Cidades

NOVA ANDRADINA

Prefeito bolsonarista rejeita presídio; recurso deve ser revertido para Complexo da Gameleira

Mandatário disse que consultou setores da sociedade, que também se posicionaram contra. De acordo com ele, o presídio pode aumentar a criminalidade no município

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Por temer que o índice de criminalidade cresça na cidade, o prefeito de Nova Andradina, Gilberto Garcia (PL), afirmou ser contrário à construção de um presídio na cidade. O recurso para a obra já está garantido e agora será empregado na ampliação do Complexo da Gameleira, onde, ao todo, serão construídas mais três unidades.

A cidade entrou na rota para a expansão do sistema prisional de Mato Grosso do Sul, sendo que no início o plano era implantar um presídio de pequena complexidade no município, outro em Jardim e mais dois em Campo Grande, que agora ficou com três.

O termo de compactuação entre a União e o Estado foi publicado nesta sexta-feira (15), no Diário Oficial nacional. O recurso destinado é de R$ 15 milhões, do R$ 60 milhões que devem ser injetados para a ampliação do sistema penitenciário. 

Garcia chegou a telefonar para o titular da secretaria estadual deJustiça e Segurança Pública (Sejusp) para informar que não concorda com a construção porque ter um presídio não é uma demanda da população local. 

“Conversei com o Dr. Antônio Carlos Videira e repassei a ele o descontentamento da comunidade com a possibilidade de receber mais uma unidade penal, além da que já temos na nossa área urbana.”, informou o prefeito que destacou que não é o único descontente com a situação. 

De acordo com ele, antes de ligar para Videira, teria consultado os vereadores da cidade, bem como empresários, membros do Conselho Comunitário de Segurança, prestadores de serviço e forças da segurança pública. 

“Concluímos que Nova Andradina não concorda com a construção desta unidade prisional", finalizou. 

De acordo com o relatado pelo prefeito, na mesma ligação o secretário de Segurança de MS afirmou que a obra não irá mais acontecer no município e a verba será destinada para o Complexo da Gameleira, que deve ter mais três presídios.

Em nota, a pasta informou que a cidade não tem um terreno adequado para a construção de um presídio com capacidade para quase 500 pessoas. Assim, os recursos serão destinados para a construção de mais uma unidade no Complexo da Gameleira, onde já estavam planejados mais dois presídios que serão erguidos com o mesmo recurso do Ministério da Justiça. 

“Em Nova Andradina não se encontrou um terreno, disponível para doação, com instalação de água, de energia elétrica e esgotamento sanitário com capacidade para atender a demanda de um presídio para quase 500 presos. Dessa forma, serão construídos mais três presídios no Complexo da Gameleira e mais um em Jardim.”, afirmou a nota

TERMO DE COMPACTUAÇÃO 

O descontentamento do prefeito de Nova Andradina foi divulgado após a publicação do termo de compactuação entre a União e MS para o direcionamento de R$15 milhões em recursos para serem usados na construção de quatro unidades prisionais, incluindo a de Nova Andradina, que não vai mais ser feita.

Ao todo serão repassados R$60 milhões para as obras. Dois presídios serão levantados em Campo Grande, no complexo da Gameleira e o outro será em Jardim, também no interior de MS. Os novos presídios vão garantir mais 1.600 vagas no sistema prisional de MS.

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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte e suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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