Cidades

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Realidade cruel

Realidade cruel

Redação

15/03/2010 - 04h09
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Os dados a la rmantes de violência nas escolas públicas de Campo Grande revelam a cruel realidade enfrentada por professores diariamente. Pesquisa encomendada pelo sindicato da categoria mostra que 18,2% dos docentes afirmaram já terem sido agredidos fisicamente no local de trabalho. Nem todas as situações são informadas à entidade e muito menos à polícia, mas é de conhecimento público que as agressões têm aumentado dentro do ambiente escolar. O que precisam ser apuradas, são as causas destes atos para, a partir daí, elaborar mudanças que ajudem o profissional a desenvolver melhor seu trabalho: o de ensinar. Entretanto, a educação para que o aluno não chegue ao ponto de agredir o professor não será ensinada apenas nas salas de aula, os pais destes estudantes têm papel fundamental neste contexto. Devem, obrigatoriamente, acompanhar a vida escolar dos filhos. Quando isso não acontece, o professor fica, praticamente, sem alternativas. Como ensinar português, matemática, geografia ou história a jovens que não têm as bases essenciais de viver de forma organizada em sociedade? Certamente, a interação das escolas com os alunos precisa ser revista. Recentemente, em entrevista ao Correio do Estado, o promotor de Justiça Sérgio Harfouche afirmou que a falta de civismo e a evasão foram os principais problemas encontrados nos colégios. E, diante do levantamento que comprova a dificuldade do professor em "manter o controle" da sala de aula, está claro que alguns valores precisam ser resgatados. E isso só será feito com apoio dos pais e de políticas desenvolvidas neste sentido pelo poder público. Será que a única solução que as autoridades conseguem enxergar é colocar policiais para fazer rondas nas escolas, a exemplo do que será feito para tentar diminuir a violência contra médicos nos postos de saúde? Essa, obviamente, não é a maneira correta de mostrar a diferença entre o certo ou errado aos alunos, mas medida emergencial para impedir problemas ainda maiores. No entanto, os docentes já enfrentam algumas consequências catastróficas decorrentes desta falta de companheirismo e respeito nos colégios. Uma delas reflete nos problemas de saúde dos profissionais. Como mostra a pesquisa, 37,20% dos entrevistados já tiveram de solicitar licença médica e outros 36,39% fazem uso contínuo de medicamentos. Ainda, esbarram em problemas de falta de estrutura das escolas, que contam com salas lotadas e não fornecem equipamentos. Amanhã, os professores pretendem suspender as aulas em alguns colégios para reivindicar implantação do piso nacional do magistério. Essa é mais uma luta que terão de vencer. Mas, a discussão não pode deixar de fora os dados alarmantes que dificultam o trabalho destes profissionais. Os atos de violência, além de prejudicar os docentes, influenciam no rendimento dos alunos. Há necessidade de repensar o modelo educacional que se deseja nas escolas.

ESCASSEZ DE PROFISSIONAIS

Falta de mão de obra em oficina mecânica atrasa consertos de carros na Capital

Proprietários de oficinas relatam sérias dificuldades para contratar mecânico, auxiliar de mecânico, funileiro, pintor, polidor, eletricista, alinhador, profissional de lanternagem, preparador de pintura e montador

18/07/2024 09h45

Carro em oficina mecânica para conserto

Carro em oficina mecânica para conserto DIVULGAÇÃO

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Oficinas mecânicas têm encarado falta de mão de obra, nos últimos meses, em Campo Grande.

Proprietários relatam dificuldades para contratar mecânico, auxiliar de mecânico, funileiro, pintor, polidor, eletricista, alinhador, profissional de lanternagem, preparador de pintura e montador.

Com isso, a falta de mão de obra atrasa o conserto e entrega de carros aos proprietários.

Os possíveis motivos para escassez de profissionais são falta de interesse, falta de cursos profissionalizantes e falta de incentivo. Os salários para as profissões citadas variam de R$ 1,7 mil a R$ 7 mil.

Proprietário da Vilela Auto Center, Durval Afonso Vilela Neto, afirmou que atende, em média, quatro veículos diariamente e que precisa urgentemente de profissionais capacitados na área para trabalhar em sua oficina.

“Está muito em falta mão de obra na área mecânica, inclusive estou precisando. Estão em falta todos [os tipos de profissionais: mecânico em geral, auxiliar de mecânico, funileiro, pintor, eletricista, profissional de lanternagem e alinhador]. Está difícil profissional num geral porque as pessoas não tem mais compromisso, infelizmente só querem salário e não emprego, não estão dispostas a se dedicar. Digo porque já dei várias oportunidades aqui e eles não permanecem”, comentou.

Proprietário da Auto Sul, Rafael Almeida, comentou que a escassez de profissionais tem atrasado o conserto e atrapalhado as entregas de carros.

“Os consertos estão atrasados. No passado toda semana tinha jovens atrás de serviços nas oficinas, hoje não tem mais essa procura. Falta cursos profissionalizantes na área. Funileiro é uma das profissões mais carente no momento”, disse.

Proprietário da Domínio Auto Reparos, Ronnie Von, comentou que se aparece um profissional, não convém deixá-lo ir embora.

“Em oficina, funileiro, pintor, preparador, montador, polidor, tudo nessa área aí, não tem [profissional] não, você não encontra mais. Se encontrar, se for bom, pode abraçar e não deixar sair, porque se sair depois nunca mais encontra e vai passar raiva”, expressou.

Ronnie Von ainda disse que agenda a entrega de carros e pede um prazo maior para o cliente, mas que pode acontecer de atrasar a entrega.

"A gente trabalhar com agendamento e procura pedir um tempo maior de dias para fazer os reparos dos veículos já para não acontecer isso aí. Mas um caso ou outro acontece de atrasar, nunca é 100%, mas a gente sempre pede uns dias a mais, tipo, se for três dias, pede um ou dois dias a mais, para não acontecer esse tipo de imprevisto, para o cliente não ficar chateado com a gente", disse.

CURSO PROFISSIONALIZANTE

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MS) oferece curso profissionalizante de Técnico em Manutenção Automotiva presencial e semipresencial. Nos últimos dois anos, o SENAI-MS formou 282 alunos na área.

Confira os valores:

  • Técnico em Manutenção Automotiva - Semipresencial - R$ 79,90 + 23 x R$ 190,00
  • Técnico em Manutenção Automotiva - Presencial - R$ 79,90 + 23 x R$ R$ 275,00

O objetivo é habilitar profissionais para realizar diagnósticos, coordenar a manutenção, apoiar tecnicamente o aprimoramento de sistemas veiculares e inspecionar veículos e seus sistemas, considerando as normas, padrões e requisitos técnicos, de qualidade, saúde e segurança e de meio ambiente.

A carga horária é de 1.280h. Os pré-requisitos são estar cursando no mínimo o 2° ano do ensino médio, ter concluído o ensino médio e idade mínima 16 anos.

Confira os componentes curriculares:

  • Comunicação e Informática Aplicada
  • Fundamentos da Tecnologia Automotiva
  • Manutenção de Sistemas de Freios, Suspensão e Direção de Veículos
  • Processos Básicos de Manutenção Automotiva
  • Manutenção de Motores de Veículos
  • Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos Veiculares
  • Tapeçaria e Vidraçaria Automotiva
  • Diagnósticos Avançados em Sistemas Automotivos
  • Gestão de Serviços de Manutenção Veicular
  • Manutenção de Sistemas de Transmissão de Veículos
  • Fundamentos de Funilaria e Pintura Automotiva
  • Inspeção Veicular
  • Metodologia de Projetos
  • Projeto de Inovação em Manutenção Automotiva
  • Vistoria de Sinistros

SAÚDE PÚBLICA

MS não acompanha aumento de vacinação infantil brasileira

O imunizante contra a poliomielite, por exemplo, permanece com índices abaixo de 90% desde 2019, registrando leves aumentos nos últimos dois anos na Capital

18/07/2024 09h30

Vacina contra a Poliomielite disponibilizada em Campo Grande

Vacina contra a Poliomielite disponibilizada em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Brasil conseguiu nesta semana, sair da lista de 20 países que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) classificam com baixo índice de vacinação infantil.

O Ministério da Saúde (MS) relata que desde 2016 o país enfrentava quedas consecutivas nas coberturas vacinais, e que em 2023 essa realidade começou a mudar.

No entanto, Mato Grosso do Sul não acompanhou os avanços do governo federal, e possui diversas coberturas vacinais abaixo dos 95%, meta do MS.

Campo Grande, também segue na mesma linha do Estado, com índices de imunização contra a Poliomielite abaixo da meta brasileira, com 87,47% das crianças menores de 1 ano de idade vacinadas contra a doença este ano, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Apesar das taxas ainda serem menores que os 95% esperado pelo Ministério da Saúde, a vacinação mostra uma leve recuperação nos últimos dois anos.

A Capital, que tinha 95,43% de cobertura vacinal contra a Poliomielite em 2019, teve uma queda significativa em 2020, quando apenas 77,74% das crianças foram imunizadas.

Campo Grande apresentou mais uma queda, em 2021, quando registrou 73,25% de vacinação contra a doença, e a partir de 2022 notificou um aumento, mas sem atingir a meta do ministério novamente.

Enquanto isso, o MS aponta que o Estado, já em 2019, não atingiu a meta de vacinação contra a Poliomielite, mas chegou aos 94,41% de cobertura.

Em 2020, assim como a Capital, MS registrou uma queda expressiva, com apenas 83,16% das crianças imunizadas contra a doença. No ano seguinte, esse índice continuou em queda, chegando a 75,71% da população apenas.

Também a partir de 2022 o Estado começou a registrar uma retomada da vacinação, mas ainda abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, quando a cobertura vacinal foi de 86,07%.

Vacina contra a Poliomielite disponibilizada em Campo Grande

De acordo com dados do Ministério da Saúde, no ano passado apenas a primeira dose da vacina Tríplice Viral, que imuniza contra o sarampo, caxumba e rubéola, teve índice acima da meta estabelecida, com 96,88% da população vacinada. No entanto, a segunda dose da Tríplice Viral teve apenas 44,41% de adesão.

Os demais imunizantes, como contra a Hepatite B, Febre Amarela e BCG, estão no mesmo patamar que a vacina da Poliomielite, variando entre 70% e 80% de cobertura no Estado. Já este ano, vacinas como a BCG, Febre Amarela e, novamente, Tríplice Viral 2ª dose, estão com índices abaixo de 70%.

A superintendente de vigilância em saúde da Sesau, Veruska Lahdo, relatou que há alguns anos Campo Grande vem tentando, principalmente com ações extra muro, aumentar novamente o índice de imunização.

A ampliação do horário de algumas unidades de saúde e vacinação aos finais de semana em locais como shoppings e supermercados, são atividades que já mostraram resultados positivos.

Veruska relembra que em 2022 a cobertura vacinal contra a Poliomielite estava em 80,49%, e em 2023 foi para 85,72%, o que mostra uma recuperação de 5%.

“A gente acredita que a queda (na cobertura vacinal) pode ter a ver com as pessoas que não conhecem o risco, a gravidade dessas doenças”, pontuou a superintendente.

Além disso, Veruska também elenca o afastamento da população das unidades de saúde durante a pandemia e a disseminação de informações falsas na internet como outros fatores que colaboram para o baixo índice de imunização.

“As vacinas são as melhores formas de imunização disponíveis no Sistema Único de Saúde”, relata Lahdo.

Ela informa ainda que atualmente 20 vacinas estão previstas no Programa Nacional de Imunização (PNI), e já foram responsáveis por erradicar do país doenças como a pólio e o sarampo. No entanto, o sarampo voltou a circular no Brasil, e em 2019 a nação perdeu o certificado de país livre do vírus.

FIM DA GOTINHA

O Ministério da Saúde relatou ainda que as popularmente conhecidas como “gotinhas”, que são as doses de reforço contra a pólio, serão substituídas pelo imunizante injetável.

Em nota, o ministério afirmou que “o país está em fase de transição para substituir as duas doses da Vacina Oral Poliomielite (VOP) por apenas um reforço com a Vacina Inativada Poliomielite (VIP). Ou seja, o esquema vacinal e a dose de reforço serão feitos exclusivamente com a VIP. O PNI está preparando o protocolo que orientará estados e municípios sobre a substituição das doses nos reforços ainda no segundo semestre”.

Saiba

Veruska informa ainda que as vacinas auxiliam na redução das complicações decorrentes de infecções, como riscos de morte e de internação.

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