Cidades

IMIGRAÇÃO

Região de fronteira recebe média de 100 haitianos por dia fugindo da crise

Imigrantes deixam o País em busca de melhores oportunidades de trabalho no Chile, Peru e Estados Unidos

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Todos os dias, a Rodoviária Municipal de Corumbá fica muito movimentada com a chegada de dezenas de ônibus. Uma grande fatia desses passageiros que chega à cidade da fronteira com a Bolívia, distante 420 km de Campo Grande, é de haitianos, que estão saindo do Brasil com destino a Chile, Peru, México e Estados Unidos.  

Em números estimados pela Gerência de Proteção Social Especial da prefeitura de Corumbá, há pelo menos 100 haitianos desembarcando na cidade fronteiriça por dia, isso desde o início de deste mês. Antes, desde janeiro, esse fluxo era de 30 a 60 haitianos.

A intenção das dezenas de grupos é passar de um a três dias em Corumbá e fazer uma viagem, conturbada e perigosa, atravessando a Bolívia em direção ao Chile ou Peru.

Enquanto estão no Brasil, todos permanecem legalizados e com permissão para ficar em solo brasileiro. Depois que cruzam a fronteira seca com a Bolívia, só há incertezas.  

Principalmente porque a maioria faz a viagem em negociações envolvendo os chamados coiotes, que auxiliam a travessia. 

A Bolívia, atualmente, está com fronteira fechada para estrangeiros por conta da Covid-19, e os haitianos que querem entrar no país vizinho precisariam solicitar visto no consulado, sem necessariamente ter a garantia de que a solicitação será atendida.  

Conforme o governo boliviano, cidadãos do Haiti necessitam de visto de turista, a ser protocolado em escritório consular. Porém, esse trâmite não ocorre.

Uma passagem comum entre Puerto Quijarro e Santa Cruz de la Sierra deve custar entre R$ 79 e R$ 44, de trem ou ônibus. Porém, os haitianos pagam em média R$ 500 por pessoa para realizar o trajeto. 

Conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado, em geral são os chamados atravessadores ou coiotes que organizam essas viagens em ônibus pequenos e fretados. Tudo é negociado em Corumbá.  

Em alguns casos, conforme apurado com passageiros que estavam na rodoviária de Corumbá nesta sexta-feira, os haitianos vindos de diferentes partes do País, em especial do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso, chegam em Campo Grande e pegam carros fretados em Corumbá pelo preço de até R$ 800 a viagem. 

A negociação acontece por parte de brasileiros e de alguns haitianos que vivem em Corumbá e de boca em boca oferecem o serviço para quem deseja sair do Brasil.

Últimas notícias

Crise

Outros viajam de ônibus intermunicipal e interestadual.

Esse fluxo para sair do País está ocorrendo por conta principalmente da cotação do dólar, da falta de trabalho, do custo de vida alto e das restrições que a pandemia gerou, com impactos sociais e econômicos.  

Um haitiano, que já fez a travessia no Brasil seguindo para o Chile, relatou que, quando houve a vinda para o País, quem morava no Haiti encontrava o câmbio a R$ 2,30.  

Agora, com o dólar a R$ 5, o poder de compra diminuiu e aumentou a dificuldade dessas pessoas conseguirem juntar dinheiro para enviar a familiares que moram no Haiti.

Conforme Huste Dorcely, que cruzou a fronteira do Brasil com a Bolívia com a filha e a esposa no fim de junho, um haitiano trabalha o mês todo em território brasileiro para receber em torno de US$ 230. No Peru, é possível ganhar até US$ 500.  

Se for no Chile, a estimativa é de receber US$ 800 por mês. Ele conversou com a reportagem por aplicativo de celular.  

Quem decide ir para os Estados Unidos, que desde o início do governo de Joe Biden decidiu dar abrigo para algumas nacionalidades, incluindo os haitianos, há perspectiva de ganhar mais de US$ 1 mil por mês.

Barreira na Bolívia

Entre Corumbá e Puerto Quijarro, há diferentes lugares para se atravessar sem passar pela vistoria de autoridades. Logo ao lado do Posto Esdras, cerca de 100 metros antes da aduana, há um caminho mata a dentro chamado Trilha do Gaúcho. Por ali, é possível atravessar a fronteira sem passar pela fiscalização brasileira e boliviana a pé.  

O Correio do Estado esteve no local nesta sexta-feira e confirmou o caminho aberto, mas não havia pessoas transitando no começo da tarde.  

Em geral, a travessia é no começo da noite ou durante a madrugada. Há outras estradas que permitem a travessia, mas é necessário ir de carro para percorrer trajetos de até 20 km. Nessas vias de terra não existe fiscalização de ambos os lados.

Porém, com o aumento do fluxo de haitianos transitando na Bolívia, a fiscalização estaria apertando o cerco, principalmente na proximidade com Santa Cruz de la Sierra, após uma viagem de cerca de 400 km desde Puerto Quijarro.  

Só entre a noite de quinta-feira e a manhã desta sexta-feira, em torno de 35 haitianos foram obrigados a retornar ao Brasil e trazidos para a fronteira com Corumbá.

“Teve gente chegando aqui na pousada de noite, querendo o quarto que estavam, mas estava tudo ocupado. Alguns não tive como abrigar. A gente até ampliou as vagas, agora temos 39 quartos, alguns com quatro camas. Dessa vez que eles voltaram, tinha crianças também. A gente faz o que pode para ajudar”, comentou Marcos de Carvalho, 52 anos, dono de uma pousada na Rua América.  

“A gente está ficando cheio todos os dias e, pelo que me falaram, esse fluxo vai continuar até o fim do ano”, completou.

A Polícia Federal informou ao Correio do Estado que acompanha a situação e atua na questão imigratória regularizando e realizando o controle de quem entra e sai do País.

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CAMPO GRANDE

Discussão entre colegas de trabalho termina em morte dentro da Ceasa-MS

Homem foi esfaqueado durante briga em empresa permissionária instalada nas Centrais de Abastecimento; suspeito permaneceu no local e acabou preso em flagrante

30/05/2026 14h00

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30)

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30) Dourados Agora

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Uma discussão entre dois funcionários de uma empresa permissionária instalada dentro da Ceasa-MS terminou em homicídio na madrugada deste sábado (30), em Campo Grande.

O crime ocorreu por volta das 4h, em uma área operacional das Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul. De acordo com informações preliminares, os dois trabalhadores atuavam na mesma empresa quando iniciaram um desentendimento que evoluiu para agressão física.

De acordo com o portal Dourados Agora, durante a briga, a vítima teria desferido um tapa no rosto do colega. Em seguida, o outro funcionário reagiu utilizando uma faca e atingiu o homem na região do tórax.

A vítima não resistiu ao ferimento e morreu ainda no local. Após o ocorrido, o autor permaneceu na área da empresa até a chegada das equipes policiais.

O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a delegacia por volta das 4h30. Informações iniciais apontam que ele não possuía antecedentes criminais.

Em nota, a Ceasa-MS confirmou que a ocorrência envolveu funcionários de uma empresa permissionária instalada em sua área operacional e informou que acompanha o caso.

“A administração da Ceasa/MS acompanha a situação e está à disposição para colaborar com as investigações, fornecendo as informações que forem solicitadas pelos órgãos competentes”, informou o comunicado.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a motivação da discussão que terminou em morte.

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POLÍCIA

Homem é morto a facadas em via pública em São Gabriel do Oeste

Conhecido como "Xuruca", John Maycon da Silva de Jesus, de 32 anos, foi encontrado ferido em uma rua do Jardim Gramado e morreu antes de receber atendimento médico

30/05/2026 13h30

Polícia Militar isolou a área para os trabalhos da perícia e início das investigações sobre o homicídio

Polícia Militar isolou a área para os trabalhos da perícia e início das investigações sobre o homicídio Reprodução/Idest

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Um homem identificado como John Maycon da Silva de Jesus, de 32 anos, conhecido pelo apelido de "Xuruca", foi assassinado a facadas na noite de sexta-feira (29), em São Gabriel do Oeste, município localizado a cerca de 140 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o portal de notícias Idest, o crime ocorreu na esquina das ruas Anhumas e Sabiá, nas proximidades da Escola Estadual Professora Creuza Aparecida Della Coleta, no bairro Jardim Gramado.

A Polícia Militar foi acionada após moradores informarem, por meio do telefone 190, que havia uma pessoa caída na via pública. Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram a vítima com diversos ferimentos provocados por arma branca.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros também foram mobilizadas para prestar socorro. No entanto, conforme informações repassadas pelos socorristas, John Maycon já estava em parada cardiorrespiratória quando recebeu atendimento.

A morte foi constatada ainda no local. Após a confirmação do óbito, a área foi isolada para o trabalho da Perícia Científica e da Polícia Civil, que realizaram os levantamentos iniciais para esclarecer as circunstâncias do crime.

A Polícia Civil instaurou inquérito e investiga a autoria e a motivação do homicídio. Até a publicação desta matéria, nenhum suspeito havia sido identificado ou preso.

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