Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 76 mandados, na manhã desta terça-feira (10), durante a Operação Cartas Marcadas, em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos.
Dos 76 mandados, são
- 46 mandados de busca e apreensão
- 5 mandados de afastamento de cargos públicos
- 22 mandados de proibição de contratar com o Poder Público
- 3 mandados de suspensão de contratos vigentes com o Poder Público
Todos os mandados são expedidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Em Campo Grande, os mandados são cumpridos em uma loja de materiais escolares e de escritório, localizada na rua 14 de julho, Vila Glória. Policiais militares do Batalhão de Choque e Gaeco amanheceram na porta do estabelecimento e impediram a entrada dos funcionários.
O advogado da loja, Nilton Ribeiro Júnior, confirmou ao Correio do Estado que os policiais e promotores estão cumprindo mandado de busca e apreensão de documentos, mas alegou que não dispõe de mais informações. Disse, também, que este mandado é somente mais um em uma série de decisões judiciais que estão sendo cumpridas em diferentes cidades de Mato Grosso do Sul.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública, liderada por agentes políticos que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso, nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro.
A organização criminosa era composta por servidores públicos que forjavam a concorrência de licitações públicas, e, direcionavam os certames à empresas integrantes do esquema.
Nos últimos anos, os contratos somam R$ 9.000.000,00. As licitações corrompidas abrangem:
- Contratações diretas para aquisição de materiais de expediente, mediante dispensas indevidamente manipuladas
- Contratação de empresas para a execução de obras públicas, as quais eram iniciadas antes mesmo da formalização contratual
O Ministério Público (MPMS) adquiriu provas por meio do conteúdo extraído de alguns telefones celulares apreendidos, nas Operações Turn Off e Malebolge, que revelaram o modus operandi da organização criminosa. Com isso, foi possível chegar até os agentes políticos que dirigiam o esquema.
Batalhão de Choque (BPMChoque) e Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, apoiaram a ocorrência nesta terça-feira (10).
“Cartas Marcadas”, termo que dá nome à operação, faz referência a um jogo previamente manipulado, em que o desfecho é conhecido antes mesmo do início.
No caso, as contratações sob apuração foram direcionadas de antemão às empresas investigadas, por meio de ajustes espúrios, para conferir aparência de lisura a uma escolha que já estava determinada.
Desde o começo do ano passado, operações do Ministério Público revelaram supostos esquemas de corrupção em Aquidauana, Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Bonito, Jardim, Terenos, Miranda, Itaporã e Campo Grande.



