Cidades

CAMPO GRANDE

Justiça mantém preso policial que matou empresário no Procon

Defesa queria revogação e substituição da prisão por medida cautelar; primeira audiência do caso foi marcada para maio

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O juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, negou pedido de liberdade ao policial militar da reserva José Roberto de Souza, acusado de matar a tiros o empresário Antônio Caetano de Carvalho, durante audiência no Procon, em Campo Grande.

O crime aconteceu no dia 13 de fevereiro e, segundo a denúncia, teria sido motivado por uma dívida referente a prestação de serviço, que o acusado não concordava em pagar. O empresário foi morto com dois tiros na cabeça e um na nuca.

A primeira audiência de instrução do caso foi marcada para o dia 9 de maio deste ano.

José Roberto de Souza está preso desde o dia 16 de fevereiro, quando se apresentou à polícia.

A defesa do acusado entrou com pedido de liberdade provisória, requerendo a avaliação da possibilidade de medida cautelar diversa à prisão, como uso de tornozeleira, sob alegação de que ele se apresentou de forma voluntária, tem residência fixa, boa conduta e precisa de cuidados psiquiátricos constantes.

Na defesa prévia anexada ao processo, o advogado José Rodrigues da Rosa afirma que irá aguardar a coleta dos depoimentos para melhor avaliar a linha defensiva a ser apresentada em juízo.

No entanto, a defesa alega que os fatos não ocorreram conforme constam em denúncia e não teria sido motivado por divergência relacionada a dívida de prestação de serviço.

“O que houve de fato foi uma reação, infelizmente motivada por agressões verbais e desrespeitosas que foram proferidas em momentos anteriores a fatídica audiência do dia 13/02/2023, inclusive ditas agressões verbais ocorreram na audiência do dia 10/02/2023 quando acusado e vítima estiveram juntos no Procon”, narra a defesa.

Ao negar o pedido de revogação da prisão, o juiz considerou que os elementos até colhidos demonstram a necessidade da manutenção da prisão, “ante a gravidade concreta da conduta”.

O magistrado cita como graves os fatos dos tiros terem sido disparados contra a vítima em meio a uma audiência de conciliação do prédio do Procon e o acusado ter fugido do local após o crime, “situação que não pode ser afastada ou desprezada por seu comparecimento voluntário” posterior.

Com relação ao estado de saúde do policial, o juiz afirma que, apesar de ser levado em consideração, não é suficiente para afastar os fundamentos de gravidade mencionados.

Já quanto a alegação de que ele teria sido vítima de ofensas, o magistrado diz que a tese será analisada durante o processo, mas também não é suficiente para a revogação da prisão.

O crime 

O empresário Antônio Caetano de Carvalho, de 67 anos, foi assassinado a tiros durante audiência de conciliação por dívida de R$ 630, no Procon.

O empresário atuava no segmento automotivo há 40 anos, e compunha a diretoria atual da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), e era conhecido pela sua paixão por motociclismo.

Segundo informações da Associação, Caetano participou da diretoria da ACICG no triênio 1993 a 1996 e, até a data do crime, era proprietário da empresa Aliança, especializada em Hilux.

Segundo testemunhas, a audiência era uma tentativa de acordo entre as partes, pois o acusado contratou um serviço do empresário, mas se recusava a pagá-lo. A dívida pela prestação do serviço era de R$ 630.

Ainda conforme testemunhas, durante a audiência, o policial aposentado iniciou as ofensas contra a vítima, que respondeu e iniciou-se a discussão.

Durante essa discussão, o policial se levantou, sacou a arma e efetuou disparos contra a vítima.

Antônio Caetano de Carvalho morreu no local, e o policial militar reformado fugiu a pé.

Pouco mais de um mês e meio após o caso, nenhuma medida concreta foi tomada para aumentar a segurança do órgão público.

No dia 14 de março, um protocolo de intenções para desenvolver ações conjuntas entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), foi publicado, mas sem citar ações de curto ou longo prazo.

Conforme a publicação, serão adotadas "medidas preventivas e de aprimoramento de segurança" e um Plano de Gestão de Riscos e Segurança (Plano de Segurança Orgânica) também deve ser apresentado, em prazo que hoje é de cerca de 40 dias.

Violência

Dupla arromba porta de casa e mata jovem de 20 anos a tiros em MS

Criminosos arrombaram a porta da residência e efetuaram diversos disparos contra a vítima; autoria e motivação ainda são investigadas pela polícia.

22/09/2026 16h05

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante. Foto: Divulgação.

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Dois homens em uma motocicleta invadiram uma residência e mataram a tiros Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, no início da tarde desta terça-feira (22), em Rio Brilhante, na região sul de Mato Grosso do Sul. Segundo informações preliminares, a dupla arrombou a porta do imóvel e efetuou diversos disparos contra o jovem antes de fugir.

O homicídio ocorreu em uma casa na Rua Geová Fonseca Barbosa, no Bairro Benedito Rondon. Kauan estava sozinho no imóvel quando os suspeitos chegaram ao endereço.

A dupla teria forçado a entrada e arrombado a porta da sala. Já dentro da residência, os homens efetuaram diversos disparos de pistola contra o jovem, que morreu no local.

Depois do ataque, os dois suspeitos retornaram à motocicleta e fugiram. Testemunhas relataram que eles teriam gritado algumas palavras enquanto deixavam a região, mas moradores próximos não conseguiram identificar com clareza o que foi dito.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, foi morto a tiros dentro de uma residência em Rio Brilhante. Foto: Reprodução rede social.
 

A Polícia Militar foi acionada e realizou o isolamento da residência para preservar possíveis vestígios. Posteriormente, equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica foram chamadas para realizar os levantamentos necessários à investigação.

Prisão dias antes

O assassinato ocorreu apenas cinco dias depois de Kauan ter sido preso pela Polícia Militar. Na quinta-feira (17), ele e outro homem, de 30 anos, foram detidos no mesmo bairro onde ocorreu o homicídio.

Na ocasião, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros e 14 munições.

Kauan posteriormente deixou a prisão em liberdade provisória e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, equipamento que utilizava quando foi morto nesta terça-feira.

Informações preliminares apontam que o jovem era suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa possível relação, assim como as circunstâncias da prisão ocorrida na semana passada, deverá fazer parte das informações analisadas pelos investigadores.

Possível ligação com disputa entre facções

Uma das linhas consideradas inicialmente é a possibilidade de o homicídio estar relacionado à disputa entre organizações criminosas em Mato Grosso do Sul, especialmente PCC e Comando Vermelho (CV).

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que a execução tenha sido determinada por alguma facção nem de que a rivalidade entre os grupos tenha sido a motivação do assassinato. O fato de os autores terem gritado algo durante a fuga também deverá ser apurado. 

A Polícia Civil deverá agora buscar imagens de câmeras de segurança, ouvir testemunhas e levantar informações sobre os últimos dias da vítima para tentar reconstruir a dinâmica do crime e identificar os dois homens que chegaram de motocicleta.

Até o fechamento desta matéria, os autores do crime ainda não haviam sido identificados, e a motivação do homicídio permanecia sob investigação.

Transporte Público

Adriane diz que Guaicurus poderia colapsar novamente sem intervenção

Prefeita recebeu relatório dos primeiros 90 dias da medida, que aponta problemas financeiros, frota envelhecida e falhas na gestão do sistema

22/09/2026 15h00

Intervenção nos ônibus

Intervenção nos ônibus Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou nesta terça-feira (22) que o sistema de transporte coletivo da Capital poderia voltar a colapsar caso a Prefeitura não tivesse decretado a intervenção no Consórcio Guaicurus. A declaração foi feita por meio de nota, após a apresentação do balanço dos primeiros 90 dias da medida, iniciada em junho para evitar a interrupção dos serviços.

O relatório aponta que o sistema foi encontrado em situação de fragilidade financeira, com frota envelhecida, manutenção preventiva insuficiente, falhas de gestão e problemas nos controles. Segundo o diagnóstico, o conjunto de dificuldades aumentava o risco de paralisação e comprometia a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.

A intervenção começou em 16 de junho e teve como prioridade manter o transporte em funcionamento. Nesse período, o Município passou a acompanhar de forma mais direta despesas como folha de pagamento, diesel e aquisição de peças, além de reforçar os controles financeiros e de manutenção.

O balanço também aponta recuperação parcial da oferta de viagens nos meses de julho e agosto. Apesar disso, a situação estrutural do sistema ainda exige investimentos e medidas de longo prazo.

Entre os principais problemas identificados está a idade dos ônibus. A frota do transporte coletivo de Campo Grande tem idade média de 10,4 anos, segundo o relatório dos 90 dias.

A renovação dos veículos também é uma das principais cobranças da Câmara Municipal. Nesta terça-feira, o interventor jurídico do Consórcio Guaicurus, Alexandre Souza Moreira, entregou o relatório parcial ao vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana.

A entrega ocorreu uma semana após o presidente da Câmara, vereador Papy, cobrar publicamente informações sobre o andamento da intervenção e questionar a falta de novos levantamentos apresentados à Casa.

Ao receber o documento, Dr. Lívio afirmou que a continuidade do transporte não pode ser colocada em risco e destacou que a comissão manterá a renovação da frota entre as prioridades. O vereador também defendeu que todos os ônibus tenham ar-condicionado.

“Podemos afirmar, hoje, à população que não haverá interrupção dos serviços de transporte coletivo”, afirmou.

Futuro do consórcio

Além de avaliar os problemas encontrados durante a intervenção, o Município terá de definir o futuro do Consórcio Guaicurus. Uma das possibilidades em análise é a transferência do controle para um grupo empresarial de Goiás, negociação que ainda depende da avaliação e do aval da Prefeitura.

Adriane afirmou que uma eventual mudança no controle do consórcio dependerá da comprovação de capacidade técnica e financeira, além de compromissos com investimentos, renovação da frota e melhoria do serviço.

O relatório entregue à Câmara é parcial e corresponde aos primeiros 90 dias da intervenção. A comissão deverá analisar os dados apresentados pelos interventores e acompanhar os próximos encaminhamentos.

A Câmara também informou que pretende que o trabalho dos interventores seja concluído ainda em 2026, quando deverá ser

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