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correia de longa distância

Irmãos Batista projetam inédita "estrada rolante" de 12 km em MS

Instalação de uma correia para o transporte de minérios na morraria de Corumbá deve tirar 300 caminhões por dia das estradas secundárias da região da mineração

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Para reduzir a circulação de caminhões com minérios na região de morraria de Corumbá e Ladário, a LHG Mining, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pretende fazer uma espécie de "estrada rolante" de pelo menos 12 quilômetros para transportar boa parte dos minérios que extrai na região. A distância equivale ao trajeto entre o centro de Campo Grande e as Moreninhas.

Um dos primeiros passos para instalação daquilo que chamam de Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) foi dado nesta terça-feira, quando um decreto do Governo do Estado desapropriou 846 hectares de nove proprietários ao longo dos quais será instalada esta "estrada rolante". 

Conforme a publicação do diário oficial, das áreas desapropriadas, 338,5 hectares já pertencem à mineradora e os 507 restantes estão em nome de outros proprietários. O valor das indenizações ainda não foi definido. 

A instalação da esteira para o transporte de minérios faz parte do pacote de investimentos de R$ 4,03 bilhões qua a LHG, empresa do grupo J&F, está fazendo desde o ano passado na extração de minérios. Conforme o Estudo de Impacto Ambiental, a meta é elevar a extração de 12 milhões para 25 milhões de toneladas anuais. 

No estudo de impacto ambiental a empresa informa que "o minério produzido na Planta de Beneficiamento será enviado por correia transportadora, com extensão de 12 km, até o pátio de estocagem de produtos, onde serão formadas pilhas. As correias serão cobertas, evitando o arraste de poeira pelo vento". 

Para conseguir a licença de operação, a empresa informou que esta "estrada rolante" levaria os minérios até as proximidades da ferrovia. Deste ponto, o transporte seria feito de trem até o porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, de onde os minérios são escoados pelo Rio Paraguai rumo ao mercado internacional

Porém, desde o começo de dezembro do ano passado a empresa suspendeu o transporte ferroviário e desde então todo o material é levado de caminhão entre o distrito de Maria Coelho e Porto Esperança. Por trem, esse trajeto era de 46 quilômetros. 

Depois da suspensão do transporte ferroviários, centenas de caminhões passaram a utilizar a BR-262 para levar o minério até o porto. Somente nos primeiros nove meses do ano passado  a LHG despachou 4,2 milhões de toneladas de minérios pelo Rio Paraguai a partir do terminal Gregório Curvo, que funciona na margem esquerda do Rio Paraguai.

De acordo com o Coordenador de Mineração da Secretria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc), Eduardo Pereira, a implantação do TCLD representa um avanço relevante do ponto de vista ambiental e de segurança. 

De acorco com ele, “a implantação do Transportador de Correia de Longa Distância até o Terminal Ferroviário do Menkc vai retirar das estradas sinuosas que ligam as jazidas cerca de 300 caminhões diariamente". 

Atualmente, cada caminhão, explica ele, leva em torno de 40 toneladas de minério partindo de áreas com altitude de 900 metros. Por conta da morraria, as estradas são tomadas por uma série de curvas e por isso o percurso que os caminhões fazem é bem superior aos 12 quilômetros que essa correia terá, já que ela será praticamente em linha reta.

Por dia, então, a "estrada rolante" vai fazer o transporte de cerca de 12 mil toneladas de minério. "Isso significa redução expressiva das emissões de CO, mais segurança viária, preservação de vidas e menor impacto ambiental", segundo Eduardo Pereira.

No estudo de impacto ambiental a LHG também destaca a relevância desta correia dizendo que "a implantação da correia transportadora de minério ajudará a reduzir os impactos sonoros ao substituir parte do transporte rodoviário, minimizando os efeitos no ambiente". 

Embora atualmente esteja suspenso o transporte ferroviário, o projeto da LHG prevê a construção de um novo terminal de embarque (Pera Ferroviária) às margens da ferrovia, evidenciando que no futuro a empresa pretende retomar a modalidade. A ferrovia deve passar por nova licitação em novembro deste ano.

Embora já exista em outros estados, como Minas Gerais e Pará, esta será a primeira correia de longa distância a ser utilizada no setor de mineração em Mato Grosso do Sul. 

COMPENSAÇÃO

Nesta quarta-feira (11), publicação do diário oficial do Governo do Estado revela que a mineradora LHG Mining fará um repasse superior a R$ 53,2 milhões à administração estadual a título de compensação ambiental por conta da ampliação das atividades de mineração em Corumbá e Ladário.  

Como a atividade de mineração é considerada como sendo de alto potencial poluente, a compensação ambiental equivale a 1,32% de todo o investimento previsto pela mineradora. 

Depois da conclusão dos investimentos, conforme o estudo de impacto ambiental, haverá significati va contratação de pessoal para a execução de atividades administrativas e atividades operacionais de lavra, beneficiamento, transporte e operação do pátio de produtos e pera ferroviária.

A previsão é de que haja necessidade de contratação de 551 pessoas, elvando o volume de empregos de 969 para 1.520 pessoas. 

Mas, durante a fase implantação das atividades de ampliação, a geração de vagas será b em maior. Durante o pico da fase  de implantação serão necessários cerca de 4.300 trabalhadores, com alojamento para 2.600 operários na área do projeto, informe o estudo de impacto ambiental. 

 

obrigatório

Pagamento do licenciamento de veículos começa neste mês em MS

Proprietários de veículos com placas final 1 e 2 devem pagar o licenciamento até o fim de abril; circular sem o licenciamento em dia é infração gravíssima e pode gerar multa de R$ 293,47

03/04/2026 15h01

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril Divulgação

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O pagamento do licenciamento de veículos começou neste mês em Mato Grosso do Sul. O calendário para o ano de 2026 foi divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) no início do ano.

De acordo com o Detran, em abril deve ser pago o licenciamento de veículo placas final 1 e 2. O calendário termina em outubro, para placas de final 0.

O licenciamento é um procedimento anual e obrigatório que autoriza o veículo a circular pelas vias, atestando que o automóvel encontra-se em conformidade com as normas de segurança e ambiental para o setor automotivo.

O Detran alerta para que cada proprietário se atente ao prazo de pagamento para sua placa, pois trafegar com o veículo não licenciado é uma infração gravíssima, com aplicação de multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira nacional de habilitação (CNH) e possibilidade de remoção do veículo em caso de fiscalização.

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Como pagar

O proprietário do veículo, no mês correspondente a sua placa, pode pagar a taxa em um dos canais de autoatendimento do Detran, no portal de serviços “Meu Detran” ou em uma das agências do Detran-MS do Estado.

A taxa de licenciamento pode ser paga pelo autoatendimento, no portal de serviços Meu Detran ou pelo aplicativo Detran MS. Ou o cidadão pode buscar atendimento presencial em uma agência do Detran-MS.

O valor é de 4,53 Unidades Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul (Uferms), para todos os tipos de veículos. A Uferms é definida mensalmente e, para abril, o valor é de R$ 53,09.

Desta forma, para pagamentos dentro do prazo de vigência o valor do licenciamento é de R$ 240,50. Caso o pagamento seja feito após, o valor sobe para 5,88 Uferms, o que equivale a R$ 312,17, na cotação de maio.

Quem realiza o pagamento em dia pode parcelar no cartão de crédito em até 12 vezes, com a regularização imediata da situação do veículo.

Com a quitação do licenciamento, proprietário pode emitir o Certificado de Registro Veicular (CRV) e o Certificado de Registro de Licenciamento de Veículos (CRLV), que desde 2021 foi unificado e passou a ser digital: o CRLV-e, ou CRVL Digital.

O documento é de porte obrigatório e deve ser apresentado à autoridade de trânsito quando solicitado, seja por documento físico ou digital pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

MEIO AMBIENTE

Pantanal de MS deve ganhar novas áreas protegidas em breve

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, disse que estudos demandam tempo até que uma decisão finalmente saia do papel

03/04/2026 14h30

João Paulo Capobiano durante o último dia de COP15, em Campo Grande

João Paulo Capobiano durante o último dia de COP15, em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Após ser deixado de fora dos decretos ambientais assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas vésperas da 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), em Campo Grande, o Pantanal de Mato Grosso do Sul deve receber novas áreas protegidas nos próximos meses.

No dia 22 de março, um dia antes da abertura oficial da COP15, o presidente Lula esteve em Campo Grande para participar do segmento presidenciável do evento. Durante sua presença, foram assinados três decretos ambientais, dois envolvendo o Pantanal mato-grossense e o outro o Cerrado de Minas Gerais.

Pela conferência ser sediada em Mato Grosso do Sul, chamou a atenção o Pantanal sul-mato-grossense ter sido deixado de lado. Em visita ao Correio do Estado, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, explicou que o processo para uma área protegida sair do papel demanda tempo, o principal motivo para o bioma de MS não ter sido envolvido nos decretos.

“É um processo longo. Um processo muito demorado, por quê? Você precisa identificar uma área, você tem que fazer todos os estudos científicos para justificar. E esse é um processo que está bem definido na lei que estabeleceu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação. É uma lei muito rigorosa. Então, você tem um estudo todo para identificar todos os fatores que justificariam a criação daquela área”, disse.

O ministro ainda detalha que após a conclusão dos estudos, uma audiência pública é marcada com as pessoas que estão direta ou indiretamente inseridas naquela área, o que também acaba acarretando em mudanças no projeto final a depender da reação e opinião dessas pessoas. Depois dessa etapa, chega a parte jurídica e técnica, que envolve outros ministérios e governos.

Mesmo assim, Capobianco afirmou que o Pantanal de MS deverá passar por novas decisões assim que os estudos estiverem “maduros” para serem lançados.

“Nós tínhamos trabalhado para o Pantanal a ampliação do Parque Nacional e da Estação Ecológica [ambos de Mato Grosso] que já existiam. Esses estudos já estavam feitos há muitos anos, era uma demanda muito antiga. Agora tem vários estudos sendo analisados para o Pantanal do Mato Grosso do Sul, mas que não estavam maduros ainda. Vão seguir agora todo esse processo, nos próximos meses e anos, até ficar maduro para uma decisão”, conclui.

Resultados da COP15

Encerrada no último domingo em Campo Grande, a COP15 serviu para colocar espécies presentes no Pantanal como centro de debates na ampliação da proteção e da conservação.

Ao final da conferência, as negociações, decisões adotadas e resultados são divulgados publicamente para que se tenha conhecimento do que foi discutido durante os seis dias de evento. No dia 29, foi anunciado que 40 espécies, subespécies e populações foram incluídas ou reclassificadas nos anexos 1 e 2 da convenção como resultados dos debates realizados na Capital sul-mato-grossense.

À reportagem, João Paulo Capobianco citou como exemplo a ariranha (de nome científico Pteronura brasiliensis), a maior espécie de lontra do mundo e um predador de topo no Pantanal, que passou por sérios riscos de extinção nos últimos anos e que ainda enfrenta ameaça.

“Quando essa espécie entra no anexo 1, todos os países onde essa espécie ocorre, obrigatoriamente, têm que adotar medidas de proteção muito restritas. O Brasil já tem lista de espécies ameaçadas, mas tem outros países que não têm. Então, obrigatoriamente, a ariranha ganha proteção em todos os países onde ela ocorre”, explica.

“No anexo 2, que a ariranha também entrou, visa a cooperação entre países. Os países têm que cooperar. Então, são assinados os acordos de ação concertada onde cada país deve cuidar das ações no seu território necessárias a garantir a proteção daquela espécie no momento em que ela passa por seu território”, completa Capobianco.

Em nota divulgada ontem citando os resultados principais da conferência, o ministério detalha que a proposta de incluir a ariranha nos dois anexos foi realizada pela França, com Peru, Bolívia, Panamá, Equador, Paraguai, União Europeia, Senegal e Venezuela. De forma óbvia, o Brasil apoiou a proposição francesa.

Ademais, o peixe surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), conhecido apenas como pintado, também participou dos debates. No final, ele foi incluído no anexo 2, depois de uma proposta que partiu do Brasil e que deve contribuir com a conservação nos outros países onde a espécie é encontrada, como na Argentina, na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.

“O pintado é um peixe de muito interesse para a segurança alimentar, turismo e alimentação. É uma espécie que fomenta uma atividade econômica muito importante. O Brasil faz toda a lição de casa para proteger essa espécie. Só que a Argentina, o Uruguai e o Paraguai não fazem essa lição de casa. A gente pode perder essa espécie mesmo com o Brasil fazendo tudo possível para proteger essa espécie. Esse é o sentido da convenção”, afirma o presidente da COP15.

O pintado está, assim como a ariranha, presente no Pantanal sul-mato-grossense, principalmente na Bacia do Alto Paraguai, principal bacia que banha o bioma.

As aves maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus) e maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica) foram incluídos no anexo 1, enquanto o caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) foi adicionado no anexo 2. Todas essas espécies também são vistas no Pantanal de Mato Grosso do Sul, com alta capacidade de migrar para outros países.

Saiba

Na terça-feira, Capobianco subiu de secretário-executivo para ministro da Pasta, depois de Marina Silva renunciar ao cargo para se candidatar às eleições de 2026, ainda sem definição se irá tentar uma das vagas no Senado Federal ou ser vice na chapa de Fernando Haddad para o governo do Estado de São Paulo.

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