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Plantas aquáticas do Mimoso atrapalham irrigação de lavouras

Vertedouro da usina foi aberto há quase um mês, mas até agora menos da metade das plantas foi despachada rio abaixo

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Quase um mês depois de fazer o anúncio de que começou a despachar plantas aquáticas por um vertedouro na hidrelétrica de Mimoso, no Rio Pardo, o lago de 1,5 mil hectares continua longe de ficar livre da infestação. 

Imagens enviadas ao Correio do Estado nesta segunda-feira (24) mostram que boa parte do lago continua coberta pela vegetação e por conta disso produtores estão tendo dificuldades inclusive de fazer a captação da água para atividades de irrigação de plantações. 

O problema, conforme um produtor, é que a vegetação provoca o entupimento das bombas submersas que fazem a captação da água. Nesta segunda-feira, segundo ele, foi a segunda vez que foi forçado a retirar uma das bombas da água para fazer a limpeza.

Em vídeo enviado ao Correio do Estado ele enfatiza que historicamente a água do lago era livre das plantas.

 

 

A proliferação das plantas aquáticas está chamando atenção desde fevereiro e é decorrente do excesso de material orgânico, que serve de alimento para o crescimento da vegetação. Até agora, porém, não existe explicação oficial para o fenômeno. Então, mesmo que o vertimento ocorra, elas voltarão a crescer.

Conforme o secretário de meio ambiente, Jaime Verruck, o problema é decorrente da escassez de chuvas ao longo dos últimos meses. De acordo com ele, o surgimento repentino da vegetação não tem elo com o despejo diário de cerca de 180 milhões de litros de rejeitos pela fábrica de celulose da Suzano, que fica a cerca de 40 quilômetros acima da barragem da hidrelétrica. 

Os despejos começaram em julho ano ano passado, quando foi ativada a fábrica com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano. A empresa alega que faz o tratamento dos rejeitos de acordo com aquilo que determina a legislação ambiental. 

Conforme nota enviada ao Correio do Estado nesta segunda-feira (24) pela Elera Renováveis, proprietária da hidrelétrica,  quase metade da vegetação já foi despachada.

"Desde o início do vertimento faseado, em 28 de outubro, foi observada redução gradual das macrófitas aquáticas nas últimas semanas. A área de cobertura dessas plantas no lago passou de aproximadamente 23% para 11%, indicando avanço do processo de eliminação natural induzido pelo aumento controlado do fluxo de água e do processo de vertimento controlado". 

A legislação permite que a vegetação cubra,  no máximo, 25% do lago. Este percentual, apesar das denúncias de proprietários rurais e de casas de campo espalhadas ao longo do lago, não chegou a ser atingido, segundo a Elera. Atualmente, se as informações da Elera estiveram corretas, apenas 165 dos 1.540 mil hectares estariam tomados pela vegetação.

A controladora diz, ainda, que "a presença remanescente de plantas está concentrada principalmente nas margens, onde a circulação é menos intensa e a dispersão tende a ocorrer de forma mais lenta — o que pode manter, por algum período, a percepção de acúmulo em pontos específicos do reservatório".

Ainda de acordo com a Elera, "o procedimento continua em andamento e as etapas finais do vertimento dependem de condições climáticas e hidrológicas adequadas para garantir segurança e efetividade do processo. A empresa permanece acompanhando a situação de perto e adotará as medidas necessárias até a normalização do lago".

Antes de despachar parte da vegetação rio abaixo, a concessionária "aprisionou" parte das plantas na foz do Ribeirão Serrote e fez a retirada manual em alguns trechos. Com isso, segundo informou, conseguiu evitar que mais de 25% do lago fosse coberto pelas plantas flutuantes. 

MISTÉRIO

Indagada sobre um possível elo entre a ativação da fábrica de celulose com repentida proliferação das plantas no lago que existe há 54 anos, a Alera foi evasiva. 

"A presença das macrófitas, principalmente as fixas, é natural em sistemas aquáticos e pode trazer benefícios ao ecossistema, como abrigo e alimentação para fauna aquática. O que se observa atualmente na UHE Assis Chateaubriand é o acúmulo significativo de espécies flutuantes", limitou-se a informar a empresa em nota enviada ao Correio do Estado em outubro.

A Elera, gigante do setor de energia, não explicita um possível confronto com a Suzano, gigante da produção de celulose, ou com quem quer que esteja provocando o repentino fenômeno.  Mas, a controladora da hidrelétrica não esconde que o excesso de plantas se transformou em um problema.  

"Embora a situação esteja sob controle, o acúmulo de macrófitas flutuantes tem gerado impactos operacionais. Algumas plantas ultrapassam as grades de proteção e alcançam o sistema de captação da usina, exigindo limpezas frequentes nos filtros para garantir o pleno funcionamento das turbinas", informou a assessoria da hidrelétrica. 

A usina de Mimoso, que está sob a concessão da Elera até 2029, foi criada em 1971. Segundo fazendeiros e proprietários de casas de campo que ocupam suas margens faz décadas, esta é a primeira vez que o fenômeno ocorre no lago, historicamente utilizado para esportes aquáticos e pescarias, que atualmente estão praticamente suspensos. 

A represa fica a cerca de 40 quilômetros rio abaixo do local onde está a fábrica de celulose.Toda a água utilizada pela fábrica é retirada do rio e os rejeitos são novamente despejados no leito.

A estação de tratamento de esgoto da fábrica tem capacidade para o tratamento de 9,5 mil metros cúbicos de esgoto por hora (9,5 milhões de litros). Ou seja, diariamente a fábrica capta em torno de 200 milhões de litros de água e 90% disso é devolvido para o rio depois do processo de branqueamento da fibra de madeira..

O volume de água equivale a cerca de 80% de toda a água tratada distribuída em Campo Grande. Quer dizer, a fábrica da Suzano produz quase o mesmo tanto de esgoto que todos os 900 mil habitantes de Campo Grande. 

PROMESSA

Na concessão do licenciamento, a empresa se comprometeu a tratar os efluentes para evitar contaminação da água. A própria empresa garante que faz a captação abaixo do local onde ocorre o despejo dos dejetos para demonstrar que estes rejeitos estão corretamente filtrados e purificados antes de serem despejados no Rio Pardo.

Técnicos do Imasul que percorreram ranchos e fazendas da região relataram aos moradores que não descartaram a possibilidade de as plantas serem uma consequência do despejo deste esgoto da fábrica, já que ele é rico em nutrientes (principalmente fósforo) que facilitam o crescimento destas plantas. 

Porém, segundo os proprietários, estes mesmos técnicos também destacaram que o rápido assoreamento do lago, que não tem qualquer elo com a fábrica da Suzano, pode ser outro fator determinante que pode estar causando o fenômeno da proliferação acelerada das plantas. 

Ao todo, o lago tem 37 quilômetros de extensão e tem capacidade para represar 71,6 bilhões de litros de água, conforme previsão feita à época da inauguração da Usina MImoso, em 1971. Por conta do assoreamento, porém, este volume de água é bem menor atualmente. 

 

águas de fevereiro

Volume de chuva em Campo Grande em fevereiro deste ano é quase o dobro do ano passado

Faltando 6 dias para o mês acabar, a média estimada do volume de chuva para fevereiro já foi alcançado com folga

22/02/2026 16h00

O mês pode se tornar o mais chuvoso dos últimos dez anos

O mês pode se tornar o mais chuvoso dos últimos dez anos FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A chuvarada em Campo Grande e em diversos municípios de Mato Grosso do Sul no mês de fevereiro já é considerada a maior em, pelo menos, três anos. 

Na Capital, o volume de chuva registrado neste mês já é quase o equivalente ao dobro do volume observado no mesmo mês de 2025. 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até hoje (22), já choveu 228,6 milímetros em Campo Grande, frente a 116,8 milímetros em fevereiro do ano passado, uma diferença de 111,8 milímetros. 

O volume de chuvas já ultrapassou com folga a média esperada para todo o mês na cidade, que era de 180 milímetros. Esse volume foi alcançado no dia 19 de fevereiro, faltando ainda 9 dias para o mês terminar. 

Com o Estado em alerta para chuvas intensas até, pelo menos, o final desta segunda-feira (23), fevereiro deste ano caminha para bater a marca de fevereiro de 2023, quando choveu 242,2 milímetros ao longo do mês. 

O mês já é o mais chuvoso dos últimos três anos e, se a previsão do tempo se confirmar para a última semana do mês, há a possibilidade de que este seja um dos fevereiros mais chuvosos dos últimos 10 anos, posto ocupado pelo mês de 2019, quando o acumulado no período foi de 251,4 milímetros. 

Os alertas emitidos pelo Inmet para todos os municípios do Estado avisam sobre o risco de acumulados de chuva de até 50 milímetros no dia, acompanhados de ventos intensos, podendo chegar a 60 km/h. Há risco de alagamentos, quedas de galhos e descargas elétricas. 

No início da tarde deste domingo (22), uma chuva rápida em várias regiões de Campo Grande já foi suficiente para formação de enxurradas e lamaçal. 

No bairro Nova Lima, região Norte da cidade, crianças e adolescentes foram vistas brincando na enxurrada na rua Jerônimo de Albuquerque. 

Já no Portal Caiobá 2, na Rua Velia Berti de Souza, que não possui asfalto, moradores ficaram ilhados devido ao acúmulo de água na via. 

"A situação é recorrente e causa transtornos, risco de acidentes e sensação de abandono, já que a infraestrutura [asfalto] chegou nas ruas ao redor, mas aqui não", relatou um morador. 

La Niña

Atualmente, o clima brasileiro está sob influência do fenômeno La Niña, quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se resfriam de forma anormal, favorecendo chuvas irregulares e volumosas especialmente na região Centro-Oeste.

Normalmente, o fenômeno deixa de atuar no mês de abril, contribuindo para o retorno de períodos de seca. 

Para a meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima em Mato Grosso do Sul (Cemtec), Valesca Fernandes, no segundo semestre, o Estado deve ser impactado por outro fenômeno, o El Niño, responsável pelo aumento das temperaturas. 

"Sobre o El Niño, ele tem um impacto indireto aqui no Estado [em relação às chuvas]. Porém, quando ele atua aqui no Estado, ele impacta na temperatura, favorecendo a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média. Há uma previsão do possível desenvolvimento do El Niño no trimestre de julho, agosto, setembro", afirmou. 

O El Niño foi um dos responsáveis pela formação dos incêndios descontrolados no Pantanal, principalmente no ano de 2024, época em que Mato Grosso do Sul estava sob influência do fenômeno. 


 

Oportunidade

Inscrições para concurso para diplomata com salário de R$22,5 mil vão até quarta-feira

As provas serão aplicadas em duas fases, sendo a primeira em todas as capitais do País, inclusive Campo Grande

22/02/2026 14h30

Os 60 aprovados atuarão em Brasília, no Palácio Itamaraty

Os 60 aprovados atuarão em Brasília, no Palácio Itamaraty Divulgação

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O Ministério das Relações Exteriores (MRE) abriu um concurso para o cargo de diplomata com 60 vagas e salário inicial de R$ 22.558,56. Pela primeira vez, duas vagas estão reservadas a candidatos indígenas. 

A seleção terá duas fases e as provas da primeira fase serão aplicadas em todas as capitais do Brasil, inclusive Campo Grande. 

Os interessados na seletiva devem fazer sua inscrição pelo site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca organizadora do processo seletivo, até a próxima quarta-feira (25) às 17 horas (horário de MS). 

Das 60 vagas, três são destinadas à pessoas com deficiência, 15 são para candidatos pretos e pardos, uma para quilombola e duas para indígenas. As demais são para a ampla concorrência. 

Para participar do concurso, não é exigido formação específica. Porém, o candidato deve possuir algum diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação. 

Fases

A primeira fase do concurso é composta por uma prova objetiva no modelo certo ou errado, com questões de Língua Portuguesa, Inglês, História do Brasil, História Mundial, Geografia, Direito e Política Internacional.

A segunda fase terá provas escritas das mesmas matérias e de um idioma adicional, podendo ser espanhol ou francês. 

A primeira fase terá provas aplicadas em todas as capitais do País e no Distrito Federal. Já na segunda fase, a prova será realizada nas capitais estaduais e no Distrito Federal, desde que hajam candidatos aprovados na primeira fase nessas cidades. 

Para concorrer às vagas reservas, o candidato deve se autodeclarar no momento da inscrição. Será realizada verificação documental por uma comissão no caso de candidatos indígenas e quilombolas. 

O valor da taxa de inscrição é de R$ 229 e os candidatos doadores de medula óssea e inscritos no CadÚnico podem solicitar a isenção. 

Cronograma

  • Inscrições e solicitação da isenção de taxa: 4 a 25 de fevereiro
  • Data final para o pagamento da taxa de inscrição: 13 de março
  • Consulta aos locais da prova objetiva da Primeira Fase: 20 de março
  • Aplicação da prova objetiva da Primeira Fase: 29 de março em dois turnos (manhã e tarde)
  • Resultado final e convocação para a Segunda Fase: 17 de abril
  • Aplicação da prova escrita:
  • 25 de abril: Língua Portuguesa (manhã) e História do Brasil (tarde)
  • 26 de abril: Língua Inglesa (manhã) e Geografia (tarde)
  • 2 de maio: Política Internacional (manhã) e Economia (tarde)
  • 3 de maio: Direito (manhã) e Língua Espanhola ou Língua Francesa (tarde)
  • Resultado final da Segunda Fase: 3 de junho
  • Resultado final do concurso e homologação: 1º de julho

Os aprovados ingressarão no cargo de Terceiro Secretário, classe inicial da carreira de Diplomata e farão parte do Curso de Formação do Instituto Rio Branco, etapa obrigatória para a confirmação no cargo. 

Entre as principais responsabilidades da função estão a representação, negociação e defesa dos interesses do Brasil no exterior. 
 

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