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Saidinha de fim de ano: 27 presos não voltaram para os presídios de Mato Grosso do Sul

Ao todo, 777 detentos dos regimes semiaberto e aberto foram beneficiados com a Saída Temporária no final de ano

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Depois da famosa "saidinha de fim ano", no Natal (25) e Ano-Novo (1º), 27 dos 777 detentos liberados pela Justiça sul-mato-grossense não retornaram aos presídios em que cumprem suas penas.

O índice de evasão, relativamente baixo, representa 3,47% do total de internos e internas, que já estavam sob o regime semiaberto ou aberto e que tiveram o benefício da 'saidinha', previsto em lei, concedido no ano de 2023.

De acordo com a Agepen (Agência Estadual do Sistema Penitenciário), a Justiça concedeu direito a saída temporária, conforme estabelecido na LEP (Lei de Execução Penal), a um total de 896 internos em regimes semiaberto e aberto, sendo 862 homens e 34 mulheres. Desse total, 737 são de Campo Grande (homens e mulheres).

Conforme os dados, fornecidos pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen/MS) ao Correio do Estado, no ano passado 777 reeducandos dos regimes semiaberto e aberto, masculino e feminino, foram beneficiados com a Saída Temporária no final de ano, conforme decisão judicial.

"A concessão é realizada pelo Poder Judiciário, por meio das Varas de Execução Penal, bem como, as respectivas datas, contemplando Natal e Ano Novo. Do total de presos beneficiados, 27 não retornaram e encontram-se evadidos, até o momento", diz a nota.

Deste total, 455 presos entre homens e mulheres de Campo Grande, receberam o benefício de Visita Periódica ao Lar (VPL). No entanto, 11 homens não voltaram para a penitenciária.

Para a liberação, as mulheres foram divididas em grupos, as que saíram no dia 24 de dezembro e as outras no dia 31 de dezembro. Contudo, todas retornaram da 'saidinha', conforme o previsto, no dia 2 de janeiro de 2024.

Já dentre os detentos homens, 11 não voltaram e são considerados a partir de agora foragidos da Justiça. Além disso, serão regredidos de regime quando forem recapturados. 

Cabe ressaltar que os detentos foram beneficiados com a saída temporária para o Natal, de 24 a 26 de dezembro, e o Ano-Novo, de 31 de janeiro a 2 de janeiro, de 2023.

Direito a 'saidinha'

Apenas os presos do regime semiaberto e aberto tem direito a saída temporária de fim de ano. Para ter o benefício, é necessário que tenham cumprido no mínimo de 1/6 da pena se for réu primário e 1 /4 se  for reincidente.

Além disso, é preciso ter bom comportamento. O preso (a) que tiver alguma ocorrência leve ou média dentro do presídio precisa passar por uma reabilitação de conduta, que leva cerca de 60 dias. Só depois disso, que poderá ter o benefício concedido.

Por fim, com as mudanças do pacote anticrime, em vigor desde 2020, o preso condenado por crime hediondo com morte não tem mais direito a saída temporária. A exceção são aqueles que tiveram o direito adquirido antes da alteração na legislação.

Penalidade pra quem não retorna

O preso (a) que retornar fora do horário ou data prevista perde o direito ao benefício. E, caso não retorne será considerado foragido. Quando apreendido, também perderá o direito ao benefício da 'saidinha'.

O que é permitido durante a saída temporária

O dtento (a) precisa fornecer à Justiça um endereço onde pode ser encontrado durante o período em que estiver fora do sistema prisional. O local é cadastrado e a pessoa responsável consultada a respeito da recepção do preso.

Durante todos os dias da saída, o preso precisa permanecer com base no endereço informado. Não é permitido frequentar bares, boates, ser flagrado alcoolizado ou se envolver em qualquer delito.

Por fim, o detento deve permanecer no endereço durante o período noturno. O flagrante em crimes resulta na suspensão do benefício e retorno imediato ao presídio.

'Saidinha' está em discussão no Senado

Pressionado pela morte de um policial militar em Minas Gerais, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defendeu nesta terça-feira (9) a discussão de projetos que mudam o sistema prisional, como o fim das saídas temporárias, além da revisão do Código Penal.

"[É preciso que] esses institutos penais que existem, como o livramento condicional, comutação, indulto, saídas temporárias, possam ser aferidos e possam ter critérios para serem utilizados para evitar que acontecimentos como este de Minas Gerais se repitam", disse Pacheco.

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tragédia

Mulher que matou marido perdeu a irmã para o feminicídio há um mês

Nathaly afirma que agiu em legítima defesa pois "não queria ter o mesmo destino da irmã"

09/09/2026 10h15

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto Foto: Rio Verde News

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos - que matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos - é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta em 6 de agosto de 2026 pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos.

A mulher matou o esposo com uma facada no peito em um bar localizado em Rio Verde (MS), horas após ser agredida e registrar boletim de violência doméstica contra ele.

Ela afirmou que agiu em legítima defesa pois “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

FEMINICÍDIO DA IRMÃ

Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, em 6 de agosto de 2026, na frente da casa em que moravam, localizada na rua Joaquim Voltinha, bairro Santa Inês, em Rio Verde (MS).

Ela deixa dois filhos. Nathália foi esfaqueada com quatro golpes na região das costas, próximo a nuca.

Conforme apurado pela reportagem, na noite do crime, ambos saíram e, quando retornaram para casa, começaram a discutir.

Em seguida, ele desferiu golpes de faca contra ela na calçada de casa e fugiu do local em uma motocicleta. Os dois filhos estavam dentro da residência, que fica nos fundos do terreno.

Jucimar ligou para um familiar dizendo que havia feito “uma cagada”, mas desligou o telefone logo em seguida. Minutos depois, familiares da vítima foram avisados sobre a morte.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas, ela faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do feminicídio, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 26 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026 em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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Rio Verde

Mulher mata marido a facadas após ser agredida no interior de MS

Nathaly Nogueira, de 24 anos, alegou que agiu em legítima defesa

09/09/2026 08h45

Fachada e viatura da Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde

Fachada e viatura da Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde DIVULGAÇÃO/PCMS

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos, matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos, na madrugada desta quarta-feira (9), em um bar localizado na rua Tiradentes, número 100, às margens da BR-163, em Rio Verde (MS), a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com boletim de ocorrência, ela sofria violência doméstica e ambos tinham desentendimentos frequentes.

Conforme apurado pela reportagem, horas antes do óbito, Nathaly teve uma discussão e foi agredida por Erismar, quando acionou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência (BO) de violência doméstica contra ele.

De acordo com o BO, os policiais a acompanharam até em casa e realizaram rondas para localizar Erismar, mas, ele já havia fugido e não conseguiram encontrá-lo.

Em seguida, a moça foi para o bar com duas amigas. Instantes depois, Erismar apareceu no local, iniciou uma nova discussão e partiu para cima dela.

Neste momento, a moça sacou uma faca que estava escondida em seu sutiã e, para se defender, desferiu golpes contra ele.

Após ser atingido, o rapaz caiu no asfalto sem sinais vitais. Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados por populares, mas, ele faleceu na hora, antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do assassinato, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente. A faca utilizada no crime foi apreendida pelas autoridades.

A Perícia constatou que em poder de Erismar só havia uma carteira com documentos e que não havia nenhuma arma branca.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico e de Odontologia Legal (IMOL) de Coxim. 

A moça alega que agiu em legítima defesa e, que, perdeu a irmã para o feminicídio há um mês. Ela afirmou que “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

Nathaly foi presa em flagrante e encontra-se a disposição da justiça na Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde.

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