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PF faz perícia para confirmar se indígena foi vítima de 'fogo amigo'

Cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereço relacionado aos investigados resultou na apreesão total de seis aparelhos eletrônicos

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Nesta terça-feira (26) a Polícia Federal esteve em cumprimento de buscas e apreensões próximas ao município de Iguatemi, recolhendo celulares e realizando uma perícia para tentar confirmar a causa da morte de um indígena em 16 de novembro, se vítima de disparos de funcionários ou de "fogo amigo". 

Distante aproximadamente 412 quilômetros de Campo Grande, um indígena foi encontrado morto e teria sido assassinado com um tiro na nuca, como bem acompanha o Correio do Estado, após um ataque contra o grupo de povos originários que organizavam a retomada Pyelito Kue, na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I.

A PF voltou à região do município de Naviraí hoje (26) para tentar esclarecer a dinâmica dos fatos, bem como identificar todos os possíveis responsáveis pela agressão que, segundo relatos dos indígenas, teria começado durante a madrugada por pessoas ainda não identificadas. 

Para isso, houve o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, ordem judicial expedida pela Justiça Federal, em endereço relacionado aos investigados, ocasião em que foram apreendidos um total de seis aparelhos eletrônicos. 

Ainda conforme a Polícia Federal, agora, os dispositivos encontrados serão levados para uma perícia técnico-científica. 

Paralelo a isso, uma equipe especializada da PF ainda fez nova perícia no local do crime onde o corpo foi localizado, com emprego de "recursos tecnológicos" com intuito de identificar qualquer novo vestígio e coletar elementos complementares. 

Justamente essas informações servirão de base para detalhar o ocorrido, comprovando desde a trajetória dos disparos, posição das vítimas e as verdadeiras circunstâncias desse confronto. 

"Cabo de guerra" de narrativas

Na mesma data do ocorrido, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), na figura do vice-ministros desde janeiro de 2023, Eloy Terena, encaminhou um total de quatro ofícios voltados para as mais diversas autoridades, com a intenção de buscar esclarecimentos sobre o crime. 

Receberam ofícios nomes como o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto; o Diretor-Geral da Polícia Federal (DGPF), Andrei Augusto Passos Rodrigues, além dos responsáveis pela Pasta de Segurança Pública em MS. 

Em outras palavras, o MPI buscava saber se agentes de segurança pública do Estado de Mato Grosso Do Sul estariam envolvidos no ataque com vítima fatal. 

No dia seguinte, porém, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que o confronto em questão deixou dois mortos: Lucas Fernando da Silva, de 23 anos; e Vicente Fernandes Vilhalva, liderança indígena Guarani Kaiowá, de 36. 

Em complemento, conforme a Sejusp, a Polícia Militar teria identificado e detido o indígena Valdecir Alonso Brites, que seria suspeito do disparo que vitimou o rapaz de 36 anos.

Entenda

Ainda no começo de outubro, Guaranis e Kaiowás realizaram a retomada de uma área da Fazenda Cachoeira, sobreposta à Terra Indígena e próxima vizinha à aldeia de Pyelito Kue, que desde 2015 ocupa 100 hectares da Fazenda Cambará – também sobreposta à TI delimitada com 41,5 mil hectares, em 2013.

Conforme detalhado pelo secretário, essa TI em questão  trata-se de uma área de 41,5 mil hectares em disputa, sendo palco inclusive de uma segunda morte contabilizada pela polícia, de vítima ainda não identificada.

"Atualmente, a comunidade aguarda a finalização do processo demarcatório em uma área de aproximadamente 90 hectares. Ressalto, como já sabido, que esse território é historicamente marcado por intensos conflitos fundiários e por registros de ataques à comunidade indígena e seus integrantes", cita Eloy. 

Motivados também pelo enfrentamento ao uso irregular de agrotóxicos, que são despejados no solo por meio de pulverização de defensivos agrícolas, os povos originários já teriam sido vítimas de pelo menos quatro ataques à retomada que avançou  sobre parte do território ancestral incidente sobre a Fazenda Cachoeira. 

"O contexto de conflitos fundiários na região, vale mencionar que fazendeiros têm se utilizado de pistoleiros como forma de ameaça e efetiva violência contra os indígenas especialmente quando o judiciário não dá lastro para reintegração de posse", complementa Eloy. 

Ele frisa que no caso dessa comunidade de Pyelito Kue, atualmente não há decisão judicial que embase uso da força estatal para qualquer tipo de medida de reintegração", levantada assim a possibilidade de que pistoleiros tenham ido ao local a mando de terceiros para, mais uma vez, fazer com que os indígenas saíssem do território ancestral delimitado desde 2013. 

"No caso do assassinato ocorrido em 16/11/2025, segundo informações preliminares de servidores da FUNAI e do MPI, além da escuta de membros da comunidade, o ataque à comunidade se iniciou logo pela madrugada do domingo (por volta das 04h), de maneira que é possível ouvir uma série de disparos, entre armas de fogo e rojões (fogos de artifício), o que posteriormente se confirma com a lesão aos indígenas". 

 

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águas de fevereiro

Volume de chuva em Campo Grande em fevereiro deste ano é quase o dobro do ano passado

Faltando 6 dias para o mês acabar, a média estimada do volume de chuva para fevereiro já foi alcançado com folga

22/02/2026 16h00

O mês pode se tornar o mais chuvoso dos últimos dez anos

O mês pode se tornar o mais chuvoso dos últimos dez anos FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A chuvarada em Campo Grande e em diversos municípios de Mato Grosso do Sul no mês de fevereiro já é considerada a maior em, pelo menos, três anos. 

Na Capital, o volume de chuva registrado neste mês já é quase o equivalente ao dobro do volume observado no mesmo mês de 2025. 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até hoje (22), já choveu 228,6 milímetros em Campo Grande, frente a 116,8 milímetros em fevereiro do ano passado, uma diferença de 111,8 milímetros. 

O volume de chuvas já ultrapassou com folga a média esperada para todo o mês na cidade, que era de 180 milímetros. Esse volume foi alcançado no dia 19 de fevereiro, faltando ainda 9 dias para o mês terminar. 

Com o Estado em alerta para chuvas intensas até, pelo menos, o final desta segunda-feira (23), fevereiro deste ano caminha para bater a marca de fevereiro de 2023, quando choveu 242,2 milímetros ao longo do mês. 

O mês já é o mais chuvoso dos últimos três anos e, se a previsão do tempo se confirmar para a última semana do mês, há a possibilidade de que este seja um dos fevereiros mais chuvosos dos últimos 10 anos, posto ocupado pelo mês de 2019, quando o acumulado no período foi de 251,4 milímetros. 

Os alertas emitidos pelo Inmet para todos os municípios do Estado avisam sobre o risco de acumulados de chuva de até 50 milímetros no dia, acompanhados de ventos intensos, podendo chegar a 60 km/h. Há risco de alagamentos, quedas de galhos e descargas elétricas. 

No início da tarde deste domingo (22), uma chuva rápida em várias regiões de Campo Grande já foi suficiente para formação de enxurradas e lamaçal. 

No bairro Nova Lima, região Norte da cidade, crianças e adolescentes foram vistas brincando na enxurrada na rua Jerônimo de Albuquerque. 

Já no Portal Caiobá 2, na Rua Velia Berti de Souza, que não possui asfalto, moradores ficaram ilhados devido ao acúmulo de água na via. 

"A situação é recorrente e causa transtornos, risco de acidentes e sensação de abandono, já que a infraestrutura [asfalto] chegou nas ruas ao redor, mas aqui não", relatou um morador. 

La Niña

Atualmente, o clima brasileiro está sob influência do fenômeno La Niña, quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se resfriam de forma anormal, favorecendo chuvas irregulares e volumosas especialmente na região Centro-Oeste.

Normalmente, o fenômeno deixa de atuar no mês de abril, contribuindo para o retorno de períodos de seca. 

Para a meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima em Mato Grosso do Sul (Cemtec), Valesca Fernandes, no segundo semestre, o Estado deve ser impactado por outro fenômeno, o El Niño, responsável pelo aumento das temperaturas. 

"Sobre o El Niño, ele tem um impacto indireto aqui no Estado [em relação às chuvas]. Porém, quando ele atua aqui no Estado, ele impacta na temperatura, favorecendo a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média. Há uma previsão do possível desenvolvimento do El Niño no trimestre de julho, agosto, setembro", afirmou. 

O El Niño foi um dos responsáveis pela formação dos incêndios descontrolados no Pantanal, principalmente no ano de 2024, época em que Mato Grosso do Sul estava sob influência do fenômeno. 


 

Oportunidade

Inscrições para concurso para diplomata com salário de R$22,5 mil vão até quarta-feira

As provas serão aplicadas em duas fases, sendo a primeira em todas as capitais do País, inclusive Campo Grande

22/02/2026 14h30

Os 60 aprovados atuarão em Brasília, no Palácio Itamaraty

Os 60 aprovados atuarão em Brasília, no Palácio Itamaraty Divulgação

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O Ministério das Relações Exteriores (MRE) abriu um concurso para o cargo de diplomata com 60 vagas e salário inicial de R$ 22.558,56. Pela primeira vez, duas vagas estão reservadas a candidatos indígenas. 

A seleção terá duas fases e as provas da primeira fase serão aplicadas em todas as capitais do Brasil, inclusive Campo Grande. 

Os interessados na seletiva devem fazer sua inscrição pelo site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca organizadora do processo seletivo, até a próxima quarta-feira (25) às 17 horas (horário de MS). 

Das 60 vagas, três são destinadas à pessoas com deficiência, 15 são para candidatos pretos e pardos, uma para quilombola e duas para indígenas. As demais são para a ampla concorrência. 

Para participar do concurso, não é exigido formação específica. Porém, o candidato deve possuir algum diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação. 

Fases

A primeira fase do concurso é composta por uma prova objetiva no modelo certo ou errado, com questões de Língua Portuguesa, Inglês, História do Brasil, História Mundial, Geografia, Direito e Política Internacional.

A segunda fase terá provas escritas das mesmas matérias e de um idioma adicional, podendo ser espanhol ou francês. 

A primeira fase terá provas aplicadas em todas as capitais do País e no Distrito Federal. Já na segunda fase, a prova será realizada nas capitais estaduais e no Distrito Federal, desde que hajam candidatos aprovados na primeira fase nessas cidades. 

Para concorrer às vagas reservas, o candidato deve se autodeclarar no momento da inscrição. Será realizada verificação documental por uma comissão no caso de candidatos indígenas e quilombolas. 

O valor da taxa de inscrição é de R$ 229 e os candidatos doadores de medula óssea e inscritos no CadÚnico podem solicitar a isenção. 

Cronograma

  • Inscrições e solicitação da isenção de taxa: 4 a 25 de fevereiro
  • Data final para o pagamento da taxa de inscrição: 13 de março
  • Consulta aos locais da prova objetiva da Primeira Fase: 20 de março
  • Aplicação da prova objetiva da Primeira Fase: 29 de março em dois turnos (manhã e tarde)
  • Resultado final e convocação para a Segunda Fase: 17 de abril
  • Aplicação da prova escrita:
  • 25 de abril: Língua Portuguesa (manhã) e História do Brasil (tarde)
  • 26 de abril: Língua Inglesa (manhã) e Geografia (tarde)
  • 2 de maio: Política Internacional (manhã) e Economia (tarde)
  • 3 de maio: Direito (manhã) e Língua Espanhola ou Língua Francesa (tarde)
  • Resultado final da Segunda Fase: 3 de junho
  • Resultado final do concurso e homologação: 1º de julho

Os aprovados ingressarão no cargo de Terceiro Secretário, classe inicial da carreira de Diplomata e farão parte do Curso de Formação do Instituto Rio Branco, etapa obrigatória para a confirmação no cargo. 

Entre as principais responsabilidades da função estão a representação, negociação e defesa dos interesses do Brasil no exterior. 
 

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