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NOVELA

Prefeitura esperava receita extra de R$ 10 milhões com IPTU acima da inflação

Secretário disse que desconto de 20% para pagamento à vista é inviável, mesmo com ação da OAB-MS ainda em sub judice

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Antes da decisão judicial mandar a Prefeitura de Campo Grande recalcular o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) dentro do índice inflacionário, o Município tinha a expectativa de arrecadar R$ 10 milhões a mais aos cofres públicos com o aumento considerado abusivo pelas esferas judiciais de Mato Grosso do Sul.

Em conversa com o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses da Silva Rocha, ele afirma que os cofres campo-grandenses sofrerão um impacto financeiro considerável diante do recálculo que deverá ser feito até o início de março, e que poderia ser ainda pior caso os vereadores tivessem votado para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) referente ao novo estilo de cobrança da taxa do lixo.

“Seria maior [o impacto] se permanecesse a alteração que foi promovida pelo Legislativo em relação à taxa do lixo e se a gente tivesse mantido o desconto de 20% também, seria um impacto grande. Acredito que essa diferença de alíquota e a redução vai impactar, aproximadamente pelos cálculos iniciais, uns R$ 10 milhões”, pontua Rocha.

Vale lembrar que a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) ingressou com um agravo no mandado de segurança feito na semana passada pedindo que, além do recálculo para os contribuintes que tiveram aumento além da inflação, também haja o retorno do desconto de 20% para o pagamento à vista do imposto, como foi feito em anos anteriores. Pedido que não havia decisão até o fechamento desta matéria.

Especificamente sobre essa ação, Rocha disse que é inviável para o Município aplicar um desconto de 20% e comparou com o modelo que é feito em São Paulo.

“Na verdade, isso aí cabe exclusivamente ao chefe do Poder Executivo. Todos os cálculos que fizemos mostraram que é inviável manter esse desconto. São Paulo é [de] 3%, como é que eu vou manter [desconto de] 20%? Não tem jeito”, explica o secretário sobre a ação que, até o fechamento desta edição, não houve decisão do Judiciário.

Desde o início da polêmica sobre o aumento do IPTU, a Prefeitura de Campo Grande vem dizendo que essa redução pode impactar nas contas públicas, e afirmando até poder ter problemas para cumprir a folha de pagamento dos servidores.

Sobre isso, Ulisses Rocha afirmou que já em janeiro a administração municipal sentiu o impacto. Conforme dados dele, no ano passado, no mesmo mês, a administração municipal havia arrecadado R$ 350 milhões, enquanto no mês passado foram apenas R$ 177 milhões.

OUTRA AÇÃO

Além do pedido da OAB-MS, foi anexado a ação civil pública da Associação dos Advogados Independentes (Advi) o documento com a decisão do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), em um trecho em que o desembargador Dorival Renato Pavan versa sobre a taxa do lixo, encargo que é cobrado no carnê do IPTU.

“Tanto para o IPTU quanto para a taxa de coleta, remoção e destinação de resíduos sólidos, havia necessidade de lei em sentido formal, aprovada pelo Legislativo Municipal, por proposta do Executivo, amplamente discutida pela população através de suas entidades de classe, para possibilitar a alteração tanto a base de cálculo quanto, consequentemente, dos valores a serem pagos pelo contribuinte, lei essa que deveria observar os princípios da anterioridade”, afirma.

“O contribuinte, ante a ausência de lei formal, tem o direito de pagar ambos os tributos apenas com o acréscimo da variação nominal da inflação, medida pelo IPCA-E [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial], sem qualquer outra modificação na base de cálculo, a menos que a Câmara Municipal tivesse aprovado lei ou leis em tal sentido, o que não ocorreu”, completou o desembargador.

Por causa disso, a associação incluiu esse trecho em sua ação e pede que a decisão do desembargador seja levada em consideração ao pedido de que também a taxa do lixo seja recalculada e que apenas se mantenha o aumento relativo à inflação do período. Porém, também não houve nova movimentação até o momento.

ÚLTIMO DIA

Ontem foi o último dia estabelecido pela Prefeitura de Campo Grande para o pagamento do IPTU à vista com desconto e também para quem quer pagar parcelado, com o vencimento da segunda parcela. Por causa disso a Central de Atendimento ao Cidadão (CAC) ficou lotada, o que resultou em longa espera.

No último dia para pagamento do IPTU à vista, Central do Cidadão permaneceu lotada de contribuintes com dúvidas sobre a cobrançaNo último dia para pagamento do IPTU à vista, Central do Cidadão permaneceu lotada de contribuintes com dúvidas sobre a cobrança - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

A reportagem conversou com os munícipes e a reclamação girava em torno do valor do IPTU. Alguns não entendiam a cobrança nas guias e, em meio a isso, houve situações como o recálculo comparando a cobrança do ano anterior com a deste ano, para saber se o aumento estava dentro ou acima do IPCA-E.

Situação que ocorreu com o advogado Sérgio Maidana, de 60 anos. Ele percebeu um aumento expressivo em uma sala comercial que aluga, na Rua Arthur Jorge, e, ao procurar auxílio de um auditor fiscal, verificou que o valor ultrapassava em cerca de 50% a inflação.

“Tenho uma sala. Era R$ 1.932,00 com a taxa de lixo no ano passado, pagamento à vista. Agora o pagamento à vista foi para R$ 2.814,10. Estou impugnando esse valor. Inclusive estive olhando, está muito acima [dos 5,32% do IPCA-E], quase 50%”, disse Sérgio.

O munícipe recebeu orientação dos auditores fiscais para entrar com impugnação da cobrança do imposto do imóvel, por estar acima da inflação.

“Vou entrar com recurso para impugnar esse lançamento, para que eles façam uma revisão. É isso que estou fazendo agora”, pontuou.

*Saiba

Apesar de alegar queda na arrecadação de R$ 10 milhões, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que apenas 15,2 mil boletos do IPTU deveriam ser suspensos para serem recalculados.

(Colaborou Laura Brasil)

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GASOLINA PARA AVIAÇÃO

Estado compra querosene para aeronave em combate a incêndio no Pantanal

Governo de MS dispõe de aeronaves air-tractors, do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), utilizadas para despejar milhares de litros de água em caso de queimadas

13/02/2026 09h40

Aeronave Air Tractor (modelo AT-802F)

Aeronave Air Tractor (modelo AT-802F) Foto: Chico Ribeiro

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Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), comprou gasolina e querosene, de forma emergencial, para aeronaves utilizadas no combate aos incêndios no Pantanal Sul-mato-grossense.

O Estado dispõe de aeronaves air-tractors, do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), utilizadas para despejar milhares de litros de água em caso de queimadas.

O objetivo é prevenir e combater incêndios no Pantanal e proteger a fauna, flora, vegetação, biodiversidade e ecossistema do local.

O contrato foi firmado com a empresa Espadarte Comércio de Petróleo e Derivados LTDA. O valor do investimento é de R$ 3.079.080,00. O prazo de vigência da contratação será de um ano.

Extrato do Contrato nº 209/2025/Sejusp foi assinado na última sexta-feira (6) e publicado, nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS).

Confira o trecho redigido no Diário Oficial:

Aeronave Air Tractor (modelo AT-802F)

QUEIMADAS

As queimadas transformam cenários verdes e cheios de vida em cinzas e mortes. O fogo destrói matas, áreas verdes, vegetações, florestas, biodiversidade e espécies nativas de Mato Grosso do Sul.

São extremamente nocivas ao meio ambiente, pois emitem poluentes atmosféricos, reduzem a biodiversidade, destroem matas, devastam a vegetação, prejudicam a fauna e flora, eliminam a cobertura vegetal nativa, comprometem florestas, campos e savanas e matam o ecossistema.

Mudanças climáticas, calor excessivo, escassez de chuvas e baixa umidade relativa do ar favorecem a ocorrência de queimadas no Estado.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), a área queimada caiu 92,4% no bioma, em 2025, em comparação a 2024. Também houve queda na área queimada do Cerrado, de 70,5%, comparado a 2024.

434 focos de fogo foram registrados no Pantanal em 2025, enquanto em 2024, foram 8.156.

PREVENÇÃO

As formas de evitar a propagação de incêndios florestais no Pantanal são:

  • Implementar aceiros - faixas desprovidas de vegetação que servem para barrar o fogo e impedir que ele continue seu rumo
  • Manter terrenos limpos e capinados
  • Evitar jogar pontas de cigarro acesas na vegetação à beira de rodovias
  • Realizar queimadas na época correta, frequência correta e locais corretos, chamadas popularmente de queimadas preventivas ou controladas
  • Chuva
  • Evitar o uso de fogo em julho, agosto e setembro, meses do inverno, pois as condições climáticas são desfavoráveis para a época

 

OPORTUNIDADE

MS abre pré-cadastro para pagar creche ou cuidador à filhos de mães solo

Criança na Creche garante R$ 600 por criança de até 3 anos a beneficiárias do Mais Social e permite custeio de cuidador com exigência de certidões e fiscalização

13/02/2026 09h30

O objetivo é assegurar que as crianças fiquem em ambiente seguro enquanto as mães trabalham para promover independência financeira e melhores condições de vida

O objetivo é assegurar que as crianças fiquem em ambiente seguro enquanto as mães trabalham para promover independência financeira e melhores condições de vida Divulgação

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O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul está com pré-cadastro aberto para o programa Crianças na Creche, iniciativa voltada a mães solo beneficiárias do Mais Social que precisam trabalhar e não tem com quem deixar os filhos pequenos. O procedimento deve ser feito no site da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead).

O programa, oficialmente denominado Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, garante o pagamento de R$ 600 por filho com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias. O objetivo é assegurar que as crianças fiquem em ambiente seguro enquanto as mães trabalham para promover independência financeira e melhores condições de vida.

Desde dezembro de 2025, o Criança na Creche foi ampliado e passou a permitir que os filhos também fiquem sob cuidados de cuidador particular, além das unidades de educação infantil. Neste caso, o cuidador deverá apresentar certidões negativas cíveis e criminais da Justiça Estadual e Federal e assinar uma declaração comprometendo-se a seguir as normas do Programa e a zelar pelo bem-estar da criança.

Também será necessário indicar formalmente o local onde o atendimento ocorrerá, para possibilitar visitas e acompanhamento da equipe técnica. 

Critérios e regras

O beneficiário tem caráter temporário e não gera direito adquirido ao seu recebimento. Ele não pode ser acumulado com outros programas de transferência de renda, exceto com o BPC (Benefício de Proteção Continuada) e o Mais Social.

Para ampliar as oportunidades dos beneficiários, o programa prevê ainda o pagamento adicional de R$ 300 às mulheres que estiverem frequentando ensino regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA), conforme regulamentação. 

Podem participar as mulheres que

  • Ser beneficiária do Programa Mais Social;
  • Ter responsabilidade por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias; em caso não se trate de mãe biológica, comprovar a guarda legal;
  • Comprovar a matrícula da criança, de 3 (três) em 3 (três) meses, em ambiente educador que promova o aprendizado individual em estabelecimento regular, equivalente aos Centros de Educação Infantil;
  • Estar inscrita no CadÚnico;
  • Possuir renda per capita não superior a 1/2 (meio) salário mínimo nacional vigente;
  • Comprovar o vínculo empregatício ou a titularidade de microempresa que justifique a necessidade do benefício.

O pré-cadastro passa por triagem para verificar o atendimento aos requisitos legais e a inexistência de vaga em creche pública. A Superintendência do Mais Social realiza cruzamento de dados, emite parecer técnico e mantém monitoramento contínuo das beneficiárias contempladas.

Como fazer o pré-cadastro

Para se inscrever, a interessada deve acessar o portal da Sead, clicar na opção de pré-cadastro do programa Mulher Trabalhadora - Criança na Creche, preencher as informações solicitadas e enviar o formulário. O preenchimento, porém, não garante concessão automática do benefício, já que o pedido será analisado pela equipe técnica.

Mais Social

Com mais de 43 mil famílias atendidas, o Programa Mais Social assegura segurança alimentar por meio de cartão destinado exclusivamente à compra de alimentos, gás de cozinha, produtos de limpeza e higiene. É proibida a aquisição de bebidas alcoólicas e produtos à base de tabaco.

O benefício é destinado a famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, residentes em Mato Grosso do Sul há pelo menos dois anos, com prioridade para núcleos chefiados por mulheres, com crianças e mulheres em situação de violência doméstica.

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