Balanço da Motiva, divulgado nesta quarta-feira (29), revela recuo de 2,6% no movimento e prejuízo de R$ 1 milhão no primeiro trimestre
Depois de contabilizar lucro líquido de R$ 21,1 milhões no primeiro trimestre do ano passado, a concessionária Motiva Pantanal fechou os primeiros três meses de 2026 com prejuízo de R$ 1 milhão, conforme balanço do grupo Motiva publicado nesta quarta-feira (29).
O prejuízo foi anunciado às vésperas do provável tarifaço que deve ocorrer depois da relicitação, concluída em leilão da B3 em maio do ano passado.
Uma das explicações para o resultado ruim deste primeiro trimestre é a queda de 2,6% no número de veículos que passaram nas nove praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões de veículos (eixos).
Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões. Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
Esta queda, segundo os dados do balanço do grupo Motiva, poderia ter sido compensada pelo reajuse de 5,53% nas tarifas em meados de junho de 2025. Mas, a partir de agosto, todos os motoristas que utilizam TAG para cobrança automática da tarifa têm direito a 5% de desconto, que entrou em vigor depois da assinatura do contrato de repactuação.
E por conta deste novo contrato, assinado em agosto, a concessionária retomou os investimentos na principal rodovia de Mato Grosso do Sul, que estavam suspensos havia quase dez anos. Somente no primeiro trimestre foram R$ 119 milhões.
Eles começaram em julho do ano passado e em meados de abril foi liberado um trecho de quase dois quilômetros de terceira faixa, próximo da divisa com o Paraná, na altura dos quilômetros 7 e 10. O novo contrato prevê ao menos 147 quilômetros de faixa adicional.
No balanço trimestral a Motiva informa que ao longo do primeiro trimestre fez 160 obras de melhorias, em equipamentos e no ativo financeiro. Próximo Naviraí, Campo Grande, Bandeirantes, Jaraguari e Coxim estão em andamento obras de duplicação. O contrato prevê que pelo menos 203 quilômetros terão de ser duplicatos. Atualmente, cerca de 150 quilômetros contam com esta benfeitoria.
Até o começo do ano passado os prejuízos faziam parte da rotina dos balanços da CCR MSVia (atualmente Motiva Pantanal). A principal explicação era que desde meados de 2021 a empresa contabilizava apenas 47,3% daquilo que faturava. O restante era depositado em uma conta separada.
Mas, a partir de dezembro de 2024 passou a ser contabilizado o faturamento real daquilo que era arrecadado nos pedágios e durante todo o ano passado a empresa noticiou lucro liquido de R$ 558,2 milhões. Nos 12 meses de 2024 a empresa reportou aos seus acionista um prejuízo de R$ 376,5 milhões.
PROVÁVEL TARIFAÇO
Mas, o novo contrato prevê que em meados deste ano ocorra uma espécie de tarifaço na cobrança do pedágio, que hoje está na casa dos R$ 8,20 a cada 100 quilômetros. o contrato de repactuação, assinado em agosto do ano passado, diz que a tarifa poderá dobrar depois que estiveram concluídos os principais investimentos, como duplicações e instalação de terceira faixa.
Porém, um tereço des percentual poderá ser aplicado já após o primeiro ano do novo contrato. Além disso, a concessionária terá direito à correção anual das tarifas, da ordem de 4,5%. Então, se a empresa tiver feito os investimentos previstos no contrato, o reajuste pode ser da ordem de 35% e o usuário passará a ser obrigado a desembolsar quase R$ 12,00 a cada cem quilômetros.