Cidades

MORTE DE JOVEM

Promotora de Justiça afirma ter provas contra o cunhado de Marielly

Promotora de Justiça afirma ter provas contra o cunhado de Marielly

VÂNYA SANTOS E MICHELLE ROSSI

15/07/2011 - 00h00
Continue lendo...

A representante do Ministério Público Estadual (MPE) na vara criminal de Sidrolândia, promotora de Justiça Paula Volpe, garantiu ontem que existem muitas provas contra Hugleice da Silva, cunhado de Marielly Barbosa Rodrigues, bem como contra o bacharel em enfermagem Jodimar Ximenes Gomes, ambos suspeitos no malsucedido aborto que causou a morte da garota. Apesar de os dois negarem categoricamente qualquer participação, o MPE sustenta que existem testemunhas que desmentem a suposta inocência dos investigados.

"São vários indícios diferentes", afirmou a promotora, sem revelar detalhes das provas existentes. Ela justificou que o caso está sendo tratado em segredo de Justiça e por essa razão não pode dizer quais são esses fortes indícios que incriminam os investigados.

 

Caso extraconjugal

Com relação aos mandados de prisão expedidos na última terça-feira contra os suspeitos, ela justificou que o MPE foi favorável a solicitação do adjunto da Delegacia Especializada em Homicídios, Fabiano Nagata, para que os acusados não atrapalhem o andamento das investigações.

"É muito comum a testemunha ficar mais a vontade quando o réu está preso. O réu solto atrapalha", justificou, explicando que a expectativa é de que a partir de agora mais pessoas falem sobre o que sabem com relação a este caso.

Paula Volpe esclareceu, ainda, que foi decretada apenas prisão temporária porque o processo está em fase de investigação e a polícia ainda está apurando os fatos. "Para pedir a prisão preventiva seria necessário ter outros requisitos", resumiu.

Crime

De acordo com a promotora de Justiça, uma das principais questões a serem esclarecidas é quanto a classificação do crime praticado contra a estudante Marielly. "Para nós a grande dúvida é qual foi o tipo de delito. Também tem o modus operandi e qual o tipo de participação de cada um. Quando ela começou a abortar? Quando teve o aborto? Tentaram socorrê-la?", questionou.

A representante do Ministério Público disse ainda que o episódio poderá ser classificado como aborto que resultou em morte ou homicídio. Será avaliado se a finalidade dos envolvidos era matar a jovem ou se a morte foi apenas resultado da prática abortiva. "Nós estamos acompanhando as investigações, dando pareceres e aguardando o inquérito ser relatado para oferecer a denuncia", finalizou a promotora Paula Volpe.

Apresentação

O gerente administrativo Hugleice da Silva, 25, cunhado da estudante Marielly, encontrada morta em Sidrolândia em junho, apresentou-se ontem à polícia para cumprimento de mandado de prisão temporária. Ele é suspeito de estar envolvido na morte da jovem e ficará custodiado por 30 dias na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf), em Campo Grande. Há outro suspeito de participação no caso, o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, 40, que se apresentou às autoridades policiais na quarta-feira, mas em Sidrolândia. Este teria realizado o aborto malsucedido que culminou na morte de Marielly.

A participação de Hugleice seria o envolvimento extraconjugal entre ele e a vítima, com possíveis ligações com o aborto. O gerente é casado com a irmã de Marielly há sete anos. A suspeita é de que ele engravidou a jovem e a encaminhou para uma clínica clandestina de aborto. Laudos periciais do cadáver de Marielly, encontrado em avançado estado de decomposição – quase 20 dias após seu desaparecimento – apontaram que a provável causa da morte foi hemorragia.

Questionado sobre a relevância da prisão de Hugleice, seu advogado, José Roberto Rodrigues da Rosa, disse que ele estará à disposição das autoridades policiais para esclarecimentos e acareações com outras pessoas. "A prisão se justifica pelo fato de haverem informações de que ele (Hugleice) foi visto em Sidrolândia no dia em que Marielly desapareceu e por conta das várias ligações do telefone dele para ela. O delegado quer mais esclarecimentos sobre isso", informou o advogado.

Ontem, no início da tarde, o investigado foi levado para fazer exame de corpo delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). Esse exame é uma prática corriqueira feita para comprovar se a pessoa apresenta ou não lesões pelo corpo no momento de sua prisão. O exame serve também de cautela para a autoridade policial.

 Ligação de Sidrolândia

Uma das fortes contribuições para o pedido de prisão preventiva de Hugleice é de que Marielly ligou para ele na data em que desapareceu, mas à noite, de Sidrolândia. A ligação foi revelada pela quebra de sigilo telefônico da estudante. Ela foi vista pela última vez, segundo a família, durante a tarde.

O cunhado defende-se dizendo que ela teria ligado para ele para "perguntar sobre a mãe e a irmã", nas palavras do advogado. No entanto, as desconfianças pairam em relação à ligação por conta de a mãe e a irmã também terem celular e, consequentemente o telefonema de Marielly poderia ter sido realizado diretamente para elas.

A mãe de Marielly, a irmã e Hugleice estão juntos, na mesma casa, desde que o corpo da jovem foi encontrado. Primeiro, a família deslocou-se para Alto Taquari (MT) onde a garota foi enterrada e permaneceu por lá até o início dessa semana quando retornou a Campo Grande. Os três mudaram-se do prédio no Jardim Petrópolis juntos e permaneceram no mesmo endereço até Hugleice se entregar à polícia ontem.

Transporte Público

Dois meses após venda, troca do Guaicurus segue sem aval da prefeitura

Adriane disse em coletiva que documento sobre intervenção deve ser entregue nesta semana, mas ainda sem data para reunião de definição

21/09/2026 13h30

Ônibus do transporte coletivo de Campo Grande

Ônibus do transporte coletivo de Campo Grande

Continue Lendo...

Dois meses após o anúncio da venda do Consórcio Guaicurus para o Grupo HP Mobilidade, a troca de controle do transporte coletivo de Campo Grande continua sem aval da Prefeitura. A definição também segue atrelada ao relatório da intervenção no sistema, que ainda não foi entregue à prefeita Adriane Lopes.

Questionada nesta segunda-feira (21) sobre o andamento da situação, durante agenda da Prefeitura, Adriane afirmou que o documento deve ser concluído nesta semana, mas ainda não há data definida para a reunião que deverá discutir os próximos passos. “É essa semana que sai o relatório. Não sei quando vai ser a reunião. Ainda não recebi esse relatório”, disse a prefeita.

A indefinição ocorre enquanto a Prefeitura também aguarda a apresentação formal do plano de melhorias que deverá ser executado pelo grupo interessado em assumir o controle do consórcio. Sem essa documentação, a administração municipal ainda não deu aval definitivo para a mudança.

A venda do Guaicurus foi anunciada em julho, quando o Grupo HP Mobilidade, de Goiás, confirmou a aquisição do controle do consórcio. A operação, porém, não representa uma troca imediata na administração do transporte coletivo, já que depende de uma série de procedimentos e autorizações.

Enquanto isso, a intervenção decretada pela Prefeitura em junho continua em andamento. O Município assumiu temporariamente a gestão do serviço diante da crise financeira e operacional enfrentada pelo consórcio e passou a levantar informações sobre a situação das empresas que integram a concessão.

O relatório dos primeiros 90 dias da intervenção é aguardado pela administração municipal e deve reunir informações sobre as condições financeiras e operacionais do sistema, além de apontar problemas encontrados durante o período de gestão municipal.

RELEMBRE

A crise do transporte coletivo se arrasta há anos e chegou a um dos momentos mais delicados neste ano. Antes da intervenção, o sistema acumulava reclamações relacionadas à qualidade do serviço, atrasos e viagens não realizadas, além de problemas financeiros das empresas.

Em audiência pública realizada neste em 2026, foram apresentados mais de 15 mil autos de infração registrados entre 2021 e 2025. Desse total, 12.279 eram relacionados ao descumprimento de horários e 3.444 à omissão de viagens.

A situação também foi marcada por paralisações de trabalhadores e dificuldades financeiras do consórcio. Em junho, a Prefeitura formalizou a intervenção, com prazo de 180 dias, para assumir o controle temporário e avaliar as condições da concessão.

Agora, dois meses depois do anúncio da venda, a definição sobre quem efetivamente ficará à frente do transporte coletivo continua pendente.

Agora é lei

Novas regras permitem até caminhonete ser táxi em Campo Grande

Atualização traz mudanças que liberam taxistas a rodarem pela faixa que até então era exclusiva para ônibus

21/09/2026 13h03

Evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal

Evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Durante a manhã desta segunda-feira (21), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), assinou decretos para modernizar um serviço da Capital que, entre outros pontos, permitirá agora até caminhonetes serem táxi em Campo Grande. 

Esse evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal campo-grandense, formalizando os novos normativos divulgados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) ligados ao serviço de táxi da Capital. 

Entre os pontos que mais chamam atenção está justamente a mudança que permite agora que até mesmo caminhonetes sejam incluídas na frota de táxi campo-grandense, conforme os parâmetros e critérios estipulados pela Agência Municipal. 

Nas palavras do diretor-presidente da Agetran, Ciro Ferreira, além de trazer evolução para essa classe trabalhadora, as alterações refletem ainda em melhores ofertas de serviço para a própria população. 

Todas as novas regras serão estabelecidas através de decretos e portarias que, segundo o Executivo, devem esclarecer os critérios para cada veículo e os demais procedimentos para homologação e condições de aplicação dessa e outras medidas. 

Mais mudanças

Outro ponto diferente apresentado hoje (21) é a regulamentação da categoria "executiva" desse tipo de transporte, chamada de "táxi black", que deverá apresentar veículo de padrão mais elevado e um serviço personalizado de maior conforto aos passageiros. 

Porém, as alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também toda a categoria é contemplada através da mudança que libera os taxistas a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito. 

"Hoje é um dia muito importante para a categoria dos taxistas de Campo Grande. Estamos atualizando as legislações e modernizando o serviço da nossa cidade. Estamos com o estudo há algum tempo, houve a alteração a nível nacional e Campo Grande sai na frente", como bem esclarece a chefe do Executivo da Cidade Morena, Adriane Lopes (PP). 

Há tempos a ligação entre taxistas e faixas de ônibus vêm rendendo na Capital, com um corredor "ainda mais exclusivo" rendendo multas aos trabalhadores, em uma situação que, inclusive, foi corrigida e revertida uma semana depois pela Agetran

As alterações locais também prorrogam por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que alcançariam neste ano a idade máxima permitida em 2026.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).