Prisão do líder autoritário representa para a população a esperança pelo fim da ditadura
Aos gritos de "Venezuela Libre", um grupo de venezuelanos se reuniu na Praça do Rádio, no centro de Campo Grande, na tarde deste domingo (4), para celebrar a transição de poder em seu país de origem, após o ditador Nicolás Maduro ser capturado por forças armadas dos Estados Unidos.
A Venezuela esteve sob o regime ditatorial desde 1998, quando Hugo Chávez foi eleito presidente. Seu sucessor, Nicolás Maduro, assumiu por mais 12 anos e 10 meses, totalizando quase três décadas de ditadura.
A queda de Maduro representa para os venezuelanos, pelo menos aqueles que estavam no movimento, a esperança pelo fim da ditadura. A expectativa agora é que haja uma transição democrática, através de eleições que não sejam fraudadas.
Francisco José Mota, promotor de vendas de um supermercado e membro da Associação Venezuelana de Campo Grande (AVCG), vive com sua esposa, filha, neta e genro na Capital desde 2018. Ele conta que deixou a Venezuela devido a crise humanitária instaurada no país, com falta de comida, emprego, segurança e liberdade, após as eleições terem sido "roubadas".
"A gente teve que sair da Venezuela pela situação econômica, não tem liberdade de expressão para você falar, não tem aquela democracia que muitas pessoas falam que a Venezuela tem. Infelizmente tem muitos venezuelanos, milhões, lá fora procurando uma vida melhor, um futuro para seus filhos".
Francisco (camiseta azul) e sua família no movimento que celebra a captura de Maduro / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Para ele, o fato do governo dos Estados Unidos ter tirado Nicolás Maduro representa uma esperança de troca de governo, de sistema, para futuramente voltar ao seu país. Francisco acredita que o próximo passo a ser dado é passar o poder para Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha desde outubro de 2024.
"Nesse caso, o primeiro passo foi tirar o ditador, mas ainda estamos esperando por uma nova etapa onde o sistema todo tem que sair da Venezuela, tem que passar o poder para o nosso presidente que foi eleito. Estamos esperando só ajeitar o caminho certo para ele voltar e assumir a transição democrática da Venezuela".
Ataque dos EUA era única opção?
Sobre a ofensiva dos Estados Unidos à base militar venezuelana, os participantes do movimento concordaram que esta era a única opção para tentar tirar Maduro do poder e esperam pelo apoio da comunidade internacional para assegurar que o ditador ou seus aliados não permaneçam no comando.
Mirtha Carpio e Linoel Leal, presidente e vice da Associação Venezuela em Campo Grande / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Linoel Leal, vice-presidente da AVCG, compartilha desta perspectiva.
"A gente, obviamente, não gostaria que acontecesse dessa forma. O que aconteceu na verdade é um processo que inicia uma transição necessária. Já saindo essa pessoa negativa, agora vamos restabelecer a paz, tirar os presos políticos que estão sofrendo tortura. Então, aí é onde nós estamos de acordo de que sim, era necessário ter [intervenção militar], de que Estados Unidos tivesse a mão dura, poi foi o único país que nos ajudou. Então, era a única forma. E agora, ambientalmente, podemos ter um país saudável e que pode levantar-se".
Apesar deste primeiro passo, Mirtha Carpio, presidente da AVCG, diz que a Venezuela não está completamente livre e ainda há muito trabalho a fazer.
"É uma transição muito comprida. Não podemos falar agora que vai acontecer tal coisa. Agora vamos para a transição. Entre os próximos passos está que a presidente interina faça um trabalho de coordenar, de levar a paz, de que haja outro tipo de construção, uma construção saudável para Venezuela. Isso que vamos querer".
Esperança
A senhora Lourdes Montilla, que trabalha como atendente no Consórcio Guaicurus e cursa serviço social na Uniasselvi, relata que deixou a Venezuela há 8 anos, por causa da fome, apesar de possuir casa e carro, que vendeu para emigrar.
Com amor por Campo Grande, Lourdes Montilla está feliz trabalhando na Capital e levando uma vida mais tranquila do que na Venezuela / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Dona Lourdes viveu durante cinco anos no Peru antes de se mudar para o Campo Grande com seus três filhos. Ela conta que sua mãe, irmão, primos, tios e amigos ainda estão na Venezuela, na cidade de Barinas, perto da fronteira com a Colômbia.
Com a queda de Maduro, sua esperança é que a Venezuela agora esteja "livre da ditadura". Embora muitos venezuelanos que construíram "raízes" no exterior não voltem, ela planeja retornar à Venezuela em aproximadamente dois anos, não sendo possível agora.
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