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Abin, FirstMile, Ramagem; entenda em 5 pontos caso de software espião sob Bolsonaro

A PF investiga se a agência utilizou o software, que permite geolocalização de dispositivos móveis, e produziu relatórios sobre ministros do STF

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 Foi deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (25), a operação Vigilância Aproximada, uma continuação da Operação Última Milha, que tinha sido iniciada em outubro de 2023, ambas envolvendo o uso de software espião First Mile pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), sob o governo de Jair Bolsonaro (PL).

A PF investiga se a agência utilizou o software, que permite geolocalização de dispositivos móveis, e produziu relatórios sobre ministros do STF e políticos adversários do ex-presidente.

Nessa nova fase da operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o foco principal são policiais que atuavam na Abin, em especial no CIN (Centro de Inteligência Nacional), estrutura criada durante a gestão Bolsonaro.

Ao todo, sete policiais federais são alvos da ação e foram afastados dos cargos públicos. Foram expedidos mandados de busca e apreensão, incluindo contra Alexandre Ramagem, ex-diretor da agência na época em que o uso ilegal do software teria ocorrido.

Entenda em 5 pontos a operação da Polícia Federal e as suspeitas sobre o uso do First Mile na Abin.

*1) Abin*
A Agência Brasileira de Inteligência é um órgão cujo objetivo é oferecer informações estratégicas para a Presidência da República e ministérios. Ela faz parte do SISBIN (Sistema Brasileiro de Inteligência) e foi criada em 7 de dezembro de 1999.

Segundo o site da instituição, a Abin deve ser apartidária e apolítica, além de não ser "responsável pela condução de investigações criminais".

"A ABIN tem por missão assegurar que o Executivo Federal tenha acesso a conhecimentos relativos à segurança do Estado e da sociedade, como os que envolvem defesa externa, relações exteriores, segurança interna, desenvolvimento socioeconômico e desenvolvimento científico-tecnológico", registra o site.

Atualmente, o diretor-geral da Abin é Luiz Fernando Corrêa, delegado aposentado da PF. A agência está vinculada à Casa Civil. Na época em que teria usado ilegalmente um software espião, a Abin estava sob o comando de Alexandre Ramagem e estava vinculada ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

A transferência do GSI para a Casa Civil foi feita pelo presidente Lula em março de 2023 com o objetivo de retirar a agência da responsabilidade dos militares.

*2) CIN*
O CIN (Centro de Inteligência Nacional) foi criado pelo então presidente Jair Bolsonaro em julho de 2020. A criação se deu por meio de um decreto que estabelecia novas estruturas no organograma da Abin.

Eram atribuições do CIN planejar e executar atividades de inteligência relacionadas a "ameaças à segurança e à estabilidade do Estado", além de assessorar outros órgãos sobre "atividades e políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosa".

Compuseram a nova estrutura pessoas ligadas ao clã Bolsonaro e ao então diretor da Abin, Alexandre Ramagem. Por isso, o centro foi apelidado de de Abin paralela.

O FirstMile foi adquirido e ficava "hospedado" em computadores da Diretoria de Operações de Inteligência da Abin, mas depoimentos de servidores e documentos de apurações internas do órgão, em posse da PF, mostram o uso por solicitação de pessoas ligadas ao CIN. O centro foi desmontado no governo Lula.

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*3) FirstMile*
O FirstMile é um software de monitoramento produzido pela empresa israelense Cognyte --antiga Suntech/Grupo Verint. O programa foi usado pela Abin entre 2019 e 2021.
A PF usa como prova um e-mail entre integrantes da Abin e funcionários da empresa para sustentar que o software era utilizado para invadir a rede de telefonia e acessar dados de localização.

O FirstMile foi adquirido pela Abin no governo de Michel Temer por R$ 5,7 milhões. Caio Cesar dos Santos Cruz, filho do ex-ministro do governo Bolsonaro Santos Cruz, era um dos representantes da empresa.

*4) Alexandre Ramagem*
Alexandre Ramagem era o diretor da Abin na época em que a agência teria usado ilegalmente o software espião. Delegado da PF desde 2005, ele é deputado federal do Rio de Janeiro pelo PL, tendo sido eleito com 59 mil votos, e pré-candidato do partido para a Prefeitura carioca.

Ramagem é conhecido por ser próximo da família Bolsonaro. Ele atuou como segurança do ex-presidente durante a campanha de 2018 e recebeu o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao ser cotado para assumir a Abin, o que ocorreu em junho de 2019.

O delegado chegou a ser indicado por Jair Bolsonaro para comandar a PF, mas teve a nomeação suspensa pelo STF.

Como mostrou a Folha, Ramagem é investigado porque os monitoramentos ilegais ocorreram durante sua gestão e por supostamente ter se corrompido para evitar a divulgação de informações sobre o uso irregular do software espião durante sua gestão. Ele nega que tenha havido irregularidade durante sua gestão e disse que apenas o departamento de operações usava o sistema.

*5) Alvos*
A operação Vigilância Aproximada investiga uma "organização criminosa que se instalou na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial".

A PF também apura se a Abin usou dados obtidos pelo software para produzir relatórios do ministro Gilmar Mendes, do STF, e de adversários de Bolsonaro como Camilo Santana (PT), atual ministro da Educação.

Na decisão em que autorizou as buscas e apreensão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirma ter havido monitoramento ilegal da procuradora responsável pela apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Além disso, a PF encontrou indícios de que a agência atuou para fornecer informações sobre investigações em andamento para Jair Renan e Flávio Bolsonaro, filhos do ex-presidente.

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Parque do lageado

Menino de 17 anos assassinado a tiros é a 396ª vítima de homicídio em 2026

Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora

15/09/2026 09h00

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado Paulo Ribas

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Menino, de 17 anos, que não teve o nome divulgado, foi assassinado a tiros, na noite desta segunda-feira (14), em uma conveniência localizada na rua Anselmo Selingard, Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora.

Conforme apurado pela reportagem, o menino estava no bar acompanhado de outras pessoas, quando um homem chegou de carro atirando e fugiu logo em seguida.

A princípio, horas antes, a vítima teria se envolvido em uma discussão com outras pessoas nas proximidades do local. Corpo de Bombeiros Militar foi acionado, mas ele faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estiveram no local para realizar os procedimentos de praxe. O Batalhão de Choque (BPMChoque) também deu apoio a ocorrência. Em seguida, a funerária retirou o corpo.

Após o homicídio, houve intensa aglomeração de populares no local. Autoridades competentes vão apurar as causas do assassinato e as circunstâncias da ocorrência.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 396 pessoas foram mortas (homicídio doloso), entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número,

  • 354 são homens
  • 34 mulheres
  • 8 não tiveram o sexo divulgado
  • 135 são jovens
  • 203 são adultos
  • 28 são idosos
  • 18 são adolescentes
  • 6 são crianças
  • 6 não tiveram a idade divulgada
  • 108 ocorreram em Campo Grande
  • 288 ocorreram no interior do Estado

Os assassinatos ocorreram em janeiro (29), fevereiro (19), março (35), abril (23), maio (38), junho (37), julho (46), agosto (41) e setembro (20).

 

tragédia

Mulher que matou marido perdeu a irmã para o feminicídio há um mês

Nathaly afirma que agiu em legítima defesa pois "não queria ter o mesmo destino da irmã"

09/09/2026 10h15

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto Foto: Rio Verde News

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos - que matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos - é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta em 6 de agosto de 2026 pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos.

A mulher matou o esposo com uma facada no peito em um bar localizado em Rio Verde (MS), horas após ser agredida e registrar boletim de violência doméstica contra ele.

Ela afirmou que agiu em legítima defesa pois “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

FEMINICÍDIO DA IRMÃ

Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, em 6 de agosto de 2026, na frente da casa em que moravam, localizada na rua Joaquim Voltinha, bairro Santa Inês, em Rio Verde (MS).

Ela deixa dois filhos. Nathália foi esfaqueada com quatro golpes na região das costas, próximo a nuca.

Conforme apurado pela reportagem, na noite do crime, ambos saíram e, quando retornaram para casa, começaram a discutir.

Em seguida, ele desferiu golpes de faca contra ela na calçada de casa e fugiu do local em uma motocicleta. Os dois filhos estavam dentro da residência, que fica nos fundos do terreno.

Jucimar ligou para um familiar dizendo que havia feito “uma cagada”, mas desligou o telefone logo em seguida. Minutos depois, familiares da vítima foram avisados sobre a morte.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas, ela faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do feminicídio, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 26 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026 em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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