Cidades

Eleição Conselho Tutelar

População dá segunda chance a conselheiras que fizeram 'vista grossa' ao caso Sophia

Além disso, foram eleitos três candidatos impugnados, dois sub judice e um denunciado por crime eleitoral

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Campo Grande votou e decidiu dar uma segunda chance às duas conselheiras que atuaram no caso da menina Sophia, Ana Clara Sanches e Suelen Leme. Ambas já atuam no Conselho Tutelar da região norte e tentaram com êxito a reeleição por mais quatro anos.

Em entrevista ao Correio do Estado, os pais de Sophia, Jean Carlos Ocampo (pai biológico) e Igor de Andrade (pai afetivo), criticaram a eleição e saíram em defesa da realização de um concurso público para o cargo de conselheiro tutelar. 

"Quando se fala em eleição para Conselho Tutelar, ninguém vai pela capacidade de cuidar do direito das crianças. Vai pelo salário de R$10,9 mil. Quem não quer? Não deveria ser eleição, deveria ser um concurso público, em que o candidato de determinada área, como da saúde ou do direito, faz a prova. Assim, não se elegeriam pessoas despreparadas, que vão só pelo salário", declarou Igor.

O casal homoafetivo relembrou que foi vítima de homofobia ao denunciar reiteradamente as agressões que Sophia sofria ao Conselho Tutelar da região norte, da Capital. Para eles, Sophia foi vítima desse preconceito e o conselho tutelar foi coautor do que aconteceu com a criança, devido as negligências cometidas.

A advogada dos pais de Sophia, Janice Andrade, revelou que entrará com notícia-crime contra as conselheiras tutelares envolvidas no caso. 

"Eu fiquei muito enojada quando vi que a bandeira que elas levaram até as redes sociais era em defesa da família, e isso é inacreditável. Sabemos que a maioria das violências acontece no seio das famílias", disse a advogada.

Ana Clara Sanches entrou em contato com o Correio do Estado por ligação, na qual afirmou que na época que atendeu o Jean Carlos, estava apenas cobrindo as férias de um colega. Além disso, pontuou que o Conselho Tutelar fez tudo que poderia ser feito. 

Caso Sophia -  Sophia de Jesus Ocampo, de dois anos, chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande, no dia 26 de janeiro, após ser espancada pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos, e pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva.

O laudo necroscópico indicou que a pequena Sophia morreu por um traumatismo na coluna causado por agressão física.  A criança apresentava, ainda, sinais de estupro, crime comprovado após análise feita pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). 

Eleições 

36.540 campo-grandenses foram às urnas, neste último domingo (1º), e elegeram  40 titulares do Conselho Tutelar que vão atuar na gestão de 2024 a 2027. Dentre os eleitos, estão três candidatos impugnados, dois sub judice e um denunciado por crime eleitoral.

Cristiane Souza foi impugnada por abuso político-partidário, Suelen Leme Serrano por abuso e/ou propaganda em templo religioso e Daniel Castro Lima, após denúncia de boletins de ocorrência por agressão contra criança e mulher. Além de porte ilegal de arma.

Já entre os eleitos sub judice, que possuem processos tramitando na justiça, estão: Marcelo Marques de Castro, que já atua a 12 anos no cargo e Hellen Prado Benevides.

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, os eleitos que haviam tido a candidatura impugnada, com publicação no Diário Oficial do município, violaram as regras de campanha eleitoral estabelecidas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Após diversas denúncias, impugnações e disseminação de fake news, concorreram 120 candidatos às 40 vagas de titulares. O processo eleitoral ocorreu por meio de voto em urna eletrônico. 

Nossa equipe de reportagem entrou em contato com as conselheiras reeleitas, Ana Clara Sanches e Suelen Leme Serrano, mas até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

Confira a lista completas com os 40 eleitos (2024/2027):  

1.    Anna Paula Falcão
2.    Ana Clara Sanches (Caso Sophia)
3.    Ana Cláudia Palmeira
4.    Letícia Louveira
5.    Carol Marquez Zamboni
6.    Débora Machado Castro
7.    Tatiane Oliveira
8.    Larissa Abdo
9.    Moisa Nascimento
10. Raffael Oliveira Brugeff
11. Syelli Ferreira Correa Pereira
12. Silvana M
13. Adriana Marques
14. Renata Carla de Lima
15. Adriano Vargas
16. Aline Ayala
17. Any Gabrieli Ribeiro
18. Cris Cantieri
19. Suellen Gomes
20. Fernanda Valiente
21. Jacob Alpires Silva Filho
22. Tia Micheli
23. Eliane Diniz de Souza
24. Sandra
25. Gislaine Spessoto
26. Cristiane Souza
27. Joana Queiroz
28. Professora Nathália Oliveira
29. Huanna Porto
30. Heloisa Oliveira
31. Hellen Queiroz (sub judice)
32. Conselheira Suelen Leme
33. Carol Kalache
34. Suênia
35. Marcelo Marques (sub judice)
36. Bianca Varoni
37. Daniel Castro Lima
38. Mariany Ferreira Macedo
39. Adriana Dias
40. Professora Gleice

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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte e suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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