Cidades

Feminicídio

Religioso, homem preso por matar garota de programa diz que cometeu crime porque ela era "impura"

Sérgio Guenka, de 52 anos, disse à polícia que está na Bíblia que "elas não devem sobreviver nessa terra"

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Em depoimento à polícia, Sérgio Guenka (52), acusado de matar Cristiane Eufrasio Milan, de 42 anos, disse que desferiu as mais de 36 facadas por considerar a vítima, que era garota de programa, uma mulher "impura", e que "a Bíblia fala sobre isso".

O caso foi esclarecido durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (23), na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Segundo a delegada Elaine Benicasa, além das falas do autor apontarem para um fanatismo religioso, a própria residência, onde o crime foi cometido, continha muitos símbolos religiosos.

"No local se encontra vários objetos referentes à religiosidade, como bíblias e muitos crucifixos, o que vai de encontro ao que ele mesmo disse, de que ele teria que tirar a vida de uma mulher de programa por considerar que as mulheres de programa são mulheres impuras", afirmou a delegada.

"Ele disse que teve programas com ela outras vezes, mas que neste dia ele simplesmente resolveu tirar a vida dela porque ele chegou à conclusão de que ela seria uma mulher impura, e que a Bíblia fala sobre isso, que elas não devem sobreviver nessa terra", acrescentou.

O corpo da vítima foi encontrado posicionado em forma de crucifixo, com os braços abertos e os pés esticados um sobre o outro.

"Questionado, ele disse que foi proposital. Ainda riu por diversas vezes no interrogatório, dizendo que ele não quis parecer o Maníaco da Cruz, mas quis sim chamar a atenção do crime para ele. Gostaria, de certa forma, ser famoso por essa hediondez cometida", disse Benicasa.

Além dos símbolos religiosos, a casa era malcuidada, com objetos "jogados" e sujeira.

"Os locais de feminicídios são locais que denotam essa natureza de crime de ódio, e esse não foi diferente. É um local bastante insalubre, com muita sujeira, resíduos de alimentos, resíduos fecais, muitas roupas espalhadas, não há água na residência", acrescentou.

O Crime

Segundo a delegada, no sábado, pela manhã, Guenka contratou os serviços de Cristiane. A vítima compareceu ao local, eles tiveram relação, em seguida ele foi à cozinha, pegou uma faca e foi até a mulher para desferir o primeiro golpe. Ela tentou fugir, conseguiu chegar até a porta, mas se confundiu com as chaves, momento em que o autor a atacou novamente.

De acordo com a perícia, foram mais de 36 facadas por todo o corpo. Além disso, foram utilizadas duas facas, mas apenas uma foi localizada.

Após o crime, o homem ainda passou 48 horas com o corpo da vítima dentro de casa, vivendo normalmente.

"Ele sai de casa, compra um salgado no mesmo bairro, retorna e assim permanece até segunda-feira, quando ele aciona os familiares solicitando atendimento psiquiátrico", narrou Benicasa.

Foi na segunda-feira (22) que ele contatou a família pedindo por atendimento psiquiátrico. Segundo a delegada, após conversar com os familiares ele foi por conta própria a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde relatou a uma médica que teria tirado a vida de uma mulher, e que o corpo dela ainda estaria no local.

A médica entrou com contato com a família, que foi até a residência, encontrou o corpo de Cristiane e acionou o Corpo de Bombeiros.

"De certo, ele caiu em si, viu o que tinha feito e que tinha passado dois dias com o corpo da mulher no chão da sala", palpitou a delegada.

Faltam laudos 

Segundo Benicasa, até o momento, nem a família e nem o advogado apresentaram laudos que apontem para doença psiquiátrica.

"Eu creio que isso vai ser discutido em juízo. Ele apresenta momentos de lucidez. Temos uma testemunha presencial, que é o vizinho da frente, que ouviu gritos. Esse mesmo vizinho disse que ele tem momentos de lucidez, mas também alguns momentos em que se percebe que ele possa ter algum distúrbio psiquiátrico", comentou a delegada.

Durante depoimento, o autor alegou tomar remédios de tarja preta e ser esquizofrênico e psicótico, mas a perícia não encontrou medicamentos dessa natureza na residência.

"Mas nós estamos abertos para que isso seja apresentado, ou então nós iremos, como já fomos várias vezes, no local do crime em busca desses laudos. Mas a princípio não foi apresentado nada", concluiu.

Premeditado

A polícia trata o crime como premeditado, já que Sérgio Guenka contou que já havia feito outros programas com essa mesma vítima, e que quando a contratou já pensava em matá-la.

"Ele afirma tranquilamente que, antes de tirar a vida, manteve relação sexual com ela, e depois ele decidiu premeditadamente, como mesmo ele afirma, tirar a vida dela. Já era algo que ele tinha em mente", afirmou Benicasa.

O homem foi preso em flagrante por ocultação de cadáver, mas também responderá pelo crime de feminicídio.

14º VÍTIMA DO ANO EM MS

Desde o dia 1º de janeiro, 14 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Destes óbitos, cinco foram na Capital, dois deles no último fim de semana.

Além da morte de Cristiane, Andressa Fernandes Teixeira, 29 anos, foi morta após ser atropelada e arrastada pelo marido, Willames Monteiro dos Santos, na noite do sábado (20).

Os filhos do casal, de 3 e 11 anos, presenciaram o crime.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Marianne Souza, o casal estava bebendo em casa e, quando o suspeiro ia sair pela terceira vez para buscar mais bebida, a vítima teria tentado impedir, por ele já estar embriagado.

Mesmo assim, o homem entrou no carro e deu ré, atropelando a esposa e a prensando contra o portão da casa. Na sequência, ele saiu com o carro e vítima foi arrastada por cerca de 10 metros.

É a segunda vez no ano que Campo Grande tem um fim de semana marcado por feminicídios. Em março, dois casos também chocaram a população.

Renata Andrades de Campos Widal, de 39 anos, foi morta a pedradas e teve o pescoço "cortado" por um serrote no fim da tarde do dia 22 de março, uma sexta feira. O crime foi cometido pelo próprio irmão da vítima, um homem de 36 anos. Ele foi preso em flagrante e, em depoimento, confessou o crime.

Na noite de sexta-feira (22), Dayane Xavier da Silva, de 29 anos, foi morta a facadas pelo marido. Segundo testemunhas, eles teriam se desentendido ao chegar em casa, após beberem em uma conveniência.

HISTÓRICO

Em 2023, 30 mulheres foram vítimas de femincídio no Estado. O ano anterior, 2022, havia sido o recorde no número de casos desde que a lei foi instituída, em 2015. Foram 44 vítimas registradas no sistema da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp).

Em 2021, o Estado registrou 37 feminicídios. No ano de 2020, 41 mulheres foram mortas por serem mulheres. Em 2019, foram 30 vítimas; e em 2018, 36.

Fonte: Sejusp

Em 2017, o número de vítimas foi de 33 mulheres. No ano de 2016, o Estado computou 36 feminicídios, e em 2015, 18.

DENUNCIE

Sem sair de casa:

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher faz uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.

Registre a denúncia no site da Polícia Civil

Se não puder sair de casa ou usar o telefone, acesse o site www.pc.ms.gov.br, clique no link “B.O. ONLINE – DELEGACIA VIRTUAL” e, no Serviço ao Cidadão, clique em “REGISTRAR DENÚNCIA – Violência contra a mulher”, preencha os campos com as informações solicitadas (você não precisa se identificar). Nesse canal, também é possível fazer denúncia de violência contra criança e de violência contra pessoa idosa. 

É possível também fazer a denúncia online na Polícia Civil, por meio de aparelho celular, no aplicativo MS DIGITAL, no ícone Segurança. O aplicativo está disponível nas nas lojas virtuais para versões IOS e Android, o MS Digital foi desenvolvido para reunir o máximo de serviços públicos, ocupando pouco espaço nos aparelhos celulares. 

SE PUDER COMPARECER À UMA DELEGACIA, você fará o registro do boletim de ocorrência, narrando os fatos para a autoridade policial e dando início à investigação criminal.

Em Campo Grande, em caso de violência contra meninas (menores de idade) ocorrida no período noturno ou finais de semana, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), localizada na Casa da Mulher Brasileira, faz o atendimento e posterior encaminhamento para a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (DEPCA) . 

CASA DA MULHER BRASILEIRA

Casa da Mulher Brasileira instalada em Campo Grande completou 8 anos em 3 de fevereiro de 2023. Inauguarada em 2015, o local é a primeira Casa da Mulher Brasileira criada no país.

Em 8 anos de funcionamento, a instituição acolheu 108.248 mulheres e realizou 917.585 atendimentos, entre encaminhamentos e retornos. 

O local oferece acolhimento de mulheres e filhos, triagem, serviço de saúde, hospedagem temporária, apoio psicossocial, delegacia, juizado, Ministério Público, Defensoria Pública, promoção de autonomia econômica, atenção com os filhos da mulher como brinquedoteca, alojamento de passagem e central de transportes.

Órgãos do governo do Estado e prefeitura estão vinculados a Casa da Mulher Brasileira, como Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), Secretaria de Assistência Social (SAS), Centro de Referência da Saúde da Mulher (CEAM), Casa Abrigo, Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), Polícia Militar (PMMS), Polícia Civil (PCMS), entre outros. 

De acordo com a subsecretária de políticas para as mulheres de Campo Grande, Carla Stephanini, para baixar índices de feminicídio, é preciso uma consciência social coletiva, de que não podemos conviver em sociedade com a violência doméstica.

"É importante dizer que, ainda assim, nós sabemos que há uma subnotificação da violência doméstica e familiar e da violência contra as mulheres. Os nossos números são expressivos, são superlativos, sim, mas assim como o nosso compromisso de manter o bom funcionamento da Casa da Mulher Brasileira. Dessa forma promovemos a dignidade das nossas mulheres", disse a subsecretária em 3 de fevereiro de 2023.

A Casa da Mulher Brasileira está localizada na rua Brasília, Jardim Imá, em Campo Grande, próxima ao Aeroporto Internacional da Capital. 

O local funciona 24 horas, inclusive em finais de semana e feriados. O telefone para contato é o (67) 2020-1300.

Colaborou: Glaucea Vaccari e Felipe Machado.

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NARCOTRÁFICO

PF mira grupo ligado ao tráfico e bloqueia R$ 50 milhões

Operação Suécia XXXV cumpre 15 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná

22/09/2026 09h00

Polícia Federal cumpre 15 mandados de busca e apreensão e mira R$ 50 milhões em patrimônio de investigados por tráfico transnacional de cocaína

Polícia Federal cumpre 15 mandados de busca e apreensão e mira R$ 50 milhões em patrimônio de investigados por tráfico transnacional de cocaína Divulgação

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (22) a Operação Suécia XXXV, contra suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada pelo tráfico transnacional de pelo menos 1,3 tonelada de cocaína. A ação cumpre 15 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

A Justiça também determinou medidas de sequestro de até R$ 50 milhões em bens dos investigados. Entre o patrimônio alcançado pelas ordens judiciais estão imóveis, veículos e valores mantidos em contas bancárias.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que o grupo estaria envolvido no transporte de pelo menos 1.302 quilos de cocaína que ingressaram no Brasil pelo Paraguai. A quantidade foi contabilizada a partir de quatro apreensões realizadas ao longo das apurações.

Durante o cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira, os policiais apreenderam imóveis, ativos financeiros, joias, relógios de luxo, veículos e armas de fogo que estavam em posse dos investigados.

A operação busca avançar na identificação dos integrantes da organização e atingir a estrutura patrimonial utilizada pelo grupo. O bloqueio e o sequestro de bens têm como objetivo impedir que recursos supostamente relacionados à atividade criminosa permaneçam sob controle dos investigados.

As diligências da Operação Suécia XXXV continuam nos três estados.

Segurança Pública

Mato Grosso do Sul tem salto de assassinatos em meio à guerra de facções

Briga entre Comando Vermelho e PCC por território influenciou no número de homicídios registrados este ano no Estado

22/09/2026 08h15

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS Foto: Agência Brasil

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A briga entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) por domínio de territórios em Mato Grosso do Sul tem contribuído para que 2026 seja o ano com mais mortes dos últimos nove anos. De janeiro a setembro, ocorreram 405 homicídios no Estado, um aumento de 22% em relação a 2025.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que este foi o primeiro ano em que o Estado ultrapassou a marca das 400 execuções em nove meses desde 2018.

Em 2025, por exemplo, foram registradas 332 mortes de janeiro a setembro, isso contabilizando os 30 dias do mês, já os dados deste ano compreendem o período de janeiro até o dia 20.

O aumento está diretamente ligado a guerra entre as duas maiores facções criminosas do País, que, desde o ano passado, têm travado uma batalha sangrenta pelo domínio de regiões próximas às fronteiras com a Bolívia e o Paraguai.

Matéria do Correio do Estado deste mês já apontava o ano como o mais sangrento da guerra entre as facções. Segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (Uicc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a estimativa é de que mais de 100 pessoas já tenham sido mortas em razão desse conflito neste ano.

“A guerra de facções já está aí há um tempo, e ela já fez várias vítimas aqui do Estado. A gente não tem o número exato, mas, talvez, seja o ano mais sangrento de Mato Grosso do Sul nessa guerra de facções. Mais de 100 [já morreram] só aqui”, afirmou o promotor, que participou de investigação sobre perfis de supostos membros do CV que estariam publicando fotos de pessoas que seriam membros do PCC e que estariam “marcadas para morrer”.

PCC e CV são as principais facções em atuação em MS

Segundo a investigação, pelo menos 24 pessoas, que seriam membros do PCC, estariam nessa lista de jurados de morte.

Por fazer fronteira seca com a Bolívia e com o Paraguai, Mato Grosso do Sul é usado por organizações criminosas como corredor para o transporte de maconha e cocaína, porém, a facção criminosa com maior presença no Estado sempre foi o PCC, originário de São Paulo, estado que faz divisa com MS.

Entretanto, nos últimos anos, o Comando Vermelho tem intensificado sua presença no Estado, principalmente na região norte, na divisa com o Mato Grosso, unidade federativa onde é mais atuante.

Um exemplo da briga entre as facções foi o triplo homicídio cometido neste fim de semana em Nova Andradina. Foram mortos Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37 anos, e Raissa Franco, de 21 anos. Segundo a polícia, o crime foi atribuído a integrantes do Comando Vermelho. Um adolescente de 14 anos também ficou ferido gravemente e foi encaminhado para o hospital.

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