Cidades

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Relatório final da CPI do Tráfico de Pessoas propõe leis mais rigorosas

Relatório final da CPI do Tráfico de Pessoas propõe leis mais rigorosas

AGÊNCIA BRASIL

20/05/2014 - 17h30
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A relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas, Flávia Morais (PDT-GO), disse que a alteração no Código Penal para aumentar a pena para os responsáveis pelas diferentes modalidades de tráfico de pessoas é o grande legado da comissão. O relatório, apresentado na semana passada, foi aprovado hoje (20), por unanimidade, e pede o indiciamento de 8 pessoas pelo envolvimento com este tipo de crime.

"Esse será o nosso grande legado. Nos trabalhos da CPI, muitas vezes, percebemos a existência do tráfico de pessoas, mas, em geral, a nossa lei não tipifica como crime", disse a deputada, que esclareceu que atualmente o Código Penal só tipifica o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual internacional. “Com a nova legislação, vamos poder enquadrar várias outras modalidades do crime como tráfico de pessoas”, completou.

Segundo a relatora, que já havia anunciado a medida, a comissão pede a aprovação de um projeto que aproxime a legislação brasileira das legislações internacionais, em especial da Convenção de Palermo, que trata do tema. “Estamos alternado o conceito dos artigos do Código Penal que tratam do tráfico de pessoas e que estão muito aquém do que prevê a Convenção de Palermo. Assim, nós damos uma abrangência maior e nós enquadramos as outras modalidades do tráfico que não eram enquadradas”, esclareceu.

Ainda nesta terça-feira, a Câmara deve instalar uma comissão especial para encaminhar o projeto. A proposta amplia a tipificação do crime de tráfico de pessoas, reconhecendo outras modalidades, como o tráfico para remoção de órgãos, trabalhos forçados e guarda de crianças e adolescentes.

Caso seja aprovado, a pena será de cinco a oito anos de reclusão para quem transportar, recrutar ou acolher pessoas nessas situações. Aliciadores, que atualmente não constam na legislação, poderão estar submetidos a essa pena. No caso do trabalho análogo ao escravo, os deputados querem mudar o Código Penal para que a pena de reclusão aumente de, no mínimo, dois para quatro anos, mantendo a pena máxima em oito anos.

Além do Código Penal, o projeto sugere a alteração de seis leis vigentes para aperfeiçoar a tipificação do crime, entre elas, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Processo Civil.

O relatório da CPI também propõe mudanças na Lei de Adoções, em especial no Cadastro Nacional de Adoção, para casos de adoção internacional. Pela proposta, o país dos estrangeiros candidatos a pais têm que ser, obrigatoriamente, signatários da Convenção de Haia, que trata do sequestro internacional de crianças. O texto também estabelece um prazo maior para o contato com as crianças antes de prosseguir na adoção. Outro ponto proíbe, por exemplo, a intermediação de pessoas físicas no processo de adoção internacional de crianças.

O relatório propõe ainda que adolescentes com idade entre 16 e 18 anos somente poderão trabalhar fora do País com autorização dos pais ou responsáveis e de um juiz, ouvido o Ministério Público. Antes de completar 14 anos, os brasileiros ficam impedidos de viajar até mesmo para fora do município onde residem desacompanhados de um responsável.

A intenção é inibir o tráfico de adolescentes que vão para o exterior com a promessa de trabalhar como modelos ou como atletas de futebol. A recomendação é que o contrato para menores de 18 anos atuarem no exterior somente poderá ser feito por empresa com registro nos órgãos competentes.

A CPI também vai recomendar a criação de uma divisão de combate ao tráfico de pessoas, no âmbito da Polícia Federal, e de delegacias especializadas no atendimento às vítimas de tráfico no Brasil e no exterior. Também solicita que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apure irregularidades na atuação de magistrados.

O relatório pede ainda que o CNJ acompanhe casos de juízes citados durante as investigações da CPI e que teriam algum tipo de ligação com a prática. Em especial o caso de Monte Santo, na Bahia, onde retirada formal do poder familiar facilitavam adoções ilegais, que podem estar relacionadas ao tráfico de crianças.

Em 2012, o CNJ chegou a afastar das funções o juiz Vitor Manuel Sabino Xavier Bizerra, de Monte Santo, e instaurar Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a atuação do magistrado em processos de adoção de cinco irmãos daquela cidade por quatro famílias de Campinas e Indaiatuba, no interior de São Paulo. Várias irregularidades nesse procedimento foram registradas. Os pais das crianças, por exemplo, não foram ouvidos no processo, que foi resolvido em uma única audiência.

“Nós não temos a prerrogativa de investigar juízes, por isso encaminhamos a recomendação ao CNJ", pontuou a relatora da CPI.

AÇÃO MPMS

Presidente do hospital de Sidrolândia é alvo de operação do Gaeco

Hospital beneficente já foi alvo do MPMS, em novembro do ano passado, por desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos

07/10/2026 08h05

Viatura do Gaeco foi flagrada, na manhã desta quarta-feira (7), em Sidrolândia

Viatura do Gaeco foi flagrada, na manhã desta quarta-feira (7), em Sidrolândia Reprodução: Região News

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) amanheceu na casa de Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. Além dele, a contadora da instituição também é alvo da operação na manhã desta quarta-feira (7).

Viaturas do Gaeco foram flagradas em frente ao residencial na Avenida Dorvalino dos Santos. O número de mandados que estão sendo cumpridos não foi divulgado até o momento.

Em novembro do ano passado, o hospital foi alvo da Operação Dirty Pix, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM).

A Operação Dirty Pix identificou desvio milionário em recursos públicos do hospital beneficente de Sidrolândia. No município sul-mato-grossense, entre os alvos estavam cinco vereadores e ex-vereadores, dois secretários e a vice-prefeita Cristina Fiuza (MDB).

Conforme apurou a investigação, foi identificado um desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, dinheiro que foi repassado pelo governo do Estado ao Executivo Municipal para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar. 

Porém, parte dessa verba foi desviada, segundo o MPMS, pela administração do hospital, em conjunto com a empresa fornecedora, que seria a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos, a qual também pagou vantagens indevidas a parlamentares. 

“De acordo com os elementos colhidos, a empresa fornecedora realizou diversas transferências mediante Pix, diretamente ou por intermédio de terceiros, ao presidente do Hospital e aos vereadores envolvidos”, concluiu o MPMS naquela época.

Delivery

Gigante chinesa rival do iFood escolhe cidade de MS para nova expansão

Três Lagoas será a primeira cidade de Mato Grosso do Sul a receber a Keeta nesta nova etapa; aplicativo aposta no interior antes de avançar sobre grandes metrópoles

06/10/2026 20h19

Keeta prepara expansão para Mato Grosso do Sul e escolhe Três Lagoas para receber a operação da plataforma de delivery.

Keeta prepara expansão para Mato Grosso do Sul e escolhe Três Lagoas para receber a operação da plataforma de delivery. Foto: Divulgação/Keeta.

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Mato Grosso do Sul entrou na nova rota de expansão da Keeta, plataforma de delivery da gigante chinesa Meituan e concorrente de empresas como iFood e 99Food no mercado brasileiro. Três Lagoas foi escolhida para integrar o grupo de 21 cidades que receberão a operação da companhia até o fim de 2026.

O município é o único de Mato Grosso do Sul incluído nesta etapa. Ainda não foi divulgada uma data específica para o início das operações na cidade.

A chegada faz parte de uma mudança de estratégia da companhia, que decidiu avançar primeiro sobre cidades médias do interior antes de ampliar a disputa nas grandes metrópoles brasileiras.

Além de Três Lagoas, a expansão contempla oito cidades de Mato Grosso: Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tangará da Serra, Cáceres e Alta Floresta. Em Goiás, a escolhida foi Rio Verde, enquanto São Paulo terá Araçatuba.

Em Minas Gerais, a Keeta chegará a Patos de Minas, Governador Valadares, Araxá e Passos. No Rio Grande do Sul, estão Passo Fundo e Santa Maria.

A nova estratégia representa a retomada de um plano nacional que havia sido interrompido no início deste ano.

Em vez de concentrar esforços inicialmente em capitais, a Keeta pretende usar mercados do interior para conhecer diferentes perfis de consumidores, restaurantes e desafios logísticos antes de aumentar sua presença no País.

Três Lagoas passa, assim, a fazer parte de uma ofensiva que levará a empresa a sete Estados além de ampliar sua presença em São Paulo. Entre os 21 municípios estão cidades de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Interior entra no centro da estratégia

A escolha de municípios fora das grandes capitais não é por acaso. A Keeta vê nas cidades médias a possibilidade de testar sua operação em mercados com características distintas, incluindo áreas urbanas menos densas e diferentes hábitos de consumo.

Mato Grosso concentra oito das 21 cidades escolhidas nesta rodada. Três Lagoas, por sua vez, representa Mato Grosso do Sul na expansão.

Com a nova estratégia, a Keeta pretende ampliar gradualmente sua presença no Brasil, utilizando a entrada em cidades do interior como uma etapa para testar a operação em diferentes mercados antes de avançar para novos centros urbanos.

A expansão deve aumentar significativamente o alcance da Keeta no Brasil. Até então, a plataforma estava presente em 11 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a Capital e cidades da Região Metropolitana, além de Santos e São Vicente, onde iniciou sua operação piloto no País em outubro de 2025.

Disputa entre aplicativos

A retomada dos investimentos ocorre depois de uma batalha judicial envolvendo a Keeta e a 99Food. Em decisão de 29 de setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou ilegais cláusulas impostas pela concorrente que impediam determinados restaurantes de trabalhar com a Keeta.

Segundo a empresa chinesa, a decisão tem validade nacional e retirou uma das barreiras que dificultavam a expansão de sua operação no Brasil. A disputa teve início em 2025 e passou por decisões judiciais em primeira e segunda instâncias.

As dificuldades no ambiente competitivo já haviam levado a Keeta a rever seus planos no começo de 2026. A companhia chegou a preparar uma operação no Rio de Janeiro, prevista inicialmente para março, mas adiou a estreia.

Na ocasião, executivos afirmaram que encontraram um número de contratos de exclusividade entre restaurantes e concorrentes superior ao esperado.

Mesmo com a retomada da expansão, o Rio de Janeiro ficou de fora do atual pacote. A companhia decidiu priorizar os municípios do interior e deixar a entrada na capital fluminense para outra etapa.

Investimento bilionário no Brasil

A ofensiva faz parte de um plano de R$ 5,6 bilhões em investimentos no Brasil ao longo de cinco anos, anunciado pela Meituan em 2025.

Na ocasião, a companhia também projetou a construção de uma rede nacional de entregas e a contratação de funcionários para sustentar a expansão da operação brasileira.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, a Keeta afirma reunir atualmente 83 mil estabelecimentos cadastrados, cerca de 430 mil entregadores parceiros registrados e 10 milhões de downloads do aplicativo no Brasil.

A entrada em Três Lagoas coloca Mato Grosso do Sul pela primeira vez no mapa dessa nova fase da disputa entre grandes plataformas de entrega.

Para restaurantes, consumidores e entregadores da cidade, a chegada da Keeta também deve acrescentar um novo concorrente ao mercado local de delivery.

As 21 novas operações estão previstas para entrar em funcionamento até o fim de 2026, mas a empresa ainda não informou quando o serviço será efetivamente lançado em Três Lagoas.

Quem é a Keeta

A Keeta é o braço internacional da Meituan, companhia chinesa de tecnologia fundada em 2010 e que atua em serviços de entrega e comércio digital.

A marca Keeta foi criada para levar o negócio de delivery da empresa a outros países e iniciou sua expansão internacional por Hong Kong, avançando posteriormente para mercados do Oriente Médio.

No Brasil, a operação começou em outubro de 2025, com um projeto-piloto em Santos e São Vicente (SP), antes de avançar para São Paulo e outros municípios. A Meituan anunciou um plano de R$ 5,6 bilhões em investimentos no País ao longo de cinco anos.

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