médio, onde o beijo romântico está presente em 100% das dez culturas estudadas, seguido pela Ásia (73% de 37 culturas), Europa (70% de dez culturas), América do Norte (55% de 33 culturas) e Oceania (44% de 16 culturas).

Etnocentrismo ocidental
O novo estudo contradiz pesquisas anteriores que apontavam o beijo romântico ou sexual como um comportamento quase universal, presente em 90% das culturas humanas.

"Suspeitamos que o etnocentrismo ocidental - ou seja, 'a crença de que um comportamento atualmente considerado prazeroso tenha de ser algo universal aos humanos' - pode estar levando ao equívoco comum de que o beijo romântico-sexual é (quase) universal", dizem os autores da pesquisa.

"Apesar de beijar ser uma forma de comunicar intimidade em algumas sociedades ou funcionar como uma atividade erótica específica em outras, é importante notar que, para algumas, o beijo é visto como desagradável, sujo ou simplesmente incomum, assim como outros comportamentos sexuais ou românticos."

Os cientistas ainda afirmam terem encontrado evidências de que o hábito do beijo romântico-sexual está ligado à complexidade destas sociedades.

Quanto mais estratificada socialmente é uma cultura, mais presente é este comportamento. "Isso não está ligado a nenhuma região geográfica ou cultural", esclarecem os pesquisadores.

"É possível que o surgimento do beijo romântico-sexual coincida com o surgimento de outros fatores, como a higiene oral ou a ascensão de classes sociais de elite que valorizam o autocontrole do afeto e demonstrações afetivas."

operação

Servidores da Sisep manipulavam planilhas de medição por WhatsApp

Mensagens obtidas de celular apreendido mostram, segundo o Ministério Público, a dinâmica cotidiana do esquema: um engenheiro ditava os valores; um servidor os lançava nas planilhas; um secretário validava e os pagamentos eram emitidos

14/05/2026 17h46

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025 Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Conversas de WhatsApp colhidas de celular apreendido pelo MPMS na operação Cascalhos de Areia mostram servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) negociando os valores que seriam lançados nas planilhas de medição de contratos com a Construtora Rial Ltda.

O material foi usado para dar a partida na Operação Buraco sem Fim, que prendeu sete pessoas, entre elas o ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, que foi secretário de obras da Capital, empreiteiros e servidores.

As conversas, extraídas do celular apreendido do engenheiro Mehdi Talayeh, compõem um registro cronológico que o MP descreve como prova de "manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço, em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado, mas a valores fictícios arbitrados."

Dinâmica do esquema

O fluxo seguia três etapas. Primeiro, Mehdi Talayeh, fiscal de contratos e supervisor da SISEP, estipulava o valor a ser registrado para a Construtora Rial, sem qualquer referência à extensão ou ao volume de serviços efetivamente prestados. Em segundo lugar, o servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula inseria os valores nas planilhas de medição, ajustando itens e regiões até atingir o total determinado.

Por fim, Fernando de Souza Oliveira, Gerente de Controle de Medições, verificava os saldos contratuais remanescentes para calibrar quanto poderia ainda ser desviado, e os documentos seguiam para o empenho e pagamento.

O ex-Secretário Rudi Fiorese, segundo o MP, validava o processo e determinava urgência nos pagamentos.
No dia 1 de dezembro de 2020, Mehdi Talayeh diz a Erik: "Amanhã cedo consegue estar fechando Als e as duas RIAL pra pedir nota amanhã ainda? [...] E vê RIAL se nas duas 550." No dia seguinte, Erik teria respondido com fotos das planilhas fechadas nos totais solicitados: R$ 285.756,39 e R$ 321.926,53.

Em dois de fevereiro de 2021, Erik teria enviado áudio a Mehdi revelando o método: "já consegui chegar nesses valores, foi o máximo que eu consegui [...] eu 'tô' tendo que colocar bastante rua para chegar nesse valor." A expressão, segundo o MP, mostra que os lançamentos de ruas não correspondiam a serviços verificados, mas eram incluídos para atingir cifras predeterminadas.

Em três de fevereiro de 2021, Mehdi teria ditado: "Soma das duas RIAL 740 / fecha agora cedo o quanto antes e já passa pro Fernando." Erik teria respondido: "Total ficou R$ 740.792,93."

Em dois de marco de 2021, ao receber uma planilha, Erik perguntou a Mehdi "qual valor?", demonstrando desconhecer qual seria o montante da medição. Mehdi respondeu: "480 duas RIAL mais ou menos / 650 mais ou menos / Pode reduzir pra 610 mais ou menos." No dia seguinte, as planilhas fechadas totalizaram R$ 610.892,96, exatamente na faixa ordenada.

Em 01 de fevereiro de 2022, quando Erik perguntou se os valores seriam os mesmos, Mehdi foi taxativo: "Priorizando RIAL."

Em 29 de novembro de 2022, Mehdi teria determinado valores para várias empresas simultaneamente: "RIAL Anhanduí R$250.000,00, RIAL Bandeira R$250.000,00", e emitido a ordem: "Fecha mais ou menos nesses números."

Em 07 de marco de 2023, Erik admitiria estar fazendo medições "sem ter apontador", ou seja, sem os registros diários de campo que deveriam embasar qualquer medição.

Quanto à participação de Rudi Fiorese, o requerimento reproduz mensagem na qual Fernando de Souza Oliveira escreveria a Mehdi: "Pq o Rudi, tinha pedido para manter nessa proporção, da pra dar uma jogada fácil aqui, ms já foi. Jr vou aumentar uns 100 de caminhão", seguida de confirmação de Mehdi.

Lixo no tapa buraco

O MP também incluiu na investigação as medições da Região do Bandeira. O documento teria identificado, entre outras irregularidades: divergência entre o volume de revestimento primário apontado nos relatórios de medição e o volume verificado nos relatórios diários e semanais de campo; ausência de ensaios laboratoriais de controle de compactação; presença de matéria orgânica e resíduos de lixo urbano no solo compactado; e serviços executados por equipes próprias da Prefeitura que, nas planilhas, foram atribuídos, e pagos, à Construtora Rial.

O relatório calcula que, apenas na 50ª Medição, em março de 2023, a diferença entre o valor cobrado e o valor efetivamente realizado seria de R$ 55.714,55, equivalente a 30% do total daquela medição.

Uma engenheira servidora da SISEP é citada no requerimento como tendo classificado os trabalhos da Construtora Rial como de "péssima qualidade" em avaliações técnicas. Mensagens do próprio fiscal Edivaldo Aquino Pereira com um representante da empresa, segundo o MP, chegavam a classificar intervenções como "serviço de porco".

Um elemento destacado que diz respeito ao ex-secretário Rudi Fiorese é que após ser exonerado da Prefeitura de Campo Grande em 2023, Fiorese foi nomeado em cargo equivalente no Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, mantendo atuação na mesma área de infraestrutura.

Nessa nova função, segundo o MP, ele assinou contratos com a Construtora Rial e, em fevereiro de 2026, menos de um mês antes da Operação, assinou dois aditivos contratuais em favor da empresa.

Região Norte

Suposto líder regional do Comando Vermelho morre em confronto com o Bope

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

14/05/2026 17h27

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica Foto: Polícia Militar

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Um dos apontados como líderes regionais do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso do Sul, Lucas Adriano Caniza Santos, conhecido como “Lucão” ou “Zoião”, morreu na madrugada desta quinta-feira (14) após confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Sonora, região norte do Estado.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito, de 32 anos, era considerado de alta periculosidade e vinha sendo monitorado pelas forças de segurança por suposta atuação na logística do Comando Vermelho na região.

Conforme informações apresentadas pela corporação, a abordagem ocorreu durante a madrugada. Lucas estava acompanhado de outro homem, que conseguiu fugir ao perceber a aproximação policial e ainda não foi localizado.

Durante a ação, segundo a PM, Lucão teria sacado um revólver calibre 38 e apontado a arma em direção aos policiais, que reagiram.

Após ser baleado, o suspeito foi socorrido pelas equipes de segurança e encaminhado ao hospital do município, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 38 com quatro munições intactas.

Em coletiva de imprensa, o tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva, comandante do Bope, afirmou que Lucas Adriano já era conhecido pelas forças de segurança estaduais e possuía ligação direta com atividades criminosas relacionadas ao tráfico de drogas.

“É um elemento perigoso, ele foge do que é rotineiro para Mato Grosso do Sul”, declarou o comandante.

Ainda segundo Rigoberto Rocha, o suspeito vinha sendo acompanhado por equipes de inteligência e policiamento ostensivo há algum tempo.

“Esse indivíduo já estava sendo monitorado, não só ele como outras figuras daquela região. O Bope trabalha em todo o Estado identificando, monitorando e acompanhando esse tipo de alvo”, afirmou.

A Polícia Militar informou que Lucas possuía passagens por tráfico de drogas, associação criminosa, ameaça, violência doméstica e tentativa de homicídio.

Facções ampliam atuação na região norte

Durante a coletiva, o comandante do Bope também destacou a preocupação das forças de segurança com o avanço das facções criminosas na região norte do Estado. Segundo ele, municípios como Sonora, Coxim e Pedro Gomes têm sido monitorados devido à presença crescente de organizações criminosas.

De acordo com Rigoberto Rocha, as facções costumam utilizar lideranças locais para fortalecer a atuação regional.

“Existe uma cooptação do criminoso local para esse tipo de organização. As ordens podem vir de fora, mas existem subdivisões regionais”, afirmou.

O comandante ainda ressaltou que o tráfico de drogas segue como principal atividade ligada às facções monitoradas pelas forças de segurança, frequentemente associado a crimes como homicídios e furtos.

Guerra de facções já provocou atentado na cidade

A atuação de facções criminosas em Sonora já havia chamado atenção das autoridades em fevereiro deste ano, quando uma disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) terminou em um atentado no município.

Na ocasião, criminosos saíram de Coxim para executar um rival. O crime, no entanto, não foi consumado porque a arma utilizada falhou durante a ação. Mesmo assim, um jovem de 20 anos acabou baleado em uma empresa de calhas onde trabalhava.

Segundo a Polícia Militar, as operações de monitoramento e combate às organizações criminosas continuam em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

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