Cidades

INFRAESTRUTURA

Prefeitura promete retomar tapa-buraco "com força total" a partir de segunda

Titular da Sisep afirma que ideia é regularizar a situação financeira e voltar com o serviço em todas as regiões da Capital

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Marcelo Miglioli, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), disse que o serviço de tapa-buracos deve ser retomado por completo a partir de segunda-feira, problema que entrou em caso de urgência após as fortes chuvas que atingiram Campo Grande nos últimos dias.

Em conversa com o Correio do Estado na quinta-feira, o secretário havia dito que os buracos nas vias deveriam demorar mais para serem resolvidos, complementando que, enquanto a situação financeira não fosse equalizada, o problema deveria persistir na Capital. Entretanto, nesta sexta-feira, ele garantiu que o serviço deverá ser retomado.

Vale ressaltar que, no início deste mês, o Executivo municipal decretou corte de gastos e, consequentemente, diminuição na jornada de trabalho nas pastas e outros serviços que a englobam a Sisep. Motivado pelo endividamento com as empresas, os contratos não estavam sendo cumpridos como deveriam, e, sim, com revezamento de dias e regiões onde seriam feitos os tapa-buracos. 

Porém, Miglioli afirmou que os tapa-buracos devem voltar “com força máxima” na próxima semana. “Acredito muito que, no início da semana, nós vamos estar com esse assunto resolvido. A nossa intenção e os caminhos que nós estamos construindo são para voltar com os sete contratos nas sete regiões”, disse.

Além da questão dos buracos, o asfalto, em alguns trechos importantes da cidade, também sofreu grandes prejuízos com as chuvas, que chegaram a alcançar os 111 milímetros entre a noite de quarta-feira e a tarde de quinta-feira. 

Na rotatória entre as Avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel, o Córrego Segredo transbordou e alagou a região, o que resultou em consequências estruturais no local. O asfalto, no local, foi quase todo levado pela força da água. Visando solucionar o problema o quanto antes, o secretário explica que a revitalização do asfalto começou na manhã desta sexta-feira, com algumas equipes no endereço.

“Está tudo sob controle. Hoje [sexta-feira] de manhã, fizemos a limpeza de toda aquela capa asfáltica que estava solta. Fizemos a limpeza do canal do córrego, porque, ali, um dos motivos de ter acontecido aquilo foi que rodou muito galho e tronco de árvore. Agora, nós dependemos de o tempo firmar para poder secar aquela base, que é a estrutura do pavimento, para a gente poder colocar a capa em cima. Se o tempo colaborar, a gente faz na segunda-feira. Esse é o nosso planejamento”, explica.

RECURSOS

Sem dinheiro, Miglioli disse que tem buscado recursos para realizar os serviços, tanto por meio da prefeitura quanto com parlamentares. Além disso, a Pasta tem tentado conseguir investimentos do governo federal, porém ainda sem sucesso após a obra ser negada no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

“É justamente por conta disso que nós pedimos para o governo federal aquela obra do PAC, que é a pavimentação da Rua Corguinho. Ali, além da pavimentação da Rua Corguinho e da drenagem, nós íamos contemplar mais quatro bacias de contenção e uma barragem no córrego, o que ajudaria substancialmente no problema que ocorreu essa semana. Talvez nem tivesse ocorrido”, reforça o titular da Sisep.

“Infelizmente, o governo federal não acatou, nós vamos até tentar reverter essa situação, porque essa semana é uma demonstração explícita de que aquela obra é extremamente importante para uma capital como Campo Grande”, complementa.

Este projeto citado por Miglioli existe desde 2018, quando havia a previsão de construção de barragens que evitassem o transbordamento das águas na região. À época, a previsão de gastos era de R$ 120 milhões, valor que subiu para R$ 200 milhões com o passar dos anos, mas a ideia segue no papel.

Na tarde de quinta-feira, a região ficou tomada pela água do córregoNa tarde de quinta-feira, a região ficou tomada pela água do córrego - Gerson Oliveira

ESTRAGOS

As chuvas desta semana deixaram diversos estragos por Campo Grande. Por exemplo, na Praça Itanhangá, carros foram arrastados pela enxurrada durante a chuva e parte de uma grade do local se desprendeu, ficando pendurada. Também houve registro de queda de árvore na Avenida Senador Antônio Mendes Canale.

Uma árvore de grande porte caiu sobre a fiação elétrica na Rua Goiás, no Bairro Vila Célia, provocando danos em três postes. A queda interrompeu o fornecimento de energia ao prédio de uma escola e também para parte das residências vizinhas.

Inclusive, com o alagamento avistado nas Avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel, vários peixes “tomaram conta” das vias e foram flagrados por pedestres que passavam pela região.

Em resposta enviada à reportagem, a Prefeitura de Campo Grande disse que equipes já estão nos locais onde são necessários mais cuidados e de urgência neste momento.

“A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informa que atua na recuperação dos estragos na Avenida Rachid Neder com a Avenida Ernesto Geisel, com equipes próprias da Pasta. Na Chácara dos Poderes, onde houve erosão próximo ao extravasor do sistema de drenagem em execução – parte do projeto de drenagem e pavimentação do Lote 1 do Jardim Noroeste –, os reparos estão sendo realizados pela empresa responsável pela obra, sem custo adicional para o Município”, detalha em nota. 

“Também seguem em andamento a limpeza mecanizada das vias asfaltadas e a remoção de árvores, executadas pelas equipes que prestam serviço à Sisep”, completou.

Saiba

Levantamento feito pela reportagem, com base em números do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), mostrou que este ano já superou o total de precipitação registrado em 2024 por aproximadamente 140 milímetros, uma diferença de 18,17%.

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Relatório

Inspeção aponta revista com nudez e 13 horas sem comida em presídio de MS

Procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais

23/02/2026 17h45

Foto: Divulgação

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Mulheres presas no Estabelecimento Penal Feminino de Ponta Porã relataram à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul que são submetidas a revistas com exigência de nudez e agachamentos, inclusive durante o período menstrual, além de passarem 13 horas sem comida. A prática foi identificada durante inspeção ordinária realizada sem aviso prévio pela instituição, que apontou uma série de violações de direitos dentro da unidade.

O procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais, além de vistoria em todos os espaços do presídio.

Segundo o coordenador do Núcleo Institucional do Sistema Penitenciário, defensor público Maurício Augusto Barbosa, o relatório foi concluído no ano passado, mas, até o momento, poucas medidas efetivas teriam sido adotadas para corrigir os problemas apontados.

Além das revistas consideradas vexatórias, o documento registra relatos de agressões físicas com uso de spray de pimenta, punições coletivas, retenção de correspondências e denúncias de racismo, LGBTfobia e xenofobia.

O relatório descreve que a unidade funciona em um prédio adaptado de uma antiga escola, sem arquitetura adequada para presídio e sem laudos atualizados da Vigilância Sanitária ou do Corpo de Bombeiros.

Durante a vistoria, foram identificadas infiltrações, goteiras, rachaduras nas celas e deterioração em áreas de higiene.

As internas também relataram restrição no fornecimento de água, disponível apenas em horários específicos. Em alguns casos, segundo os depoimentos, o corte no abastecimento seria utilizado como forma de punição coletiva. Há registros de uso de baldes para banho devido à falta de funcionamento de chuveiros.

A alimentação também foi apontada como problema. São servidas três refeições por dia, às 6h30, 11h30 e 16h30, o que impõe um intervalo de cerca de 13h sem comida até o café da manhã seguinte. A Defensoria também apontou que a produção da horta mantida na unidade seria destinada exclusivamente aos agentes penais.

O relatório indica ainda ausência de estrutura interna para atendimento psicológico regular, limitação da assistência odontológica a procedimentos básicos e inexistência de exames preventivos, como mamografia.

Entre as recomendações encaminhadas estão a realização de vistorias técnicas, garantia de fornecimento contínuo de água potável, ampliação da assistência médica, odontológica e psicológica, eliminação de revistas com nudez e respeito aos direitos da população LGBTQIA+.

O documento pede investigação de denúncias de violência física e psicológica, maus-tratos, assédio sexual, racismo, LGBTfobia e xenofobia atribuídas a agentes penais e à direção da unidade.

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao Governo de Mato Grosso do Sul e a outros órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema prisional.

O documento é assinado pelos defensores públicos Maurício Augusto Barbosa, Andréa Pereira Nardon e Diogo Alexandre de Freitas.

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CORREÇÃO DOS VENCIMENTOS

Inquérito investiga prefeitura de MS por pagar salário-base abaixo do mínimo aos servidores

Promotora aponta inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí

23/02/2026 17h10

Centro da cidade de Naviraí

Centro da cidade de Naviraí Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito civil contra a Prefeitura de Naviraí para apurar e corrigir uma suposta violação do Poder Executivo em relação aos pagamentos dos salários-base dos servidores públicos, que estão recebendo abaixo do vencimento mínimo nacional.

De acordo com a Promotora de Justiça, Fernanda Proença de Azambuja Barbosa, a medida adotada pela Prefeitura viola o artigo 7º, inciso VII, da Constituição Federal, o qual trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais e da garantia de salário, que não deve ser nunca inferior ao mínimo.

Ainda segundo os fundamentos da promotora Fernanda Proença, o inquérito foi aberto devido ao flagrante de uma "evidenciada situação" de inconstitucionalidade e também porque o prazo do procedimento (notícia de fato) expirou, sem que a Prefeitura resolvesse o problema de forma voluntária. 

Por fim, Fernanda aponta que, segundo o artigo 169 da Constituição Federal, que trata dos limites de despesas com pessoal, embora existam limites de gastos, a administração do município deve primeiro reduzir despesas com cargos em comissão e funções de confiança (pelo menos 20%) ou exonerar servidores não estáveis antes de sacrificar o direito ao salário mínimo dos servidores. Com a evolução para esta fase, o objetivo do MPMS agora é "apurar e corrigir suposta violação".

Origem do processo

A investigação começou a partir de uma manifestação do gabinete da vereadora Giovana Silvério (PSD), que denunciava uma possível inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí, pelo fato destes profissionais estarem recebendo um vencimento-base inferior ao salário mínimo nacional, atualizado para R$ 1.621 este ano.

De acordo com o documento, as categorias que estão sendo prejudicadas são: 

  • operador de serviços públicos
  • auxiliar de serviços diversos
  • vigia
  • lavador e lubrificador de veículos e máquinas
  • auxiliar de oficina, 
  • técnico de manutenção de parques e jardins
  • zelador
  • auxiliar de laboratório
  • Operador de Serviços Públicos III.

O processo diz que estes profissionais recebiam o montante de R$1.482,68, e para compensar os valores havia o pagamento de R$ 35,32, como "complemento para atendimento ao salário mínimo", amparado, segundo a Prefeitura, na Lei Complementar n° 287, de 9 de junho de 2025.

Ocorre que, durante o procedimento, a prefeitura de Naviraí publicou a Lei Complementar n. 296, de 19 de dezembro de 2025, a qual estabelece que os servidores públicos do poder executivo municipal que recebiam abaixo do salário mínimo passariam a receber vencimento básico de R$1.621,00.

Além disso, a legislação previa ainda que a aplicação dos valores seria condicionada à observância dos limites de despesa com pessoal fixadas na lei de responsabilidade fiscal, além da disponibilidade orçamentária e financeira.

Diante disso, a vereadora Giovana Silvério informou que teria apresentado uma emenda modificativa, a fim de que os efeitos financeiros da lei se aplicassem imediatamente a partir da data de sua publicação. Todavia, a emenda foi rejeitada pelo plenário da Câmara de Vereadores.

Posição do Executivo

A Câmara Municipal de Naviraí alega, através da estrutura da sua política remuneratória e leis complementares, que é possível pagar um vencimento-base inferior ao salário mínimo, desde que a remuneração total, somada a gratificações e outras verbas, atinja o valor do piso nacional.

A administração pública também argumenta que ultrapassou os limites de despesas com pessoal em 2025, os quais ficaram acima do teto estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece o limite de 54% do total das receitas e não pode conceder reajuste de pessoal.

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