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Diálogo interceptado pela PF indica que Amamsul atua para engavetar denúncias contra juízes

"Mas a investigação lá tá há um tempão já no... no CNJ. A gente sabe porque eu fui da... da AMAMSUL, então a gente meio que é que segura, sabe?", afirmou juíza

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Além de ser uma espécie de clube de luxo, escola de formação e “sindicato” para defender os interesses dos juízes e desembargadores, a Amamsul (Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul) também poderia estar servindo para travar investigações contra seus integrantes, caso estas cheguem ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Pelo menos é isso que aponta diálogo interceptado pela Polícia Federal que nesta quinta-feira (24) resultou no afastamento de cinco desembargadores, um juiz e ainda mirou em dois desembargadores recém-aposentados. 

A suspeita de que a Amamsul atua pelo “engavetamento” das denúncias foi levantada em um diálogo entre a juíza  Kelly Gaspar Duarte Neves, de Aquidauana, e a servidora  Natacha Neves de Jonas Bastos, que era assessora do desembargador Júlio Roberto Siqueira no Tribunal de Justiça.

Em certo trecho do diálogo divulgado pelo Superior Tribunal de Justiça a magistrada afirma: “Do SIDENI também tem e... só que sempre pelos filhos, sabe? Sempre pelos filhos. Mas a investigação lá tá há um tempão já no... no CNJ. A gente sabe porque eu fui da... da AMAMSUL, então a gente meio que é que segura, sabe?” .

O diálogo foi interceptado pela Polícia Federal em fevereiro deste ano, dias depois do afastamento do desembargador Divoncir Maran, que ontem novamente foi alvo da operação que investiga a venda de sentenças. 

Ele foi afastado do cargo no dia 8 de fevereiro porque, segundo a denúncia, teria recebido propina para colocar em liberdade o megatraficante Gerson Palermo, um piloto de avião condenado a 126 anos de prisão por trafico de cocaína, entre outros crimes. 

Mas, apesar de se tratar de um grande e conhecido traficante, durante um feriadão de Tiradentes de 2020 ele foi colocado em liberdade, com uso de tornozeleira. No dia seguinte a decisão foi revista por outros desembargador, mas o Palermo havia sumido e nunca mais foi recapturado. 

A denúncia sobre a venda de sentença envolvendo Divoncir para libertar o traficante estava no CNJ fazia mais de três anos, levada para lá pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos, de Três Lagoas. Mesmo assim, seguia engavetada. Somente em setembro de 2023 o CNJ resolveu abrir investigação contra Divoncir. 

E, mesmo afastado, ele só prestou depoimento no dia 3 de abril de 2024, três dias antes de completar 75 e se aposentar. Ou seja, o Conselho Nacional de Justiça, criado justamente para moralizar o Judiciário brasileiro, deixou a denúncia engavetada até "caducar".

Agora, a juíza de Aquidauana, que foi Diretora de Interior da Amamsul, joga uma espécie de luz sobre aquilo que ocorre nos bastidores: “eu fui da... da AMAMSUL, então a gente meio que é que segura, sabe?”

Aqui, especificamente, ela já estava falando sobre supostas denúncias envolvendo o desembargador Sideni Soncini Pimentel, que foi afastado ontem. 

A juíza estava dando uma resposta aos questionamentos da servidora Natacha, que tentava entender por que as denúncias não andam no CNJ. “Kelly... Todo mundo lá em cima fala negócio de SIDENI, de rolo disso, daquilo, do povo... até do MARCÃO e tal. Todo mundo fala: “ai não sei como que o CNJ não pega, a Polícia Federal não pega”. Kelly, eu não sei, não... de verdade assim, lá em cima o povo acho que fica meio nas escuras disso aí”. 

Na operação desta quinta-feira, tanto Natacha quanto o desembargador Marcos Brito (Marcão), foram alvos. O magistrado é um dos cinco desembargadores afastados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) 

Juiz fora da curva

Em setembro do ano passado, durante audiência do CNJ na qual foi definida a abertura de investigação contra Divoncir Maran, seu advogado de defesa fez questão enfatizar que a abertura da investigação é fruto da “implicância do autor da denúncia, que fica insistindo”. 

Ele se referia ao juiz Rodrigo Pedrini Marcos, de Três Lagoas, autor das denúncias contra Divoncir levadas ao CNJ. Este juiz deixou claro que estava remando contra a maré promovida pela Amamsul e insistia na punição de colegas que supostamente cometeram crimes. 

Este mesmo juiz já havia sido autor das denúncias contra a desembargador Tânia Garcia Borges, que acabou sendo demitida pelo CNJ porque usou de sua influência para tirar seu filho da cadeia. Ele havia sido preso por tráfico de drogas e de munições. 

Outro indício de que a Amamsul é fundamental para proteger seus integrantes, mesmo que cometam irregularidades, é o fato de até hoje somente um magistrado ter sido demitido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Além de Tânica Borges, o único caso de magistrado demitido em Mato Grosso do Sul é Aldo Ferreira da Silva Júnior. Ele foi demitido por decisão do Tribunal de Justiça, mas até hoje tenta ser reintegrado.

Na investigação que veio a público nesta quinta-feira existe mais de uma dezena de páginas detalhando que ele, sua esposa e filhos dos desembargadores afastados agora dividiram em torno de R$ 5,3 milhões tomados de um aposentado do Rio de Janeiro em 2018.

Nota da Amamsul

A Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul) esclarece que não tem poderes para obstruir o andamento de procedimentos no CNJ ou em qualquer instância do Judiciário. O trecho de diálogo transcrito na investigação e utilizado na reportagem não comprova nenhuma relação indevida entre a associação e as pessoas apontadas como investigadas.

As atividades da Amamsul são realizadas dentro de suas atribuições institucionais, que envolvem a representação e a defesa legítima dos direitos de seus associados, por atos praticados no exercício da função em conformidade com a lei e as regras processuais vigentes.

Acidente

Vereador de MS sobrevive a acidente que matou dois carbonizados na MS-379

Colisão contra árvore seguida de incêndio matou dois ocupantes do veículo na rodovia entre Dourados e Panambi; parlamentar conseguiu escapar antes que as chamas consumissem o carro

21/06/2026 13h32

Foto: Divulgação

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Um grave acidente registrado na manhã deste domingo (21) na rodovia MS-379, entre Dourados e o distrito de Panambi, terminou com a morte de dois homens e deixou ferido o vereador de Douradina, Kaike Freire.

O veículo em que eles estavam saiu da pista, atingiu uma árvore e foi completamente destruído por um incêndio logo após a colisão.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar, a ocorrência foi atendida por volta das 6h20, em um trecho da rodovia marcado por intensa neblina no momento do acidente.

Quando as equipes de resgate chegaram ao local, encontraram um Toyota Corolla tomado pelas chamas às margens da pista.

As vítimas fatais foram identificadas como Paulo Ricardo Targino Chinaider, que conduzia o automóvel, e Gustavo Nascimento Ferreira. Os dois ficaram presos dentro do carro após o impacto e morreram carbonizados antes da chegada do socorro.

O único sobrevivente foi o vereador Kaike Freire, do município de Douradina. Conforme apurado, ele conseguiu deixar o veículo antes que o fogo se espalhasse por toda a estrutura.

O parlamentar foi resgatado pelos bombeiros e encaminhado ao Hospital da Vida, em Dourados. Até a publicação desta reportagem, não havia atualização oficial sobre seu estado de saúde.

Informações preliminares apontam que os três retornavam de um show realizado em Vicentina quando ocorreu o acidente.

Por razões que ainda serão esclarecidas pelas autoridades, o motorista teria perdido o controle da direção, fazendo com que o carro saísse da pista e colidisse violentamente contra uma árvore.

Após o impacto, o veículo incendiou rapidamente, dificultando qualquer tentativa de retirada dos ocupantes que permaneceram no interior do automóvel. A força da batida e a intensidade das chamas destruíram completamente o carro.

A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Civil e da Perícia Criminal. Os levantamentos iniciais realizados no local não indicaram a participação de outro veículo na ocorrência.

A investigação também busca esclarecer se fatores como a visibilidade reduzida provocada pela neblina podem ter contribuído para o acidente.

O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados como homicídio culposo na direção de veículo automotor. As circunstâncias da colisão seguem sob investigação.

Em nota, a Prefeitura de Douradina lamentou a morte de Paulo Ricardo e Gustavo Ferreira, manifestando solidariedade aos familiares e amigos das vítimas neste momento de luto.

Violência

Suspeito de tentativa de estupro morre após ser baleado por PM em MS

Homem de 24 anos teria avançado contra policiais com uma faca após denúncia de agressão e violência sexual; número de mortes por intervenção do Estado volta a acender debate sobre uso da força no Estado

21/06/2026 13h02

Foto: Divulgação

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A madrugada deste sábado (20) terminou com mais uma morte decorrente de intervenção policial em Mato Grosso do Sul. Tyego do Nascimento Barbosa Brito, de 24 anos, conhecido como "Lágrima", morreu após ser baleado durante uma abordagem da Polícia Militar em São Gabriel do Oeste.

Segundo informações apuradas, equipes da Polícia Militar foram acionadas após uma mulher de 45 anos denunciar ter sido vítima de agressões e de uma tentativa de estupro praticada por Tyego. Ao chegarem à residência indicada, os policiais afirmam que encontraram o suspeito em atitude hostil.

De acordo com a versão registrada pelos militares, Tyego não teria obedecido às ordens da equipe e, durante a abordagem, sacou uma faca e avançou em direção aos policiais. Diante da situação, um sargento efetuou um disparo para conter a suposta agressão.

O suspeito foi socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar do município, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada no hospital.

Denúncia de violência sexual

Conforme relato prestado pela vítima à polícia, o episódio teria começado quando Tyego foi até sua residência afirmando que o filho dela, usuário de drogas, estaria correndo risco de morte nas mãos de integrantes de uma facção criminosa.

Preocupada com a situação, a mulher decidiu acompanhar o suspeito até a casa dele. No local, porém, a situação teria tomado outro rumo.

Segundo o depoimento, Tyego teria passado a consumir drogas na presença da vítima, exibindo facas e um facão enquanto oferecia cocaína à mulher, que recusou a oferta. Em seguida, ela passou a questionar o paradeiro do filho e teria sido agredida com socos.

Ainda conforme o relato, o homem retirou as roupas da vítima e tentou violentá-la sexualmente. A mulher conseguiu escapar aproveitando um momento de distração do suspeito e acionou a Polícia Militar.

Histórico criminal

Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, Tyego possuía registros policiais em Mato Grosso do Sul por crimes como roubo, roubo majorado, furto, tráfico de drogas e receptação, conforme informações levantadas pelas forças de segurança.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar tanto a denúncia de violência sexual quanto as circunstâncias da intervenção policial que resultou na morte do suspeito.

Mortes em ações policiais crescem e reforçam debate sobre uso da força

A morte de Tyego eleva para 62 o número de pessoas mortas em decorrência de intervenção de agentes do Estado em Mato Grosso do Sul somente em 2026. O caso também marca a terceira morte registrada em menos de 24 horas envolvendo ações policiais no Estado.

Embora parte dessas ocorrências esteja relacionada a confrontos com suspeitos armados ou situações consideradas de risco pelos agentes, os números chamam atenção e mantêm aberto o debate sobre os protocolos de uso da força, a transparência das investigações e os mecanismos de controle das ações policiais.

Especialistas em segurança pública defendem que toda morte provocada por agentes do Estado seja submetida a apuração rigorosa e independente, justamente para assegurar que intervenções letais ocorram apenas em situações estritamente necessárias.

Enquanto isso, os indicadores seguem crescendo em Mato Grosso do Sul, colocando as mortes decorrentes de ações policiais entre os temas mais sensíveis da segurança pública estadual em 2026.

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