Depois de declarar guerra contra as farras nas conveniências e deflagrar operação para devolver sossego e tranquilidade à população, a Polícia Militar estendeu os trabalhos para os finais de feiras noturnas, que passaram a reunir baderneiros que tiram o sono dos moradores em diferentes regiões da cidade.
A feira livre do Bairro Alves Pereira, na região da saída para São Paulo, é um exemplo desse problema. Por conta disso, e diante das constantes reclamações de famílias residentes das imediações, no final da noite de sexta-feira e primeiros minutos de ontem, a PM decidiu intervir no local, dispersando perto de 200 pessoas que passam a madrugada ingerindo bebida alcoólica e dançando funk. O Bairro Coophavila II, na região da saída para Sidrolândia, também enfrenta o mesmo problema.
Ampliação
Na sexta-feira, o fato de a Operação Tranquilidade Pública, da PM, ter reduzido a presença de baderneiros nas proximidades de conveniências localizadas na região sul da Capital, possibilitou que militares estendessem o trabalho de fiscalização para finais de feira.
Policiais do 10º Batalhão, Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe) e Companhia Independente de Polícia Militar de Trânsito (Ciptran) dispersaram centenas de pessoas que promoviam farra no Alves Pereira.
Enquanto fiscalizavam conveniências, os militares voltaram a receber denúncias de moradores e foram até o cruzamento das ruas Waldemar Writh e Francisco Aguiar Pimenta, onde funciona uma feira livre todas as sextas-feiras. Ao chegar no local, o efetivo se deparou com mais de 200 pessoas ouvindo música em volume estridente, adolescentes consumindo álcool, dançando com roupas provocantes e criança de colo – acompanhantes das mães que buscavam diversão.
Moradores garantiram que homens armados conseguiram fugir ao perceber a presença da polícia. Momentos antes da chegada dos militares, jovens faziam manobras perigosas em motocicletas e até briga aconteceu no final da feira. Cerca de 100 pessoas foram revistadas. Uma faca e um soco inglês foram abandonados e apreendidos.
Aplausos
Muitos moradores que presenciaram a operação no Alves Pereira aplaudiram a chegada dos militares. Testemunhas, que não quiseram se identificar por medida de segurança, denunciaram que toda sexta-feira os baderneiros fecham a rua para dançar funk. “Para fazer a feira a gente tem que chegar cedo porque depois eles tomam conta da rua. As meninas de short curto se abaixam no asfalto e os homem ficam em cima delas. Carro de som é um mais alto que o outro e a conveniência vende bebida para menor. Esse ano a bagunça está demais e eles desafiam a polícia, mas isso tem que acabar”, reclamou uma moradora.
Ainda de acordo com as famílias, as mulheres levam bebês em carrinhos e se dividem entre cuidar do filho e dançar funk. A farra costuma avançar a madrugada de sábado e vizinhos garantem que chegam a decorar letras de tanto ouvir as músicas de apelação sexual.
“Quando acaba a feira eles ficam gritando na rua e batendo nos portões, parecem uns selvagens. E o que fica de camisinha na rua no dia seguinte? Eles transformam um terreno baldio que tem aqui em motel e escondem droga e arma”, garantiu outra moradora, que já denunciou a situação no Conselho Tutelar e no Disque 100.
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