Juiz da auditoria militar de Mato Grosso do Sul, Alexandre Antunes da Silva, mandou arquivar o processo judicial que investigava a morte de Edilson Pereira da Silva, o Gibi, então com 31 anos de idade, ocorrido na madrugada do dia 1º de maio passado, na Vila Jardim Jacy, em Campo Grande.
Gibi, que era auxiliar de serviços gerais, conforme os autos, morreu perto da cama, num dos quartos de sua casa, onde a mulher dele dormia, a tiro disparado por policiais militares que iam prendê-lo.
Antes de atingido, diz o processo, o rapaz teria disparado contra os PMs e corrido.
De janeiro até a semana passada, ao menos 80 pessoas tinham sido mortas em supostos confrontos com policiais civis ou militares, em MS.
O CASO
De acordo com o processo, a PM foi acionada para atender uma ocorrência na esquina da rua Iporã com a avenida Europa, no Jardim Jacy. Lá, conforme a denúncia, havia um homem armado a disparando tiros para o alto.
Ainda de acordo com os autos, constava no boletim de ocorrência anotado pelos PMs que cuidavam do caso, que:
“Ao tentarmos fazer a abordagem o elemento [Gibi, no caso] tentou adentrar a residência da av Europa [casa dele] com as mãos dentro do casaco, não acatando as ordens de abordagem e sacou um revólver cal. 32 com numeração suprimida apontou e disparou contra a equipe policial, sendo que no estrito cumprimento do dever legal e para rechaçar a injusta agressão o comandante da equipe e o patrulheiro efetuaram cada um disparo com suas pistolas .40 da carga da PMMS, sendo alvejado o autor, que correu de arma em punho até os pés de uma cama de casal no interior da residência”.
Ainda de acordo com o processo, Gibi caiu no chão, a mulher dele, que estaria dormindo, levantou-se e teria ficado revoltada com a cena. Em seguida, ela é algemada, note em trecho dos autos:
“... momento que a sra que aparentemente estava dormindo partiu para cima desta equipe policial tentando evitar a prisão do autor, como a sra não se acalmava e não parava de impedir a abordagem policial lhe foi dada voz de prisão e algemada, o autor caído ao solo foi desarmado, de imediato foi solicitado apoio policial bem como socorro para o autor alvejado”.
Os socorristas foram ao local, mas Gibi morreu.
No processo é dito que a mulher de Gibi foi ouvido depois da morte e fez essa declaração:
"... ao ser questionada sobre os fatos a sra relatou que não é usuária nem comercializa entorpecente porém seu marido sr EDILSON é usuario crônico e entre diversas outras passagens ele já foi preso por tráfico de drogas e que estava dormindo e acordou com os disparos e seu marido caindo e por instinto tentou protegê-lo, que nunca foi presa e não teve a intenção de interferir no trabalho policial e que seu marido estava há três dias consecutivos fazendo uso de cocaína e maconha".
LAUDO
O homem morreu, segundo atestado de óbito, com um tiro na barriga. Nenhum PM saiu ferido.
Consta no processo, que a viatura que foi tentar prender Gibi era ocupada por quatro PMs, entre os quais um subtenente, dois soldados e um cabo.
Consta também nos autos, que peritos descobriram a arma que estaria com Gibi, de calibre 32, “apresentou resultado positivo para a presença de vestígios compatíveis com as provenientes de combustão de pólvora”. Ou seja, que da arma saiu tiros.
A arma em questão, diz no processo, tinha “numeração suprimida com duas deflagradas e quatro municípios intactas”. Na casa, ainda segundo os PMs foram apreendidos 36,6 gramas de “substância análoga à maconha”.
INVESTIGAÇÃO
Um dia depois do crime, o caso passou a ser investigado pelo Gacep, Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Polícia, do MPMS (Ministério Público de MS).
Inicialmente, a morte de Gibi foi investigada como “possível prática de excesso policial em desfavor de Edilson Pereira da Silva, praticado por policiais militares, lotados no 10.º Batalhão de Polícia Militar, em maio de 2023”.
A mulher de Gibi foi ouvida pelo Gacep, que, depois, pediu o arquivamento do caso, concordado pelo juiz Alexandre Antunes da Silva,
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