Desviar dos buracos nas ruas de Campo Grande tem sido uma rotina para os motoristas que trafegam pela Capital. O serviço de tapa-buracos tem feito, segundo o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, cerca de 2,1 mil reparos por dia, porém, o trabalho ainda não deu conta de reduzir a grande quantidade de crateras espalhadas pela cidade.
Em uma conta de padaria, a estimativa é de hajam cerca de 300 mil buracos na cidade e, conforme dados da Sisep, de janeiro até agora foram tapados 46.112 crateras nas ruas de Campo Grande até quarta-feira.
Só em janeiro foram 34.854 buracos tapados na Capital e, conforme a Sisep, esse número pode ser ainda maior, já que segundo eles quando há mais de um buraco próximo ao outro, muitas vezes eles são contabilizados como apenas um.
Segundo Miglioli, no início do ano a estimativa era de que 1,6 mil buracos eram tapados todos os dias, número que agora ele diz que conseguiram saltar para 2,1 mil diários.
“Essa chuvarada que tivemos em Campo Grande, de 200 milímetros, tem atrapalhado muito para conseguirmos reduzir os buracos, porque muitas vezes passamos com o serviço, depois vem a chuva e abre outro buraco na via ao lado do que fechamos. Mas todas as equipes estão na rua, temos uma agenda de reparos e tem que persistir no trabalho”, afirmou o secretário.
Segundo Miglioli, algumas vias como as Avenidas Cônsul Assaf Trad, Marechal Deodoro e Gunter Hans tiveram trabalho especial com o serviço de tapa-buraco e estão melhores do que estavam antes, porém, vias que não são consideradas “estruturantes” não têm a mesma sorte.
No Bairro Jockey Club, por exemplo, a Rua do Boticário está quase que intransitável, com tantos buracos que fica quase impossível que os motoristas que por ali passam não caiam em algum.
Rua do Boticário, no Bairro Jockey Club, está toda esburacada, o que dificulta a vida dos motoristas que por ali tentam trafegar - Foto: Gerson Oliveira / Correio do EstadoCrateras também foram encontradas na Avenida Europa, na Vila Jaci, e na Avenida Calógeras, assim como na Rua Jornalista Belizário Lima, na Vila Glória, que fica muito próximo do Centro do Campo Grande.
Buraco também persiste em trecho da Avenida Calógeras - Foto: Gerson Oliveira / Correio do EstadoPara o secretário, por causa dessa “aceleração” no serviço de tapa-buraco, em dois meses ele afirma que a cidade teve ter melhora na malha asfáltica.
“Dentro de 30 a 60 dias a realidade das ruas de Campo Grande deve ser bem diferente. Fomos muito afetadas por conta dos estragos das chuvas”, avalia Miglioli.
CHUVAS
De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Campo Grande já acumula quase 300 milímetros de chuva de janeiro até agora. Foram 152,2 mm no mês passado e, até ontem, já haviam sido registrados 146,2 mm na Capital.
Esse início de ano mais chuvoso causou estragos na Capital, principalmente na região da rotatória das Avenidas Ernesto Geisel e Rachid Neder. Naquela área, em pelo menos duas oportunidades no mês passado o asfalto foi arrancado e as equipes da prefeitura tiveram que refazer o pavimento.
Segundo o secretário, apenas uma obra milionária poderia solucionar o problema daquela área, como mostrou o Correio do Estado em reportagem de janeiro.
No mês passado a Prefeitura de Campo Grande refez o pedido que havia feito em 2023, na época do lançamento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), por R$ 80 milhões para serem investidos na margem direita do Córrego Segredo.
Segundo Miglioli, a obra seria feita na Rua Corguinho, mas resolveria parte do problema, já que a margem esquerda do Segredo ainda ficaria para um futuro. Somando as duas margens, o projeto totalizariam R$ 200 milhões, verba que o secretário afirma ser mais difícil de conseguir.
O governo federal, porém, já negou enviar este valor, conforme o secretário, e agora a Prefeitura Municipal de Campo Grande espera abrir novamente os pedidos para o Novo PAC para refazer, pela terceira vez, o pedido.


