Polícia

FALTA DE EFETIVO

Associação Brasileira de Criminalística entra com liminar em desfavor da contratação sem concurso de peritos criminais em MS

A liminar cabe ao estado de MS e será julgada nesta segunda-feira (19)

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A Associação Brasileira de Criminalística (ABC), que também representa o Sindicato dos Peritos Oficiais Forenses do estado (Sinpof-MS), solicitou um Mandado de Segurança em desfavor do Processo Seletivo Simplificado para Mato Grosso do Sul.

A ação está sendo apoiada também pela Associação dos Peritos Criminais Federais (ACPF).

A liminar tem por objetivo vetar qualquer possibilidade de contratação pericial sem realização de concurso público, como foi proposto pela Secertaria de Justiça e Segurança Pública de MS.

Atualmente Mato Grosso do Sul conta com um efetivo de 110 peritos criminais na ativa, desconsiderando os servidores aposentados ou com licenças médicas.

Este número está bem abaixo do previsto por lei, que fala de uma equipe composta por 330 agentes.

Conforme lembrou o presidente do Sindicato, Sebastião Renato da Costa, por causa da escassez, os peritos já em exercício começaram a dobrar plantões, mas nunca receberam as horas extras.

Cansados da situação, o efetivo passou a cumprir apenas a carga horária prevista no edital, que corresponde a 160 horas mensais, gerando lacunas nas escalas.

“Não temos concurso desde 2013, sendo a última posse no início de 2015. Desde essa época, o contingente que já estava defasado teve um decréscimo em 17% no quantitativo. Isso se deve às precárias condições de trabalho, salário não compatível com a atividade pericial, considerado um dos piores do país (antepenúltimo de todos os estados brasileiros) e abrangendo também a injusta Reforma da Previdência.", ressaltou o presidente do Sinpof-MS.

Renato lembrou ainda que a desfasagem no quadro de servidores tanto é reconhecida pelo Estado que, em 2018, o Governo publicou uma autorização para um novo concurso público, mas até hoje não aconteceu.

Além disto, reforçou a importância de valorizar a função destes servidores.

"O trabalho pericial vai além de ir ao local ou de fazer laudo. Às vezes eles também precisam fotografar a cena e manusear o cadáver, já que outro profissional também está em falta, o Agente de Polícia Científica, que é o auxiliador técnico do perito.", destacou.

Segundo ele, o concurso público é de muita relevância porque tem 7 fases e avalia todos os aspectos do candidato, desde controle emocional até preparo físico.

Solução

Como alternativa, até que um novo concurso seja executado, o Sinpof-MS entregou uma planilha à Secretaria de Administração do Estado onde constam novas "regras" para escalas de plantão.

A planilha traz o quantitativo necessário pra cobrir os 35 peritos pretendidos para o Processo Seletivo Simplificado, como é chamada a contratação sem concurso.

Os dados comprovaram que o pagamento de plantões temporários para os servidores já na ativa economizaria cerca de 46%, em relação às tais novas contratações.

Foi considerado também que o processo seletivo por concurso público, para a Perícia Criminal, pode levar de 1 a 1 ano e meio.

A sugestão foi repassada para o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antonio Carlos Videira, que disse decidir sobre a questão somente após o julgamento da liminar impetrada pela ABC/APCF.

Municípios do estado

As lacunas nas escalas atingiu diretamente até as maiores cidades do estado.

Campo Grande, que tem hoje cerca de 900 mil habitantes, conta com apenas um perito criminal na escala de plantão diário. Além dele, há um perito sobreaviso, caso ocorra outro crime.

Os dois juntos são responsáveis por atender crimes de morte violenta, como homicídio, suicídio, acidente de trânsito e de trabalho, morte a esclarecer, além de crimes contra o patrimônio.

O presidente do Sindicato disse que, quando se fala de Campo Grande, também está incluso Rochedo, Corguinho, Jaraguari, Bandeirantes, Terenos, Ribas do Rio Pardo e Sidrolândia.

Isso mostra que o número de servidores disponíveis é muito insuficiente para tamanha demanda.

Além da Capital, as cidades de Dourados e Corumbá passam pela mesma situação, cada uma com um perito criminal de plantão e outro sobreaviso.

"Vou te dar um dado nacional. A Organização das Nações Unidas diz que o ideal é que tenha um perito para cada 5 mil habitantes, mas ninguém segue isso.", reitera Renato.

Seguindo essa linha, Corumbá precisaria de 22 efetivos e Dourados de 45. Sem contar Campo Grande que, pelo tamanho populacional, desempenharia 180 servidores, um número bem maior do que o disponível atualmente para todo o estado.

Itaquiraí (MS)

Duas mulheres morrem carbonizadas em casa e polícia investiga possível crime

Polícia Civil não descarta as hipóteses de homicídio ou feminicídio

27/10/2026 12h00

Casa pegando fogo, com duas mulheres mortas carbonizadas dentro

Casa pegando fogo, com duas mulheres mortas carbonizadas dentro Foto: Divulgação/Tá em Foco

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Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a morte de duas mulheres em um incêndio ocorrido no sábado (24), em Itaquiraí, município situado na região Sul de MS e a 405 quilômetros de Campo Grande.

Ambas foram encontradas carbonizadas na residência em que moravam. A identidade delas não foi divulgada.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local, no fim de semana, para isolar a área, apurar as circunstâncias do incêndio, realizar a perícia e retirar os corpos.

Ainda não se sabe as causas do incêndio. A Delegacia de Polícia Civil de Itaquiraí investiga se o incêndio é criminoso ou não, sem descartar as hipóteses de homicídio ou feminicídio.

Conforme apurado pela reportagem, moravam na residência mãe, esposa e um homem. Segundo o delegado titular Robilson Junior Albertoni Fernandes, o rapaz foi até a cidade buscar um celular que estava na manutenção e, ao voltar para casa, encontrou a casa pegando fogo e sua esposa e mãe mortas carbonizadas.

“A perícia foi acionada, fez todos os levantamentos e estamos aguardando a conclusão se o incêndio foi intencional ou acidental. As investigações continuam para o levantamento de maiores informações”, afirmou o delegado por meio de vídeo enviado à imprensa.

Os óbitos chocaram a população do município, que raramente lida com mortes trágicas como essas. 

OUTRO CASO

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18 anos foram mortas e carbonizadas em um incêndio, no dia 23 de setembro de 2026, em uma residência localizada na avenida Evangelina Vieira, em Rochedo (Mato Grosso do Sul).

Conforme apurado pela reportagem, antes do incêndio, as jovens foram esganadas e apresentavam ferimentos pelo corpo provocados por arma branca.

Vitória Gabriely tinha golpes de faca no tórax, pescoço e costas, enquanto Ellen apresentava ferimento no pescoço e uma lesão na cabeça.

Dois homens estavam envolvidos no duplo homicídio. O desacerto por drogas foi o estopim da briga entre os rapazes e as garotas.

Um homem, identificado como Luíz Carlos, vulgo "Bob Esponja", morreu em confronto com a Polícia Militar, enquanto o outro envolvido, Lucas Batista Ferreira, foi preso em Rio Negro.

Um menor de idade foi apreendido por guardar drogas em casa e foi enquadrado como crime análogo a tráfico de entorpecentes.

Dourados (ms)

Homem finge sequestro para pedir R$ 1.500 à família, mas acaba preso

Polícia Civil esclareceu o falso sequestro e prendeu três pessoas envolvidas no crime

21/10/2026 08h45

Rapaz foi preso para polícia

Rapaz foi preso para polícia DIVULGAÇÃO/PCMS

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Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON), esclareceu uma falsa ocorrência e desmentiu um homem, de 40 anos, residente no Rio Grande do Sul, que simulou o próprio sequestro em Dourados, Mato Grosso do Sul.

O rapaz, que não teve a identidade divulgada, mentiu que foi sequestrado para pedir dinheiro à família, para quitar uma dívida de R$ 1.500 referente a compra de uma certa quantidade de cocaína para consumo próprio.

Ele foi preso por policiais civis, junto com mais duas pessoas envolvidas no crime.

Conforme apurado pela reportagem, familiares do desaparecido, residentes no RS, receberam mensagens ameaçadoras do próprio WhatsApp do rapaz, de que havia sido sequestrado e que ameaçavam matá-lo caso a polícia fosse acionada.

De acordo com a Polícia Civil, os familiares também receberam fotografias intimidatórias e áudios em que o próprio desaparecido pedia, desesperadamente, que enviassem dinheiro.

Com isso, acionaram a polícia e equipes do DEFRON iniciaram as diligências. Os investigadores analisaram mensagens, fotografias e imagens de câmeras de segurança, além de percorrer diferentes regiões de Dourados em busca de informações.

Em seguida, a polícia obteve informações de que o suposto desaparecido estaria em um motel da cidade.

Os policiais foram até o estabelecimento e localizaram o homem sozinho em um dos quartos, onde estava hospedado há vários dias.

O ambiente estava bastante desorganizado, com diversas latas de bebida alcoólica e outros objetos.

Em interrogatório, ele confessou que não foi sequestrado e que mentiu para conseguir dinheiro dos familiares para pagar uma dívida. Além disso, relatou que estava consumindo cocaína.

A polícia conseguiu localizar o casal que vendia a droga ao homem. Foram encontradas dez porções individualizadas de cocaína nos bolsos da mulher, e, na residência, foram apreendidos duas porções de cocaína, uma balança de precisão e uma embalagem com resquícios de entorpecentes.

Os três foram presos em flagrante, sendo o homem que simulou o próprio sequestro e o casal que foi autuado por tráfico de drogas e pelo crime de extorsão.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, uma pessoa que simula o próprio sequestro para pedir dinheiro à família pode responder criminalmente por estelionato, cuja pena prevista no artigo 171 do CP é de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa. A situação ganha maior gravidade quando a falsa comunicação provoca preocupação e mobiliza a polícia para investigar um suposto crime.

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