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Abandono

Polícia deve enquadrar pais de crianças envolvidas em acidente

Bebê de 4 meses caiu de prédio e está hospitalizado; delegada classificou incidente como uma tragédia e alertou a sociedade para o abandono parental

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O acidente envolvendo a queda de um bebê de 4 meses do terceiro andar de um prédio residencial é descrito como tragédia familiar pela delegada Nelly Macedo, responsável pelo caso, alertando para o possível caso de abandono paterno. 

O pai e a mãe do bebê, que chegou a ser presa, devem ser enquadrados no crime de abandono material. 
Álfio Leão, advogado, prontificou-se para defender a jovem de 23 anos, que não tem condições financeiras de pagamento pela defesa. De acordo com o advogado, ela havia deixado o apartamento por cerca de 15 minutos para realizar o pagamento de um empréstimo que fez com uma conhecida, para comprar comida para os filhos, deixando o bebê de 4 meses dormindo, as janelas fechadas e as demais crianças alimentadas. 

Na noite de terça-feira, durante a ausência da mãe, o bebê teria acordado, e a irmã mais velha, uma criança de 7 anos, teria segurado a recém-nascida e levado-a para perto da janela, tentando acalmá-la, quando ocorreu o acidente. 

O bebê foi levado para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), chegando lá inconsciente e em estado grave, precisando de intubação. Após o primeiro atendimento, foi levado à Santa Casa de Campo Grande, onde foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). 

A mãe das crianças foi presa e, na manhã de ontem, passou por audiência de custódia, quando foi solta. Ela também prestou depoimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), mas não quis falar com a imprensa, estando visivelmente abalada com o ocorrido. 

O advogado relatou que o bebê não sofre mais risco de morrer. Logo após prestar depoimento, a responsável ligou para a avó das crianças, que veio de Ponta Porã para a Capital para auxiliar a filha a lidar com esta situação dramática. O advogado informou que ela saiu da delegacia e foi para a Santa Casa ver a filha e que, depois, buscaria os outros dois filhos, que foram encaminhados a um abrigo do Conselho Tutelar. 

“É uma questão social, não é uma questão de abandono, não é uma questão de desprezo. Durante o dia de ontem eu recebi várias mensagens, ligações de vizinhos, elogiando a conduta dela como uma boa mãe, como uma boa cuidadora. Foi uma fatalidade”, pontuou o advogado da jovem. 

Álfio Leão também relatou que vai entrar com pedido de pensão alimentícia, já que os pais das crianças não prestam apoio financeiro e nem alimentício aos filhos. Além disso, vai entrar ainda com pedido de auxílio governamental para a mãe das crianças. 

A delegada responsável pelo caso informou que foi levantado que a mãe das crianças não tinha rede de apoio e deixava os filhos no período da noite, quando ia trabalhar, com uma babá, que relatou ser uma vizinha do mesmo prédio. 

SEM PENSÃO

Por estar de licença-maternidade, estava cuidando dos filhos sem auxílio, mas já havia entrado em contato com uma outra babá, já que retornaria em breve ao trabalho. As três crianças filhas de pais diferentes, e os três homens serão responsabilizados pela ausência no cuidado dos menores de idade. 

“Os pais biológicos das crianças, [são] completamente ausentes, inclusive materialmente. Vão responder também por abandono material, por não estarem ajudando essa mãe a arcar não só com a criação, mas financeiramente com os filhos. Ficou muito caracterizada a sobrecarga dessa mulher, como a de várias outras mães. Não há dúvida de que há o erro de ter deixado as crianças sozinhas, mas, principalmente, a sobrecarga que muitas mulheres passam”, comentou a delegada. 

Mesmo sendo notificada a falta de apoio paterno à mãe das crianças, que não tem família na Capital, tendo apenas uma mãe afetiva que mora longe, a responsável foi indiciada por abandono de incapaz, com agravante de lesão corporal. Os pais responderão por abandono material dos filhos. 

A delegada informa ainda que vizinhos e policiais que atenderam à ocorrência foram ouvidos logo no início, durante a realização do flagrante. Outros vizinhos e os pais também serão ouvidos. 

“No primeiro momento já está caracterizado abandono material, porque eles não têm pagado a pensão que ela precisa para cuidar dos filhos, e nós vamos ver o nexo da ausência deles, da omissão deles com tudo que aconteceu e ver se há a responsabilização também por serem omissos e ausentes da vida dos filhos”, acrescentou Nelly Macedo a respeito das próximas ações do caso. 

O PAI 

O pai do bebê, após o ocorrido, procurou a advogada Gleiciane Rodrigues de Arruda para inserir seu nome no registro da criança. A representante do responsável informa que ele esteve todo esse tempo com a filha no hospital e tem um bom relacionamento com a mãe da criança. 

Segundo Gleiciane Rodrigues, o pai não registrou a filha pois a mãe foi para Ponta Porã para ter o bebê perto da família e, depois do retorno dela a Campo Grande, não conseguiram conciliar um horário para fazer a mudança. 

“Não foi por renegar, por não reconhecer a paternidade”, pontuou a advogada, que relatou ainda que o pai paga cerca de R$ 450 de pensão, o que é um valor acima de sua capacidade financeira, já que ele recebe um salário mínimo. O acordo com a mãe não é formal, em razão do bom relacionamento deles. 

A advogada também vai formalizar a pensão paga pelo pai do bebê, que, segundo ela, tem os comprovantes de pagamento do auxílio, pago desde a gravidez da jovem. Ele também buscará ter a guarda da criança, que é sua única filha. 

ESCOLA 

A respeito das denúncias no Conselho Tutelar, de que a criança de 7 anos não estaria frequentando a escola, o advogado alegou que a mãe tentou mudar a filha de turno, o que ficaria melhor para conciliar com seus horários de trabalho, mas não obteve êxito. 

Ele também informou que entrou com pedido não só da mudança de turno da criança de 7 anos, mas também de uma vaga na creche para a criança de 5 anos. 

16 mil crianças sem o nome do pai em MS

No Brasil, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, há mais de 11 milhões de crianças criadas por mães solo. Em MS, 16 mil crianças foram registradas sem o nome do pai nos últimos cinco anos.

julgamento

Conversas de Major Carvalho expuseram como funcionava rede de tráfico de drogas

Julgamento do Pablo Escobar Brasileiro e outros 30 acusados chegou ao terceiro dia na Bélgica

09/09/2026 18h52

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho Foto: VRT News

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No terceiro dia de julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sergio Roberto de Carvalho na Bélgica, o Ministério Público Federal daquele país mostrou como foi possível descobrir detalhes sobre o último carregamento de cocaína enviado do Brasil para a Europa pertencente a organização criminosa. A interceptação de mensagens entre o ex-policial foi fundamental para isso acontecer.

Segundo o Ministério Público Federal da Bélgica, foi graças a mensagens obtidas através da criptografia do serviço de mensagens EncroChat que os investigadores conseguiram reconstruir integralmente o último carregamento de cocaína da organização.

Matéria de sites belgas apontam que a magistrada federal Marianne Capelle analisou hora a hora  das mensagens trocadas pelos suspeitos, entre eles o ex-major Carvalho, no período entre o final de março de 2020 e o começo de abril do mesmo ano. 

“Sergio Roberto de Carvalho, o fornecedor da cocaína, envia então fotos dos contêineres onde a cocaína está escondida, bem como fotos dos números dos contêineres e dos lacres, e inclui uma lista detalhada dos contêineres que de fato contêm cocaína e dos demais que contêm apenas minério de manganês”, revelou o Ministério Público da Bélgica ontem, no julgamento.

Essas informações teria sido mandadas para celular de membros da organização criminosa gerida por Flor Bressers, tratado com um dos cabeças da quadrilha. 

A remessa chegou neste período das mensagens trocadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, onde foi interceptada pela alfândega e pela polícia do país.

Ainda segundo apurou o Minitério Público Federal, foi identificado por meio dessas mensagens, “uma considerável inquietação dentro da organização criminosa quando os contêineres inicialmente não foram liberados pela alfândega e ameaçaram passar por uma inspeção minuciosa”.

A carga foi finalmente liberada em 14 de abril de 2020. Porém, a alfândega holandesa já havia descoberto e substituído a cocaína, e decidiu vigiar os contêineres para prender os responsáveis pela coleta.

No dia seguinte a organização transferiu dois contêineres para um armazém em Best, município holandês. A polícia de lá invadiu o local e prendeu cinco suspeitos naquela ocasião.

O carregamento interceptado era de 3,2 toneladas de cocaína. Porém, ainda segundo as mensagens, a rede que tinha major Carvalho como um dos cabeças, contrabandeou pelo menos 45 toneladas de cocaína por meio de portos europeus em um período de seis meses.

As investigações também descobriram que a empresa de tratamento de água Kriva Rochem, da Bélgica, estava envolvida no contrabando de cocaína a partir do Brasil.

JULGAMENTO

O julgamento começou em 15 de setembro de 2025 e tem quase um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período e foi retomado na última segunda-feira (7).

São mais de 30 acusados, entre ex-major da PM de MS. O local onde os acusados ficam durante o júri, uma espécie de cabine de vidro, também é questionada pelos advogados. 

MAJOR CARVALHO

O ex-major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e pela Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica.

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de cocaína à Europa. 
 
O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

denúncia aceita

Ex-diretor de presídio vira réu por receber propina de facção para facilitar crimes na cadeia

Policiais penais eram pagos por criminosos para liberarem entrada de drogas, celulares e para beneficiar detentos do Presídio Estadual de Dourados

09/09/2026 18h41

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados Foto: Dourados News

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O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou denúncia contra o ex-diretor da Peninteciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, e mais 10 pessoas, entre servidores, detentos e uma advogada, por envolvimento em crimes cometidos dentro do estabelecimento prisional, dentre eles tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e um homicídio.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado afirmou que estão presentes prova da materialidade do crime, bem como indícios suficientes da autoria. Assim, todos viraram réus pelos crimes de pelos crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Segundo a denúncia, o ex-diretor, outros policiais penais e a advogada desenvolveram uma verdadeira organização criminosa dentro da PED, mediante recebimento de valores pagos por presos e seus familiares para facilitarem a prárica de crimes de tráfico de drogas e porte de arma, além de permitir a entrada de aparelhos celulares na unidade.

Schveiger utilizava das prerrogativas do cargo para comercilizar celulares dentro do presídio e também tinha relação financeira e comercial comum interno que ficava na cantina.

Ainda conforme a denúncia, foi verificado um esquema para pagamento e facilidades dentro da PED e da Gameleira II visando garantir benefícios a um detento apontado como liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV), além de outros internos indicados por ele.

As investigações apontaram que em uma das negociações, foi pago R$ 9 mil para um policial permitir o ingressso de um celular na unidade e R$ 300 mil a outro, para que um preso tivesse exclusividade na venda de droga e portasse uma pistola .9 mm dentro da penintenciária.

Na denúncia, o Ministério Público Estadual também pediu o afastamento das funções e da perda de acesso aos sistemas de informação dos acusados, mas o juiz não acolheu os pedidos.

"Isso porque, conquanto os supostos delitos tenham sido praticados durante o exercício da função pública, verifica-se que os fatos datam do ano de 2024, não havendo notícias contemporâneas nos autos de que os acusados estariam abusando de suas funções ou utilizando- se indevidamente dos sistemas mencionados pelo MPE, razão pela qual deixo, por ora, de determinar a suspensão", disse o magistrado ao receber a denúncia.

O processo segue em fase de prazo para manifestação da defesa dos acusados.

Foram denunciados:

  • Aline Guerrato Foroni - advogada
  • Aluizio Boteiro Chastel Villazante - policial penal
  • Eduardo de Jesus de Oliveira, vulgo Cachoeirinha - detento
  • Eduardo Trigueiro dos Santos Silva - policial penal
  • Gislaine de Souza Fonseca Schveiger - policial penal
  • Herberte Gonçalves Mareco, vulgo PM aposentado - detento
  • Luciano da Silva Cunha, vulgo Pescoço de Frango - detento
  • Luis Élio Gonçalves Filho, vulgo Cabeça de Porco ou Gordão - detento
  • Mauro Pereira dos Santos - policial penal
  • Rafael Garcia Ribeiro - policial penal
  • Rangel Schveiger - policial penal e ex-diretor da PED

Operação Sátrapa

Conforme reportagem do Correio do Estado, a quadrilha foi desmantelada durante a Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/MS), com o objetivo de apurar os crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações tiveram início em 2024, após a polícia receber informações de que um policial penal estaria ingressando no Presídio Estadual de Dourados com droga e celulares.

Ele chegou a ser preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5kg de entorpecentes para o interior da unidade prisional. Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Além do diretor, outros servidores também estariam envolvidos em ao menos um homicídio, cometido dentro do presídio, a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e que atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e virou réu. O juiz determinou que a denúncia seja comunicada a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

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