Cidades

DENÚNCIA

Rapazes relatam agressão e prática de homofobia de guardas civis de Campo Grande

As vítimas disseram aos agentes que aguardavam um veículo de aplicativo, mas um dos guardas se irritou e desferiu um golpe no abdômen de um deles

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Duas pessoas compareceram na Delegacia de Pronto Atendimento do Centro, em Campo Grande, para relatar um caso de lesão corporal e prática de homofobia por parte de guardas civis metropolitanos.

De acordo com o relato, por volta das 6h deste sábado, os rapazes se encontravam no bar Depieri Beer, localizado na Rua Rui Barbosa, quando uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) chegou ao local e ordenou a dispersão de todos os presentes.

As vítimas esclareceram aos agentes que aguardavam um veículo de transporte por aplicativo e mostraram o celular para comprovar a solicitação da corrida. Segundo o relato, um dos guardas municipais demonstrou irritação e desferiu um golpe com a extremidade do cassetete contra o abdômen de um dos homens.

A vítima, que sofre de gastrite nervosa, disse ter sentido fortes dores e tentado se afastar. Contudo, o agente teria passado a persegui-la, desferindo novos golpes de cassetete que resultaram em escoriações nas costas.

Ainda de acordo com o depoimento do rapaz, durante a ação, o GCM proferiu ofensas verbais relacionadas à sexualidade dele e ordenou, de forma agressiva, que o cidadão deixasse o local imediatamente.

Por fim, a vítima declara que precisou correr para o meio da via pública para fugir das agressões. Logo depois, os dois conseguiram embarcar no veículo de aplicativo que chegou ao local.

Guardas civis demitidos

Na última terça-feira (10), dois guardas civis metropolitanos de Campo Grande foram demitidos do serviço público municipal. A decisão do desligamento de Jackson Alves Ramão e Renne Mendes foi publicada no Diário Oficial Municipal (Diogrande).  

A demissão se deu pelos motivos de “incontinência pública e conduta escandalosa” e “ofensa moral ou física” por casos ocorridos no ano passado. 

Jackson era Guarda Civil Metropolitana Classe Especial e foi demitido em razão de um caso  de agressão contra um jovem de 27 anos morador de rua em junho de 2025, no bairro Morada Verde, em Campo Grande. 

O jovem, conhecido como Bugrinho, foi detido por moradores da região após uma suspeita de furto. Quando os guardas chegaram, em vez de levar o suspeito à delegacia, Jackson e outro guarda agridem o jovem com pisões no rosto, tapas violentos e chutes na cabeça. 

Já Renne Mendes ocupava o cargo de Inspetor da Guarda Civil Municipal e foi demitido por um caso ocorrido no mês de julho do ano passado, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. 

O crime foi gravado por câmeras de segurança e mostram o agente dirigindo uma moto vermelha perseguindo um jovem de 21 anos. Em determinado momento, Renne efetua três disparos contra a vítima, guarda a arma na cintura e continua perseguindo o rapaz. 

De acordo com testemunhas, o guarda estava bebendo em uma conveniência anexa à casa da vítima e iniciou a confusão após uma discussão. 

O afastamento do guarda foi publicado no Diário Oficial na edição do dia 11 de julho de 2025. Com a conclusão do processo, Renne também foi desligado do cargo nesta terça-feira. 

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BRASIL

Com maioria, STF vai contra aposentadoria especial para vigilantes

Voto vencido, relator da matéria tinha posicionamento favorável a conceder carreira especial, o que daria a vigilantes aposentadoria especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

14/02/2026 13h24

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) Divulgação/ Agência Brasil

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Por seis votos a quatro, os ministros votaram a favor do voto divergente, apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, e, com isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria no plenário virtual contra a concessão de benefício para a aposentadoria especial de profissionais da vigilância.

O relator da matéria – e voto vencido – foi o ministro Kássio Nunes, cujo posicionamento era favorável a conceder aos vigilantes carreira especial, o que concederia a eles aposentadoria especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Votaram contrários à aposentadoria especial para vigilantes os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli e André Mendonça, além de Gilmar Mendes.

Votaram a favor do benefício os ministros Kassio Nunes Marques (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Edson Fachin.

INSS

O plenário virtual da Corte julga recurso do INSS para derrubar uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância que reconheceu o benefício.

O instituto alega que o serviço de vigilância se enquadra como atividade perigosa, sem exposição aos agentes nocivos, e dá direito somente ao adicional de periculosidade.

Pelos cálculos da autarquia, o reconhecimento do benefício terá custo de R$ 154 bilhões em 35 anos.

O caso envolve a discussão sobre as mudanças promovidas pela reforma da previdência de 2019, que passou a prever que a aposentadoria especial vale nos casos de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde.

Com a entrada em vigor da norma, a periculosidade deixou de ser adotada para concessão do benefício.

Em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes alegou que a periculosidade não é inerente à atividade de vigilância, e que a aposentadoria especial por atividade de risco não pode ser estendida aos profissionais.

“A atividade de vigilante, com ou sem o uso de arma de fogo, não se caracteriza como especial”, disse o ministro.

O relator do caso, Nunes Marques, votou pelo reconhecimento da atividade especial dos vigilantes e entendeu que a atividade traz riscos à integridade física da categoria.

“É possível o reconhecimento da atividade de vigilante como especial, com ou sem o uso de arma de fogo, tendo em vista os prejuízos à saúde mental e os riscos à integridade física do trabalhador, tanto em período anterior quanto posterior à promulgação da Emenda Constitucional n. 103/2019”, afirmou o relator, que foi voto vencido.

 

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estiagem

Pantanal de MS caminha para 8º ano consecutivo sem cheia

Neste sábado (14) o Rio Paraguai na régua de Ladário estava em apenas 94 centímetros, sendo que a média para esta época é de 1,96 metro

14/02/2026 12h44

Comboio de chatas com minério de ferro passando sob a obra da ponte no Rio Paraguai, em Porto Murtinho

Comboio de chatas com minério de ferro passando sob a obra da ponte no Rio Paraguai, em Porto Murtinho Toninho Ruiz

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Com apenas 94 centímetros na régua de Ladário na manhã deste sábado, o Rio Paraguai está próximo dos alarmantes níveis de 2024 e a tendência é de que o Pantanal de Mato Grosso do Sul tenha o oitavo ano seguido sem cheia. A média histórica para esta época do ano é de 1,96 metro, segundo o Serviço Geológico do Brasil. 

A última vez que o Pantanal teve cheia considerada grande foi em 2018, quando o nível do Rio Paraguai em Ladário chegou a 5,35 metros. Por conta da cheia, milhares de bovinos tiveram de ser retirados das áreas mais baixas. Na maior cheia já registrada, em 1988, o nível em Ladário chegou a 6,64 metros. 

Desde 2019, o Rio Paraguai reflete os impactos da estiagem na região. Nesse ano, o nível de água alcançou, no máximo, 3,92 metros. Em 2020, reduziu ainda mais e atingiu 2,06 metros.No ano seguinte, em 2021, registrou um dos mais baixos níveis de cheia da série histórica, com, apenas 1,84 m. Desde o início da década de 1970, os níveis não ficavam tão baixos durante a cheia. Já em 2022, a cota máxima foi de 2,64 metros. 

Depois disso, em 2023, o máximo que alcançou foi 4,24. Embora haja variações por conta de uma série de afluentes, o rio começa a inundar a planície depois que ultrapassa os quatro metros. Em 2024, o nível máximo foi pior que em 2021, registrando pico de apenas 1,47 metros. 

Em 2023, por conta de fortes chuvas nas cabeceiras dos rios Miranda e Aquidauana, parte da planície cortada pela junção destes dois rios chegou a ficar submersa, mas as inundações se limitaram a menos de 5% da planície pantaneira

Em 14 de fevereiro de 2023, último ano em que o Rio Paraguai chegou a ultrapassar os quatro metros, o nível já estava em 1,62 metro, conforme mostram os dados coletados pela Marinha do Brasil desde 1900. 

Agora, o rio está mais próximo daquilo que apresentava em meados de fevereiro de 2024, ano em que o principal rio pantaneiro caiu ao seu menor nível da história, ficando 69 centímetros abaixo de zero. Em 14 de fevereiro de 2024 o Paraguai estava em apenas 70 centímetros, ou 24 centímetros abaixo daquilo que amanheceu neste sábado (14).

Naquele ano, havia subido 39 centímetros nos primeiros 45 dias . Agora, o cenário é mais preocupante, uma vez que a alta neste mesmo período é de apenas 22 centímetro, ou meio centímetro de aumento por dia. Em 2023 o rio subiu uma média de 2,8 centímetros por dia nos primeiros 45 dias. 

As chuvas do começo de fevereiro, que provocaram transbordamentos de rios como Taquari e Aquidauana, terão pouca influência no nível do rio na régua de Ladário. Embora o Taquari não tenha mais uma única foz, a maior parte da água chega ao Rio Paraguai abaixo de Ladário. O mesmo ocorre com as águas do Aquidauana, que se juntam com as do Rio Miranda e desembocam no Paraguai depois da régua de Ladário. 

Para encher, o Rio Paraguai depende principalmente das chuvas na região norte de Mato Grosso do Sul e do sul de Mato Grosso. E, desde o começo do ano, em nenhum dia o nível do rio passou dos três metros na régua de Cáceres (MT), região da cabeceira do principal rio pantaneiro. 

No ano passado, chegou a 4,54 metros no começo de fevereiro e o menor nível nos primeiros 45 dias foi de 3,18 metros. Mesmo assim, faltou muito para que ocorresse cheia. O máximo na régua de Ladário foi de 3,31 metros em 2025.

Em 2024, ano da baixa história, o cenário em Cáceres foi parecido ao de agora, com o rio oscilando entre 1,18 e 2,75 metros nas primeiras semanas do ano. A média histórica para esta época do ano em Cáceres é de 4,24 metros, segundo o último boletim do Serviço Geológico do Brasil, divulgado no dia 11 deste mês.

ECONOMIA

Além de ser fundamental para o turismo de pesca e de contemplação, as cheias no Pantanal tem influência direta sobre a pecuária, o transporte de minérios e a proliferação ou não das queimadas, fenômeno que nos últimos anos destruíram milhões de hectares de vegetação.

Quanto menor o volume de áreas alagadas, maior a possibilidade de os incêndios florestais se espalharem. Além disso, sem água nas chamadas vazantes e nos lagos, mais difícil fica o combate a estes incêndios florestais. Quando cheias, as vazantes também servem como barreiras naturais para barrar o avanço dos focos de incêndios. 

No caso do transporte de minérios, a falta de água no Rio Paraguai literalmente derruba as exportações. Em 2024, ano de estiagem severa, foram despachadas apenas 3 milhões de toneladas de minérios. No ano passado, o volume aumento em 185% e chegou a 8,76 milhões de toneladas. 

O nível ideal para que os comboios trafeguem com capacidade máxima é quando o rio fica acima de 1,5 metro. Desde a primeira semana de outubro do ano passado está abaixo disso. Mesmo assim, o transporte continuou e até mesmo em dezembro, segundo dados da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), foram escoadas quase 570 toneladas de minérios, o que equivale à metade daquilo que fora despachado em julho.

PERSPECTIVAS

E, se as previsões do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul estiverem corretas, a probabilidade de o cenário sofrer alteração significativa a partir de agora são pequenas. 

A chamada estação das chuvas vai de setembro a abril. Nos primeiros cinco meses as chuvas ficaram abaixo da média em boa parte da bacia pantaneira e a previsão para o fevereiro, março e abril "é de que, de modo geral, os volumes de chuva fiquem abaixo da média histórica", que varia entre 300 a 500 milímetros no trimestre. 

Nos últimos 7 meses (jul/25 a jan/26), a chuva acumulada na bacia foi 16% menor que a média histórica para o período de 1998–2025, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil. 

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