Polícia

VIOLÊNCIA-PESQUISA

Consumo de violência online pode levar a ataques de jovens, aponta estudo

A maioria (84,3%) afirma que já encontrou conteúdo violento, discriminatório ou perturbador nas redes sociais

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O fácil acesso a vídeos violentos é capaz de deixar jovens menos sensíveis em relação à morte, abuso sexual e crimes hediondos. É o que mostra a pesquisa "Algoritmos e violência no Brasil: Rumo a Um Modelo Educacional para a Paz e os Direitos Humanos", da instituição Think Twice Brasil, que tem como objetivo promover a educação em direitos humanos, cultura de paz e engajamento cívico como ferramenta de transformação da sociedade.

A pesquisa investigou como o uso das redes sociais pelos jovens brasileiros pode facilitar o acesso a conteúdos de violência que podem influenciá-los a efetuar ataques violentos em escolas no Brasil. Isso porque o país vem enfrentando um aumento nos casos nos últimos anos.

Desde 2001, o país registrou 36 ataques —a maioria (58,33%) se concentrou de fevereiro de 2022 a outubro do ano passado, como mostra o relatório "Ataques de Violência Extrema em Escolas no Brasil", que foi desenvolvido pela pesquisadora da Unicamp Telma Vinha e outros oito especialistas na área.

A pesquisa da Think Twice foi dividida em dois momentos. No primeiro, 216 jovens entre 13 e 24 anos foram responderam à pesquisa de forma anônima, sobre suas relações com as redes sociais mais populares no Brasil —a maioria dos entrevistados tinham entre 13 e 16 anos (41,2%), eram mulheres (63%), se autodeclaram brancos (63%), e estavam localizados na região Sudeste do Brasil (69,9%).

A maioria (84,3%) afirma que já encontrou conteúdo violento, discriminatório ou perturbador nas redes sociais.

Apesar de grande parte (73,6%) afirmar que não sentiu o desejo de atacar verbalmente nem fisicamente após assistir a vídeos com conteúdo violento ou perturbador, 26,4% relatou que o conteúdo violento motivou a atacar outras pessoas —tanto física quanto verbal.

Entre os depoimentos que a pesquisa coletou, um jovem afirmou que cresceu consumindo conteúdo de violência extrema por meio da internet. "Embora eu nunca tenha feito mal às pessoas, essa experiência afetou a forma como as vejo e que me dessensibilizou em relação a tudo de grotesco e perturbador", disse ele.

Gabriele Garcia, fundadora e diretora-executiva da Think Twice, analisa que a pesquisa demonstra como a violência é estrutural na sociedade.

"Antes, a sociedade estava limitada às violências experimentadas no processo socioeconômico, como nas famílias, no trabalho e na comunidade. O levantamento demonstra como a violência não tem fronteiras. Você é capaz de acessar a todo o tipo de violência", afirma ela.

Além disso, Garcia evidencia que é comum que os jovens não tenham um controle por parte dos seus responsáveis em meio ao uso das plataformas digitais.

Após coletar as respostas, o instituto de pesquisa criou uma conta no TikTok —a rede escolhida está ligada ao fato do Brasil estar entre os países com maior número de usuários do aplicativo— entre o mês de outubro, com o objetivo de imitar a experiência vivida por um jovem na internet e observou a recomendação de vídeos com apelo à violência.

A pesquisa analisou que o sistema de recomendação promove conteúdo violento de diferentes formas. Ao longo do período analisado, 220 vídeos (18,3%) incitaram violência. Entre eles, 71,3% fizeram apelos explícitos à violência e, em alguns casos, incitam violência em escolas. Além disso, 15% configuram casos de cyberbullying direcionados a mulheres e 13,7% apresentaram conteúdo discriminatório.

Após 12 dias interagindo com vídeos com conteúdo discriminatório e vexatório e seguindo contas que compartilharam este tipo de conteúdo, a plataforma começou a recomendar vídeos ainda mais explícitos à violência, como sequência de imagens de crianças assassinadas com requintes de crueldade.

A partir do 12º dia de análise até o 30º, os algoritmos recomendaram quase que todos os dias vídeos reproduzidos por um portal que dá acesso a vídeos filmados por indivíduos enquanto torturam suas vítimas antes de matá-las.

O algoritmo ainda recomendou vídeos em que pessoas negras, especialmente homens, e mulheres foram vítimas de discriminação. Enquanto homens negros foram principalmente associados à criminalidade, mulheres brancas foram retratadas como desprovidas de inteligência. Imigrantes, principalmente da China e Oriente Médio, homossexuais e pessoas autistas também foram discriminadas em alguns vídeos.

A pesquisa demonstra ainda que as políticas de moderação não têm impedido efetivamente a circulação de conteúdo violento, discursos de ódio e notícias falsas. Também aponta que uma das formas de burlar barreiras destinadas a prevenir a circulação de material que promove a violência é utilizar palavras em que no lugar de letras estão números.

Por exemplo, ao invés de escrever "perturbadores", o usuário escreve "perturb4adores".

O levantamento ainda detectou vídeos que incitam violência para resolver bullying na escola, com conteúdos que encorajam usuários a levarem um soco inglês e um abridor de coco para a escola para confrontar aqueles que os intimidaram.

Nos termos de serviço da plataforma, o TikTok afirma que é proibido utilizar a plataforma para intimidar ou assediar outra pessoa, promover material de sexo ou violência explícita ou discriminação por raça, sexo, religião, nacionalidade, deficiência física ou mental, orientação sexual ou idade.

Gabriele, do instituto Think Twice, relata que crianças aprendem pela repetição e observação. Ela cita ainda que pesquisas já demonstraram que, se a criança está inserido num contexto de violência dentro da sua comunidade ou da sua família, tem mais chances de se tornar ou um violador ou uma vítima de violência na fase adulta.

"As redes sociais elas atualizam esse processo, né? Se você que você estava inserido a violências no seu contexto individual, agora você tá exposto a toda a ordem de violência", diz ela que considera que para estes usuários nas redes sociais, a violência passa a fazer parte do repertório social deles.

"A gente falha ao endereçar quais são as possibilidades de entender a resolução de conflitos como parte da educação formal", diz ela.

A pesquisa, que vai ser apresentada na tarde desta quarta-feira (20), preparou um material para educadores, com planos de aula para o ensino médio e sugestões de abordagens sobre violência e cultura de paz, também desenvolveu um baralho com perguntas que tem como objetivo de promover o diálogo dentro de casa.
 

Parque do lageado

Menino de 17 anos assassinado a tiros é a 396ª vítima de homicídio em 2026

Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora

15/09/2026 09h00

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado Paulo Ribas

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Menino, de 17 anos, que não teve o nome divulgado, foi assassinado a tiros, na noite desta segunda-feira (14), em uma conveniência localizada na rua Anselmo Selingard, Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora.

Conforme apurado pela reportagem, o menino estava no bar acompanhado de outras pessoas, quando um homem chegou de carro atirando e fugiu logo em seguida.

A princípio, horas antes, a vítima teria se envolvido em uma discussão com outras pessoas nas proximidades do local. Corpo de Bombeiros Militar foi acionado, mas ele faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estiveram no local para realizar os procedimentos de praxe. O Batalhão de Choque (BPMChoque) também deu apoio a ocorrência. Em seguida, a funerária retirou o corpo.

Após o homicídio, houve intensa aglomeração de populares no local. Autoridades competentes vão apurar as causas do assassinato e as circunstâncias da ocorrência.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 396 pessoas foram mortas (homicídio doloso), entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número,

  • 354 são homens
  • 34 mulheres
  • 8 não tiveram o sexo divulgado
  • 135 são jovens
  • 203 são adultos
  • 28 são idosos
  • 18 são adolescentes
  • 6 são crianças
  • 6 não tiveram a idade divulgada
  • 108 ocorreram em Campo Grande
  • 288 ocorreram no interior do Estado

Os assassinatos ocorreram em janeiro (29), fevereiro (19), março (35), abril (23), maio (38), junho (37), julho (46), agosto (41) e setembro (20).

 

tragédia

Mulher que matou marido perdeu a irmã para o feminicídio há um mês

Nathaly afirma que agiu em legítima defesa pois "não queria ter o mesmo destino da irmã"

09/09/2026 10h15

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto Foto: Rio Verde News

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos - que matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos - é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta em 6 de agosto de 2026 pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos.

A mulher matou o esposo com uma facada no peito em um bar localizado em Rio Verde (MS), horas após ser agredida e registrar boletim de violência doméstica contra ele.

Ela afirmou que agiu em legítima defesa pois “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

FEMINICÍDIO DA IRMÃ

Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, em 6 de agosto de 2026, na frente da casa em que moravam, localizada na rua Joaquim Voltinha, bairro Santa Inês, em Rio Verde (MS).

Ela deixa dois filhos. Nathália foi esfaqueada com quatro golpes na região das costas, próximo a nuca.

Conforme apurado pela reportagem, na noite do crime, ambos saíram e, quando retornaram para casa, começaram a discutir.

Em seguida, ele desferiu golpes de faca contra ela na calçada de casa e fugiu do local em uma motocicleta. Os dois filhos estavam dentro da residência, que fica nos fundos do terreno.

Jucimar ligou para um familiar dizendo que havia feito “uma cagada”, mas desligou o telefone logo em seguida. Minutos depois, familiares da vítima foram avisados sobre a morte.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas, ela faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do feminicídio, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 26 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026 em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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